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domingo, 15 de setembro de 2013

O que um leigo não pode fazer na missa?


Questão teórica: o que pode, o que não pode e porquê.
 Sacrossanctum Concilium
28. Nas celebrações litúrgicas, seja quem for, ministro ou fiel, exercendo o seu ofício, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete. 
29. Os que servem ao altar, leitores, comentaristas e componentes do grupo coral exercem também um verdadeiro ministério litúrgico. Desempenhem, portanto, sua função com a piedade sincera e a ordem que convêm a tão grande ministério e que, com razão, o povo de Deus exige deles. Por isso, é necessário que, de acordo com as condições de cada qual, sejam cuidadosamente imbuídos do espírito litúrgico e preparados para executar as suas partes, perfeita e ordenadamente. 
Em nome de uma mal interpretada participação na liturgia, muito se confundiu os papéis. Já vi e vivi coisas de arrepiar. Algumas do tipo: no dia do aniversário de consagração religiosa de uma freira ela tomou a cadeira presidencial e o sacerdote sentou-se no primeiro banco da Igreja. A freira "celebrou a missa" até o ofertório quando então o sacerdote tomou seu lugar junto ao altar para a liturgia Eucarística. Por mais querida que a freira seja, por mais "democrático" que o padre seja, ambos erraram fragorosamente. O lugar da freira e do leigo não é presidindo a assembléia litúrgica. Este lugar cabe ao sacerdote que o faz In Persona Christi Capitis por força do sacramento da Ordem. Não é algo ou uma prerrogativa que o sacerdote concede a si ou da qual possa dispor sem mais. É um sacramento que ele recebe da Igreja para exercê-lo em nome da mesma Igreja. Não é um cargo para que outras pessoas posam ocupá-lo. É um verdadeiro e próprio ministério que na liturgia tem lugar e ofício próprios.

Quando um fiel tenta celebrar a missa (apenas tenta porque quem de fato e de direito a preside é o sacerdote) ele incorre nalguns erros graves:
1º) A ação litúrgica nunca é particular, mas, ação da Igreja e deve ser feita consoante à mesma (Cân. 837);
2º) Cânon 1384: quem exerce ilegitimamente uma função sacerdotal ou outro ministério sagrado pode ser punido com justa pena;
3º) Nunca é lícito simular sacramento por três razões:
     - trata-se sempre de uma mentira grave, pois o objeto que induz a erro é algo importante: um sacramento;
         - constitui certo desprezo para com as coisas sagradas (isto é, um sacrilégio), já que implica uma certa brincadeira com os sacramentos instituídos por Cristo;
      - pode constituir uma falta contra a justiça ou contra a caridade, ao negar-se ao sujeito os meios necessários ou convenientes para a sua vida espiritual. (HORTAL, Jesús. Igreja e Direito: Os sacramentos da Igreja na sua dimensão canônico-pastoral. pág. 35)

O leigo não pode presidir a assembléia. Este é um ofício do Sacerdote. "A celebração da missa é ação do povo de Deus hierarquicamente organizado" (IGMR, n. 16). A mesma Instrução Geral do Missal Romano diz que o Sacerdote tem funções próprias, presidenciais.
Instrução Geral do Missal Romano
30. Entre as partes da Missa que pertencem ao sacerdote, está em primeiro lugar a Oração eucarística, ponto culminante de toda a celebração. Vêm a seguir as orações: a oração colecta, a oração sobre as oblatas e a oração depois da comunhão. O sacerdote, que preside à assembleia fazendo as vezes de Cristo, dirige estas orações a Deus em nome de todo o povo santo e de todos os presentes . Por isso se chamam “orações presidenciais”.
31. Compete igualmente ao sacerdote, enquanto presidente da assembleia reunida, fazer certas admonições previstas no próprio rito. 
32. O carácter «presidencial» destas intervenções exige que elas sejam proferidas em voz alta e clara e escutadas por todos com atenção . Por isso, enquanto o sacerdote as profere, não se hão-de ouvir nenhumas outras orações ou cânticos, nem o toque do órgão ou de outros instrumentos musicais. Pertence ainda ao sacerdote presidente anunciar a palavra de Deus e dar a bênção final. Pode ainda introduzir os fiéis, com brevíssimas palavras: na Missa do dia, após a saudação inicial e antes do rito penitencial; na liturgia da palavra, antes das leituras; na Oração eucarística, antes do Prefácio, mas nunca dentro da própria Oração; finalmente, antes da despedida, ao terminar toda a ação sagrada.
Além das orações presidenciais, ficou claro no texto acima que as BREVES intervenções devem ser do Presidente e não do leigo. Aqui já se descartam os comentários kilométricos que se faz nas missas, explicando o rito ao invés de introduzir a assembléia ao Mistério.
35. As aclamações e as respostas dos fiéis às saudações do sacerdote e às orações constituem aquele grau de participação ativa por parte da assembleia dos fiéis, que se exige em todas as formas de celebração da Missa, para que se exprima claramente e se estimule a ação de toda a comunidade .
36. Há ainda outras partes da celebração, que pertencem igualmente a toda a assembleia convocada e muito contribuem para manifestar e favorecer a participação ativa dos fiéis: são principalmente o ato penitencial, a profissão de fé, a oração universal e a oração dominical.
Claro está que a participação ativa e frutuosa do leigo, da assembléia, não se dá quando estes usurpam o ministério do sacerdote nem quando o sacerdote exerce uma função que não é sua. Não é função do sacerdote tocar o violão ou fazer as respostas. Cada sujeito litúrgico tem sua função determinada na ação litúrgica e como tal o papel do leigo é insubstituível.

