Páginas

quarta-feira, 30 de março de 2016

É possível comemorar a Reforma Protestante?


Entrevistas de prelados da Igreja, vaticanistas e comentadores nos canais católicos de notícias - ACI Prensa, Zenit, Aleteia, A12 e o site News.va, do próprio Vaticano - dão conta de que a Igreja Católica se juntará aos Luteranos para comemorar, de alguma forma, a Reforma Protestante do século XVI prestes a completar 500 anos. Ainda que soe completamente absurda a proposta, ela encontra adeptos e aplausos entre os bem-intencionados, e os não, que impulsionam o diálogo ecumênico. Fico pasmo já com a ideia de comemorar um pecado, celebrar uma ruptura na unidade do Corpo Místico, enaltecer a quebra da comunhão de fé, liturgia, moral, lei, dogmas e costumes. Celebrar a dilapidação de Catedrais, mosteiros, capelas e Igrejas. A morte de padres, freiras, monges e fiéis leigos. Pôr em relevo a crítica acerba luterana e calvinista e seu ódio por tudo o que é Católico. Dos filhos de Lutero e Calvino nada se espera de bom. Ei-los todos os dias nos seus programas de Tv falando mal da Igreja de Cristo, como os soldados que cuspiam no rosto do Salvador, humilhando-o. "Profetiza e dize quem te bateu" (Mt 26,66). Em geral, o argumento que se usa para defender esta novidade é a recomposição da unidade perdida com a Reforma. Olhando retrospectivamente a coisa parece muito bizarra.

Tudo começou com a revolta de Lutero com a pregação das indulgências na Diocese de Magdeburgo por Johannes Tetzel para a construção da Basílica de São Pedro. A pregação das indulgências em Magdeburgo estava ligada pelo Arcebispo Alberto de Brandemburgo a um empréstimo contraído junto aos banqueiros de Augsburg para pagar os débitos contraídos com a Câmara Apostólica para acumular uma terceira Diocese, Mogúncia. Quem arrancava dinheiro do povo era Tetzel a mando de Alberto de Brandemburgo e não o Papa... Mas, isto é outra história. Fato é que Lutero se revoltou com isso e escreveu as suas 95 teses sobre a prática e a teologia da penitência. Ele foi chamado a se retratar várias e várias vezes de suas posturas e não obedeceu, preferindo permanecer inamovível. O Papa Leão X nomeou Caetano seu legado para o caso de Lutero. Lutero, no entanto, recusava-se peremptoriamente a qualquer gesto de boa vontade para com o Papa ou a Igreja. Pronunciou um sermão forte contra a excomunhão Papal, se recusou ir a Roma para uma audiência e foi ouvido em Wittenberg. 

Após a disputa teológica com João Eck e Karlsdat, Lutero recusou a teologia escolástica, formulou seu dogma da "Sola Scriptura" e rompeu com a Igreja Católica definitivamente. Rejeitou toda a Tradição precedente inclusive Agostinho, neguou todo o Magistério eclesiástico e o Concílio e chegou, inclusive, a negar a visibilidade da Igreja em detrimento de uma Igreja puramente espiritual. "Ele sente-se um profeta", escreve Guido Zagheni. Após a irrogação de sua excomunhão pelo Papa Leão X, Lutero escreveu em Latim o De captivitate babylonica ecclesiae, o mais radical de seus escritos, no qual nega quatro dos sete sacramentos, mantém o batismo, a Eucaristia e a penitência desfigurando, no entanto, totalmente estes três sacramentos. Ao batismo resta apenas a realidade da salvação pessoal que perdura enquanto perdurar a fé; à eucaristia retira-se o dogma da transubstanciação e, por consequência, pela ausência do sacerdote para consagrá-la; a missa deixa de ser o sacrifício para se tornar apenas memória, testamento de Cristo e a penitência vale enquanto no fiel residir fé fiducial na sua salvação pessoal independendo de ministro consagrado para tornar a penitência eficaz sinal de salvação. Seus escritos transparecem um teor gnóstico quando ele credita seu saber a uma iluminação direta de Cristo em sua pessoa o que virá, mais tarde, a inspirar o "livre exame" das escrituras.

