Páginas

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Deus violento e vingativo da Bíblia - A bíblia pinga sangue!



Sempre que converso com neo-ateus me deparo com a seguinte aporia (deles): Deus é violento e gosta de sangue e, portanto, não pode ser um Deus bom. Assim sendo, é impossível crer neste Deus. Seu deus não passa de um assassino, sanguinário, genocida, que mandou matar crianças, mulheres grávidas, mandou matar famílias inteiras, pessoas inocentes, animais! Como para corroborar, eis alguns textos mais ou menos usados por eles:

Dt 21, 18-21: Quando o filho se torna contumaz e rebelde, os pais devem levá-lo à porta da cidade para ser apedrejado pelos homens da cidade.
ÊXODO 21:20-21 Com a aprovação divina, um escravo pode ser surrado até a morte sem punição para o seu dono, desde que o escravo não morra imediatamente.
LEVÍTICO 26:29, DEUTERONOMIO 28:53, JEREMIAS 19:9, EZEQUIEL 5:8-10 Como punição, o Senhor fará com que as pessoas comam a carne de seus próprios filhos, filhas, pais e amigos (aqui nem pensam nisso com sentido figurado)
NUMEROS 15:32-36 Um homem que no Sábado estava pegando gravetos de lenha para uma simples fogueira é apedrejado até a morte segundo a ordem de Deus.
NUMEROS 16:49 Uma praga divina mata 14.700 pessoas.
NUMEROS 25:9 Mais outra praga divina mata 24.000 pessoas.
NUMEROS 21:35 Com o apoio divino os Israelitas matam Ogue, seus filhos e todo o seu povo até não haver sequer um sobrevivente.
NUMEROS 25:4 Disse Deus a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao Senhor diante do Sol, e o ardor da ira do Senhor se retirará de Israel.
DEUTERONOMIO 20:16 “Das cidades destas nações, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida”.
JOSUÉ 6:21-27 Com aprovação divina, Josué passa ao fio da espada todos os homens, mulheres e crianças da cidade de Jericó.
JOSUÉ 8:22-25 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Ai, matando 12.000 homens e mulheres, sem que nenhum escapasse.
JOSUÉ 10:10-27 Com aprovação divina, Josué destrói todo os Gibeonitas.
JOSUÉ 10:28 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Maqueda.
JOSUÉ 10:40 Assim feriu Josué toda aquela terra, as montanhas, o sul, e as campinas, e as descidas das águas, e a todos os seus reis. Nada deixou de resto; mas tudo o que tinha fôlego destruiu, como ordenara o Senhor Deus de Israel.
JOSUÉ 11:6 O senhor ordena o mutilamento (corte dos tendões das pernas) dos cavalos.
Sl 137:9 Feliz o homem que arrebentar os seus filhinhos de encontro às rochas.
ISAIAS 14:21-22 Preparai a matança para os filhos por causa da maldade de seus pais.
EZEQUIEL 9:4-6 Ordem do Senhor: “sem compaixão… matai velhos, mancebos, e virgens, e meninos, e mulheres, até exterminá-los….”
EZEQUIEL 21:3-4 O Senhor diz que exterminará tanto o justo quanto o ímpio, ferindo-lhes a carne com sua espada.


A questão aqui não é refutar cada uma das citações como numa frenética necessidade de escusar Deus dessas acusações infamantes. A questão é ir entendendo, ponto por ponto, como e porquê tais textos foram escritos e por fim, a plenitude da revelação em Cristo. Aqui começo minha argumentação. Em primeiro lugar, o que os ateus não sabem ou preferem omitir é que sua abordagem de Deus é extremamente unilateral. Partem de textos estanques para tentar montar um quebra-cabeças que custou cerca de 14 séculos para ser montado. Logo de início depara-se com a dificuldade de se reconstruir historicamente os fatos de cada texto destes supra-citados. Em segundo lugar, o ateu ou neo-ateu, toma por base que a Bíblia foi escrita tendo sido ditada por Deus no ouvido do escritor sagrado como uma espécie de crônica. Não levam em consideração nenhum aspecto antropológico na construção do texto bíblico, tampouco ambiental ou cultural. Aqui já se percebe a pobreza da argumentação atéia sem tocar - o que logo faremos - no processo revelatório de Deus desde o Antigo até o Novo Testamento culminando em Jesus Cristo. Porém, para enfrentar mais amiúdo este tema, vamos usar o bom e velho método cartesiano: separar as partes diminutas, compreendê-las e depois juntá-las para compreender o todo.

1. O contexto do texto
O que é inspiração bíblica?
Todos os livros da bíblia são inspirados por Deus. Os escritores da bíblia foram muitos, às vezes com intervalo de centenas de anos de um livro para o outro. Porém, em todos eles, era Deus quem os inspirava a escrever. Quem escrevia (com a caneta) era o autor humano, mas quem colocava as idéias na cabeça do autor era Deus. A inspiração define-se assim: um influxo sobrenatural sobre o autor humano para escrever o que Deus quer. “Toda escritura é inspirada por Deus” (2Tm 3,16; 1,21).

O que não é inspiração bíblica?
Inspiração é diferente de ditado mecânico. É iluminação que um escritor pode ter, de Deus, para escrever. Não descarta o linguajar humano e a cultura humana. A inspiração é diferentemente das ciências históricas que pretendem ser uma crônica dos acontecimentos. Ela é, outrossim, o influxo da graça no autor humano para escrever aquilo que é vontade de Deus, no tempo, mas com um alcance atemporal.

Onde entra Deus e onde entra o autor humano?
Deus inspira ao autor humano escrever. Porém, como se disse acima, Deus nada dispensa do autor humano na escrita: sua cultura pessoal, seu conhecimento pessoal da língua, da geografia e da política de seu tempo, seus laços pessoais e familiares, suas experiências profissionais (carpinteiro, agricultor, pastor de ovelhas, etc). Tudo isto está presente no texto bíblico como pano de fundo a ressaltar a importância da mensagem nele contida.

2. Como interpretar corretamente um texto biblico?
Parte-se do contexto do autor, depois, da intenção do autor, depois da intenção de Deus ao inspirar aquele texto, depois do próprio texto que nunca deve ser lido estanque, mas sempre dialogado com outros textos similares. Assim, pode-se chegar a ter alguma visão mais ampla do texto o que ajuda a fugir da leitura literal e da interpretação unilateral do texto sagrado. A bíblia é toda sagrada e inspirada por Deus, porém, isto não dispensa o trabalho humano de compreendê-la em seu contexto vital (sitz in leben), ao contrário, exige-o para não falar asneiras como estas dos ateus/neo-ateus.

3.Deus mandou ou não matar pessoas?
A resposta é obviamente não. Ainda que um texto ou outro se pareça a uma crônica, ele não é uma crônica histórica no sentido moderno do termo. Pode se tratar de uma novela, uma saga, uma etiologia, um oráculo de salvação, uma lenda, um mito, um relato de vocação, uma ação simbólica, um vaticínio apocalíptico, etc. As formas e gêneros literários do Antigo Testamento são a fôrma dentro da qual o texto foi composto e como tal possuem características suas, próprias, o que as diferenciam umas das outras, óbvio! "Ah, então a Palavra de Deus não é histórica" ou "Ah, tudo o que está escrito no Antigo Testamento (e por correspondência no Novo) é mentira?". Calma! Tudo o que está escrito na Bíblia é a mais pura verdade. Porém, uma verdade que não é necessariamente uma verdade histórica, factível, porque o autor sagrado não é preocupado em escrever uma crônica (estou aqui me referindo exclusivamente ao Antigo Testamento). A bíblia é, sobretudo em seu Antigo Testamento, uma memória da fé de Israel que enxerga em seus portentos nacionais os mesmos portentos de Deus em favor de seu povo (relativo à segunda e terceira etapa da revelação: teologia da prosperidade e da retribuição). Todavia, esta leitura de fé dos eventos nacionais não exclui que estes tenham acontecido de fato, como a própria arqueologia bíblica hoje aponta. A pouca compreensão de todo este contexto não permite compreender os textos supra-citados como fruto do tempo, da cultura e da experiência do povo de Deus, pois, Deus é o mesmo e não pode mudar. Ele não pode mandar matar num dia e parar depois. Portanto, a falha está no homem (escritor sagrado, povo de Israel, leitor e intérprete da bíblia hoje) e não em Deus.

4. O processo revelatório
"Deus dá-se a conhecer, revela-se, entra na história, agindo por meio de mediadores, como Moisés, os Juízes, os Profetas, que comunicam ao seu povo a Sua vontade. Esta revelação alcança a sua plenitude em Jesus Cristo. N’Ele, Deus vem visitar a humanidade, de um modo que excede tudo o que se podia esperar: fazendo-Se homem" (Papa Bento XVI).

"Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1,9), mediante o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso no Espírito Santo ao Pai e se tornam participantes da natureza divina (cf. Ef 2,18; 2Pd 1,4). Em virtude desta Revelação, Deus invisível (cf. Cl 1 ,15; 1Tm 1,17), no seu imenso amor, fala aos homens como a amigos (cf. Ex 33,11; Jo 15,14-15) e conversa com eles (cf. Br 3,38), para os convidar e admitir a participarem da sua comunhão" (Dei Verbum, n.2)

"Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas" (Hb 1,1-2).

Estes três textos que coloquei o fiz de modo intencional para compreender que de fato houve uma revelação de Deus na história do homem que aconteceu de modo processual, gradual, levando em consideração a condição do homem em acolher e compreender esta mesma revelação. Deus não chegaria, por exemplo, a se revelar em mandarim ao povo brasileiro, ninguém o entenderia. Também não chegaria falando de elevadores, escadas rolantes e aviões a um jeca como Pedro ou um colérico como Jeremias. Cada homem de cada tempo compreende Deus e sua revelação à sua maneira, com suas categorias de conhecimento, de cultura e ambiente. Isto posto, porque básico, vamos às etapas sucessivas da revelação. Inicialmente eu poderia seguir o esquema do Catecismo da Igreja Católica para explicar a revelação. Ele (o Catecismo) usa a sequência: criação e alianças com Noé, os patriarcas e os profetas. Assim, o Catecismo quer ensinar que Deus começa a se revelar à humanidade na criação mesma e depois nas sucessivas alianças que fez com Noé, com Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Josué e os profetas, Davi, Josias, Esdras e Judas Macabeu. Mas creio que esta explicação é por demais causal e teológica para o neófito a quem, espero, este texto possa iluminar. Por isso vou seguir outra via de explicação das etapas da revelação começando por aquela primeira experiência de Deus que teve o povo santo ao pé do monte Sinai. Uma primeira experiência de Deus terrificante e ao mesmo tempo fascinante. A percepção da onipotência divina, da absoluta alteridade e transcendência de Deus sobre seu povo. Assim se expressa o livro do Êxodo: "Moisés levou o povo para fora do acampamento ao encontro de Deus, e pararam ao pé do monte. Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor tinha descido sobre ele no meio de chamas; o fumo que subia do monte era como a fumaça de uma fornalha, e toda a montanha tremia com violência. O som da trombeta soava ainda mais forte; Moisés falava e os trovões divinos respondiam-lhe. O Senhor desceu sobre o cume do monte Sinai; e chamou Moisés ao cume do monte. Moisés subiu, e o Senhor lhe disse: “Desce e proíbe expressamente o povo de precipitar-se para ver o Senhor, para que não morra um grande número deles" (cf. Ex 19,17-21). Esta primeira etapa se dá no primeiro contato do povo com seu Deus. É de fato no deserto que o Senhor forma seu povo: “Foi num deserto que o Senhor achou seu povo, num lugar de solidão desoladora; cercou-o de cuidados e carinhos, e o guardou como a pupila de seus olhos” (Dt 32,10). Catecismo n. 62: "Depois dos patriarcas, Deus formou Israel como seu povo, salvando-o da escravidão do Egito. Fez com ele a Aliança do Sinai e deu-lhe, por intermédio de Moisés, a sua Lei, para que o reconhecesse e o servisse como o único Deus vivo e verdadeiro, Pai providente e juiz justo, e para que esperasse o Salvador prometido". Esta experiência do deserto é fundante para Israel e a ciência exegética a identifica como a experiência-raiz da fundação e estabelecimento da identidade e eleição do povo como povo de Deus. Esta primeira etapa da compreensão da revelação comporta os limites que lhe são próprios: Deus ainda é visto como um Deus distante, terrível e ao mesmo tempo fascinante, um Deus de força e poder capazes de fazer tremer todo o mundo (Salmo 28/9):

3 Eis a voz do Senhor sobre as águas, *
sua voz sobre as águas imensas!
= 4 Eis a voz do Senhor com poder! †
Eis a voz do Senhor majestosa, *
sua voz no trovão reboando!

– 5 Eis que a voz do Senhor quebra os cedros, *
o Senhor quebra os cedros do Líbano.
– 6 Faz o Líbano saltar qual novilho *
e o Sarion como um touro selvagem!

= 7 Eis que a voz do Senhor lança raios, †
8 voz de Deus faz tremer o deserto, *
faz tremer o deserto de Cades.
= 9 Voz de Deus que contorce os carvalhos, †
voz de Deus que devasta as florestas! *

A segunda etapa identificada pela exegese já dá um passo a mais na compreensão da revelação de Deus. É a teologia da prosperidade. Nesta etapa Deus é aquele que caminha com seu povo, é um Deus guerreiro que dá os despojos das guerras e entrega reinos e terras a Israel. A base desta teologia/compreensão de Deus é que Deus premia os bons com riquezas. Tais "bons" são os cumpridores estrictos da Lei, abençoados por Deus. a bênção do Senhor passou a ser objeto de distinção social via teologia da prosperidade que funcionava assim: Os abençoados por Deus eram os bons cumpridores da Lei e dos costumes de Israel; os desafortunados e desfavorecidos eram os amaldiçoados por causa de sua má conduta (Dt 30,15ss) ou - no extremo - por causa de um pecado de seus pais (cf. Jo 9,2). Assim, o documento javista do Pentateuco, que é responsável por boa parte do livro do Gênesis, situa a figura de Abraão dentro do contexto da bênção: "Abençoarei os que te abençoarem e amadiçoarei os que te amaldiçoarem" (cf. Gn 12,1-3). A bênção de Deus era, portanto, algo precioso sem o qual o homem ficaria desprotegido contra os intempéries da vida. Dada a precariedade da vida na antiguidade - escassez de comida, doenças, invasões de exércitos inimigos, etc - podemos supor que a busca da bênção de Deus que fazia o homem prosperar se tornava imprescindível.

No entanto, esta teologia começou a entrar em crise com a constatação de que o ímpio prospera enquanto o justo passa fome. "Porque o caminho do ímpio prospera" (Jr 12,1) se Deus abençoa e faz prosperar apenas os bons? Por que Deus não impede que as mazelas que acometem aos que não O amam caiam também sobre os que procuram viver do lado dEle? Esta foi a grande dúvida que inspirou Asafe a escrever o Salmo 73 (Sl 73,3-5): "porque me indignava contra os ímpios, vendo o bem-estar dos maus: não existe sofrimento para eles, seus corpos são robustos e sadios. Dos sofrimentos dos mortais não participam, não são atormentados como os outros homens". Aqui é também compreendido o sucesso e o insucesso militar. Deus, nesta etapa, caminha com o povo para o campo de batalha através da arca da aliança que acompanha o exército. É aqui que se compreende os textos que causam espanto e furor logo no topo deste texto: são resquícios da segunta etapa da revelação, quando esta ainda não estava concluída, mas, parcialmente concretizada. Nesta etapa também se torna presente a exclusão dos não prósperos entendidos como amaldiçoados por Deus.

Com a crise da prosperidade, veio a terceira etapa: a teologia da retribuição. Nesta teologia fica mais explícito que Deus premia os bons e castiga os maus. Esta teologia é uma reelaboração da teologia anterior (properidade) e um anelo para a solução do problema: "porque o justo sofre e o ímpio prospera?". Manifesta confiança em Deus e demonstra uma compreensão de Deus pela via da barganha. Nesta etapa da compreensão de Deus, ele é visto como aquele que pode ser comprado pelas atitudes puras, retas e justas do homem, sendo assim obrigado a dar-lhe o shalon: paz, prosperidade finaceira e saúde nesta vida. Mas logo esta terceira etapa entra em crise.

A crise da retribuição/prosperidade é captada pelos livros sapienciais: "A vida do homem é ilusão e correr atrás do vento" (Qohélet). O livro que mais agudamente apresenta o problema é a novela Jó, ou o livro de Jó. Um escrito do tempo sapiencial para meditar sobre a prosperidade para o justo sendo este justo um homem não próspero, Jó. Aqui volta a pergunta: porque o justo sofre? Nesta etapa do conhecimento de Deus, o homem compreende que a retribuição intra-terrena (Deus premia os bons e castiga os maus) não resolve o problema do mau e da injustiça. Quanto ao livro de Jó se encontra um excelente e breve resumo aqui. A teologia judaica ainda não é capaz de dar esta resposta e a quarta etapa, do período Macabeu/Asmoneu vai relegar para a vida eterna a retribuição que, anteriormente, era intraterrena.