Qual o lugar do leigo então?

Em primeiro lugar há que se tirar a compreensão de uma falsa competição por lugar na Igreja. Na Igreja, o ministério é sempre sinal do serviço. Certa feita estava eu numa reunião pastoral e algumas freiras e leigos faziam uma abordagem do sacerdócio como cargo, "algo a que se apegar ciosamente". Esta visão errada está entremeada nalguns setores da Igreja para os quais o lugar do leigo é substituir o sacerdote exatamente com uma falsa compreensão do sacerdócio.

A participação ativa e frutuosa que pede o Concílio é aquela adequatio da mente à coisa, ou seja, do coração e da mente ao mistério Pascal de Cristo celebrado na liturgia. Não se resume a funções. Caso reduzisse esta participação a funções, a liturgia sofreria um empobrecimento irreparável. Um cadeirante, um idoso, um analfabeto, uma criança, uma pessoa de outra nacionalidade e outra língua tem, de fato, pouco "espaço" para fazer coisas na liturgia. Nem por isso participam com menos intensidade do Mistério.  A maioria dos leigos dentro de um templo não faz nenhuma função vistosa na liturgia. Eles permanecem em seus bancos e nem por isso participam menos ou com menor intensidade, com menos santidade ou com menor proveito espiritual da liturgia. Este mito de que "participação" litúrgica é sinônimo de "fazer coisas para todo mundo ver" precisa cair afim de que a verdadeira participação ativa e frutuosa seja promovida.

O leigo não pode fazer as orações presidenciais.
O leigo não pode simular sacramento (celebrar no lugar do padre).
O leigo não pode distribuir a sagrada comunhão, a menos que seja delegado de modo extraordinário para auxiliar o sacerdote a cujo ministério está ordenada esta função.
O leigo não pode apresentar o cálice durante a doxologia (Por Cristo, com Cristo em Cristo..).
O leigo não pode apresentar âmbulas ou hóstias durante a doxologia.
O leigo não pode proclamar o evangelho na missa.
O leigo não pode fazer a homilia.
O leigo não pode rezar o embolismo nem a oração da paz junto com o Padre (Livrai-nos de todos os males... Senhor Jesus Cristo dissestes aos vossos Apóstolos...).
O leigo não pode rezar nenhuma parte da oração Eucarística que é reservada ao sacerdote. A mesma começa no diálogo inicial "O Senhor esteja Convosco. Ele está no meio de nós" e prossegue até o Amém da doxologia (Por Cristo, com Cristo em Cristo...).
O lugar do leigo é na assembléia e não no presbitério. A menos que tal leigo seja o acólito que auxilia o sacerdote junto ao altar.
Os Ministros Extraordinários da Comunhão não são acólitos.
Os acólitos possuem funções próprias. A função do MESC é somente de auxiliar o sacerdote na distribuição da comunhão e, eventualmente, preparar alfaias e vasos sagrados para a missa caso não haja sacristão na Igreja.

