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sábado, 26 de outubro de 2013

Porque no Brasil qualquer um diz qualquer coisa e é aplaudido?


Um dia escrevi um texto no meu blog intitulado "A relevância dos irrelevantes" (aqui) porque eu estava extremamente irritado com o tipo de texto que dava audiência nos blogs Católicos. Hoje volto a escrever na mesma linha de irritação, mas, desta vez com a pseudo-relevância de um Congresso Nacional que será realizado em Guarapari-ES em abril de 2014. O folder - que apanhei por acaso numa academia aqui da minha cidade - é bonito e chamativo. Faz uma alusão a Disneyland e sua fantasia. Alusão presente também no sub-título do convite presente no folder. Se trata de um Congresso Nacional de estudantes de Comunicação, Ciências Contábeis, Administração, Direito e economia. O título do Congresso é:  "A necessidade de se criar um mundo novo". Os palestrantes que vão fomentar a criação deste novo mundo são: um professor de direito penal, um certo Rogério Greco de quem eu nunca ouvi falar, o sócio-fundador do site porta dos fundos Antônio Tabet, igualmente um ilustre desconhecido, e uma jornalista de formação que atua num programa esportivo, Bárbara Coelho.

Nada contra a verborréia das pessoas. Todo mundo pode dizer o que quiser e pode gastar o dinheiro que quiser fazendo o que bem entender, até rasgar e colocar fogo. Não me importo. Só me impressiono e aqui, meu caro leitor, tenho todo o sagrado direito da santa indignação! Quando li o folder logo vi um eco do fórum social mundial intitulado "um outro mundo possível". Naquele fórum participam petistas, esquerdistas, comunistas, socialistas, maconheiros, gente das Ceb`s, da teologia da libertação e qualquer outra pessoa que se encaixe neste perfil. Este mesmo modelo foi transposto para o Conecades (o dito Congresso). O pessoal de ciências contábeis querem se engajar para criar um mundo novo durante a semana santa. Vão começar a pensá-lo na quinta-feira santa, 17 de abril, e terminarão após o domingo de Páscoa, 21 de abril, passando por sexta-feira da paixão e sábado santo. Sim, sei que vivemos numa sociedade laica e plural e aqui já começa o mote tanto de "porta dos fundos" quanto do fórum social mundial e seus sequazes: querem criar um outro mundo sem Deus, sem religião, um mundo anárquico, que não respeita o outro nem o diferente.

E os palestrantes que vão dar os rumos deste mundo novo? Absolutamente todos muito relevantes (sic!). Piadas à parte, este choque que temos ao ver um folder desse ou atores da Globo absolutamente sem nenhum preparo se pronunciar sobre questões de ciência apelando para o sentimentalismo barato nos dá uma ideia clara do fosso no qual caímos: Os intelectuais não são ouvidos, a autoridade é desprezada, quem tem algo a dizer é calado sistematicamente e a razão é morta para que tenha voz a simples doxa, a mera opinião, ainda que desprovida de qualquer senso crítico ou mesmo minimamente racional. É a completa irrelevância dos atores do novo mundo. Não é uma irrelevância qualquer, mas, buscada e fabricada no desprezo, reitero, da autoridade, da intelectualidade sadia e da razão.

O ateísmo proclamou a morte de Deus. Tudo bem. Eu posso conviver com o ateísmo. Só não consigo conviver com a morte da razão.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Diante das declarações de Francisco... não péra!!!


Estou lendo um comentário do Fratres in Unum (aqui) meio boquiaberto. Uma reação em meio a tantas outras não fosse a repercussão deste site nos meios católicos. Inicialmente não me reporto ao conteúdo do que disse o Papa, mas, ao que o Fratres diz, ou melhor, supõe que tenha sido a motivação interior do Papa. Na santa derrapada do Fratres encontra-se logo no primeiro parágrafo do número 1 um juízo: "parece-nos que se trate mais...". A seguir, a conclusão com palavras mais ou menos semelhantes: "loquacidade achista", "idealismo pauperista e espiritualista" como mote de agradar a opinião pública! Para agradar a opinião pública? Peraí... esse pessoal do Fratres não leu uma linha da biografia do Cardeal Bergoglio. Era este o modo que ele agia na Argentina. Desqualificar o Papa com um juízo negativo a respeito do que ele disse como se ele fingisse ser o que não é para agradar "gregos e troianos" me parece ser uma atitude não condigna com este site de renome, o Fratres.

Depois que passei ao número dois meu estômago ainda revirava. Ali apenas se constata que o Papa Francisco é diferente do Papa Bento XVI e do Papa João Paulo II.

O número três insidia uma certa "santa revolta" dos simples contra os papas menos brilhantes intelectualmente... peraí, pausa para rir da contradição. Continuando... No segundo parágrafo do número três o Fratres acusa o Papa de estar a serviço do poder do inferno contra a própria Igreja. Acho que nem deveria comentar tamanho sacrilégio. No entanto, ouso tentar pensar que aqui, talvez, se inscreva aquele pecado contra o Espírito Santo que Jesus diz não ter perdão: reputar ao diabo uma obra que é inspirada por Deus.

Ao chegar ao número quatro a perplexidade me é permitida diante do pecado da vaidade e soberba espiritual expostos naquelas linhas. Ali se diz que resta a alguém (um certo "nós") uma luta inglória no bom combate para que o Filho do homem encontre fé sobre a terra insinuando falta de fé Católica no Papa (o que quer dizer, para os bons entendedores, que ao Papa Francisco falta ter lido o Catecismo de São Pio X... me desculpem, não suportei a vontade de fazer o chiste).

Não acho que o Fratres seja um site ruim ou que a matéria em si seja ruim ou ruidosa. Penso que falta profundidade teológica a quem escreve para compreender e filtrar o que o Papa disse. O Papa é um pastoralista, sim. Mas, é um jesuíta de formação. Ele não é um propedeuta como se ousa afirmar alhures. Francisco se sente livre tanto para criticar abertamente a teologia da libertação quanto para fazer uma entrevista como a que ocorreu discursando de um modo mais livre sobre as questões da fé. Creio que o primeiro comentário abaixo será: "ah, mas ele é o Papa. Não pode falar assim e blá... blá... blá...". Ok. Vá lá em Roma em diga isso a ele! Corrija-o! Caso isso não possa ser feito, não nos cansemos de rezar por ele mesmo, pela Igreja, por nós, para nossa conversão. O que conserta a Igreja é um coração arrependido e não um texto de blog, nem mesmo sendo o blog de um padre.

Que o Senhor nos livre das insidias de Satanás que podem por a perder as melhores almas que, cheias das mais elevadas intenções, não percebem que em seus movimentos interiores possa haver alguma tentação para o mal. Libera nos Domine!