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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sobre Governo, paternalismo, Deus, eu e você


Introdução

Os críticos do assistencialismo do Governo Lula/Dilma dirigem grande parte de suas análises ao mega programa assistencialista do Governo Federal. Com enxurradas de vídeos no Youtube mostrando o próprio ex-presidente Lula discorrendo sobre o modo de cooptar o voto das massas por meio de doação de cestas básicas, alguns críticos ficaram no lugar-comum de classificar este modelo de governo como paternalista. No entanto, paternalista ele não é. Este modo de governar possui outro modelo. Vou tentar ser claro e direto na minha análise.

É paternalista este governo?

O Governo Lula/Dilma oferece bolsa-família, bolsa-cidadã, os governos estaduais seguindo a mesma lógica oferecem vale-leite, vale-pão, vale-gás, vale-energia elétrica, etc. A seguir vieram as outras bolsas: auxílio reclusão para os presos, bolsa-crack para tratamento de viciados em crack, bolsa-universitária entre outros auxílios. Fora estes auxílios em espécie, o governo ainda distribui gratuitamente durante o carnaval milhões de camisinhas e promove seu uso. Bom, tudo isso oficialmente. E o dinheiro doado extra-oficialmente nos mensalões, cuecas, malas; para os aloprados, os anões, os laranjas, os lobistas, os marqueteiros, os empreiteiros, os banqueiros, os políticos, os bicheiros, etc. Bom, ainda tem as emendas parlamentares, as emendas orçamentárias, os projetos individuais dos deputados e senadores, os cash a fundo perdido, os mil projeto disso e daquilo que paga 2 milhões pra construir um poste no meio do nada... O fato é que o Governo está com as burras cheias para distribuir dotes matrimoniais a todos os seus amantes. O Governo não é um pai. Por um lado se comporta como o arquétipo da grande mãe, por outro se comporta como uma grande prostituta!

Só para uma boa digressão, vou colocar aqui o texto do oráculo do profeta Oséias contra Israel (cf. Os 2,4-7) e volto em seguida.

Processai vossa mãe, processai, porque já não é minha mulher e já não sou seu marido. Afaste ela de sua face suas fornicações e seus adultérios de entre os seus seios, para que eu não a desnude como no dia de seu nascimento e não a torne como um deserto; para que eu não a reduza a uma terra seca e não a deixe perecer de sede. Não terei compaixão de seus filhos, porque são adulterinos. Sim, sua mãe cometeu o adultério, desonrou-se aquela que o concebeu. Ela disse consigo mesma: Seguirei os meus amantes, que me dão meu pão e minha água, minha lã e meu linho, meu óleo e minha bebida.

Um pouco de teoria não faz mal...

Na sua obra "A inaceitável ausência do pai", o psicanalista italiano Cláudio Risé contempla de vários ângulos o problema da ausência do pai do consciente coletivo. "O pai, diz Risé, ensina e testemunha que a vida não é apenas satisfação, confirmação, garantia, mas também é perda, falta, cansaço. [...] a sua primeira função psicológica e simbólica é organizar, dar um objetivo [...]. Por isso pai inflige a primeira ferida, afetiva e psicológica, interrompendo a simbiose com a mãe" (RISÉ, 2007, pg. 11-12). O pai personifica a ordem, a lei, o rumo, o objetivo. Como o pai está no início, está também no final. Como o pai causa a ferida, também possui o modo de superar esta ferida narcisista causada na separação simbiótica da mãe. Como o afirma o autor, é ele quem possui o dever de ensinar a criança a fazer a passagem para a idade propriamente adulta. A simbiose com a mãe vai sendo rompida aos poucos: primeiro com o nascimento, depois com o desaleitamento, depois com a articulação das palavras e a interação com o mundo, finalmente com o pai quando este arranca a criança do domínio da mãe ferindo seu desejo narcisista e onipotente de continuar a simbiose. No entanto, para a criança crescer saudável é preciso infligir esta ferida.

"A figura paterna dá à vida do homem uma direção, realizada mediante a renúncia ao caos, à desmedida, ao mal" (Idem, pg. 27). A relação com o pai liga o homem diretamente a Deus. O eclipse do pai terreno, da lei, da ordem, da justa medida, do rumo certo e do objetivo corresponde ao eclipse de Deus na sociedade contemporânea e realiza-se assim a derrocada do homem.

