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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Como se fabrica uma fraude?


Há uma semana morreu em São Paulo, de um modo violento e ainda não explicado pela polícia, um rapaz Kaique Augusto Batista de 17 anos. Segundo informações preliminares da polícia, o jovem teria se suicidado porque foi encontrado com cortes no rosto compatíveis com a queda de um elevado na região de Bela Vista. Ainda segundo a policia, uma perfuração na perna se deveu a fratura exposta. Dados aqui.

Li hoje um texto do Reinaldo de Azevedo criticando a atuação da Ministra Maria do Rosário neste caso como irresponsável, para dizer o mínimo, quando não asquerosa, desonesta e oportunista. Texto aqui.

Li ainda outras duas reportagens, ambas do Estadão que vou linkar a seu tempo.

Na primeira reportagem que li, o título era: "Jovem encontrado morto em São Paulo deixa diário com despedida". Nenhuma pessoa prestes a ser assassinada escreve despedidas. Mais abaixo do título, no corpo do texto, se lê:
"Ao deixar o 3.º Distrito Policial (Campos Elíseos), onde prestou depoimento, Isabel [a mãe de Kaique, com quem ele não morava] evitou falar com os jornalistas e disse não acreditar em suicídio. "Não quero essa hipótese", reforçou."


O segundo texto que li afirmava que cerca de 300 pessoas se reuniram em SP para protestar contra a morte de Kaique, culpabilizando o Estado por ela. Link aqui. A questão pertinente levanta por Reinaldo de Azevedo se vê comprovada nestas duas matérias (aqui):
"Kaique era negro e homossexual. E pronto! Estão dados os “botões quentes” para acionar a mobilização da militância. Sem que haja qualquer indício, qualquer sinal, qualquer evidência, qualquer fio que possa alimentar a suspeita — além da militância de sempre —, a morte do rapaz está sendo atribuída por grupos gays à “homofobia”. Entendam: Kaique já deixou, nesse caso, de ser uma pessoa e passou a ser uma causa. Pouco importa, no fim das contas, o que tenha acontecido com ele. Deixou de ser gente e passou a ser uma bandeira. [Para o PT] há cadáveres e cadáveres. Há aqueles que podem ser convertidos em causas e que rendem proselitismo. E há os que chamo de os mortos sem pedigree. Trata-se de um comportamento asqueroso, oportunista. Mais e 50 mil pessoas são assassinadas todo ano no Brasil. Alguém viu esta senhora emitir antes alguma nota? Observem que a mobilização do seu ministério é maior nesse caso do que na trágica ocorrência no Maranhão, que vitimou a menina Ana Clara.



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Lamentabili


"Existe desde o antigo testamento um conflito entre o binômio Templo e Caminho. Não podemos nos esquecer que o movimento de Jesus, antes de se chamar Igreja se chamava Caminho... No A.T. o caminho sempre se contrapõe ao Templo de Jerusalém... O Templo substituiu a Tenda da Arca... De um lado a Arca da aliança carregada pelo povo no caminho e do outro o Templo de Jerusalém... O Deus poderoso do Templo, símbolo da ordem estabelecida, substituiu o Deus da mística do caminho... E hoje, minha gente? De que lado vai o pêndulo da Igreja Católica? Do lado do Templo ou do lado do caminho?"

O texto que encima esta postagem é uma cópia fidedigna das palavras de Irmã Anete, preletora do 13º intereclesial de CEB`s que está acontecendo em Juazeiro do Ceará nestes dias. A palestra foi feita hoje, 10 de janeiro, por volta das 11h da manhã. Desavisados de plantão ouvem e leem coisas como essas e aplaudem este discurso tomando-o por revolucionário quando é, no máximo, desonesto. "Toda a argumentação é um grande sofisma que visa enredar os ouvintes e hipnotizá-los. No fim diante do quadro apresentado só resta a quem ouve dizer que a Igreja não presta" disse um amigo acerca da fala de Irmã Anete. "O erro dela é identificar Templo com Igreja: a Igreja nunca foi como o Templo, elemento de uma ordem política específica. A Igreja transcende isso", disse.

O mais curioso é que cerca de 100 Bispos escutaram e consentiram numa coisa dessas e ficaram calados. Vamos pensar um pouquinho nas asneiras de Irmã Anete, as quais os Bispos ali presentes silenciosamente sancionaram. 