Perceba o leitor que nesta suscinta e pobre apresentação das primeiras quatro etapas da revelação não toquei no tema "compaixão" que, embora seja presente no Antigo Testamento (duas vezes) vai ser revelada totalmente em Cristo Jesus (29 vezes no novo testamento). "Misericórdia" aparece 166 vezes com inúmeras referências no antigo testamento. Bondade (de Deus) aparece 29 vezes (no N.T. apenas 5 vezes). O verbo grego ágapa (amor ao próximo, caridade) aparece 38 vezes com inúmeras referências no A.T. Isto posto uma pergunta se impõe: Será que Deus inspirou errado o povo que escreveu o antigo testamento? Claro que não! Ele inspirou certíssimo! Porém, como você pode perceber com sua razão, a consciência e o conhecimento a respeito de Deus foi crescendo com o passar do tempo. É como na nossa vida. Ninguém nasce adulto ou velho. Nascemos bebê e vamos crescendo, adquirindo consciência e conhecimento das coisas, da vida, etc. E isto é porque somos humanos!!! Exatamente por isso que a Revelação se fez tão pausada, respeitando os tempos e processos humanos, os avanços e retrocessos que o povo de Deus fazia durante a aliança com Deus. É do mesmo modo que Ele age hoje: Ele não invade nem exclui nossa liberdade. Espera nossos tempos e momentos, nossos avanços e retrocessos no seguimento D'Ele.

Mas, vamos à quinta etapa. Aqui colocarei um excerto da minha monografia de teologia:
Foi vontade do Pai revelar-se bondoso e misericordioso em seu filho Jesus. Mateus diz no capítulo 1, versículo 21 o nome do Messias. Com isso diz que a missão do Filho de Deus é salvar o povo de seus pecados. Jesus, Yehoshú’a, quer dizer Deus salva (Yehoshú’a). O nome e a missão do Filho de Deus estão ligados não como simples etiqueta, mas com sua identidade mesma. Seu nome é expressão de seu ser. Em consonância com a Revelação veterotestamentária, Jesus salva porque é Deus Conosco, o Emanuel (cf. Is 7,14; 8,8). A mesma presença salvífica de Deus a podemos encontrar em Ex 3,7-8. Deus que vê a opressão pela qual passa seu povo escolhido e não fica indiferente: decide libertá-lo. A libertação temporal no Egito prefigura a libertação essencial realizada por Jesus. Jesus é a resposta de Deus aos clamores do pobre que anseia pela libertação plena de seu ser. Deus se revelou para que o homem o pudesse conhecer e assim conhecendo-o pudesse praticar o bem, a justiça, o ágape. Tivesse fé e esperança para viver na honradez de uma vida íntegra (cf. Fl 3,7-9). Jesus, cume desta revelação, a plenifica dando-lhe seu sentido último (cf. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 592), consumando a obra trinitária da salvação (cf. DV n. 4) em continuidade com a intenção primeira de Deus ao criar: para que tudo fosse bom (cf. Gn 1,31a).

Desde o início de seu ministério, Jesus se apresenta como o “hoje” da libertação proclamada pelo profeta para os tempos messiânicos (Lc 4,16-21 com Is 61,1-2). Os milagres realizados são os “sinais” desse cumprimento (Lc 7,18-23) e dessa libertação, que concerne em primeiro lugar ao pecado, mas diz respeito também a todo o homem, alma e corpo (Lc 5,17-26). O evangelho que Cristo proclama aos homens é o evangelho da libertação e da liberdade dos filhos de Deus (Jo 8,31-36; cf. também Hb 3,5-6). A expressão suprema da libertação de Cristo é constituída pelo mistério da cruz e da ressurreição da morte. Aquilo que se realiza no mistério pascal de Jesus é o acontecimento decisivo da história do mundo. Nada terá maior importância para a humanidade do que a libertação que se realiza naquele acontecimento. A existência finalmente é resgatada de sua condição de pecado e morte sendo “lavada” no sangue de Cristo para constituir a existência redimida, a existência de graça: “Não foi com coisas perecíveis, isto é, com prata ou com ouro, que fostes resgatados da vida fútil que herdastes dos vossos pais, mas pelo sangue precioso de Cristo, como cordeiro sem defeito e sem mácula” (1Pd 1,18-19) (ROCCHETTA, 1991, p. 101-102).

5. Quem é Deus? (Lc 15)
As atitudes de Jesus estavam levantando suspeitas e com isso ele estava se tornando incômodo (cf. Mc 1,40-42; Mt 15,3-9; Lc 13,15-16; 14,3-4; Jo 8,2-11) para aqueles que praticavam uma religião legalista, que dividiam a vida entre o puro e o impuro e os homens entre bons, cumpridores da Lei, e ímpios - todos os outros. Jesus de fato viveu num tempo em que crer em Deus e, sobretudo, trabalhar para Ele era um lucrativo negócio (cf. Lc 19,45-46). Como revelar a face misericordiosa de Deus a homens inteligentes, religiosos e convictos de suas verdades? Jesus ensina lições como um Rabi, um mestre.

Primeiro mostra quem é Deus. Compara-o a um extremoso pai de família com dois filhos (cf. Lc 15,11). Depois mostra o pecador como aquele que tem tudo na casa paterna, mas livremente prefere outra vida, outro caminho distante desta mesma casa (cf. v. 12-13). Depois mostra os filhos de Israel, os herdeiros da promessa (cf. Jo 1,11), os escribas e fariseus do versículo 2 do nosso texto, identificados com as atitudes do filho mais velho, mais ranzinza, mais amargo e que não entende o amor do Pai nem a queda do irmão (cf. v. 30).

As atitudes do Pai, de imediato, contrastam com as atitudes dos filhos: da liberalidade do Pai a dissolução de um filho. Da compaixão do Pai ao fechamento e falta de amor do outro filho. Da alegria do Pai à tristeza do filho mais velho e à vergonha do filho mais moço. Jesus pinta Deus com cores vivas: um Deus que se compadece dos mais fracos, sejam eles os fracos por causa dos pecados ou os fracos na compreensão do amor. O Rabi ensina quem é Deus, como Ele age, como Ele nos vê. Como Ele espera a resposta humana e o quanto ainda o homem carece de conhecê-lo. Ele ensina que a alegria no céu é por um pecador que se converte e não porque se condenou alguém em flagrante. Ensina que o Pai sabe esperar o tempo de cada filho voltar a casa e quando este volta, o que passou já não é mais lembrado. O Pai sabe entender o limite de cada filho sem julgar ou condenar a cada um por suas debilidades. O Pai sabe abraçar e beijar, ou seja, sabe demonstrar seu amor ao filho que volta. Amor-compaixão que restitui a humanidade e a filiação perdidas nas ondas da poeira do tempo. Por fim, Jesus ensina que o Pai não sabe fazer contas a respeito dos pecados cometidos quando o filho sinceramente se arrepende. Esse Pai que Jesus revela é simples: abraça, ama, perdoa e faz festa. Não anda com listas de deveres e obrigações, com listas de chamadas ou coisa semelhante. Anda somente com o coração aberto para amar e ser amado porque Ele é amor (cf. 1Jo 4,8; Ap 3,20).

É desta humanidade salva e resgatada com o abraço do amor que o Papa João Paulo II fala no número 6 da Dives in Misericordia. Comentado Lc 15,20 o Papa diz que é por ser fiel a si que Deus resgata a humanidade decaída, faz o homem reencontrar o sentido mais profundo de sua existência e reconhecer que o que se perde com o pecado não é somente uma lei transgredida, mas algo mais profundo e fundamental: perde-se a própria essência de homem e de filho. Como vimos, Cristo inaugurou o tempo da nova aliança em seu sangue (cf. Lc 22,20). Ele trouxe a libertação radical revelando um Pai que ama a todos. Em Cristo, o amor-compaixão de Deus se mostra capaz de salvar o homem através da celebração de um novo pacto. A encarnação do Verbo eterno do Pai representa o fundamento da nova e eterna aliança: em Jesus, é o próprio Deus que une irrevogavelmente a si a natureza humana. E nada mais poderá desfazer essa união, realizada “uma vez por todas”. Cristo é, em si mesmo, a aliança nova e eterna. Graças a Moisés, fora dada a lei aos pés do Sinai; graças a Jesus foram-nos dadas “a graça e a verdade” (Jo 1,17). Com efeito, a encarnação direciona-se inteiramente para o mistério da morte e ressurreição, que constitui o mistério fundamental da salvação, adquirida definitivamente para toda a humanidade (ROCCHETTA, 1991, p.111).