Sobre o eclipse de Deus, O Pai.

Segunda digressão. Parte da homilia do Santo Padre, o Papa Emérito Bento XVI na homilia de natal de 25/12/2012

Deus tem verdadeiramente um lugar no nosso pensamento? A metodologia do nosso pensamento está configurada de modo que, no fundo, Ele não deva existir. Mesmo quando parece bater à porta do nosso pensamento, temos de arranjar qualquer raciocínio para O afastar; o pensamento, para ser considerado «sério», deve ser configurado de modo que a «hipótese Deus» se torne supérflua.Estamos completamente «cheios» de nós mesmos, de tal modo que não resta qualquer espaço para Deus. E por isso não há espaço sequer para os outros, para as crianças, para os pobres, para os estrangeiros. Se é incontestável algum mau uso da religião na história, não é verdade que o «não» a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então, este deixa de ser a imagem de Deus, que devemos honrar em todos e cada um, no fraco, no estrangeiro, no pobre. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros.


O Estado brasileiro como a Grande Mãe

Depois dessa digressão sobre Deus Pai e, tendo explicado o papel do pai terreno na família, vamos compreender como o Estado assume o papel não de pai que dá ordem ao caos, mas, de grande mãe (como vimos de lampejo no segundo parágrafo deste texto).

"Na fase oral (do desenvolvimento psicológico de um ser humano normal) o mundo se torna conhecido sendo comido e usufruído para obedecer ao princípio do prazer, vivido na sua modalidade "devorante" [...] a atual sociedade de consumo trata o indivíduo como consumidor que se satisfaz empanturrando-se de produtos e deliciando-se com os bens fabricados. [...] A atividade psicológica da Grande Mãe em seu aspecto devorante tende, justamente, a manter o indivíduo numa posição "oral", impedindo-o de evoluir até os mais desenvolvidos níveis de consciência. [...] Conserva-se o poder da Grande Mãe mantendo o indivíduo na dimensão infantil, de imediatez, e poupando a ele a fortificante experiência da privação" (RISÉ, 2007, pg. 85).
Esta sociedade sem pai, afirma Risé, é fortemente patológica. Ela desenvolve grande número de fobias, neuroses, psicoses, uma perversão grave, além de masoquismo, sadismo e as regressões a níveis infantis do desenvolvimento. A tudo isto junta-se o clima angustiante e ansioso gerado pela tensão provocada pela ausência da lei e da norma (RISÉ, 2007, pg. 24). No entanto, a sociedade "sem pai" "não desconhece essa tensão e ansiedade geradas pela falta de lei e de norma. A ansiedade se transforma em agressividade individual e coletiva caótica, assim, para se dar vazão à ansiedade geral criada pela falta de limites. Procura[-se] desviar essa agressividade com técnicas não-limitantes como [...] a desinibição erótica e sádica através do cinema e das publicações; álcool e tabaco com seus afeitos de atordoamento e/ou excitação; tranquilizantes [...]; alucinógenos; televisão; uso do carro [...]; terapia do sono [...]. O sentido de tais técnicas não limitantes é fornecer satisfações narcisistas fortemente regressivas e, por este caminho, atenuar a agressividade reativa de indivíduos, cuja imagem de si foi destruída" (Idem, pg. 94/5).

O Governo Grande-Mãe promove um certo tipo de educação com o suprimento destas necessidades narcisistas básicas e assim, mantém o populacho preso a si na dependência infantil, passiva, vivendo dats tetas da grande mãe. O Estado-Mãe transforma o sadismo em lei, libera entorpecentes para anestesiar a angústia e a ansiedade e aprova-se o aborto:
As vidas não funcionais para as lógicas do princípio do prazer e da produção-consumo, aquelas que absorveriam o precioso tempo dedicado às empresas como trabalho, ou aplicado na busca de diversões, são silenciosamente apagadas antes que possam protestar. [...] o despacho para a morte, de resto, não acontece somente por meio do aborto ou das múltiplas tragédias que a indústria do divórcio organiza. Acontece também, por exemplo, com a política de liberação das drogas, que, num número de anos não muito distante, permitirão ao biopoder livrar-se daqueles sujeitos sem condições de participar de seu desenvolvimento e de suas pompas, se não justamente na qualidade de ótimos consumidores de drogas (Ibidem, pg. 104-106).
Isto vemos no Brasil com as secretarias do Governo Federal para as minorias, os LGBT, as mulheres, os negros, os índios, as cotas das universidades, as diversas iniciativas para aprovar o aborto e a liberalização da maconha, dos jogos de azar e outras prática-fugas da realidade. Não precisamos de um governo Grande Mãe. Precisamos de um governo-Pai, não mãe. Um Governo que corrige rumos e desvios, aprova leis justas e coercitivas dos abusos, prende, julga e condena os criminosos; zela pelo crescimento de todo o tecido social conforme o que é reto e contrário ao erro. Precisa-se urgentemente de um Governo-Pai porque o Governo Grande-Mãe está afundando a nação.