"De um lado a Arca da aliança carregada pelo povo no caminho..." Por acaso era o povo que carregava a arca?! Vejamos:

Então Davi disse: "Somente os levitas poderão carregar a arca de Deus, pois o Senhor os escolheu para transportarem a arca do Senhor e para ficarem sempre ao seu serviço. Então os sacerdotes e os levitas se consagraram para transportar a arca do Senhor, o Deus de Israel.E os levitas carregaram a arca de Deus apoiando as varas da arca sobre os ombros, conforme Moisés tinha ordenado, de acordo com a palavra do Senhor. (1Cr 15,2.14-15)
Eram os sacerdotes e levitas, machistas misóginos representantes do poder da religião abraamica que eles (cebistas e TL) ODEIAM. Então porque a freira disse que "o povo" carregava a Arca, escondendo deliberadamente este fato bíblico? E o que significa "povo", na argumentação fajuta? Prefigura as CEB`s "romeiras" contraposta ao "Templo", que nesta argumentação prefigura a "Igreja hierárquica", como bem sabemos pelo substrato "teológico" que alimenta este tipo de argumentação: "Igreja, carisma e poder". A argumentação, de fato, é um grande sofisma e uma enorme desonestidade intelectual, uma fraude mesmo. A palestrante não fez nenhuma alusão ao Mistério da Igreja ou aos Santos Padres porque qualquer consulta a eles destroem essa farsa. Me impressiona a desonestidade intelectual desse povo. Idolatram as tribos judaicas e os profetas, execram o templo e os sacerdotes, e destes elementos pulam pro Concílio Vaticano II, como se essa lacuna não pudesse ser preenchida com sólida teologia, patrística e documentos do Magistério.

Negando que a Igreja seja o Templo de Deus, contrapondo-a ao caminho (seja lá o que isso signifique para a freira) a mesma nega o Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica (n. 756): 
"Freqüentemente é a Igreja chamada edifício de Deus (cf. 1Cor 3, 9). O próprio Senhor comparou a si mesmo com a pedra que os construtores rejeitaram, mas que se tornou pedra angular (cf. Mt 21, 42 par.; Cf. At 4, 11; 1Pd 2, 7; Sl 117, 22). Sobre aquele fundamento a Igreja foi construída pelos apóstolos (cf. 1Cor 3, 11), e dele recebe estabilidade e coesão. Este edifício torna vários nomes: casa de Deus (cf. 1Tm 3, 15), na qual habita a sua família, morada de Deus pelo Espírito (Ef 2, 19-22), "tenda de Deus entre os homens" (Ap 21, 3) e, especialmente, templo santo, que os antigos Padres exaltaram, representado pelos santuários de pedra, e que a liturgia com muita razão compara à Cidade Santa, a Jerusalém nova.  Nela somos como pedras vivas, edificados aqui na terra em templo espiritual (cf. 1Pd 2, 5). Cidade Santa, que João contempla na renovação final do mundo, a descer do céu, de junto de Deus, "pronta como uma esposa, que se enfeitou para o seu marido" (Ap 21, 1ss). [Concílio Vaticano II. Lumen Gentium. N. 6]
Catecismo da Igreja Católica, n. 760:
"O mundo foi criado em vista da Igreja", diziam os cristãos dos primeiros tempos . Deus criou o mundo em vista da comunhão com sua vida divina, comunhão esta que se realiza pela "convocação" dos homens em Cristo, e esta "convocação" é a Igreja. A Igreja é a finalidade de todas as coisas , e as próprias vicissitudes dolorosas, como a queda dos anjos e o pecado do homem, só foram permitidas por Deus como ocasião e meio para desdobrar toda a força de seu braço, toda a medida de amor que Ele queria dar ao mundo: Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens e se chama Igreja.
"E hoje, minha gente? De que lado vai o pêndulo da Igreja Católica?"
"Não resistiria aos embates do tempo uma fé católica reduzida a uma bagagem, a um elenco de algumas normas e proibições, a práticas de devoção fragmentadas, a adesões parciais e seletivas das verdades da fé, a uma participação ocasional em alguns sacramentos, à repetição de princípios doutrinais, a moralismos brandos ou crispados que não convertem a vida dos batizados. Nossa maior ameaça é o medíocre pragmatismo na vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez" (DAp, n. 12).
Isso foi escrito há 6 anos pelo exitoso Papa Emérito Bento XVI. Parece que via com lupa o cotidiano da vida da Igreja no Brasil, país no qual Bispos se sentam e ouvem calados o magistério paralelo de teólogos, pseudo teólogos, exegetas, pseudo exegetas.
Depois de diligentíssimo exame e do parecer prévio dos Reverendos Senhores Consultores, os Eminentíssimos e Reverendíssimos Senhores Cardeais, Inquisidores Gerais em matéria de fé e de costumes, julgaram que deviam ser condenadas e proscritas, como de fato ficam condenadas e proscritas as seguintes proposições:
A interpretação dada pela Igreja aos Livros Sagrados, conquanto se não deva desprezar, está todavia sujeita a mais apurado juízo e a correção dos exegetas. 
Pela sentenças e censuras eclesiásticas fulminadas contra a exegese livre e mais adiantada, pode se concluir que a fé proposta pela Igreja está em contradição com a história e que os dogmas católicos não podem realmente harmonizar-se com as verdadeiras origens da religião cristã.
Na definição de verdades, a Igreja discente e a docente colaboram de tal modo, que nada mais resta à Igreja docente senão sancionar as conjecturas comuns da discente.
(Papa São Pio X. Decreto Lamentabili)

Que saudade de São Pio X.