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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Como e quando os bonzinhos se tornam irrelevantes ou a maldade de quem se abstém de se manifestar



Como se faz uma revolução?

A história é sempre feita de minorias e, em situação de recontro, aquilo que prevalece não é o número, mas, a determinação e a intensidade com que estas minorias travam as suas batalhas. A tendência dos moderados é sempre a de ceder perante as correntes radicais da Revolução, como aconteceu com os apoiantes de Kerensky na Revolução Russa e com os girondinos na Revolução Francesa: 'colocados perante a revolução e a contra-revolução, os revolucionários moderados, em geral, oscilam, tentando alcançar conciliações absurdas; mas, acabam por preferir a primeira à segunda'. Escreve um estudioso das leis das revoluções:

O êxito de uma minoria resulta de uma combinação de forças em virtude da qual os mais sagazes e mais decididos se arriscam a obter a adesão dos menos ativos e da maioria. Numa situação destas, os mais apaixonados levam a melhor sobre os menos apaixonados, os mais decididos sobre os menos fogosos, os audazes sobre os tímidos, os enérgicos sobre os fracos, os mais perseverantes e mais tenazes sobre aqueles que divagam e tergiversam e, em geral, aqueles que sabem o que querem e que o querem intensamente sobre aqueles que duvidam.
Texto extraído de: O Concílio Vaticano II. Uma história nunca escrita. Roberto de Mattei

Epílogo: Como ser irrelevante.

"Quando você olha através da História, quando você olha todas as lições da História, a maioria dos alemães era pacífica, mesmo assim os nazistas conduziram a agenda e como resultado 60 milhões de pessoas morreram, 14 milhões em campos de concentração; 6 milhões eram judeus. A maioria pacífica foi irrelevante. Quando você olha para a Rússia, a maioria dos russos era pacífica também. Mesmo assim, os russos foram capazes de matar 20 milhões de pessoas. A maioria pacífica foi irrelevante.  Quando você olha para a China, por exemplo, a maioria dos chineses era pacífica também. Mesmo assim os chineses foram capazes de matar 70 milhões de pessoas. A maioria pacífica foi irrelevante. Quando você olha para o Japão antes da segunda guerra mundial, a maioria dos japoneses era pacífica também. Mesmo assim, o Japão foi capaz de abrir seu caminho no sudeste asiático como um açougueiro matando 12 milhões de pessoas, a maior parte delas com baionetas e pás. A maioria pacífica foi irrelevante." (Brigitte Gabriel (nascida em 1965) é uma jornalista, escritora e ativista libanesa-americana. É a fundadora do American Congress For Truth.)

p.s. Este texto vale para a Igreja, a política, as relações interpessoais e empresas. Sobretudo para a Igreja.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Um testemunho que não será ouvido no Sínodo dos Bispos

Texto original aqui.

Quebrando o silêncio: Redefinição do casamento fere mulheres como eu - e nossas crianças

Janna Darnelle é uma mãe, escritora e ativista contra a redefinição do casamento. Ela monitora e 
presta assistência a outras famílias atingidas pela homossexualidade. 

Por Janna Darnelle – The Witherspoon Institute | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com

Cada vez que mais um Estado redefine o casamento, o noticiário fica repleto de histórias felizes de casais de gays e lésbicas e suas novas famílias. Mas, por trás desses grandes sorrisos e fotografias ensolaradas, estão outras muito mais dolorosas. Elas permanecem secretas, trancadas no armário escuro e são suprimidas. Aqueles que ousam falar são silenciados em nome do “casamento igualitário”.

Mas eu me recuso a permanecer em silêncio.

Eu represento uma das histórias reais que são mantidas nas sombras. Eu, pessoalmente, senti a dor e devastação provocada pela propaganda que destrói famílias naturais.

O Divórcio

No outono de 2007, meu marido de quase 10 anos me revelou que ele era gay e queria o divórcio. Em um instante, o mundo que eu tinha conhecido e amado, a vida que tínhamos construído juntos, foi despedaçada.

Eu tentei convencê-lo a ficar, se agarrar ao que tínhamos e lutar para salvar nosso casamento. Mas a minha voz, meus desejos, minhas necessidades e as dos nossos dois filhos pequenos não mais tinham alguma importância para ele. Nós nos tornamos descartáveis porque ele tinha abraçado um pequeno mundo que havia se transformado em sua inteira identidade. Ser gay passava por cima de compromisso, votos, responsabilidade, fé, paternidade, casamento, amizades e da comunidade. Tudo isso foi jogado para o ar por causa de sua nova identidade.