Pronto. Explicadas as 5 etapas da revelação, o processo lento e contínuo de aprendizagem de "Quem é Deus?" espero que algumas dúvidas tenham sido sanadas. Ao mesmo tempo espero ter ficado claro a inconsistência da dúvida/pergunta dos ateus e neoateus quanto à suposta maldade em Deus. Sem entrar no mérito lógico da questão (Deus é bom e nele não há nenhum mal - princípio de não-contradição) e permanecendo apenas no campo escriturístico e racional, é possível compreender a revelação de Deus, o processo de conhecimento humano e como estes dois mundos se uniram em Cristo Jesus.

"Agora, porém, graças a Jesus Cristo, vós que antes estáveis longe, vos tornastes presentes, pelo sangue de Cristo. Porque é ele a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava, abolindo na própria carne a lei, os preceitos e as prescrições. Desse modo, ele queria fazer em si mesmo dos dois povos uma única humanidade nova pelo restabelecimento da paz, e reconciliá-los ambos com Deus, reunidos num só corpo pela virtude da cruz, aniquilando nela a inimizade" (cf. Ef 2,13-16)

55 comentários:

  1. EXISTIRIAM ATEUS NATOS?...
    NÃO SERIAM FORJADOS POR CONVENIENCIA?...
    Acredito que existam ateus convencionais: seria mais cõmodo para não exercitarem as consciencias em atos nos quais poderiam acusarem-se, prefeririam um estado letárgico e ele os satisfaria, como se proporcionasse um colorido dopping espiritual interno; pior seria se conduzisse a um estado tal de endurecimento do coração que depois nada mais distinguiria de certo ou errado: apenas o conveniente a interesses e ideias pessoais, um egocentrismo de julgamentos ético-moral a toda prova.
    Aí sim, ainda que seja artificialmente, tornou de fato um ateu, de preferencia um "maquinado ateísta".

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas Elton, todos nascemos ateus. Até que as perniciosas tradições sejam incutidas em nossas mentes infantis. Foi assim comigo. Onde está deus? Na bíblia!? Uma coleção de absurdos!? No céu!? Que céu!? De onde ele surgiu e o que ele fazia antes de criar tudo!? Porque ele fazia e acontecia(e como matava) na antiguidade e de repente sumiu por completo!? Brincando de esconde esconde!? Olha para as explosões das estrelas, os vírus e bactérias, a violência da natureza. Tudo é um completo caos, onde constantemente um tenta destruir o outro. Não há espaço para um deus, pelo menos não para um deus amoroso.

      Excluir
  2. " 3.Deus mandou ou não matar pessoas?
    A resposta é obviamente não. Sendo Deus o autor da vida porque não poderia ele mandar matar pessoas? Com que direito o vaso pode dizer ao que o fez porque fazes isto comigo? Alem disso mesmo que Deus não tenha mandado diretamente mandado pessoas como pode permitir que atribuíssem isto a ele? Sua omissão pela atribuição destas carnificina a ele o faria cúmplice no mínimo. Fico mais com o ditado popular e sábio. Deus escreve certo por linhas tortas. Esta interpretação adaptada ao gosto modernista só dá mais munição ao ateus porque insistimos justificar o agir de Deus na História. Deus senhor supremo da vida pode sim eliminar pessoas e até mesmo um povo. E usar os homens e sua cultura para isto e esta ação dele não o torna injusto e nem muito menos cruel. Com esta mentalidade, se presenciássemos um crocodilo devorando um criancinha indefesa na beira do rio diríamos que Deus foi cruel por não ter evitado isto? Deus se serve sempre de causas segundo, no caso da eliminação dos cananeus pode-se se afirmar que a idolatria daquele povo, seus crimes hediondas os tornaram vulneráveis ao ataque do povo de Israel e que isto foi providencial. Não seria a custa de discurso pacifista que Canaã pertenceria ao povo de Deus. E se Deus permite o mal ocasional é porque apesar deste sempre virá um bem muito maior. Não devemos temer assumir a forma com Deus age na História por meio do agir dos homens. Deus não precisa das contas a ninguém de seu atos. Por sito ele é Deus e não homem e tudo o que faz por meios de causas segundas é justo e certo. Alem disto dizer que Deus não manda matar vai encontro até a liceidade da pena de morte confirmada por São Paulo e aceita pela a Igreja até mesmo no Novo catecismo. O Estado tem sim , o direito de eliminar quem não valoriza a vida do outro. Na Bíblia o mandamento não matar é neste sentido: Não executarás o inimigo por vingança e não mataras o inocente. Mas matar quem não respeitou a vida do outro é legal e não contra a palavra de Deus, claro dado a este todo o direito de se defender.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não seriam duas coisas distintas o ser de Deus em Si mesmo e o conhecimento que o ser humano é capaz de ter Dele?
      Mesmo na Bíblia se vê a evolução da maneira como o ser humano O conhece, do Antigo para o Novo Testamento.
      Será que em dois mil anos de cristianismo o conhecimento humano de Deus continua o mesmo da época de quando a Bíblia foi escrita, não evoluiu em nada?

      Excluir
    2. Chega ser hilário seu texto(confesso que ri).
      Se o deus bíblico fosse real e amoroso, não permitiria um livro absurdo e tão duvidoso quanto a Gibiblia, de onde se derivam milhares de religiões, cada uma defendendo seu ponto de vista. Só de narrar que esse deus mandava queimar animais para que o mesmo sentisse seu cheiro suave para aplacar sua ira, já o torna repulsivo.
      Comédia.

      Excluir
    3. Davi paladini concordo com você! Deus está longe de ser justo

      Excluir
    4. Davi paladini concordo com você! Deus está longe de ser justo

      Excluir
  3. Tenho uma duvida, pode Deus se vingar dos homens? Recentemente na internet esta se passando um video do Pastor Marco Feliciano, nele o Pastor diz que Durante a pregação em seu programa de TV:

    "John Lennon chegou uma dia diante das câmeras, bateu no peito e disse: 'os Beatles são mais populares do que Jesus Cristo'. Jesus não era popstar como ele, mas sim o mestre de uma grande religião.John Lennon estava olhando pras câmeras, dizendo 'Nós Beatles somos uma nova religião'. A minha Bíblia diz que Deus não recebe esse tipo de afronta e fica impune.Passou algum tempo depois dessa declaração, está ele entrando em seu apartamento, quando ele abre a porta e escuta alguém chamar ele pelo nome, ele vira e é alvejado com três tiros no peito.

    Eu queria estar lá no dia que descobriram o corpo dele. Ia tirar o pano de cima e dizer, 'Me perdoe, John, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse é em nome do Filho, e esse é em nome do Espírito Santo'. Ninguém afronta Deus e sobrevive para debochar".
    Sou catolica, e como tal nao gosto de julgar ninguem! Fui criada assim, que antes de julgar o proximo tenho que ver a mim mesma. Por isso penso que essas atitudes de julgação são erradas. O Pastor pega uma fatalidade e a julga como se fosse culpa da pessoa, ou mesmo coloca a causa em Deus. O senhor poderia comentar sobre isso? Desde ja agradeço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Juliana, Deus não se vinga das pessoas como se ele fosse cioso de suas prerrogativas. Se assim fosse, todos os algozes do filho de Deus deveriam ter perecido ali mesmo no Gólgota. A teologia do Feliciano é risível, ruim demais, mal elaborada, mal estudada, mal pesquisada. Beira o senso comum, se não o for de fato. Óbvio que Deus não tem porque se vingar de ninguém. Cada um responde por seus próprios atos sem que Deus precise arbitrar vingança.