Espero ter podido contribuir para uma melhor participação ativa e de fato frutuosa na celebração eucarística.

sábado, 14 de setembro de 2013

Noções gerais para Missas, Casamentos e Batizados


Este tópico é para você que quase nunca vai à Igreja e de vez em quando entra numa beca para ir a um casamento ou a um batizado. Dicas simples para você não pagar mico.
- O corredor central não é uma passarela. Você pode andar por ele normalmente sem precisar parar 10 vezes para fazer poses para os fotógrafos;
- O presbitério (aquele lugar onde fica o altar e o padre) não está à sua disposição para colocar arranjos em todo lugar. Aquele espaço precisa ser transitável;
- Dentro da Igreja não se conversa porque ali é a casa de Deus. Quer matar a saudade dos amigos e parentes? Vá lá fora e bata um bom papo. Quando entrares na Igreja, faça-o em sentido de oração;
- Dentro da Igreja não se masca chiclete, não se leva bebidas, nem pipoca nem comida. Igreja é um recinto sagrado e não uma lanchonete ou cinema;
- Dentro da Igreja não é lugar para o parquinho particular da criança. Eduque seu filho/a para aprender disciplina e obedecer os pais;
- Dentro da Igreja não é lugar de atender celular, a não ser que seja Deus ligando pra você. Como eu penso que isso não acontecerá, desligue o celular ou coloque no silencioso;
- Fotógrafo: aquela mesa coberta com uma toalha branca é o altar do sacrifício incruento e não um apoio para o seu cotovelo. Fazê-lo é um ultraje ao culto;
- Fotógrafos tenho algo ruim para lhes dizer: O padre é mais importante que vocês. Não o atrapalhe chamando a atenção dos noivos;
- Decoradores: O que importa no casamento não é seu enfeite, mas, o enlace matrimonial. Não atrapalhem as pessoas andarem;
- Cantores: Sei que aquele é visto como o seu momento de dar um showzinho. Bem, diminuir o volume não diminuirá sua importância, talvez, somente o seu ego;
- Ao entrar numa Igreja faça pelo menos o sinal da cruz em respeito ao lugar sagrado no qual você está entrando;
- Não vista roupas de praia para ir à Igreja, transparências ou decotes. Use roupas adequadas a um ambiente sacro;
- Aprenda um mínimo para responder pelo menos Amém na liturgia. É grande falta de educação a assembléia ser saudada e nem saber responder, do mesmo modo que é falta de educação você não responder a saudação da pessoa que chega à porta da sua casa;
- Toda celebração que acontece dentro de uma Igreja - ou mesmo fora dela - requer decoro, silêncio e simplicidade. Tendo estes três requisitos você não será chamado/a à atenção por mim quando me vires assistir um matrimônio ou celebrar uma missa.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Quem é Maria? A Igreja Católica adora Maria?!


Leitura do Livro de Josué do dia 15 de Agosto de 2013 (Js 3,7-10a.11.13-17)

Naqueles dias 7o Senhor disse a Josué: “Hoje começarei a exaltar-te diante de todo Israel, para que saibas que estou contigo assim como estive com Moisés. 8Tu, ordena aos sacerdotes que levam a arca da aliança, dizendo-lhes: Quando chegardes à beira das águas do Jordão, ficai parados ali”. 9Depois Josué disse aos filhos de Israel: “Aproximai-vos para ouvir as palavras do Senhor vosso Deus”. 10a E acrescentou: “Nisto sabereis que o Deus vivo está no meio de vós e que ele expulsará da vossa presença os cananeus. 11Eis que a arca da aliança do Senhor de toda a terra vai atravessar o Jordão adiante de vós. 13E logo que os sacerdotes, que levam a arca do Senhor de toda a terra, tocarem com a planta dos pés as águas do Jordão, elas se dividirão: as águas da parte de baixo continuarão a correr, mas as que vêm de cima pararão, formando uma barragem”. 14Quando o povo levantou acampamento para passar o rio Jordão, os sacerdotes que levavam a arca da aliança puseram-se à frente de todo o povo. 15Quando chegaram ao rio Jordão e os pés dos sacerdotes se molharam nas águas da margem – pois o Jordão transborda e inunda suas margens durante todo o tempo da colheita –, 16então as águas que vinham de cima pararam, formando uma grande barragem até Adam, cidade que fica ao lado de Sartã, e as que estavam na parte de baixo desceram para o mar da Arabá, o mar Salgado, até secarem completamente. Então o povo atravessou, defronte a Jericó. 17E os sacerdotes que levavam a arca da aliança do Senhor conservaram-se firmes sobre a terra seca, no meio do rio, e ali permaneceram até que todo Israel acabasse de atravessar o rio Jordão a pé enxuto.
Com este texto de Josué, portanto do Antigo Testamento, começo explicando o lugar de Maria na Igreja. Veja o leitor os detalhes deste texto:
Sacerdotes
A Arca da aliança
O povo de Deus
O Rio Jordão
A travessia do Rio
Um adendo: A pessoa de Josué no versículo 7.

