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sábado, 25 de julho de 2015

Interpretação do livro "Despolítica de A a Zé"

Figuras de Karl Marx e Lênin tomadas no site do Partido Comunista Brasileiro
CAVALCANTE, Ângelo. Despolítica de A a Zé. Imperatriz: 2013, Ética.

Estava tomando café numa burguesa e elitista lanchonete de Itumbiara chamada "Recreio" quando vi o livro em questão na prateleira. Alguém tinha me falado da publicação, mas, como minha memória é um caos nem me lembrava do conteúdo, apenas do título bastante sugestivo que nos remete imediatamente a um dos ex-prefeitos de Itumbiara, José Gomes da Rocha. Comprei o livro por R$ 35,00. Se tratando de uma publicação "social" deveria ser de graça. Abri o livro ali mesmo na lanchonete e quase golfei o café quente. Assim li no Prefácio do livro. Abre aspas: "Por mais terrível, entretanto, que seja a conjuntura atual, a esperança nunca deixou de existir. Ideais de solidariedade, liberdade e dignidade sempre pautaram ações e mentes de trabalhadores de todos os espaços e tempos. Bom exemplo é o de Zumbi e seu quilombo (pausa para compreender a hermenêutica em torno do conceito "bom exemplo" aplicado a Zumbi e seus escravos no quilombo de Palmares), a Comuna de Paris, a Cuba Socialista..." (SAMUEL, Apud. CAVALCANTE, 2013, pág. 6). Aqui tive que parar para rir da contradição escancarada nos termos e nas ideias: esperança e liberdade concatenadas com socialismo e Cuba na mesma frase. Bom exemplo concatenado com comunismo e socialismo na mesma frase formando uma ideia-força, uma ideia-chave. Ah, ia me esquecendo do termo "dignidade" meio perdido ali entre os outros. Fiquei pensando na dignidade de um morador de Cuba que, dando entrevista a uma tv, afirmou que não pode comprar um tênis que custa U$ 60,00 porque só ganha U$ 40,00 por mês. Cuba é o exemplo mais claro e próximo de nós de que o socialismo/comunismo é a socialização da miséria, da indignidade, da indigência, da fraude, da mentira pérfida, da perseguição e da cassação dos direitos individuais em nome do "coletivo". Fiquei pensando: este autor ou é desonesto intelectualmente, ou um néscio, um mal intencionado ou um crente e juramentado marxista, ou todas essas coisas juntas.

A obra padece de correção textual e falta coerência epistemológica em alguns termos. Abusa das vírgulas, dos apostos, dos sinônimos, da falta de concordância verbal e numeral e das ideias redundantes. As vezes divaga como se fora um poeta romântico do século XIX para, em seguida, nos brindar com pérolas dignas de um pateta, do tipo: "Um homem brutalizado tende a reproduzir-se sempre mais como um homem brutalizado" (Idem, pág. 78). Acho que agora descobri onde a Presidente Dilma aprendeu discursar. Foi no meio marxista!

Heil mandioca!

O livro deveria se chamar: "manifesto de Ângelo". Foi todo escrito a partir do método marxista afirmado nas páginas 81 e 82. O método para a ação que ele, autor, propõe é o materialismo dialético e o revisionismo histórico. Práticas, aliás, bem conhecidas da esquerda hegeliana. Marcuse que o diga! Além disso, o autor tenta atacar o leviatã de Itumbiara que é o mercado imobiliário. Como todo bom marxista, o mesmo é contra a propriedade privada e vocifera isso por toda a obra. A ideia socialista da propriedade privada e dos bens de consumo é que tudo seja "social", ou seja, de propriedade do Estado imenso que os distribui para seus filhos por meio de suas tetas que são os soviets, ou os meios de participação "popular" (vulgo pelego) direta. Só que a família Castro não socializa suas roupas Adidas, sua mesa farta, nem seus relógios Rolex com o povo mendigo da Ilha que come uma ração de 04 pães por dia por família! Comer em Cuba virou ostentação!

Ah, ia me esquecendo! Esse pessoal marxista gosta muito de tentar escrever conceitos no plural para deixá-los mais "atuais" com a tal diversidade. Assim, juventude como conceito é escrito "juventudes", humanidade, "humanidades" e assim por diante. A verborragia marxista é onipresente no texto: fascistas, capital, elite, capital, totalitários, direita, capital, alienação, capital, entre outros. Na página 27 você encontrará uma lista de adjetivos para a direita que faria jus a qualquer pregador religioso! Isso, no entanto, não chega a chocar o leitor, uma vez que na página 86 o autor cita Lênin com incensos e flabelos!

