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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Os Santos e a Igreja no Mistério de Cristo


Os salmos das Laudes desta quinta-feira da 27ª semana comum - Salmo 86 (87), cântico de Isaías 46,10-17 e salmo 98 (99) - , nos ensinam muito claramente de que espécie é a Igreja de Cristo, sua esposa, que diariamente a ele se une pela oração vocal, mental e pela Eucaristia. Jesus Cristo é o centro da Revelação do Pai. "Mostra-nos o Pai e isto nos basta, pediu Filipe. Jesus lhe disse: 'Há quanto tempo estou convosco e ainda não me conheces, Filipe. Quem me vê, vê o Pai. Como é que podes dizer mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai e o Pai está em mim?'" (Jo 14,8-10). Jesus nos revelou o "rosto da misericórdia do Pai" como nos ensinou o Papa Francisco na Encíclica Misericordiae Vultus, portanto, ele é o centro da Revelação. Por isso, ele também é o critério da interpretação das Sagradas Escrituras, da vida e da oração da Igreja. Cristo é o centro de todas as coisas, inclusive, da Ave-Maria que recitamos no Rosário: "O baricentro da Ave Maria, uma espécie de charneira entre a primeira parte e a segunda, é o nome de Jesus. Às vezes, na recitação precipitada, perde-se tal baricentro e, com ele, também a ligação ao mistério de Jesus que se está a contemplar. Ora, é precisamente pela acentuação dada ao nome de Jesus e ao seu mistério que se caracteriza a recitação expressiva e frutuosa do Rosário" (Rosarium Virginis Mariae, n. 33). Assim, é por causa de Cristo, o esposo, que a Igreja torna-se ela também a esposa como está descrito no livro do Apocalipse: "Vi então um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido" (Ap 21,1-2). A Igreja, portanto, é a Nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro que é o Centro da Revelação e da interpretação das escrituras. Isto posto a título de introdução, vamos aos salmos que me referi.

O Senhor ama a sua cidade, por ele fundada, no monte santo - Salmo 86,1
Em Sião, cidade do Senhor, nasceu todo homem - Salmo 86, 5
Os que nela nascem são inscritos no Livro da Vida - Salmo 86,6
"E por isso todos juntos a cantar se alegrarão; e, dançando, exclamarão: estão em ti as nossas fontes!" (Sl 86,7)

A Igreja é a morada de Deus entre os homens. Nela nascem os Filhos de Deus por adoção mediante o Batismo, que são livres e inscritos no Livro da Vida. Por isso o Senhor a ama: por que sua esposa lhe gera filhos para a vida!

Isaías 46,10: "Olhai e vede: o nosso Deus vem com poder, dominará todas as coisas com seu braço. Eis que o preço da vitória vem com ele, e o precedem os troféus que conquistou". O que seria este troféu, esta conquista e esta vitória? No contexto de Isaías, fala-se certamente de uma vitória bélica contra os inimigos do povo eleito. Mas, a partir de Cristo que é o centro da interpretação das escrituras, quais são os troféus que Deus conquista para si? Por acaso não são os filhos seus que são justificados em Cristo Jesus e, por Ele mesmo, santificados? "Justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus" (1Cor 6,11), "santificados... chamados a ser santos" , os cristãos se tornaram "templo do Espírito Santo" (1Cor 6,19) (Catecismo da Igreja Católica, n. 1695). Os santos são os seus troféus, eles demonstram a força e o poder de Deus e testemunham sua vitória sobre o pecado, a carne, o mundo e o tentador! Os santos e os mártires professam com sua vida e com sua morte que Deus é O Senhor e que se assemelham a seu Ungido por uma vida de identificação, imitação e testemunho. Os santos estão na Jerusalém celeste louvando O Senhor dia e noite sem cessar, vivos, em pé, como o Cordeiro que venceu o demônio, o pecado e a cruz. Eles são a coroa de glória do Senhor e da Igreja. Se São Paulo pôde chamar aos filipenses de sua alegria e sua coroa em virtude do bom testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo, também o Senhor assim qualifica os que Ele mesmo santificou pelo seu sangue derramado na cruz (cf. Hb 13,12; Ap 12,1; Fl 4,1). A coroa de glória do Senhor, que são os santos,  estão diante do Trono de Deus e do Cordeiro na Jerusalém Celeste louvando-o dia e noite sem cessar: Sl 98 (99) 1-2: "Deus é Rei: diante dele estremeçam os povos! Ele reina entre os anjos: que a terra se abale! Porque grande é o Senhor em Sião!"  

A Liturgia na Jerusalém Celeste é o perene louvor de Deus pelos seus justos e santos, por Ele justificados e santificados através do sacrifício propiciatório do Unigênito: Sl 98 (99),5 "Exaltai o Senhor nosso Deus, e prostrai-vos perante seus pés, pois é santo o Senhor nosso Deus!". "Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro e todos os Anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Animais; prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém. " (Ap 7,9-12).

O versículo 9 do Salmo 98 ainda convida a adorar o Senhor prostrando-se diante de seu Monte, o Monte Sião. A partir de Jesus Cristo, podemos dizer que a Igreja é verdadeiramente o lugar da Adoração ao Senhor em "espírito e verdade" e só nela é que ocorre tal adoração por que "tais são os adoradores que Deus procura" (cf. Jo 4,23). Esta verdadeira e única adoração inicia-se aqui em cada Celebração Eucarística que é "penhor da glória futura": "A Igreja sabe que, desde agora, o Senhor vem em sua Eucaristia, e que ali Ele está, no meio de nós. Contudo, esta presença é velada. Por isso, celebramos a Eucaristia "expectantes beatam spem et adventum Salvatoris nostri Jesu Christi - aguardando a bem-aventurada esperança e a vinda de nosso Salvador Jesus Cristo", pedindo "saciar-nos eternamente da vossa glória, quando enxugardes toda lágrima dos nossos olhos. Então, contemplando-vos como sois, seremos para sempre semelhantes a vós e cantaremos sem cessar os vossos louvores, por Cristo, Senhor nosso" (Catecismo da Igreja Católica, n. 1404).


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