Explicação dos detalhes do texto

Os sacerdotes da Antiga Aliança eram escolhidos da tribo de Aarão para servir ao Senhor. Deviam ser homens perfeitos, sem nenhum defeito físico (cf. código de Santidade no Levítico cap. 21 ao 26). Deviam ser revestidos do poder sacerdotal e para tal precisavam purificar-se antes de tomar as vestes sacerdotais para o ofício. Ofereciam os sacrifícios no Templo de Jerusalém e no período nômade, levavam a Arca da Aliança e ofereciam sacrifícios à entrada da Tenda da Reunião (ekklesia).

A Arca da aliança confeccionada a mando de Deus era feita de madeira e recoberta de ouro por fora e por dentro. Representava o poder de Deus no meio do seu povo. Levava dentro de si o maná colhido no deserto, as tábuas da lei e a vara de Aarão que floresceu. A Arca acompanhava Israel em suas campanhas militares, pois, era uso entre os povos vizinhos a Israel levarem seus ídolos para as batalhas. Quando uma nação era derrotada seu ídolo era levado como espólio pela nação vencedora. Foi assim que os Filisteus levaram a Arca. Desse modo cria-se que também o deus do outro povo era derrotado: "Quando os soldados voltaram ao acampamento, as autoridades de Israel perguntaram: "Por que o Senhor deixou que os filisteus nos derrotassem?" E acrescentaram: "Vamos a Silo buscar a arca da aliança do Senhor, para que ele vá conosco e nos salve das mãos de nossos inimigos". Então os filisteus lutaram, e Israel foi derrotado; cada homem fugiu para a sua tenda. O massacre foi muito grande: Israel perdeu trinta mil homens de infantaria. A arca de Deus foi tomada, e os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, morreram." (1Sm 4, 3.10-11).

O povo que caminha com Josué é a segunda geração que saiu do Egito e que entrará na terra prometida depois que atravessarem o Jordão. É um povo que espera o cumprimento da promessa feita por Deus por intermédio de Moisés.

O rio Jordão é o leito de vida do povo de Israel. É a única fonte de água em todo o País, excetuando o lago de Genesaré e o lago Hule ao norte na região de Dã. Ele é a fronteira do País de Canaã onde entrará o povo de Deus. Ele é também a imagem que João toma no capítulo 21 de Apocalipse quando descreve o rio de vida que percorre toda a Jerusalém celeste que por sua vez é sinal e símbolo do Espírito Santo no Apocalipse.

Como que o Católico aprende sobre Maria neste texto que nada fala sobre ela?

Quem é Maria? É aquela que contém em si mesma, Deus: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus." (Lc 1,35). Ela é com toda justiça a Arca da Nova Aliança recoberta de ouro por dentro e por fora. O ouro utilizado na iconografia cristã tem a função de revelar o Mistério insondável e a riqueza inabalável da graça divina. Desse modo Maria é a "cheia de graça", mulher aurífera, separada (hessed), santificada (kadosh) pelo Santo, por Deus, em virtude de ser a mãe do Santo, o Emanuel. Sim, Ela foi salva por Deus. Também ela precisou de um salvador: "Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador" (Lc 2,46-47). Ela foi a primeira criatura salva pelo Filho antes mesmo de nascer, pois, sendo o Filho Eterno com o Pai (cf. Jo 1,1-14) Ele já providenciara a santificação daquela que seria a Nova Arca para a Nova Aliança a ser realizada definitivamente com a humanidade: "sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna (cf. Hb 9,12). Do mesmo modo que a Arca da Antiga Aliança precisou ser confeccionada, também Maria foi modelada para conter em si a realização do poder de Deus no meio do seu povo.