Depois da revolta de Lutero contra a Igreja tantos outros o seguiu. O primeiro a segui-lo foi João Calvino  e seu companheiro Zwínglio inspirados em suas ideias e em sua prática. Antes deles Wicleff e Jhon Huss. Depois Henrique VIII se bem que por causas distintas das de Lutero e Calvino. Depois a árvore Protestante foi se dividindo ainda mais. Nasceu o ramo anabatista, depois o ramo Metodista, depois a igreja presbiteriana e a episcopaliana... Enquanto crescia em importância econômica e política na Europa, o protestantismo enforcava padres, freiras, confiscava mosteiros, conventos e bens eclesiásticos, invadia Igrejas e quebrava as imagens sacras numa onda iconoclasta como nunca se viu. Deste espírito anti-católico surgiu o protestantismo no novo mundo oriundo das migrações dos protestantes europeus, sobretudo, para os Estados Unidos. De lá veio o já miscigenado evangelismo das seitas pentecostais que aqui no Brasil começaram a se estabelecer desde o século XIX. Logo depois a árvore protestante já dividida tornou-se a dividir ainda mais e nasceu o ramo neo-pentecostal omnipresente em todo o território brasileiro.

Martinho Lutero incorreu em erro e pecado objetivos. Fora excomungado por causa de seu gesto cismático. Seu gesto causou divisão em toda a Igreja e tornou-se exemplar para outros atos de rebeldia e cisma. E, agora, vamos comemorar? O que temos para comemorar? Os corpos dos Padres e das freiras mortos pelo ódio protestante? A divisão? O pecado? Hoje em dia bate-se tanto contra o pecado da falta de comunhão e de unidade que chego a pensar que é impossível a cegueira acerca deste pecado no século XVI. A Igreja Católica fez um Concílio, o de Trento, para tratar de todos os erros veiculados pelos protestantes afim de chamá-los, pela razão, a reconhecerem seu erro e retornarem à grei de Cristo. Eu como padre não conheço e nem prego outro caminho de reconciliação e misericórdia senão quando os pecadores se arrependem de seus pecados para serem acolhidos pelo "Pai das Misericórdias e Deus de toda a consolação" e vejo notícias de que vamos comemorar um pecado!  Um pecado! Até hoje não li um pedido de perdão dos Luteranos! O "Pai das Misericórdias" perdoa o filho pródigo que volta arrependido. No entanto, para o perdão houve um arrependimento e só depois é que houve a festa! Vamos fazer festa em torno ao pecado! A Igreja teria errado, então, com Lutero?! Ao invés de Lutero estar errado seria a Igreja Católica a errada?! O erro e o mal deixaram de ser objetivos?! E os frutos de divisão que se seguiram à revolta Protestante? Teriam sido, então, bons para que nós os pudéssemos celebrar e comemorar?! Eu não consigo compreender isto. Talvez minha inteligência seja curta demais para ver o alcance de tudo isto e só os especialmente iluminados o consigam.