      Excluir
  4. Se alguém pode defender legitimamente a pena de morte, Esse, é o autor da vida. "Deus não se deixa escarnecer" diz em Gálatas 6; Acho ridículo dizer que a Bíblia é inspirada, depois, fazer contorcionismo de modo a parecer que não. Deus dá a vida e tira, sem prestar contas a ninguém. Se os ateus se escandalizassem tanto com a morte pregariam contra o pecado, pois, "O salário do pecado é a morte"; o que querem e desqualificar a Deus para se justificarem. Quanto a mim, não gasto latim com quem é obstinada oposição. "Toda planta que o Pai não plantou, perecerá". Que se convertam, pois, ou digam na face de Deus, no juízo, que Ele está errado, como disse a Jó: "Porventura me condenarás para te justificares"?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. vc não pode falar oq os ateus querem pq vc não é ateu

      Excluir
  5. Prezado Elton, nas atitudes descritas por você não se vê um ateísta convencional, porque isso não existe. Na verdade você descreveu um “teísta preguiçoso”, aquele que acredita em uma entidade suprema desde que não lhe dê nenhum trabalho, não tenha que acordar cedo para ir à missa e não precise dar o dízimo. Não é correto dizer que ateístas são egocentrístas, incapazes de distinguir o certo do errado. Dizer que não ter deus no coração faz com que uma pessoa seja má não é realidade, ou então o que poderíamos dizer dos terroristas do 11 de setembro: que eles tinham excesso de deus no coração? A maioria dos ateístas nasce em família de alguma religião e a esta são encaminhados, mas, como ocorreu no meu caso, demora muito para se tornar ateísta, porque ao passo que vão lhe ensinando os fundamentos da religião no catecismo e análogos, a pessoa começa a ver as contradições nos textos da religião de seus pais. Nos tornamos ateístas porque temos uma mente científica e não dogmática. Não significa que somos cientistas, apenas que continuamos com o salutar hábito infantil de questionar tudo. “Por que sim” não é resposta para nós, estamos sempre fazendo perguntas e procurando respostas, e seguir o texto contraditório de velhos livros cuja interpretação é feita conforme a vontade de quem lê não nos serve. Os únicos que realmente fazem caridade são os ateístas, pois o fazem sem intenção de comprar um lugar no céu ou tentar não ir para o inferno, ora, se deus não existe não existe céu, e se deus não existe não existe o diabo que foi criado por deus, e se o diabo não existe não existe o inferno. Nós ateístas acreditamos que as leis e os bons costumes são suficientes para regrar a vida em sociedade, por isso dispensamos a existência de qualquer ser etéreo que tudo vê, tudo sabe, tudo pode, e nada fez, faz ou fará, e somos muito felizes.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ronaldo, algumas considerações...
      1. Sobre as contradições. Há os que as vejam e não as compreendam por birra e há os que as vejam e se esforce para compreender o todo no qual não há contradição verdadeira, senão aparente.
      2. rsss... acho engraçado vc contrapor "mente científica" a "mente dogmática" fazendo de sua "mente científica" um novo dogma. Evidente que vc negará esta minha constatação com o clássico relativismo: eu sou aberto e blá blá blá
      3. Questionar tudo... hum... me parece justamente o contrário. Me parece que o neoateu não questiona o seu questionar, não reflete sobre a reflexão e a razão de ser das coisas e contenta-se com alguma resposta de qualquer um dos neo-papas do neoateismo que possuem suas verdades dogmatizadas e incensadas por muitos. Se eu estiver errado, por favor me corrija. O ateu perdeu o salutar hábito do "se" para fechar-se na salinha quadrada do "tenho certeza" empírica.
      4. Sobre hermenêutica. Qualquer leitor é um intérprete, como agora eu o interpreto e vc a mim. É impossível a plena suspensão epistêmica do sujeito face ao objeto. O sujeito está implicado na decodificação do objeto, seja este um velho texto da bíblia ou uma publicação da Super-Interessante (sic!), do Discovery Chanel (sic!) ou a nova novela do Dan Brown (sic!).
      5. Sobre caridade. Eu ri. Caridade e um emprego do termo grego caritas encontrado no novo testamento para designar o Amor Divino. Logo, um ateu não faz caridade por exclusão do objeto desse amor.
      6. O real problema do ateu: O inferno. rs.
      7. Meu caro amigo inocente, veja algo interessante. Os bons costumes que vc CRÊ existir são todos de matriz cristã: solidariedade, fraternidade, liberdade, pessoalidade, individualidade, autonomia, auto-governo... tudo isso é de matriz cristã e sem o arcabouço cristão perde seu sentido. Explique-me, por favor, e me prove - para isto estou ansioso - qual sociedade/estado conseguiu regrar a vida social só com as leis e os bons costumes (que, em se negando sua matriz cristã nem consigo imaginar quais sejam - lembrando que "regra" no ocidente é legado das ordens religiosas católicas e não da filosofia grega).

      Excluir
  6. Prezado Francisco, lê-se em Jeremias 19:1-15 que deus ficou enfurecido com o sacrifício de crianças inocentes e indefesas pelo fogo ao deus Baal no Vale do Filho de Heon (vale em torno da antiga Jerusalém), e por isso, em sua ira, deus mandou matar todo mundo, morreram inclusive as crianças inocentes e indefesas que seriam mortas ao deus Baal. Francisco, em pese sua discordância não há como negar o que está escrito na bíblia - de fato deus é genocida. A interpretação da bíblia é feita para tudo que foi bom, foi feito por deus e tudo que deus fez de ruim foi feito pelo homem. Pura hipocrisia varrer para baixo do tapete os atos genocidas, atos de desmerecimento e perseguição da mulher, que segundo a bíblia foram realizados ou ordenados por deus. Por este motivo existe uma profusão de religiões cristãs, porque cada uma interpreta o texto bíblico conforme seus interesses.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Falando em interpretação segundo os próprios interesses...Sua desinformação lhe faz interpretar segundo o seu preconceito. O texto de Jr 19 é uma predição da invasão de Jerusalém pr Nabucodonosor. Qualquer um que estuda história de Israel sabe que o primeiro Jeremias (primeira parte do livro) é escrita antes do Exílio contra os Reis de Judá. Sabe pq vc não sabe disso? Pq vc não estuda e se contenta em repetir sua tese como um papagaio. Jeremias não profetiza a morte de inocentes e outras pessoas porque Deus é um genocida. Ele profetiza a invasão de Jerusalém e o consequente massacre da população e sua deportação. "Oh padre, se seu Deus fosse bom ele poderia ter evitado esse massacre e blá blá blá". Não poderia em virtude do livre-arbítrio humano. Deus não intervém desse modo, retirando ao homem sua liberdade de ação ainda que seja para o mal. "Oh padre, se seu deus fosse todo-poderoso então ele poderia, se não pode então ele não é poderoso". Ah eu deveria lhe explicar a teologia da cruz, mas, vc é demais obtuso para compreender.

      Excluir
  7. Prezada Juliana, de fato o deus bíblico é genocida e vingativo. Muito se discute sobre o fato de todas as culturas possuírem noção de divindades ser uma prova da existência de deus, entretanto, esta é uma prova que deus não existe, se existisse haveria um deus único para todo o planeta e não esta profusão de deuses. Mesmo dentro do cristianismo existe vários deuses. No exemplo que você forneceu o deus do deputado federal Marco Feliciano é diferente do deus da maioria dos católicos. John Lennon disse que os Beatles eram mais populares em 1966 e foi morto por um psicopata em 1980. Marco Feliciano disse que deus se vingou de Lennon, e todos os cristãos que estavam no culto aplaudiram feito doidos que são. O deus todo poderoso de Feliciano, que tudo vê, ouve e sabe, de em vez de matar Lennon um segundo depois dele dizer a frase esperou 14 anos para se vingar dele. Pior, o deus de Feliciano é tão poderoso que em vez de fulminar Lennon por um raio dentro do seu apartamento utilizou um psicopata para realizar seu serviço sujo. Esse é o deus que você venera? Feliciano disse ainda (basta procurar no youtube) que o acidente que matou o grupo musical Mamonas Assassinas foi um ato de deus porque a banda havia mexido com as crianças, um anjo entrou no avião e virou o manche para o lado de uma montanha. Em seguida Feliciano foi aplaudido em meio a vários aleluias por todos aqueles que tem deus no coração. Vamos imaginar que realmente os Mamonas precisavam ser mortos por deus, mas o que o piloto do avião tinha com isso? É esse o deus para o qual você reza? Que mata um piloto inocente para se vingar de um grupo de jovens irreverentes? E o deus católico não é nada diferente. Lembre-se de Giordano Bruno que ficou preso durante oito anos e só saiu da prisão para ser queimado vivo em 1600 apenas porque disse que a Terra não era o centro do universo. E olhe que ele acreditava em deus (era padre e foi expulso por suas idéias) e achava que sendo o universo maior do que a igreja determinava a obra de deus seria ainda maior. E não pense que a igreja abdicou de seus poderes de vida e morte por vontade dos papas, foram os governos e sociedades que foram tirando os absurdos poderes da igreja. A perseguição de judeus foi praticada pela igreja católica muito antes de Hitler, diga-se de passagem que o Vaticano auxiliou na fuga de muitos criminosos nazistas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sobre genocídios os ateus sabem bastante, sobretudo os do século XX. No presente para tentarem execrar seu passado pra lá de contestável, se revestem com vestes de piedade pelos outros. Mero disfarce. Faço de conta que isso corresponde à realidade. Pelo menos os autoritários governos ateus do século XX não tinham vergonha de sua idadentidade, nem procuravam se esconder atrás de pseudo "caridade" ou de supostos "bons costumes". "Em 1928 iniciou um programa de industrialização intensiva e de coletivização da agricultura soviética (plano quinquenal), impondo uma grande reorganização social e provocando a fome - genocídio na Ucrânia (Holodomor), em 1932 - 1933. Esta fome foi imposta ao povo ucraniano pelo regime soviético, tendo causado um mínimo de 4,5 milhões de mortes na Ucrânia, além de 3 milhões de vítimas noutras regiões da U.R.S.S.". Fonte aqui.