De fato, aquele que dela nasceu é a Lei Nova atestada por Moisés e Elias no monte da transfiguração. Eles desaparecem e permanece apenas Jesus. Desaparece o jugo da lei de Moisés e Cristo nos coloca sobre os ombros o seu jugo que é suave e seu fardo que é leve (cf. Mt 12,2-30; 17,3, Gl 3,1-6). Ela carrega em si mesma o novo maná, não como aquele que os hebreus comeram no deserto e morreram (cf. Jo 6,31-32). Este maná que é comida e bebida espiritual do Novo Israel! (cf. Jo 6, 52-61.67-69)
52 Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? 53 Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. 54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. 55 Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. 56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57 Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. 58 Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente. 59 Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum. 60 Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? 61 Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza? Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele. 67 Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? 68 Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. 69 E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus! 
Porque no Antigo Testamento os Sacerdotes levavam a Arca da Aliança com tanto esmero e cuidado? A Arca nunca teve finalidade em si mesma. Ela fora sempre um sinal de Deus no meio do seu povo. Assim como Maria. Ela não tem finalidade em si mesma. A Igreja não termina seu curso em Maria. Maria aponta-nos o Cristo. É impossível ir a Maria e com Ela não ir a Deus. Ela é esse sinal guardado pelo sacerdócio do Novo Testamento com cuidado e esmero porque conteve em si mesma O Santo de Israel. A ordem de Deus a Josué: "para que saibas...", "nisto sabereis que o Deus vivo está no meio de vós". Todo aquele que contempla Maria vê através dela o Deus vivo no meio de nós, vê o Emanuel, Deus conosco. Deus é Todo-Poderoso para fazer em Maria aquela obra perfeita que quer realizar em todos nós. É ela a cristã-tipo, a cristã-modelo, a Igreja em modelo acabado, revestida de Sol porque o Sol é o próprio Senhor que a ilumina como luz resplandecente vindo do alto do mesmo modo que este mesmo Senhor será tudo em todos na consumação dos tempos (cf. Ap 12,1; 21,23; Lc 1,78; Cl 3,11).
Levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, revestida da glória de Deus. Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido. Então, ouvi uma voz forte que saía do trono e dizia: “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus estará com eles. Deus enxugará toda lágrima de seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes”. O que está sentado no trono declarou então: “Eis que faço novas todas as coisas. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o fim. A quem tiver sede, eu darei gratuitamente da fonte da água viva. O vencedor receberá esta herança, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”.
E o povo que andou atrás da Arca, seguia a Arca, era idólatra? Claro que não! Aquele povo não adorava a Arca, mas, ao Senhor a quem a Arca os remetia. Os Católicos não adoramos Maria. Andamos atrás de Maria observando suas pegadas firmes na sequela Christi para alcançarmos Deus, nossa vida, a quem Maria nos remete de modo imediato. E aquele povo, o que esperava, quem era ele e porque andava atrás da Arca da aliança? No tempo de Maria, quando o anjo Gabriel anunciou que ela seria a mãe do Salvador, aquele povo era o pequeno resto. O pequeno resto fiel profetizado por Isaías que aguardava ansioso o cumprimento da profecia do Messias, como preconizada pelo profeta Zacarias. Maria, o pequeno resto fiel a Deus capaz de cumprir a vontade do Pai em tudo. Maria a esperança do povo para atravessar o deserto da vida e chegar à terra prometida, ao paraíso. Maria mulher do Sim abafado pelas vozes do mundo. É essa Maria aquela que todo povo Católico segue e exalta com toda a honra e dignidade. Josué foi exaltado por Deus por ser chefe do povo (cf. Js 3,7). Maria é exaltada pelo povo por ser a Mãe de Deus! Ela é tão pequena e tão humilde que não se arroga a si mesma o título de santa, de imaculada, de pura, de Mãe de Deus. Somos nós que a identificamos assim. Foi a Igreja quem viu sua grandeza escondida em sua pequenez. Foi a Igreja quem descobriu sua santidade velada em sua humanidade. Foi a Igreja que molhou os pés no rio de vida que nasce de junto do Trono de Deus e do Cordeiro e percebeu que carregava aos ombros a Arca da Nova Aliança, sinal do Poder de Deus junto do seu povo. Esta Igreja, povo sacerdotal, banhada nas águas do Espírito (cf. Ap 22,2), esse rio de vida que banha a cidade Celeste, a Nova Jerusalém, não mais resgatada e constituída no deserto (cf. Os 2, 16-17), mas, descida de junto de Deus (cf. Jo 3,13). É esta Igreja pura, santa, imaculada, fundada sobre Pedro, a Cabeça, a Rocha, ainda assim homem pecador, quem declara Maria pura, santa, imaculada, concebida sem pecado para todo o sempre porque desde Gabriel "todos os homens chamar-me-hão bem-aventurada porque o Todo-Poderoso fez em mim Maravilhas. Santo é o seu Nome!" (cf. Lc 1,48-49).