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RISÉ, Cláudio. A inaceitável ausência do pai: paternidade e seus desafios na sociedade atual. Trad. Claudia Sheeren. Vargem Grande Paulista, SP: Editora Cidade Nova, 2007.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Santo Athanásio e a busca da Verdade


Introdução

Na liturgia desta quinta-feira da V semana da Páscoa, a Igreja celebra a memória de Santo Athanásio. Este insigne teólogo foi de fundamental importância no Concílio de Nicéia I (325 d.C) no qual se condenou o erro do Padre Ario. A doutrina do Padre Ario era subordinacionista, compreendendo o Verbo como criado pelo Pai, não co-eterno com o Pai, mas, a ele subordinado como criatura, tal qual o Espírito Santo. Da contribuição de Santo Athanásio com sua doutrina sobre a Trindade, os Padres Conciliares reunidos em Nicéia I puderam anatematizar a doutrina ariana, condenando-a perpetuamente.

A obediência à verdade como amor a Cristo

No evangelho desta quinta-feira supra-citada, densíssimo e riquíssimo, nosso Divino Salvador está no contexto de seu discurso de despedida, ainda no cenáculo, rodeado pelos Apóstolos. Judas o traidor já saiu para atraiçoar o mestre e entregá-lo na mão dos algozes. Os demais o ouvem com atenta devoção e Jesus enuncia o amor do Pai por ele (cf. Jo 15,9). O Pai o ama e Jesus sabe-se amado pelo Pai. Sua profunda unidade como o Pai-Deus é integrada em sua humanidade e resplendor de sua divindade. É o amor do Pai que o constitui como Filho. Assim o professamos no Credo Niceno-Constantinopolitano: "gerado, não criado. Consubstancial ao Pai". De fato, pelas Divinas Processões o Verbo é gerado eternamente do Pai; o logos prophorikós, Dabar, Palavra-Acontecimento do Pai no meio da humanidade porque Deus é amor (cf. 1Jo 4,8). O Filho é "a testemunha fiel" (cf. Ap 1,5) do amor do Pai e como tal amou os seus até o fim (cf. Jo 13,1). É desse modo que Ele ama os seus. Assim, ao amor do Pai corresponde o Filho, ao amor do Filho corresponde a Igreja e no amor do Filho nos amamos mutuamente. No entanto, este amor pode se tornar sentimento estéril. Tendo o cuidado pastoral para isto não acontecer, Jesus acrescenta: "Permanecei no meu amor" e emenda: "se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor" (cf. Jo 15,10). Portanto, não pode amar verdadeiramente a Cristo aqueles que não obedecem suas leis e mandamentos.

A Verdade de Cristo na Igreja

Sendo a Igreja coluna e sustentáculo da Verdade (cf. 1Tm 3,15). Esta Verdade que a ela foi consignada para ser guardada em frágeis vasos de barro, ou seja, por uma humanidade ainda em processo de aperfeiçoamento. Dado que a Igreja militante ainda não é totalmente purificada de seus pecados, mas, peregrina ao coração da Trindade intrepidamente para que Seu Senhor a purifique afim de torná-la pura, sem mancha nem ruga, mas, Igreja gloriosa, glorificada em seu Senhor (cf. Ef 5,27), é que os homens nela presentes, em todos os tempos conscientes de serem estes vasos de argila (cf. 2Cor 4,7), não arrogam a si serem eles mesmos o sustentáculo da Verdade, mas, é a Igreja toda: Militante, padecente e triunfante que é a Esposa do Cordeiro sem mancha, aquela que vela pela Verdade e a transmite fielmente pelos séculos. Tal feito só se dá pela assistência do Ressuscitado que está conosco ontem, hoje e sempre (cf. Mt 28,20).