Por mais que eu tentasse salvar nosso casamento, não havia como frear o meu marido. Nosso divórcio não foi finalizado através de mediação amigável ou de advogados. Não, ele percorreu todo o caminho do litígio judicial. Meu marido queria a guarda primária dos nossos filhos. Todo o seu caso pode ser definido em uma sentença: “Eu sou gay e mereço meus direitos”. E funcionou: o juiz deu-lhe praticamente tudo o que ele queria. Em um determinado ponto, ele até disse ao meu marido: “Se você tivesse pedido mais, eu teria lhe dado”.

Eu realmente acredito que o juiz estava legislando da cátedra de juiz, desprezando os fatos do nosso caso em particular e usando-nos — usando os nossos filhos — para ajudar a influenciar processos futuros. Em nossa sociedade, os cidadãos LGBT são vistos como vítimas marginalizadas que devem ser protegidas a todo custo, mesmo que isso signifique prejudicar os direitos dos outros. Ao ignorar a injustiça cometida contra mim e meus filhos, o juiz parecia achar que ele estava corrigindo uma injustiça maior.

Meu marido nos abandonou para ir viver com o seu amante gay. Eles ganham mais dinheiro do que eu. Há dois deles e apenas uma só de mim. Mesmo assim, o juiz acreditava que eles eram a vítimas. Não importava o que eu dissesse ou fizesse, eu não tive a chance de salvar nossas crianças de serem tratadas como duas malas empurradas num vai e vém entre uma casa e a outra.

Uma nova “família gay” construída sobre as ruínas da minha.

Meu ex-marido e seu parceiro resolveram se casar. A primeira cerimônia aconteceu antes mesmo que o nosso Estado tivesse aprovado o casamento gay. Depois que a lei foi aprovada, eles decidiram repetir a performance. Em ambos os casos, os meus filhos foram forçados — contra a minha vontade e a deles — a participar. Na segunda cerimônia, com mais de vinte casais, estações de TV locais e jornais estavam lá para documentar os primeiros casamentos gays oficializados em nosso Estado. O USA Today fez uma sessão de fotos com meu ex-marido, seu novo parceiro, meus filhos e até mesmo os avós. Eu não fui notificada de que isso estava acontecendo, nem me foi dada voz para me opor ao uso dos meus filhos como peças de propaganda na promoção do “casamento do mesmo sexo” na mídia.

Na ocasião da primeira cerimônia, o casamento gay ainda não tinha sido legalizado em nosso Estado, em nossa nação ou em nossa igreja. E o novo casamento do meu ex-marido, como a maioria das relações homem-homem, é um “relacionamento aberto” não-exclusivo. Isso envia uma mensagem clara para os nossos filhos: o que você sente passa por cima de todas as leis, promessas e autoridades superiores. Você pode fazer o que quiser, quando quiser e pouco importa quem você irá ferir ao longo do caminho.

Após fotos de nossos filhos serem publicadas, uma enxurrada de comentários e mensagens apareceram. Comentaristas exclamavam o quão bela era essa família gay e cumprimentavam o meu ex-marido e seu novo parceiro pela família que “eles haviam criado”. Mas está faltando uma pessoa crucial naquelas fotografias: a mãe e a esposa abandonada. Essa “família gay” não poderia existir sem mim.

Não há uma família gay que exista neste mundo que tenha sido criada naturalmente.

Toda família gay só pode existir através da manipulação da natureza. Por trás da fachada de muitas famílias felizes chefiadas por casais do mesmo sexo, nós vemos relacionamentos que foram construídos através da destruição de outros. Essas famílias representam alianças desfeitas, amores abandonados e responsabilidades esmagadas. Elas são construídas sobre traição, mentiras e feridas profundas.

E isso também é verdade para casais do mesmo sexo que usam tecnologias de reprodução assistida: como a barriga de aluguel ou doação de esperma para se ter filhos. Tais procedimentos exploram e mercantilizam homens e mulheres pelo seu potencial reprodutivo, tratam crianças como produtos a serem comprados e vendidos e propositadamente negam a essas crianças um relacionamento com um ou ambos os pais biológicos. Plenitude e equilíbrio não podem ser encontrados em tais famílias porque algo fundamental estará sempre faltando. Eu sou o elo que falta. Mas eu sou real e eu represento centenas e milhares de cônjuges que foram traídos e rejeitados.