Ensina Teu Povo a Rezar  (Padre Zezinho)

Ensina teu povo a rezar, Maria, Mãe de Jesus
Que um dia teu povo desperta e na certa vai ver a luz
Que um dia teu povo se anima e caminha com teu Jesus.

Maria de Jesus Cristo, Maria de Deus, Maria mulher
Ensina teu povo o teu jeito de ser o que Deus quiser
Ensina teu povo o teu jeito de ser o que Deus quiser

Maria Senhora nossa, Maria do povo, povo de Deus
Ensina teu jeito perfeito de sempre escutar teu Deus.
Ensina teu jeito perfeito de sempre escutar teu Deus.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sobre capitalismo, socialismo, Igreja, grito do excluídos e passeatas...


Numa conversa de Facebook sobre o Papa, o Brasil, os políticos, a economia e a conversão saiu umas idéias que agora coloco aqui em forma de texto, onde: ( I ) é meu interlocutor e ( P ) sou eu.

( P ) O Papa Francisco em sua vinda ao Rio de Janeiro converteu mais pessoas que os 19 anos de grito dos excluídos juntos.

( I ) Que nessa conversão inclua políticos e votantes. A pobreza é, ao mesmo tempo, causa e efeito da penúria. Notadamente, constatamos a existência de dois Brasis, um preparado para os novos modelos mundiais de desenvolvimento e o outro marcado pela exclusão social, que ocasiona a falta de legitimidade política do Estado, a fragilidade de suas instituições e os conseqüentes problemas de governabilidade. São necessárias políticas integradas e sistemáticas de redução da exclusão e da desigualdade social, em conjunto com as políticas de promoção do desenvolvimento econômico.

( P ) Vamos lá... método cartesiano: separar o todo em partes menores para compreender.
1. O Papa evangelizou a todos, políticos e votantes, e converteu o povo. Vou mandar uma que eu ouvi semana passada: "a gente não quer ouvir falar de política e dinheiro na missa porque isso a gente já sabe e escuta todo dia. A gente quer que o Padre nos faça entender um sentido para a vida";
. Os modelos mundiais de desenvolvimento, o mercado, o socialismo/comunismo e a Igreja: Nenhum modelo mundial de desenvolvimento serve ao evangelho e, por conseqüência, à Igreja se não for alicerçado naqueles pilares evangélicos da justiça, do amor ao próximo, do perdão, da misericórdia, da reconciliação, do perder para ganhar (a vida em Deus), do ser o último, do ser o servidor de todos, do lavar os pés... não basta ser um sistema. Se não tem alma, por si mesmo é vazio. A Igreja quer a conversão do coração, quer a conversão do homem total, alma e corpo, mente e espírito, vontade e razão. Em que pese esta palavra estar muito em desuso, a Igreja quer que o homem mude de vida e que sua mudança repercuta no tecido social. Desse modo sistemas injustos podem ser modificados à maneira do evangelho. Só desse modo se elimina exclusão social.
3. Há um perigo muito grande de pensar que o Estado é o salvador do homem. O Estado tem o dever da tutela da vida do indivíduo. A Lei o obriga a isso. No entanto, o Estado Brasileiro está viciado pelos vícios pessoais de quem o ocupa, oque também não é só um problema do Estado brasileiro. É um problema de quem o gere, o administra. É também um problema exterior ao próprio Estado e aos próprios indivíduos. De fato, há uma certa "solidariedade" no pecado que o torna "social", segundo afirmou o Papa João Paulo II. Então, modelos perversos de Estado influenciam as políticas públicas brasileiras como que num contágio endêmico. Assim, alerto para a necessidade de ver o Estado como ele de fato o é: algo impessoal e individualista. Por acaso um Estado que não possui os valores do evangelho como regra pode vir a se comportar como se neles acreditasse? Explico: queremos justiça, mas, o Estado que não sabe o que é justiça (porque não aprendeu de Jesus o que é isso) por acaso poderá aplicar a justiça como a queremos? Queremos a reversão da exclusão social. Sim, que altruísta! Mas, o Estado LAICO brasileiro não é cristão! Porque ele quereria a reversão da exclusão social? O Estado LAICO não tem norma moral. Ele é relativista por si mesmo! O que significa a vida humana para um Estado que quer aprovar o aborto? Não sei se esse pessoal de passeata é inocente ou burro! O Estado não tem nenhum compromisso com os valores cristãos. Solidariedade, fraternidade, liberdade, igualdade, dignidade humana, concepção de pessoa, de indivíduo... quando corretamente interpretados só podem levar ao Evangelho porque nasceram dele! Como querem reinterpretar estes valores à margem do Evangelho como se tivessem sido cunhados pelo humanismo renascentista ou precedente?! O Estado não salva ninguém, nem quer isso. O Estado LAICO não salva ninguém. É individualista porque esta é a lei dos sistemas seja o capitalismo ou o socialismo. Sem Evangelho não há justiça, não há liberdade verdadeira, não é liberdade nem dignidade humana.