      Sobre prova da existência empírica ou não de uma divindade. Isto é algo tão primário que não posso CRER que li aqui. Assim como não há prova de uma deidade material, não há prova da inexistência desta mesma deidade. O problema se põe dos dois lados. Os dados materiais não são capazes de responder à questão: Deus existe? Deus não existe? Esta resposta, quando se encontra, está totalmente fora da matéria podendo ser encontrada apenas pela razão e pela fé.

      Interessante um neoateu chamar os cristãos de "doidos". Não sei se me apiedo dessa alma ou se a execro. Permaneço na dúvida. A sua capacidade intelectual é tão tacanha, Ronaldo, que não é capaz de tomar um sério livro de teologia com o qual se possa debater com seriedade acerca do que significa crer em Deus e toma a mais rasa compreensão de Deus, a do protestantismo brasileiro. Não posso CRER que vc seja assim. Quero CRER que é só um momento jocoso... rsrsrsss... Ah a palavra mágica: Youtube. Pronto. Já posso imaginar de onde vem o seu "conhecimento". Youtube, google, ATEA... rs... risível se não fosse trágico. O mais cômico da coisa toda é vc supor uma qualquer necessidade em Deus de matar os mamonas assassinas... kkkkkkkkk... por acaso vc lê as coisas que escreve, ou a contradição é algo inerente aos seus escritos?!
      rsrss... eu estava imaginando quando chegaria a tríade inquisição-cruzadas-nazismo. Até que não precisei ler muito para me deparar com elas. O que a falta de CONHECIMENTO faz numa mente eu não posso nem imaginar. Só posso me imaginar sem conhecimento. Certamente seria como vc.

      Excluir
    2. Fonte da citação:
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Josef_Stalin

      Excluir
  8. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  9. Me cansaria desmesuradamente refutar todo o livro de Dawkins, o papa do neoateísmo. Há autores melhores que eu pra esta tarefa. Achei melhor apagar o último comentário. Sim. O blog é meu e nele eu deixo o que quero e tiro o que quero.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Parabéns Padre, censura é marca registrada de sua religião, que queima pessoas há séculos em nome desse tal Senhor.

      Excluir
  10. Prezado Luis Fernando, desculpe ter demorado tanto a responder, foi por motivo de trabalho. Também me divirto com seus argumentos, vejo que não são apenas os ateístas que são bem humorados. Concordo plenamente com seu poder de retirar comentários, pois o blog é seu, entretanto, é bom saber que meu último comentário foi suficientemente incisivo para, à falta de argumentos contrários, retirá-lo. As contradições bíblicas são evidentes, só não vê quem se recusa a ver, ou melhor, faz contorcionismos verbais para desdizer o que está claramente escrito. Ao afirmar que ateístas são igualmente dogmáticos você está nos medindo com sua régua a qual em cada milímetro existe um dogma. Não há dogmas no ateísmo, não há catecismo para incutir na mente das crianças que devem parar de acreditar em Papai Noel e começar a acreditar em outro Papai Noel chamado deus, preferimos que as pessoas pensem por si. Ao contrário do que você diz são os teístas que se fecham dentro do seu retângulo chamado bíblia e não dão espaço ao “se”, são os ateístas fãs do “se”, pois, ele é parte integrante da busca do conhecimento, do questionamento para chegar à verdade, por exemplo: – Se existe a santíssima trindade a religião católica não seria politeísta? Se os católicos rezam pedindo graças a milhares de santos católicos e não diretamente a deus o catolicismo é politeísta? Se um católico reza diante da estatueta de um santo para que este santo diretamente lhe conceda graças isso é a idolatria proibida em Êxodo 20-1,5 por deus? Se a igreja católica prega a igualdade entre todos por que não existem mulheres no cargo de padre? Se a arca de Noé levou os animais para não se afogarem e depois procriar, por que os dinossauros aquáticos também foram extintos. Se tudo foi criado por deus e tudo que ele criou é bom, por que ele extinguiu os dinossauros? Se deus não existisse você mataria, roubaria, estupraria? Veja, nós ateístas adoramos – não no sentido bíblico – um “se”. Toda vez que se faz uma pergunta e a resposta é “foi deus quem fez desse jeito e seus desígnios não devem ser questionados” uma porta para o conhecimento é fechada. De fato, cada um interpreta a bíblia como quer, assim o crente em vez de acreditar que Caim matou Abel, poderá pregar que Abel matou Caim, afinal a interpretação é livre como você bem afirmou, sendo possível interpretar exatamente o contrário do que está escrito . Por que não interpretar que tendo Jesus deus como pai e Maria como mãe ele seria um semideus igual a Hércules. Se uma palavra tem origem grega ou no latim e referir-se a algum tipo de misticismo, não é por isso que nós ateístas vamos deixar de utilizá-la, afinal faz parte do dicionário, usamos até o famoso “meu deus!” que afinal é apenas uma interjeição, melhor que dizer um palavrão. Sim, ateístas fazem caridade e não para comprar um lugar no céu ou não ir para o inferno, entregar algo esperando um benefício imediato ou futuro ou no pós morte não é caridade, é uma troca, lembra das indulgências? Inferno é problema apenas para os que acreditam nele, temos tanto medo do inferno quanto de vampiros e sacis, entretanto, reconhecemos que temos medo de religiões que recebem dinheiro público para construir e manter igrejas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
    2. O positivismo epistemológico do início do seu primeiro comentário é lacônico. O ser humano não traz em si uma carga de conhecimentos a priori para poder conseguir pensar por si mesmo. Noutras palavras o conhecimento não é inato e mais, não está já presente, adormecido, no homem para que o mesmo venha à luz pela maiêutica caricaturizada nas pantominas do Paulo Freire. Tudo o que temos como conhecimento foi adquirido ao longo dos anos. Um dia vc aprendeu somar dois mais dois e no outro aprendeu o que é o sistema solar. Houve um dia na sua vida em que não havia conhecimento sobre matemática ou química e este conhecimento lhe foi DADO, lhe foi passado e vc o RECEBEU de alguém caso contrário não saberia sequer ler o que escreveu. Logo, somos o fruto daquilo que fizeram conosco ao menos por uma etapa da vida. Do conhecimento nos dado, das experiências passadas e aprendidas. O primeiro meio de aprendizagem é a empiria só depois o ser humano racionaliza. A sua proposta do conhecimento, "por si", beira o simplismo. Segundo. Não é só o ateísmo que lida com o saudável "se". Percebe-se pelos seus questionamentos primários (aquela série de perguntas-retóricas que fizeste) que para chegar ao "se" cristão vc precisaria aprender e aprofundar o conhecimento sobre a fé a cristã. Como lhe falta este elemento de conhecimento, também suas perguntas são incompletas e o que vc acha que é um "se" nada mais é que falta de conhecimento. Vou me permitir divagar um pouco no "se". E se Deus existir para além de todo conceito humano pobre e circunscrito à efemeridade humana; para além das formas históricas das religiões; para além da forma histórica da Sagrada Escritura; e se Ele existir e no seu silêncio compreender que nosso modo de dizê-lo e expressá-lo tão pobremente sequer tocam naquilo que Ele É de fato e que as aparentes aporias sobre sua existência nada mais sejam do que a permanente vontade humana pelo perene, pela certeza, pela absoluta e inamovível verdade que resiste a tudo, a todos os "ses", e que dá algum sentido no caos da vida... E se Ele de fato existir além de toda expectativa e limitação de conhecimento humano? Não é atemorizante e ao mesmo tempo fascinante?