O autor toma dois pontos para discorrer: A Universidade Estadual de Goiás, numa espécie de cruzada solitária; a indústria imobiliária da região e a distribuição dos imóveis na cidade como justiceiro socialista. Na página 78, no terceiro parágrafo, imaginei que estivesse lendo um pândego humorista quando me deparei com a afirmação de que o homem não nasceu para trabalhar. Li novamente e realmente isto está lá: "não nascemos para isso". O marxismo padece de uma espécie de muito rara de neognose. Segundo eles, os marxistas, o mal do mundo é o capital e tudo o que está correlacionado a ele: trabalho, renda, emprego, propriedade privada, leis trabalhistas, consumo, etc. Ficou claro na página 72 deste livro que os marxistas padecem de delírio crônico (pág. 33) e preguiça. Isto nos dá um testemunho contemporâneo do anti-intelectualismo do materialismo dialético. Para o materialismo dialético, a verdade não vem por meio da investigação intelectual da verdade, mas, por meio de um grupo de pessoas iluminadas que dirão qual é a verdade, ou o mal a ser combatido, e que por isso organizarão sindicatos, associações, et caterva, e guiarão seus discípulos - quais ovelhas obedientes de seu rebanho - para a luz da verdade que é revolução e a rebelião (pág. 88). Ao final as ovelhas estarão pobres, desnutridas e famintas, fazendo filas nas portas de supermercados para poder comprar um pacote de papel higiênico e de posse de uma caderneta para anotar a ração diária de pão, como em Cuba, e aplaudindo seus iluminados mestres como senhores da verdade!

O livro é uma declaração de ódio à cidade de Itumbiara - como o é o materialismo dialético e o pensamento marxista com relação a tudo o que é ocidental -, sua economia, suas instituições políticas, religiosas e educacionais em muitas de suas páginas. É uma proposta de destruir tudo o que há, o establishment, para colocar no lugar algo anacrônico e falido, sob nomes novos e uma maquiagem nova, mas, com as mesmas feições demoníacas apresentadas na Rússa, em Cuba, na Coreia do Norte e nas atuais proto-ditadutas sul-americanas.

Concluo que esta obra é muito importante e pode servir de calço no pé de uma mesa que esteja mancando em sua casa. Os conceitos do livro são tributários do mais escancarado e pessimista marxismo e como tal deve ser rejeitada por completo. Nada do que há nela presta! O autor sofre do ranço socialista de quem perdeu o bonde da história e ficou preso em um passado maniqueísta. O tempo no qual vivemos mostra seus próprios desafios que as categorias do passado não mais respondem. A busca pelo sentido da vida não encontra resposta na solvência do indivíduo no coletivo, tampouco na acumulação desmesurada; a depressão - citada no livro - não encontra cura na revolução armada ou no consumo. Ambas categorias estão profundamente equivocadas e tal equívoco é antropológico e não material ou filosófico! O mesmo erro é encontrado em Nietzsche, contemporâneo de Marx. O homem é a chave da interpretação filosófica da realidade e da busca da verdade sobre sua existência, mas, o homem real que possui aspirações, propósitos, religião, abertura à transcendência, condicionamentos sociais e psicológicos, valores recebidos e guardados para serem repassados a seus descendentes, etc. O materialismo dialético despreza isso tudo para tentar fazer emergir o ubermensch. Para essa finalidade ele destrói o homem que é em vista daquilo que ele ainda não é, contando com um possível tornar-a-ser que nunca se provou ser factível! Em suma: o socialismo é um delírio, não uma utopia, que não se furta a sacrificar tudo ao seu redor em nome de uma ideia! É preciso dizer aos socialistas de Itumbiara: todo ser delirante precisa ser trazido à realidade antes que seja tarde demais. Saiam do delírio socialista. Ainda há tempo.

terça-feira, 21 de julho de 2015

A cruz de Jesus é skandalon!


