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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Considerações sobre a celebração da Palavra de Deus com distribuição da comunhão



O que dizem os documentos da Igreja?

O Catecismo da Igreja Católica (doravante CIC) diz que os batizados gozam do direito de receber os sacramentos na Igreja (CIC n. 1269). A Eucaristia, todavia, constitui um dom que supera infinitamente o próprio homem por que contém em si mesma "todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o Cristo nossa Páscoa" (CIC n. 1324).

Os fiéis, gozando do direito de receber a Eucaristia, são convocados pela Igreja a se reunir em Santa Assembleia no dia do Senhor, o dia da Ressurreição, o oitavo dia que é sinal do dia sem ocaso que é o próprio Cristo (CIC n. 2174), para celebrar a Eucaristia em honra do Senhor. "Já muito cedo, o Império romano proibiu a reunião dos cristãos. Assim, eles passaram a realizar a celebração da Eucaristia no primeiro dia da semana de madrugada, antes da aurora. Vinham todos os que eram cristãos os da cidade e os do campo. Ninguém faltava, pois era dia de festa em honra do Senhor. Não era feriado: era dia de trabalho, mas ninguém faltava!" (CIC n. 1345).

A Igreja, Mãe e Mestra, para honrar o dia do Senhor com a reunião dos batizados então decidiu que:
"Por falta de ministro sagrado ou por outra causa grave, se a participação na celebração eucarística se tornar impossível, recomenda-se vivamente que os fiéis participem da liturgia da Palavra, se houver, na igreja paroquial ou em outro lugar sagrado, celebrada segundo as prescrições do Bispo diocesano, ou então se dediquem à oração durante um tempo conveniente, a sós ou em família, ou em grupos de famílias, de acordo com a oportunidade." (CIC n. 2183. Código de Direito Canônico, cânon 1248, 2).

Todavia, em muitos lugares deu-se uma prática desordenada e abusiva deste indulto e permissão para que se celebre a Palavra. Tanto o Catecismo quanto a instrução Redemptionis Sacramentum e as Orientações para a celebração da Palavra de Deus da CNBB (doc. n. 52) são claros: "o povo cristão tem o direito que a Eucaristia seja celebrada em seu favor no domingo, em festas de preceito, nos outros dias principais de festa e, quanto possível, também diariamente" (RS, n. 162). Mais: O documento da CNBB pede que os fiéis sejam instruídos quanto ao significado da assembleia dominical (n. 38) e sobre o verdadeiro sentido das celebrações da Palavra de Deus  (n. 39).

No número 38 do mesmo documento da CNBB, os Bispos do Brasil consoantes com a Igreja Universal determinaram que: "Onde não for possível a celebração eucarística, possibilitem às comunidades eclesiais a celebração da Palavra de Deus". A celebração da Palavra de Deus, porém, não cumpre o preceito de assistência à Eucaristia dominical. Mais: "A celebração da Palavra, mesmo com distribuição da comunhão, não deve levar o povo a pensar que se trata do sacrifício da Missa" (CNBB, Doc. 52, n. 38).

"Por falta de ministro sagrado ou por outra grave causa, - diz a Redemptionis Sacramentum - se a participação na celebração eucarística se tornar impossível, o povo cristão tem o direito de que o bispo diocesano providencie, segundo as possibilidades, para que seja realizada uma celebração para tal comunidade no domingo, sob sua autoridade e segundo as normas estabelecidas pela Igreja" (n, 164). Fica a critério do Bispo, porém, a autorização para distribuição da comunhão nestas celebrações.

As celebrações dominicais da Palavra de Deus

Em muitas Paróquias no Brasil é comum a celebração dominical da Palavra de Deus por ministros leigos ou mesmo por diáconos com a distribuição da comunhão. Este tipo de celebração só é lícito se atender às exigências de reunir o povo de Deus para a oração comum e a comunhão Eucarística fora da missa em locais e circunstâncias especificadas nos documentos supra citados e nas quais não haja possibilidade do povo batizado ir à Celebração do Santo Sacrifício da Missa.

Todavia, o que se vê em muitos lugares é um abuso desta faculdade. Nas cidades onde há mais de um Padre residente ou mais de uma Paróquia instalada e há a possibilidade do povo de Deus ir à Celebração do Santo Sacrifício em outro horário ou mesmo em outra Paróquia não se justifica a celebração da Palavra, pois, esta prática leva o povo de Deus a deduzir que participando destas celebrações está a cumprir o preceito dominical de participar do Santo Sacrifício propiciatório.

Se a finalidade do povo de Deus ir à Missa Dominical fosse apenas para reunir o povo em torno da Palavra, então não haveria problema de um católico se tornar evangélico, posto que é esta a finalidade do culto evangélico. No entanto, a finalidade não é apenas esta como é apontado no Catecismo.

Se a celebração da Palavra de Deus satisfizesse o cumprimento do preceito da missa dominical, os documentos da CNBB e da Igreja Universal não ordenariam que se fizesse adequada catequese e distinção de ambos para que os leigos não sejam induzidos à confusão e ao erro.

A melhor pastoral para dar ao povo de Deus o seu direito à eucaristia dominical é uma pastoral vocacional que promova, sem medo do discurso politicamente correto, as vocações sacerdotais.

Outra questão candente a ser trata em futura publicação é a que se refere aos ritos usados na celebração da Palavra de Deus. Muitos se parecem com uma missa mal disfarçada celebrada por um leigo ou uma leiga. Maneira muito sutil de burlar a lei da Igreja no que se refere ao sacerdócio, de promover inadequadamente a mulher dentro da Igreja e de fazer confusão na cabeça do povo de Deus.


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