      Excluir
    3. Terceiro. Creio que vc não leu em nenhuma de minhas respostas o argumento à autoridade: "foi Deus quem quis/fez assim e por isso não deve ser questionado" embora eu o pudesse evocar em meu favor. Escrevi argumentos paulatinos a fim de contribuir com a sua aquisição de conhecimentos. Noutras palavras fui caridoso contigo. Quarto. Eu não afirmei que cada um interpreta a bíblia como quer. Eu NUNCA diria isto porque isto é doutrina protestante e não católica. No debate é necessário ser honesto e não afirmar aquilo que o outro não disse. Quinto. "Meu Deus" é uma confissão de fé. Eu não uso: "sou ateu" porque não me identifico com isto. Sexto. "Se Deus não existisse você mataria, roubaria e estrupraria"? Segundo o voluntarismo ateu kantiano (que me precede no tempo e por isso posso usá-lo), a pessoa deve agir de tal modo que sua ação MORAL possa se tornar parâmetro para a ação dos demais. Olhando o agir moral por este prisma ATEU, eu lhe digo que não. O ser moral é inerente ao homem ainda que ele não seja cristão. No entanto, o voluntarismo não é capaz de tornar o homem um sujeito moral. O homem só convence-se de que a moralidade é um BEM se este bem se lhe apresentar transcendete (aqui não faço nenhuma referência à Deus, apenas à transcendentalidade do BEM que, num segundo momento se relaciona a Deus inequivocamente). Um budista É um sujeito moral, um xintoísta também o é, igualmente o muçulmano, o agnóstico e o ateu. Crer em Deus não me faz melhor que nenhum desses anteriormente citados. Só me compromete ainda mais com uma moralidade reta. Sétimo, mais uma vez reitero: ateus não fazem caridade porque caridade é um termo CRISTÃO. Ateus talvez exerçam filantropia. Mas, caridade não. Porque a CARIDADE pressupõe um amor divino que impregna o humano de tal modo que o humano por ele impregnado é levado, por compaixão, a amar o seu semelhante. Estes termos "caridade, amor (ágape), compaixão" não fazem parte do arcabouço ateu. Logo, não há ateu caridoso. Por fim, o cristão não faz caridade por medo de ir para o inferno. O cristão faz caridade porque Cristo o amou e por ele se entregou e a caridade é expressão desse amor. Caro, estude um pouquinho a fé cristão. Não lhe arrancaria pedaços e lhe ajudaria a passar menos vergonha quando citar os costumes cristãos.

      Excluir
  11. Você afirma que os valores morais da sociedade: solidariedade, fraternidade, liberdade, pessoalidade, individualidade, autonomia e auto-governo são frutos do cristianismo, tem origem na matriz cristã. Onde estavam os valores cristãos de solidariedade, fraternidade, liberdade, pessoalidade, individualidade, autonomia, auto-governo no período da inquisição? Onde estava a liberdade cristã quando no Concílio de Toulouse a igreja pregava que o povo era muito burro para interpretar a bíblia por isso precisava dos sacerdotes e proibiu que o povo lê-se a bíblia sob pena de morte? Onde estava a individualidade quando William Tyndale foi morto por esmagamento da traquéia e depois teve seu corpo foi queimado numa fogueira em praça pública apenas por traduzir a bíblia do latim para o inglês? Onde está a autonomia ao pregar pela não utilização de camisinha? Onde estava a fraternidade enquanto Padre Vieira pregava aos escravos que era melhor ser um negro escravo cristão no Brasil do que um negro pagão livre na África? Onde estavam os valores cristãos enquanto padres estupravam crianças na sacristia do ano zero até ontem? Não deveriam eles dar o exemplo? Não deveriam os superiores desses padres entregá-los à polícia pela solidariedade com as vítimas, em vez de apenas trocá-los de paróquia para cometer os mesmos crimes em outro local? Onde estão os valores cristãos da solidariedade, fraternidade, liberdade, na recente pesquisa do IPEA que apontou que 63% dos brasileiros (dos quais 66,5% são mulheres) acreditam que uma mulher que usa roupas que mostram o corpo em demasia merecem ser atacadas? A pesquisa não entrevistou apenas ateístas, pois a maioria dos brasileiros é cristã, portanto esse índice favorável ao ataque contra mulheres expõe a verdadeira moralidade cristã.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. “Você afirma que os valores morais da sociedade: solidariedade, fraternidade, liberdade, pessoalidade, individualidade, autonomia e auto-governo são frutos do cristianismo, tem origem na matriz cristã. Onde estavam os valores cristãos de solidariedade, fraternidade, liberdade, pessoalidade, individualidade, autonomia, auto-governo no período da inquisição?”

      Conde- O rapaz acima comete um erro grave de anacronismo histórico. Desde quando a existência da Inquisição nega o conceito de solidariedade, fraternidade, liberdade, pessoalidade, autonomia e individualidade do Cristianismo? É preciso analisar este conceito dentro dos contextos de época. Primeiro, o Cristianismo instaurou a noção da individualidade no mundo antigo, numa época em que o indivíduo era tratado como parte da pólis, da cidade ou do império. Ou seja, a existência humana é única, insubstituível, algo universalmente reconhecido e seus valores e sua dignidade estão acima do Estado, da cidade ou da coletividade. E onde entra a Inquisição neste contexto? A Inquisição justamente surge para defender esses valores contra a heresia cátara, que dentre outros tipos de pregações, dizia que a realidade humana era má, que a vida era uma prisão, que o espírito estava preso ao corpo e que as pessoas, para se libertarem de seus corpos, deveria praticar, inclusive, o suicídio. A inquisição serviu para defender uma ordem civilizacional contra uma doutrina perversa, que negava o indivíduo. Ela surgiu para combater uma subversão social. É um erro crasso dos nossos “individualistas” modernos crer que a defesa da individualidade prescinde de uma ordem social. Os medievais compreendiam perfeitamente isso.

      Aliás, a inquisição teve outro propósito, revolucionário pra época. A instauração de um devido processo legal contra os abusos do poder secular. Quando houve os primeiros processos civis contra os cátaros, muitos deles eram executados sumariamente, sem uma investigação regular. Justamente para combater os abusos do poder secular sobre o tema, a Igreja instaurou um devido processo legal para evitar abusos contra os hereges.
      Em suma, o rapazinho precisa estudar mais. É triste discutir com pessoas que ainda não superam o conhecimento básico de um cursinho pré-vestibular.



      “Onde estava a liberdade cristã quando no Concílio de Toulouse a igreja pregava que o povo era muito burro para interpretar a bíblia por isso precisava dos sacerdotes e proibiu que o povo lê-se a bíblia sob pena de morte?”

      Conde- A Igreja estava no exercício da autoridade dela, legalmente reconhecida, de preservar a integridade dos textos bíblicos e da Tradição. A leitura autorizada da bíblia, longe de ser uma depreciação dos conhecimentos da população, era uma exigência intelectual básica para que o leitor tivesse o senso de dever e responsabilidade com a religião. Aliás, a leitura da bíblia nunca foi necessariamente proibida na Idade Média. Os versículos da bíblia eram lidos publicamente em cada missa e qualquer católico sabe o que é a liturgia da Palavra. Bastou que a leitura bíblica fosse oficializada pelo protestantismo, ao transformar qualquer leigo num livre interpretador da bíblia, para que a Europa do século XVI entrasse numa guerra civil de cristãos. Que tal o rapazinho ler o que ocorreu com a Reforma Protestante, aquele banho de sangue, onde malucos heréticos começaram a pregar livre exame pra tudo e, para isso, subverter as instituições políticas e levar um continente inteiro ao caos?

      Excluir
    2. “Onde estava a individualidade quando William Tyndale foi morto por esmagamento da traquéia e depois teve seu corpo foi queimado numa fogueira em praça pública apenas por traduzir a bíblia do latim para o inglês?”

      Conde- Na lógica do rapaz, a individualidade é prescindível da ordem, o que é falso. É o mal do pensamento liberal moderno. Eles acham que a liberdade pode coexistir com a subversão. Por isso as democracias liberais estão afundando. Seus inimigos têm plena liberdade de destruí-la. Tyndale não foi morto apenas por “traduzir” a bíblia. Foi morto porque pregava uma heresia que ameaçava subverter todo o corpo social. O mesmo princípio se aplicaria a alguém que pregasse panfletos contra a democracia atual e começasse a gerar o caos sobre a ordem social.


      “Onde está a autonomia ao pregar pela não utilização de camisinha?”

      Conde- Meu caro amigo acha que somos autistas? Acha que suas relações, seus atos, não geram consequências? Autonomia do indivíduo não significa autismo, nem irresponsabilidade do indivíduo. Dentro da lógica do rapaz, poderíamos dizer: onde está a autonomia da Igreja, ao pregar que ninguém deve se matar? Ora, suicídio não é um direito, já que é a vontade autônoma do indivíduo de destruir sua vida? A Igreja desaconselha a camisinha, porque quebra o fundamento último do sexo, gerar filhos.

      “ Onde estava a fraternidade enquanto Padre Vieira pregava aos escravos que era melhor ser um negro escravo cristão no Brasil do que um negro pagão livre na África?”

      Conde- Pela simples razão de que os negros do Brasil teriam um contato civilizacional, de fé e de salvação de suas almas que não existia na África. E não é que ele tinha razão? Os descendentes dos escravos não querem voltar para a cultura tribal africana. Querem viver a cultura ocidental, católica, cristã. Faça assim, diga para um negro voltar pra Benin, pra Angola e Moçambique. A maioria não vai querer voltar mais! E por quê? Porque viver na malvada cultura cristã católica é melhor do que viver naquela merda de cultura tribal.