A esta Igreja o Senhor Jesus, no dia da sua ressurreição, confiou o pastoreio de sua grei: Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros” (cf. Jo 19,15). As ovelhas são de Cristo, O Bom Pastor. Mas, quem as apascenta é Pedro a quem foi dado o poder das chaves. No Evangelho de Mateus Jesus ensina como repreender ao que erra. O último ato de misericórdia é dizer à Igreja. Se nem mesmo a Igreja conseguir corrigir o irmão, que ele seja considerado como um pária (cf. Mt 18,15-17). A seguir a estas instruções, Jesus dá à sua Igreja nascente o poder das chaves: Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, tudo o que desligardes na terra será desligado no céu (cf. Mt 18,18). Tais chaves de abrir e fechar, ligar e desligar, foram dadas por Jesus a Pedro no capítulo 16 quando o Senhor lhe confia a sua Igreja nascente: E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus. 
Obedecer à Igreja de Cristo é obedecer o próprio Cristo: "Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita, rejeita não a mim, mas àquele que me enviou" (cf. Lc 10,16).

Por causa destas palavras de Jesus não podem haver nem dois guardiões da verdade, mas, somente um guardião de sua santa vontade. Se todos pudessem sê-lo e se Jesus assim o quisesse, bem poderia ter feito com os outros 11 o que fez a Pedro (pedra/cabeça) ou ter feito aos demais o que fez ao colégio dos doze. Mas, Jesus entende que entre os homens as coisas não funcionam horizontalmente, mas, a partir de uma determinada ordem. Nem Ele mesmo se iguala ao Pai. Embora seja Um com o Pai e o Espírito, embora seja da mesma substância do Pai, tudo o que o Filho faz é reputado ao Pai e não a si. Há uma ordem na Trindade que nunca é quebrada: O Pai envia o Filho e o Filho e o Pai enviam o Espírito Santo. Isto não faz o Filho menor, menos importante que o Pai. O Filho não tem síndrome de inferioridade com relação ao Pai. Ele compreende e aceita seu lugar proeminente de Filho. Ele não é o Pai nem é o Espírito. É Filho e como tal procede em tudo. Logo, não são todas as pessoas que possuem os mesmos dons e carismas na Igreja e quanto a isto São Lucas deixou muito claro nos Atos dos Apóstolos, quanto, no capítulo 13 enumera os diferentes carismas para a unidade da Igreja de Antioquia: lá havia mestres, doutores, profetas e anunciadores da Palavra. Igualmente São Paulo em 1Cor 12,8-11: O Corpo (a Igreja) é constituída de modo que cada um fazendo tudo aquilo e exatamente aquilo que deve fazer, contribui para o crescimento e a harmonia de todo o Corpo (a Igreja). Ademais, não são todos os que dizem "Senhor, Senhor" que possuem a Verdade sobre este mesmo Senhor. Apenas a Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja de Jesus  Cristo é quem guarda e vela, distribui largamente e defende o depósito integral da fé cristã. Para se receber toda a fé cristã com toda a sua riqueza o homem e a mulher devem procurar esta nossa amorosa Santa Mãe Católica que nos alimenta primeiramente com o leite da sã doutrina e quando já o podemos suportar, nos dá alimento sólido para a nossa salvação.