Se o meu marido tivesse escolhido ficar, eu sei que as coisas não teriam sido fáceis. Mas é isso que o casamento realmente significa: fazer um voto e escolher ser fiel a esse compromisso, dia após dia. Na saúde e na doença, nos bons e maus momentos, os cônjuges devem optar por colocar a outra pessoa em primeiro lugar, amá-la, mesmo quando é difícil.

Um bom casamento não depende apenas do desejo sexual, que pode ir e vir e muitas vezes está fora de nosso controle. Ele depende da escolha de amar, honrar e ser fiel a uma única pessoa esquecendo todas as outras. É comum que os cônjuges se sintam atraídos por outras pessoas, geralmente do sexo oposto, mas pode acontecer às vezes de ser outra pessoa do mesmo sexo. Cônjuges que valorizam o casamento não agem sob  impulsos. Para os que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo, permanecer fiel ao cônjuge do sexo oposto não é uma traição à sua verdadeira identidade. Pelo contrário, é uma decisão de não se permitir ser governado por suas paixões. Quando uma pessoa está determinada a permanecer fiel aos seus votos, conscientemente se esforçando para lembrar, honrar e reviver o amor que tinham por seus esposos quando eles decidiram se casar, isso só demonstra profundidade e força de caráter.

Meus filhos merecem melhor

Nossos dois filhos pequenos foram deliberadamente e intencionalmente empurrados para um mundo de conflitos e crenças, estilos de vida e valores contraditórios, tudo em nome dos “direitos dos homossexuais”. Seu pai mudou-se para o apartamento de seu novo parceiro, que está em um condomínio habitado por dezesseis homens gays. Um dos homens tem um prostituto de 19 anos de idade, que está sempre lá “prestando-lhe serviço”. Outro homem, que funciona como a figura paterna dessa comunidade, é um homem de mais de sessenta anos que mantém um parceiro na casa dos vinte. Meus filhos são levados para festas gay onde eles são as únicas crianças e onde apenas bebidas alcoólicas são servidas. Eles são levados para jogos de beisebol transgender, eventos que levantam fundos para  direitos dos homossexuais e festivais de cinema LGBT.

Ambos os meus filhos enfrentam problemas de identidade, assim como outras crianças. No entanto, há ainda outros problemas mais profundos que eles terão que enfrentar como resultado direto das ações diretas de meu ex-marido. Meu filho é agora um adolescente em fase de amadurecimento e ele está muito interessado em garotas. Mas como ele vai aprender a lidar com esse interesse se ele está cercado por homens que buscam gratificação sexual com outros homens? Como ele vai aprender a tratar as meninas com respeito e cuidado quando seu próprio pai as rejeita e as desvaloriza? Como ele vai abraçar sua masculinidade em desenvolvimento sem o exemplo de autêntica masculinidade que é ver seu pai tratando sua esposa e família com amor, honrando os votos matrimoniais, mesmo quando é difícil?

Minha filha também sofre. Ela precisa de um pai que a incentive a abraçar sua feminilidade e beleza, mas essas qualidades são distorcidas e parodiadas no mundo de seu pai. Seu pai usa maquiagem feminina e artefatos de bondage para o Halloween. Muitas vezes ela é exposta a homens vestidos como mulheres. As paredes do condomínio onde seu pai vive estão decoradas com grandes fotos emolduradas de mulheres em posições provocantes. O que a minha pequena filha passará a acreditar sobre sua própria feminilidade e beleza? Seu pai deveria proteger sua sexualidade. Em vez disso, ele a está deformando.

Sem a orientação de ambos, mãe e pai, como os meus filhos poderão navegar nas ondas de suas identidades e sexualidade em desenvolvimento? Eu sofro ao ver como meus filhos vivem esse conflito, desesperadamente tentando fazer sentido em seu mundo.

Meus filhos e eu sofremos grandes perdas por causa da decisão do meu ex-marido ao se assumir como um homem gay e jogar fora sua vida junto com a nossa. O tempo está revelando a profundidade dessas feridas, mas eu não vou permitir que isso destrua a mim ou aos meus filhos. Eu me recuso a perder a minha fé e esperança. Eu hoje acredito com muito mais paixão no poder do casamento entre um homem e uma mulher do que no dia em que eu me casei. Deve existir uma outra alternativa para aquelas pessoas que sofrem com a atração pelo mesmo sexo. Destruição não é a única opção — não pode ser. Nossas crianças merecem o melhor de nós.

Esse tipo de devastação nunca deveria acontecer com outra criança ou cônjuge. Por favor, rogo-lhes: defendam o casamento entre um homem e uma mulher. Nós devemos assumir uma posição na defesa do casamento e das vidas preciosas que um casamento cria.