domingo, 27 de março de 2016

Homilia do Sábado Santo - Ano C


Um silêncio envolve a criação. As águas primordiais que cobrem o abismo jazem em profundo silêncio e escuridão. O completo vazio domina o cosmo. Um completo silêncio no grande sábado ecoa desde o túmulo no qual jaz, sem vida, o corpo morto de Nosso Senhor Jesus Cristo. Uma escuridão pesada se abate sobre os corações entristecidos de Maria e os discípulos. Mas, um sopro de Deus paira sobre as águas... um sopro de Deus paira sobre o túmulo.
E Deus disse: “faça-se a luz” e a luz se fez, espantou as trevas, afugentou o medo, aqueceu os corações gelados e amedrontados. Ele era a luz, nos diz São João, e a luz brilha nas trevas. “Faça-se”. Então tudo se fez! O amor se fez sol e afastou a escuridão! Se fez dia e afastou a noite! Se fez calor e afastou o frio! Se fez terra e afastou a água! Se fez vida e afastou a morte!
Ao lermos o relato da criação parece que estamos diante de uma sinfonia que começa silenciosa com um acorde pianíssimo de violinos. É o primeiro sopro de vida de Deus! A melodia vai crescendo aos poucos e se separam as águas de cima das águas de baixo, o elemento terra do elemento água, o dia da noite; e então se cria a vegetação, os répteis, os animais, os peixes... Aqui todos os instrumentos estão tocando em perfeita harmonia e chegam ao clímax. De um pequeno “faça-se”, nós ouvimos um grande “façamos”. Toda a Trindade se pronuncia. O Pai empenha seu querer, o Verbo empresta sua voz e o Sopro de vida invade pelas narinas o ser inanimado e ei-lo que surge: imagem de Deus, semelhança da divindade. Eis o homem! Clímax da criação!
Do seu interior exuberante a Trindade disse: “Façamos”! Então o rio de vida que brotava do seu seio jorrou impetuoso para o meio da criação. Poderia ter sido em qualquer outro lugar do universo. Poderia nem ter havido a criação do homem. Mas, o Pai de amor queria comunicar seu ser a criaturas livres. Os animais não podiam amá-lo e louvá-lo senão com sua efêmera existência. As plantas não podiam saudá-lo senão com suas folhas erguidas para o céu em atitude de louvor! As estrelas que brilham e afugentam a noite e com seu brilho afastam o desespero, também elas o podiam louvar e bendizer por aquilo que são e nada mais. Mas, Adão e Eva não. O homem podia muito mais! Adão podia reconhecer um “Tu” e dizer “Eu”. O homem era uma singularidade em todo o resto! Podia conversar com Ele! Podia falar com Ele, podia se relacionar com Ele! O homem era sua imagem. Nele estava impressa sua semelhança e, no entanto, Adão e Eva eram de uma raça distinta da raça dos deuses. Eram um não-deus. Eram ’adamah, feitos do barro.
Este modo do Gênesis nos contar a criação é impressionante. Mostra-nos a fragilidade do ser humano que vai ser mostrada no pecado de Adão, Eva, Caim e os habitantes de Babel entre outros inúmeros pecados da humanidade. Desde o pecado de Adão e Eva Deus já preparava a vinda do Salvador, quando disse à antiga serpente tentadora: “porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15). Foi deste modo previdente que Deus nos mostrou através do sacrifício de Abraão a figura, o tipo, do sacrifício de Jesus. O sacrifício de Isaac seria a prova da fidelidade de Abraão.
O sacrifício do Cristo é a prova da fidelidade do Pai. Aquele sacrifício seria realizado com lenha e fogueira, altar de pedra e faca e mesmo assim não seria suficiente para apagar os pecados de Abraão. Este sacrifício que é também chamado novo, pelo contrário, é eficaz, eficiente e suficiente. Não foi feito com carneiro sobre fogo e lenha. Mas, seu altar foi a cruz; seu punhal foi o azorrague; seu sacerdote foi o Filho de Deus e seu sacrifício foi o Cordeiro sem macha que retirou para sempre o pecado do mundo.