As verdades relativas

É comum nos nossos dias se ouvir algumas afirmações que é preciso serem desmentidas. A primeira mentira contada aos borbotões é que todo e qualquer lugar no qual se fala de Deus é bom. Em primeiro lugar para o "Bom" refere-se à bondade de Deus-Pai em relação a nós filhos-adotivos tornando-nos filhos no Filho Eterno. Só o Pai é Bom absolutamente (cf. Mc 10,18) e toda bondade relativa para ser verdadeira deve estar em consequência com a Bondade de Deus-Pai que nos enviou o Filho, como vimos acima. Analisemos as seitas pagãs afro-brasileiras: Elas não são boas, porque são pagãs. Seu exercício religioso nada tem a ver com a fé católica. Seus usos e costumes são pagãos, não são cristãos, não são adequados a nenhum cristão, mormente, católico. Logo, elas não são boas. Vejamos agora as seitas brasileiras neopentecostais, pentecostais e evangélicas: elas também não são boas porque não obedecem àquela verdade simples enunciada no tópico anterior sobre a Igreja. Ademais, estão em cisma e heresia de modo contumaz. Deus, porque é Bom e Verdadeiro, não pode inspirar o erro e a mentira, a maldade e a divisão. Deus só pode inspirar o que é Bom aos seus filhos. Logo, a divisão cismática advinda da Reforma Protestante não é algo bom, ainda que dentro dos templos protestantes, evangélicos, pentecostais e neopentecostais se fale de Deus. Ali há uma meia-verdade que não corresponde à Verdade integral da fé cristã, pois, fora mutilada e dilacerada pelos cortes realizados na Reforma. Não pode ser bom um cristão que mutila a Verdade de Cristo e promove a divisão do Corpo Místico de Cristo! Por último analisemos o espiritismo: Ali se reza, tem-se até uma versão do Evangelho segundo Allan Kardec, mas, ali não há a Verdade integral do Evangelho sobre Nosso Senhor Jesus Cristo, sua encarnação, paixão, morte e Ressurreição. Negando a Cristo negam a verdade sobre ele e negam, igualmente, sua doutrina. Portanto, quem nega a Verdade de Cristo nega-o e negando Cristo, nega-se o Pai que o enviou. Assim o espiritismo também não é Bom porque não está correlato com a Verdade e Bondade que se fundam no Pai e nos chegam pelo Filho. Logo, é mentira que todo o lugar no qual se fala de Deus é bom.

Uma segunda mentira muito difundida é que todo mundo tem a sua verdade. "Homo mensura", o homem é a medida de todas as coisas. Todas as coisas ou se adequam ao indivíduo ou não podem ser verdadeiras. A mentira aqui reside no fato de que há uma Verdade Universal e absoluta que prescinde de toda e qualquer verdade particular. Quando se nega Deus e a Verdade Absoluta que provém Dele, a primeira atitude do homem é eleger entre as verdades parciais aquela que mais lhe apetece (de apetite, comer, consumir, colocar na barriga e empanturrar-se) para servir a ela. As verdades relativas são passageiras e substituídas por outras. Vide o grande fluxo de uma seita neopentecostal para outra. Não havendo Verdade Absoluta, Bem Absoluto, Justiça Absoluta, Beleza Absoluta não há parâmetros universais para a ética e a moral e tais se tornam, também elas, amoldadas ao indivíduo e suas carências/fomes. Portanto, a negação da Verdade Absoluta escraviza, diminui e torna infeliz o homem que, não tendo um grande ideal pelo qual lutar vive uma vida indolente, sem princípio nem fim, sem ideal, projetos ou sonhos. Seu deus é sua barriga e onde a pessoa se "encher" é ali que ela procurará Deus. No entanto, esta mentira não corresponde à Verdade sobre Deus: "Em verdade vos digo: Vós me procurastes não porque vistes os sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. Trabalhai, não pelo alimento que se perece, mas pelo que subsiste pela vida eterna, alimento que o Filho do Homem vos dará" (cf. Jo 6,26-27). Os apetites e necessidades humanas, ainda que urgentes, perecem. Não são nossas necessidades pessoais maiores que Deus nem maiores que nós. Elas devem dobrar-se a Ele e à sua santa vontade. Assim, procurar Deus não se torna um ato de consumismo (consumismo religioso) no qual eu posso ir onde me parece mais agradável, apetecível, mas é antes, um ato e amor consciente a Deus: amar a Deus significa amá-lo também com a inteligência (cf. Mc 12,30)!

Conclusão

Santo Athanásio lutou contra os erros e heresias de seu tempo. Sua teologia condenou o Padre Ário, herege contumaz que não se arrependeu de seus erros e morreu no exílio arrastando atrás de si uma legião de seguidores. Hoje a luta é ainda ingente não só contra os hereges, mas, contra o próprio mundo que tenta sufocar a Verdade atrás do verniz do relativismo. Não há que transigir a Verdade de Cristo. Há que mostrá-la cristalina aos homens e mulheres do nosso tempo. Somente a Verdade pode nos libertar (cf. Jo 8,32) e a Verdade é Cristo (cf. Jo 14,6) presente em sua Igreja até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20).