4. As receitas de menos desigualdade, mais direitos todos conhecemos. O jornal da televisão, a internet e as cartilhas de conscientização política estão cheias delas. Nenhuma coloca Deus no lugar que lhe é devido. Se já começam com uma injustiça como podem reclamar justiça?

7 de setembro: grito dos excluídos, protestos e o Papa

Papa Francisco e Mons. Marini à Praça de São Pedro em Vigília
Há poucos dias eu respondi uma interpelação em um texto do blog que agora uso parcialmente para iniciar esta nova postagem. O maior valor profético da Igreja é o Cristo Crucificado. Na missa está a cruz do calvário que é o protesto de Deus contra o coração duro e empedernido do homem. Que é o protesto de Deus contra o mal e o pecado. Não há maior protesto que esse. Não há maior profecia que esta. Cuia de chimarrão não é profecia. Foice e martelo também não. São sinais culturais que podem ser quebrados como uma bilha de água ou um pedaço de muro (como Jeremias e Ezequiel) que não fará a menor diferença. Grito dos excluídos não gera profecia e protesto na rua também não. Um Papa silencioso diante de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento sim, isto é profecia! Quando todos gritam, o Papa silencia. Quando todos protestam com violência o Papa fala com doçura e firmeza. Quando todos carregam cartazes, cobrem o rosto e querem fazer valer seus direitos, ouvimos um evangelho desconcertantemente afinado à sabedoria divina, um Jesus de rosto limpo e exigência alta: "Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo". É esta a sabedoria que é profecia, que é grito, que é protesto. É a sabedoria de quem alcançou a compreensão de que a vida neste mundo é passageira, fugaz, mas não menos exigente para o homem e a mulher de fé. "Só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra, e os homens aprenderam o que te agrada, e pela Sabedoria foram salvos." Por causa desta mesma fé os homens e as mulheres não deixam passar ao lado o irmão que sofre.

Há quem interprete os gritos como amor ao próximo. Eu não. Ninguém muda aos gritos. Ninguém muda de dentro da fora. As estruturas não mudam de dentro pra fora. O Papa João Paulo II na exortação apostólica pós-sinodal "Reconcilitio et paenitentia" disse claramente que não há estruturas pecaminosas se nelas não houver homens pecaminosos, governos injustos se a injustiça não estiver habitando no coração do homem. As estruturas, governos e a própria Igreja só serão novos - conforme o conceito de São Paulo - quando os homens ali forem novos, convertidos. Não adianta fazer leis e mais leis. A lei não possui a força moral para mover o homem desde dentro, para suscitar a mudança necessária. Veja a clareza de São Paulo: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito" (cf. Rm 12,1-2). Ou a transformação começa desde dentro ou será somente verniz e fachada. Ninguém muda gritando. Ninguém se converte protestando.

Nós somos católicos. Sonhamos alto. Sonhamos com a conversão e não somente com leis iníquas. Como se dá a conversão? Se dá assim. Semana passada veio aqui na paróquia um senhor conversar comigo e me contar como foi sua conversão. Ele estava na roça. Fazia muito tempo que não ia à Igreja. Então ele pegou a bíblia e leu Lucas 15, a parábola do filho pródigo, e um outro texto de uma das cartas de Pedro. Naquele momento ele olhou pro céu, pensou na imensidão do amor de Deus e chorou de saudade da Igreja. Veio à cidade, confessou-se, mudou de vida e permanece no seguimento de Cristo. Não houve protesto senão o protesto da alma. Não houve grito senão o grito da alma. Não se ouviu outra voz senão a voz de Deus.