O sacrifício vicário de Cristo foi a absoluta aniquilação de si mesmo. Ele tudo via, tudo compreendia acerca de seu julgamento falseado, dos seus juízes injustos e mentirosos. Mas, como uma ovelha levada diante de seus tosquiadores Ele não abriu a boca. Preferiu sofrer calado a infâmia, o desprezo, a zombaria, os açoites, os tapas na face, os puxões na barba, os cuspes e a coroa de espinhos para tirar para sempre o pecado do mundo. Se ele se levantasse, se ele se erguesse ali durante sua paixão nós homens não teríamos tomado conhecimento de seu completo rebaixamento. Ele rebaixou-se para, depois, ser levantado. Ele morreu para que Nele nós vivamos. Ele ressuscitou para que Nele nós nos consideremos mortos para o pecado de uma vez e vivos para Deus!
A sua morte venceu a morte! A sua ressurreição venceu o pecado humano acumulado ao longo dos séculos. Toda a injustiça que o pecado humano foi capaz de produzir, o seu amor desmesurado foi capaz de perdoar. Toda a separação e toda a dor causadas pelo pecado, sua cruz banhada em sangue foi capaz de curar. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? A morte foi tragada na vitória do ressuscitado! A cruz da ignomínia floriu! O sangue do Cordeiro Imolado tornou-se sangue de vida e sua carne dada para a vida do mundo tornou-se pão da vida! Por isso a cruz floriu! Pois, agora ela não é somente um odioso instrumento de suplício, mas a verdadeira estrada de Jesus e de seus discípulos, por isso, nós a veneraremos até a consumação dos tempos pois foi nela que o Cristo nos salvou!
“Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontramos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível, pois, foi Ela quem nos salvou” (Liturgia Bizantina, Tropário das Vésperas de Pentecostes). Assim como estava o cosmo envolto em trevas no dia antes do dia, assim como estava o cosmo submerso em silêncio na escuridão antes da luz; assim o túmulo permaneceu no grande sábado. Sua quietude de trevas e silêncio foi quebrada por um Sopro divino. Assim como na primeira criação uma Palavra do Pai fora suficiente para que o Espírito fecundasse o cosmo e dele fizesse surgir a vida, na segunda criação uma Palavra do Pai fez o Espírito dar de novo a vida que os homens roubaram do Verbo e mais, transformou seu corpo mortal em corpo glorioso. A segunda criação é mais esplendorosa que a primeira. Pois, a primeira encerra todos os encantos da obra prima criada por Deus. No entanto, a criatura arruinada, embrutecida pelo pecado, fratricida, assassina, ladra e corrupta ficou restaurada na segunda criação, tendo sido devolvida à beleza da primeira criação. O esplendor da nova criação é o homem deificado, o homem santificado, o homem divinizado, admirado no céu por todos os anjos porque agora não é mais dotado somente matéria e barro, fraqueza e pecado, mas, enriquecido com todos os bens da graça e da vida divina que correm como um rio impetuoso de vida que brota do coração da Trindade e cuja fonte é a Cruz.
A segunda criação é o esplendor do céu que se abre diante deste fragmento de história que é o homem, por meio do sacramento do batismo. No batismo toda a Trindade se precipita ao coração purificado. O Pai se apodera deste novo ser, nascido através da morte e ressurreição de Jesus, para fazê-lo santo, santificado, separado, parte de seu povo, um filho de adoção. O Filho Unigênito une este novo filho adotivo do Pai a si mesmo no perene louvor do Pai, no ininterrupto sacrifício de louvor, no contínuo louvor de glória da Trindade Santa. O Espírito Santo ocupa este novo filho adotivo de Deus como o seu templo consagrado. Joga fora os ídolos e Ele mesmo se torna doce hóspede, refrigério da alma, bebida espiritual, fonte e alegria de vida.

