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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O verdadeiro nome das coisas


"Eu sempre me orgulhei de minha habilidade em formar uma frase, palavras são na minha nada humilde opinião nossa inesgotável fonte de magia!" escreveu a britânica J.K. Rolling para seu personagem Alvo Dumbledore da série Harry Potter. O que esta britânica escreveu é o que o homem de todos os tempos sempre quis fazer. Por meio do domínio da palavra e da fala o homem quer dominar o mundo ao seu redor para fazê-lo caber dentro do seu arcabouço de conhecimento. Assim é que foi dando nome e utilidade às coisas desde a antiguidade. Ao dominar o nome, tinha-se a impressão de dominar a coisa em si. Mas, na alta idade média o nominalismo já declinava e quando a modernidade principiou já não era mais a coisa em si a realidade a ser descrita pela palavra, mas, a palavra criava a realidade em si: "cogito ego sun".

A briga pelo domínio da palavra e para ser quem dá o nome às coisas é a briga pelo domínio do real. Quem dá nome à realidade domina-a. Por isso vimos muitas coisas mudarem de nome ao longo da história e hoje eu quis fazer uma lista de palavras usadas hoje em dia para dizer uma coisa que, em outros tempos ou em outros lugares já tiveram ou ainda têm nomes bem diferentes.

Espírito olímpico - Isto já foi chamado de empatia, solidariedade, virtudes muito humanas que agora precisam ser deificadas para suprir a falta de Deus.

Ser abençoado com a sorte e/ou destino - Isto já foi chamado de bênção divina, graça divina, graça de Deus. O que antes era usado para expressar a fé do indivíduo em um Deus pessoal é agora usado para expressar a fé do indivíduo no nada, no vazio, porque o pensamento contemporâneo não suporta a fé em Deus.

O que hoje se chama pelo nome secularizado de "solidariedade" sempre fora chamado de caridade.

O que hoje se quer chamar "amor ao próximo" como sinônimo de um agir falsamente moral, falsamente amparado nas Sagradas Escrituras e em Jesus Cristo deve ser chamado com seu verdadeiro nome: voluntarismo benemérito de ong a-religiosa; desculpa mental para não aderir ao cristianismo de modo verdadeiro e coerente.

Os nomes das cidades - Muitas cidades tiveram mudados - com a influência da maçonaria - seus nomes de santos para nomes seculares. Santa Rita do Paranaíba virou Itumbiara, Santana dos Campos Ricos virou Anápolis. Espírito Santo do Amapá virou Amapá, São José de Macapá virou Macapá. Para conhecer nomes mudados de outras cidades visite este link aqui.

Outra coisa que mudou de nome foi o nascimento de Jesus Cristo, Filho de Deus, para "espírito natalino" ou "natal" com conotação mundana, uma coisa amorfa, sem sentido, que até os bruxos de Harry Potter comemoram!

Outras coisas mudaram de nome também. Mentir virou tergiversar. Roubar mudou para caixa dois. Aborto mudou para interrupção voluntária da gravidez. O erro virou alternativa, a verdade perdeu seu lugar de reguladora da realidade, o mal virou culto, Deus foi banido do tecido social, da política e da filosofia. E agora os mágicos de palavras usam suas varinhas de condão para criar uma realidade inexistente.

Numa polêmica dos novos tempos envolvendo a Igreja e o mundo hostil, uma iniciativa que se pretende cultural quis apresentar uma imagem da Virgem de modo que a mesma depreciasse o culto católico. Ao ter sua representação questionada pelos católicos, os promotores do evento quiseram dizer que em nome da arte pode-se fazer tudo. No entanto, uma imagem da Virgem não é apenas arte. É arte e expressão de fé. Dizem respeitar todas as religiões, mas, querem "ressignificar, transgredir e reler" um elemento cultural e de fé católica. Evidentemente que não se pode esperar coerência de quem não se deixa governar pela verdade. Este dado só demonstra claramente o antigo desejo humano: dar seu próprio nome às coisas afim de se apropriar delas, tê-las para sua posse sem qualquer outra nobre finalidade que não a diluição de tudo o que é católico em um amontoado amorfo de coisas superadas, transgredidas, mudadas e ressignificadas.