O cristão anda meio perdido nestes tempos líquidos de cultura sentimentalista e subjetivista. O Catolicismo ainda guarda alguma sanidade frente a enxurrada que está levando tudo embora: cultura, religião, ética, política, valores, etc. O tempo que vivemos é de forte sentimentalismo e subjetivismo e todos os âmbitos, inclusive no âmbito da religião. O "sentir", que tem como sinônimos os arrepios, choros e desmaios, vem como expressão de uma propalada "experiência de Deus" sentimentalista e emocional. O culto neopentecostal e pentecostal já se rendeu a isto há muito tempo. A missa católica ainda não completamente, mas, em parte sim. Basta ver a luta dos Bispos para inculcar no povo que canta nas Paróquias a necessidade de se colocar cânticos litúrgicos na missa. Na maioria das vezes estes são substituídos por cânticos de cunho sentimental e intimista. Outro dia meu Bispo Diocesano celebrou a missa numa Paróquia onde cantaram a música "Como Zaqueu" de cântico de entrada. Outro sinal desta confusão presente na Igreja é o personalismo presidencial na liturgia. A coisa mais comum que se houve dos leigos é: "como o senhor gosta que organizemos a liturgia, padre?". Esta pergunta é absurda, pois a liturgia da Igreja é a Liturgia do Missal e dos livros litúrgicos, das normas litúrgicas e das rubricas. O padre não tem que inventar a roda! Ele é um servo da liturgia! No entanto, por causa do caráter subjetivista e sentimentalista do nosso tempo, muitos padres fazem nos presbitérios e nas santas missas verdadeiros carnavais, festas juninas, sessão de descarrego, entre outras bizarrices, para tentar angariar público! Nada trai tanto a verdadeira identidade católica!

A Cruz de Cristo é o horror!

Ser católico é, após o santo Batismo, identificar-se com o Cristo em toda a sua existência, acolher a sua Boa Nova, obedecê-la e cumpri-la na vida pessoal em vista da eternidade. A vida de Cristo antecede sua existência na Carne, pois, Ele é eterno com o Pai e o Espírito Santo. No entanto, consideramos mormente sua encarnação como o ponto de partida para a imitação católica. A cruz de Nosso Senhor não só é o ponto alto de sua vida, mas o ponto de partida e a chave de compreensão de tudo o que Ele fez e ensinou. Sua encarnação liga-se à sua cruz por meio da kênose, o rebaixamento espontâneo que Ele fez de si mesmo (cf. Fl 2,7), a morte de si que já o ligava à morte de Cruz. Toda sua existência é uma grande pregação, não um poema! A vida de Cristo não é poética. Pelo contrário! Sua vida, sua pregação, sua prática, colocaram em crise os homens de seu tempo! Se as palavras, a pregação, a prática e a cruz de Jesus não coloca em crise nossos valores, pensamentos e atitudes e não nos levam à conversão, então, significa que nada compreendemos ainda!

Sua Cruz é o divisor de águas. Já no início da sua primeira carta aos Corínthios São Paulo esclarece isso: A cruz de Cristo é escândalo para judeus e gregos, ou seja, elemento de distinção e separação das intenções do coração e das escolhas tomadas na vida. Já no início do cristianismo a Cruz separou judeus e cristãos, gregos e cristãos, cristãos e pagãos. Foi a Cruz que alimentou a força e a piedade dos santos Mártires. Foi a cruz que alimentou a esperança cristã e a Santa Missa desde o primeiro século até os dias de hoje! Foi a Santíssima Cruz, patíbulo do sacrifício que foi oferecido pelo Filho, que unida ao sacrifício dos Santos Mártires trouxe luz e esperança a três séculos de perseguição e morte de católicos nos primeiros séculos.

A cruz, portanto, não é arrepio, sentimentalismo, poesia e choro. A cruz é o horror! A cruz é em si mesma um sinal de morte que só se tornou sinal de salvação por causa do Redentor do gênero humano que nela padeceu. A cruz é sinal de que o homem velho precisa morrer! No entanto, a quem apetece morrer? Morrer para os próprios apetites, prazeres, ideias, conceitos, pensamentos? Por isso a cruz está sendo trocada pela diversão, pelo sentimentalismo, emocionalismo e subjetivismo. A cruz está sendo escondida e mentida, pois, ela é o critério de discernimento da verdadeira vida católica, do verdadeiro culto católico. A cruz é em primeiro lugar um lugar de morte, para depois se tornar um lugar de vida e ressurreição. Se não morrermos como Cristo, não ressuscitaremos como Ele! Não se pode fugir da Cruz, do horror, da morte! Só assim ressuscita-se para a vida eterna! Fujam todos do emocionalismo, do sentimentalismo e do subjetivismo! São como drogas que anuviam a mente, entorpecem os sentidos, embaralham a consciência, conduzem ao erro e à mentira!

A salvação da Igreja está na cruz! Salve Cruz Bendita! "Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus." (1Cor 1,23-24)