Há momentos na vida humana em que, acima das trevas diárias da vida, te dás conta da realidade de um Deus que te ama imensamente. Por causa desse amor a natureza tem um sentido, a vida tem um porque, o sofrer tem um fundamento. Este momento de luz é o Mistério Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo que ilumina toda a nossa existência do nascer ao morrer e mais, além do morrer, até a vida eterna. Mergulhemos neste mistério para beber toda a sua vida, toda a sua seiva e vivermos Nele já aqui para, um dia, vivermos Nele para sempre!

Aos padres, com carinho.


Nesta quaresma milhares de almas foram salvas. Milhões! Um grande exército fez frente ao avanço do inferno sobre a terra. São homens escolhidos entre os homens. São heróis e, no entanto, não usam capa nem uniforme. Usam túnica e uma estola roxa. Milhares de pessoas se converteram de seus pecados, se arrependeram e procuraram a Igreja, sua Mãe e Mestra na vida espiritual, para dizer: "eu pequei contra Deus e contra ti". Os sacerdotes em nome de Cristo absolveram os pecados, acolheram os pecadores, aconselharam, exortaram, curaram. Nesta quaresma foram intensos 40 dias de trabalho distribuindo perdão e misericórdia a todos quantos nos procuraram. Restituímos esperança, alegria, vontade de viver; força e ânimo. Nas celebrações pascais distribuímos, então, o corpo e sangue de Jesus a todos esses homens e mulheres amados por Deus e perdoados. Obrigado a todos os irmão sacerdotes por serem as mãos de Cristo sempre estendidas a nós como as do próprio Cristo à pecadora arrependida! Horas e horas no confessionário atendendo e perdoando com a única finalidade de salvar almas, levá-las para o céu. Que Nossa Senhora das Dores ampare os irmãos sacerdotes nas suas desolações e o céu se compadeça de seus pecados. E o cansaço? "Tu, minhas mãos solicitas. Meu cansaço a outros descanse. Amor que almeja seguir amando. Senhor, tu me olhastes nos olhos a sorrir pronunciastes meu nome. Lá na praia eu larguei o meu barco. Junto a Ti buscarei outro mar". Aos críticos dos padres seria aconselhável que rezassem por aqueles a quem criticam ao invés de espalhar boataria e fofoca, pois, podem ser estes que na hora extrema venham lhe trazer o consolo dos santos sacramentos para a hora da morte e, seguramente, são estes que hoje mesmo abrem o paraíso ao bom ladrão!

domingo, 20 de março de 2016

Análise moral das reações católicas à Operação Lava Jato


O que tem em comum uma "carta aberta" da Pastoral da Juventude da Igreja Católica no Brasil, da Cáritas brasileira com as declarações de Catarina Martins, delegada do bloco de esquerda em Portugal? (Links aqui, aqui e aqui). Ainda que abismado com a constatação, as três comunicações tem tudo em comum. Todas as três comunicações defendem o desgoverno petista. A delegada do bloco socialista de Portugal tem menos pudor em assumir sua crítica socialista que a Pastoral da Juventude e a Cáritas que o fazem nas entrelinhas, maquiados por um bom-mocismo enauseante que esconde o verdadeiro fulcro do qual nasce a crítica: o abjeto socialismo marxista da luta de classes!

Ao socialista é impensável a liberdade de investigação e de imprensa. Tal liberdade está, nas palavras de Catarina, fora do Estado de direito! Pasmem, mas, esta mesma sandice é repetida pela Pastoral da Juventude e pela Cáritas! Até Dezembro de 2015 a Operação Lava Jato já tinha condenado 58 pessoas (link aqui). Todos poderosos, empreiteiros, donos do capital, políticos e lobistas. Na prisão, condução coercitiva, julgamento e condenação dessas 58 pessoas - mais aquelas que foram presas preventivamente para averiguação e inquérito - não houve nenhuma comoção da Cáritas quanto as tais conquistas históricas nunca antes vistas nesse País e nenhuma manifestação da Pastoral da Juventude quanto à grave crise pela qual passa o País. Tudo isso só veio acontecer quando a Operação Lava Jato encostou em Luiz Inácio Lula da Silva e na Presidente Dilma Rousseff. É compreensível que os socialistas e marxistas da PJ e da Cáritas os defendam e acusem de golpista a justiça que os julga culpados por roubar 27 bilhões de reais do erário público, pois, partilham da mesma ideologia.

Como Católico que sou digo que é execrável a postura de dois organismos da Igreja Católica no Brasil que chutam e pisam na moral Católica, na Verdade e na ética, que cospem no Evangelho e o rasgam para defender o indefensável , injusto, pecaminoso e idólatra projeto de poder socialista do Foro de São Paulo! Impudicos, cínicos, mentirosos e ardilosos tudo fizeram para manter o poder que conquistaram. Construíram o maior esquema de corrupção da história moderna do mundo para alimentar este mesmo projeto de poder  e dominação que incluía não somente o Brasil, mas, as outras proto-ditaduras socialistas latino-americanas na Venezuela com Nicolás Maduro que espezinhou tanto seu povo que lhes falta desde papel higiênico até comida; na Argentina com os Kirchiner que proibia de se veicular os estratosféricos patamares da inflação argentina, na Colômbia com Evo Morales e em Cuba com a dinastia Castro. Levantaram uma cortina de fumaça com benefícios sociais endividando o Governo Federal até não mais aguentar afim de camuflar suas verdadeiras e efetivas ações e isto está sendo provado e comprovado a cada descoberta que os Juízes do Ministério Público Federal estão fazendo.