Governo nenhum. Grito nenhum. Protesto algum é capaz de mudar o coração do homem. Apenas Deus e sua consciência que, quando trabalham juntos, move-o para aquele Bem supremo que sua razão é capaz de reconhecer e obedecer. Foi isso que o Papa fez dia 7 de setembro na praça São Pedro e como ele milhares de sacerdotes e bispos mundo afora: olharam, contemplaram e calaram diante do Único capaz de mudar o coração do homem. Só ali há Caminho para a paz na Verdade e na Vida. Aqui aludo a um duplo pecado, uma tentação. Aquele de que querer estar no lugar de Deus para fazer as coisas e àquele outro de se furtar ao compromisso cristão para com a ordem temporal. A primeira tentação - ou até pecado nalguns casos - é o pecado da desconfiança de Deus. Não crendo nele, em seu amor e em seu poder nele não espera. A segunda tentação - ou pecado nalguns casos - é a demissão do verdadeiro e real comprometimento dos leigos na ordem temporal. O médico, o advogado e o político católicos precisam viver a integralidade da fé lá onde estão inseridos. Mas, não só eles. Também a empregada doméstica e a patroa, o motorista de ônibus, o cobrador e o passageiro. O patrão, o empregado e o prestador de serviço. Se impregnássemos de evangelho a nossa vida civil nossa cidade, nosso país, viveria a maior de todas as revoluções. Aquela que muda os corações, que transforma as vidas, que dá um testemunho crível do Cristo. O resto é passeata.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Uma verdade sobre os padres... não se precipite.


Há poucos dias eu escrevi um texto no qual eu falei de um certo desalento que tenho por conta de que em muitas paróquias e capelas a missa é descuidada, muitas vezes por aqueles que foram constituídos ministros do altar. Hoje volto para escrever sobre os padres.

Se é verdade que há padres desleixados, há também padres zelosos. Se é verdade que existe um ou outro padre que é pedófilo ou até homossexual, é igualmente verdade que há os que permanecem castos. Se é verdade que há padres carreiristas, é igualmente verdade que há os que tem verdadeira vocação. Se é verdade que há padres carrancudos e fechados, é igualmente verdade que há os que se doam ao ministério a ponto de sorrirem. Mas, esta não é toda a verdade sobre o padre.

Há algumas verdades sobre os padres que a televisão não mostra, o jornal não conta e a internet não deixa transparecer. Os padres sofrem. Sim, sofrem. Muitas vezes sozinhos, chorando por dentro, mas, sorrindo para o rebanho. Tal como um prestimoso pai, o padre quer a felicidade de seus filhos e prefere passar ele as dores e privações da vida a impor que seus filhos o sofram. Os padres choram. O sacrário mudo de uma capela é muitas vezes a única testemunha das lágrimas de um padre. Muitas destas lágrimas são de desilusão, outras por ingratidão do povo. Os padres rezam. Os padres celebram os mistérios da fé. São dispenseiros dos bens celestes, mas não vivem numa redoma de vidro. São constituídos de carne e osso como todo ser humano. São feridos, às vezes ferem. Sofrem a ingratidão e incompreensão e às vezes são duros com o povo, aquele mesmo povo que pode ser mais duro com seu pároco do que o pior dos algozes.

Com o padre tem-se, não raras vezes, pouca piedade, pouca misericórdia, quando sua humanidade extravasa as paredes do edifício de sua consagração. Percebo que aquele que é ministro da misericórdia, da acolhida e do perdão encontra muitos dedos em riste, acusações, apedrejamento e condenação, muitas vezes sumárias.

Esta, caros leitores, é uma verdade sobre os padres. Não somos de vidro, mas também não somos de ferro. "Trazemos este tesouro em vasos de barro". É isto que somos: simples barro. Quebradiços. As pedras que se nos atiram, quebram-nos interiormente. Mas, quem sabe seja melhor assim "para que transpareça que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós" (2Cor 4,7).

Não escrevi para acusar nenhuma pessoa. Apenas para pedir: sejamos mais misericordiosos uns com os outros, inclusive com os padres. Queremos alcançar misericórdia de Deus? Se sim, tenhamos misericórdia nas nossas ações: "o juízo será sem misericórdia para quem não praticou a misericórdia. A misericórdia, porém, triunfa do juízo" (Tg 2,13). Misericórdia é aquela atitude que Jesus tem no evangelho para com os pecadores: não exita em olhar em seus olhos, compreendê-los, amá-los, acolhê-los, perdoá-los e diz-lhes: "vai e de hoje em diante não peques mais".

A quem interessar possa, uma ressalva: Misericórdia não é desleixo. Justiça não é impiedade. Ser verdadeiro não é sinônimo para ser não-caridoso. Amar como Jesus amou é uma arte, não é?