 Todo pecado é um mal! A raiz de todo o mal, dizia o Santo Papa João Paulo II, está no coração de cada homem, pois, é no coração que cada um decide enobrecer-se servindo à verdade ou depravar a própria alma servindo à mentira. A mentira não se confunde com a verdade, o pecado não se confunde com a virtude, o vício não se confunde com a nobre arte do autodomínio. É impossível ao bem se tornar mal e ao mal se tornar bem. Quem chama o mal de bem ou ao bem de mal é, de fato, um pervertido como ensina Santo Tomás de Aquino! Não se pode torcer a realidade das coisas e maquiá-las com mentiras sem que, com isso, alcance-se graves consequências pessoais e sociais. Isto não diz respeito apenas a este momento da política nacional, mas, toca as nossas vidas pessoais. Não podemos viver da mentira! Não podemos usar uma máscara de bom moço para esconder nossas reais intenções e ações sem que isso traga graves consequências para a nossa vida pessoal, para a vida em família, para a Igreja e a sociedade. O pecado e a mentira corroem o ser humano por dentro e o deforma até chegar ao ponto em que máscara e a face são uma mesma realidade. Quando se perde a consciência acerca do pecado e de sua grave consequência pessoal e social é porque já se perdeu todo temor e todo amor a Deus e já se faz uma opção fundamental pelo pecado e contra Deus. É assim que se dá a condenação de uma alma ao inferno e esta é a doutrina que a Igreja sempre ensinou aos seus filhos e que agora está sendo torcida por estes organismos socialistas dentro da Igreja no Brasil!

O Santo Papa João Paulo II na Encíclica Veritatis Splendor (VS) nos convida a levar o homem de hoje a redescobrir “este laço essencial entre Verdade-Bem-liberdade” (RP n. 84) que por causa duma cultura de relativismo ético (cf. RP n.101) e religioso entrou numa noite na qual pululam “graves formas de injustiça social e econômica e de corrupção política” (RP n. 98). A Igreja, que é Mãe e Mestra, “não se cansa de proclamar a normal moral” (RP n. 95): “somente a liberdade que se submete à Verdade, conduz a pessoa humana ao seu verdadeiro bem. O bem da pessoa é estar na Verdade e praticar a Verdade” (RP n.84). Assim, não há diferenciação entre os homens, pois a Verdade é uma só: Cristo Jesus (cf. Jo 14,6). “Ser o dono do mundo ou o último ‘miserável’ sobre a face da terra, não faz diferença alguma: perante as exigências morais todos somos absolutamente iguais” (RP n. 96), mas não para os socialistas-católicos (sic) que são condescendentes com os pecados de seus camaradas políticos.

Este ensino da Igreja é pelo amor que ela tem por todos os homens, por querer o verdadeiro Bem da pessoa e a verdadeira liberdade e dignidade do ser humano (cf. RP n.95). Por isso, orientada pela Verdade, a Igreja jamais aceitará “chamar bem ao mal e mal ao bem” (RP n. 34), pois é inequívoca a vida do Cristo que “foi certamente intransigente como mal, mas misericordioso com as pessoas” (VS n. 95).

Uma grande verdade que o Santo Papa João Paulo II expressou na “Reconciliatio et paenitentia” (RP) diz: A lei moral é o fundamento da civilização (cf. RP n. 26): "Se não existe nenhuma verdade última que guie e oriente a ação política, então as idéias e as convicções políticas podem ser facilmente instrumentalizada para fins de poder. Uma democracia sem valores converte-se facilmente num totalitarismo aberto ou dissimulado, como a história o demonstra" (VS n.101).

Para os que colocaram a salvação do homem nas ações humanas imanentes, que já não creem em Deus transcendente e bom, é compreensível a luta por uma tal justiça social que prescinda de Deus ainda que seus autores estejam manchados de pecado social, pois, de onde se removeu Deus, não há também noção de pecado, ética ou moral. No entanto, esta mesma postura é inadmissível naqueles que se dizem católicos.