      Excluir
    3. Onde estavam os valores cristãos enquanto padres estupravam crianças na sacristia do ano zero até ontem?”

      Conde- Aqui o ateuzinho mente, com aquela santa paz de consciência, mesclada à ignorância. Será que este símio sabe que foi a cultura cristã, em particular, dos padres, bispos, que proibiu a prática de infanticídio e pederastia, práticas comuns do mundo antigo? Claro, o nosso ateuzinho desconhece os conceitos da cultura clássica antiga e, muita mais ainda, do Cristianismo. Se hoje temos horror à pedofilia, deva-se tão somente à Igreja Católica. Se alguém critica um padre pedófilo, não o faz em nome do paganismo greco-romano, já que a pederastia, que era a iniciação sexual de garotos jovens por homens mais velhos, era prática consagradas. Deva-se a essa religião moralmente austera e piedosa, chamada fé católica!



      “Não deveriam eles dar o exemplo? Não deveriam os superiores desses padres entregá-los à polícia pela solidariedade com as vítimas, em vez de apenas trocá-los de paróquia para cometer os mesmos crimes em outro local?”

      Conde- Essa história da pedofilia é bem mal contada. Primeiro, é verdade que houve bispos e cardeais irresponsáveis, que movidos por um corporativismo, deixaram de tomar as devidas providências. Mas nem sempre foi assim. O que o homenzinho nega é que houve uma dura infiltração de homossexuais na Igreja Católica, em particular, endossado pelo movimento gay e pelos movimentos comunistas, no sentido de atingir o clero católico. Falar de pedofilia e ignorar a infiltração comunista na Igreja Católica é simplesmente falar apenas uma parte da verdade. Segundo ponto, é engraçado usar a Igreja Católica como espantalho da pedofilia, quando o número de pedófilos infiltrados na Igreja Católica, se comparado a outras entidades, é de uma porcentagem bem ínfima. Alguém fala de professores pedófilos, acusando toda a categoria de professores? De psicólogos pedófilos envolvendo toda a categoria de psicólogos?
      De militantes gays pedófilos envolvendo toda sorte de militantes? Não. Só a Igreja Católica é acusada no seu conjunto. E observem: a restauração da pedofilia tem grande débito com a pregação da revolução sexual dos anos 60 e com o movimento LGBT. Basta ver as atividades dos movimentos gays na Europa e nos Eua, pregando abertamente a velha pederastia, dentro dos moldes gregos, numa prática declarada de abuso sexual de menores. Aliás, até a educação sexual é feita para incentivar a pedofilia e a sexualização precoce da infância. Só uma pessoa cega não vê isso. Naturalmente que o ateuzinho de youtube acima vai silenciar quanto a isso. Porque não é conveniente pra ele. Pedófilo só é ruim quando é padre. Porque o defeito nem é ser pedófilo, mas ser padre.

      Excluir
    4. “ Onde estão os valores cristãos da solidariedade, fraternidade, liberdade, na recente pesquisa do IPEA que apontou que 63% dos brasileiros (dos quais 66,5% são mulheres) acreditam que uma mulher que usa roupas que mostram o corpo em demasia merecem ser atacadas?”

      Conde- Não é interessante que o ateuzinho chulé e ignorante acredite numa estatística, cuja metodologia foi comprovada como fraudulenta e cujos estatísticos induziram descaradamente as opiniões dos entrevistados, cuja maioria era feita de mulheres? Bastaria o ignorante pesquisar: a estatísticas do IPEA foram rejeitadas por serem fraudulentas. Por induzirem de forma desonesta os pesquisados. Pelo IPEA, atualmente, maquiar dados estatísticos pra agradar às agendinhas politicamente corretas do PT. Aqui também existe uma falácia, também chamada, “apelo à popularidade”. Digamos que essas pessoas se auto-declarassem cristãs. O fato de esse critério ser auto-declarado significa que elas são cristãs de verdade? Naturalmente que não. Porque o que define o Cristianismo não é um número, mas um conjunto de valores transcendentes.


      “A pesquisa não entrevistou apenas ateístas, pois a maioria dos brasileiros é cristã, portanto esse índice favorável ao ataque contra mulheres expõe a verdadeira moralidade cristã.”

      Conde- O mais engraçado de tudo é que nada do que vice dize se salva. É cada mentira, desinformação e gafe histórica, que dá pena. Você é produto cabal do quanto a educação pública pode formar ignorantes contumazes e ateuzinhos militantes por estupidez.


      Excluir
  12. . Se são os valores cristãos que comandam a sociedade por que não temos mais missas totalmente em latim? Por que não tomar Jerusalém dos israelenses? Não foi a moral da igreja que mudou a sociedade, foi ao contrário, a sociedade foi evoluindo e a igreja não teve alternativa senão mudar muito tempo depois, tanto é que a proibição de ler a bíblia estabelecida no Concílio de Toulouse em 1229 só foi revogada pela igreja em 1966. Será que é preciso existir divindades uma pessoa saber que não deve matar o filho do vizinho assim como não quer que o vizinho mate seu filho? Não, não é necessário seres místicos para ensinar que você não deve roubar o carro de um desconhecido, assim como não quer que um desconhecido roube seu carro, que você deve levantar para dar assento no ônibus a uma idosa assim como você quer que alguém levante para dar assento para sua avó. É tão simples, por que é tão difícil os religiosos entenderem isso? A moral do velho testamento é imoral – apenas um exemplo, permite que o pai venda a filha como escrava. A moral do novo testamento não é muito melhor ao continuar apoiando a escravocracia. A seu pedido vou explicar sobre a sociedade/estado conseguiu regrar a vida social só com as leis e os bons costumes. Nenhuma, porque todas as sociedades iniciaram sua trilha para o conhecimento partindo da ignorância absoluta, acreditando que tempestades, terremotos, erupções vulcânicas eram castigos dos deuses. Com a evolução intelectual de algumas sociedades seus habitantes puderam saber que todos os fenômenos atribuídos aos deus possuíam causas físicas e naturais, e atualmente temos sociedades onde ateístas são maioria: Noruega 72%, Dinamarca 80%, Suécia 85%. Esses países não são ditaduras, são democracias com índices de corrupção, pobreza e criminalidade beirando o zero. Para essas sociedades evoluírem para uma maioria ateísta não foi preciso matar ninguém, acusar ninguém de bruxaria, torturar, destruir, impor ideologia pela força ou atrelada ao ensino, foi necessário apenas investimentos maciços em educação, depois cada pessoa utilizou sua mente científica e não dogmática para chegar à mesma conclusão, não existem divindades, não existem milagres. Agora eu peço que responda: se uma sociedade apenas consegue regrar a vida social pelo cristianismo como é possível que para as sociedades regradas pelo judaísmo, islã, budismo, hinduísmo, bramanismo, xintoísmo, e outras, possuem os mesmos valores morais básicos – homicídio, roubo, estupro são considerados crimes, furar fila, são moralmente inaceitáveis por todas essas sociedades sem nenhuma matriz cristã? Os valores morais básicos são os mesmos para todos os países e sociedades independe da religião ou ausência dela. É moralmente aceitável no Brasil que uma mulher use biquíni na praia, mas usar biquíni em no Irã é crime punível com prisão e chibatadas. A razão dessa diferença é que a sociedade iraniana ainda não evoluiu o suficiente para descartar a religião como fonte de moralidade. Quando tiver um tempinho abordo seus outros comentários, até a próxima Luiz Fernando.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. “Se são os valores cristãos que comandam a sociedade por que não temos mais missas totalmente em latim? Por que não tomar Jerusalém dos israelenses?”

      Conde- Esse cara fala nonsenses vergonhosos. A sociedade não tem influência cristã? Vejamos. Seu calendário, em maio de 2014, é o que, pagão? A estrutura tradicional do casamento, que está sendo destruída pela ideologia politicamente correta, é o que? Muçulmana? As concepções de justiça e de direito, desatrelado ao Estado, provém de onde? Do paganismo, que fazia do Estado uma verdadeira religião civil? Ou do Cristianismo, que dissocia os conceitos de justiça do direito oficialmente estatal? Uma missa em latim ou Jerusalém não são partes essenciais da fé cristã. O rapazinho deveria saber, ao menos, o que é transcendente e permanente na fé cristã e o que é produto apenas de uma época. Mas parece que o rapaz adora espantalhos. Vamos destruí-los, um por um.


      “Não foi a moral da igreja que mudou a sociedade, foi ao contrário, a sociedade foi evoluindo e a igreja não teve alternativa senão mudar muito tempo depois, tanto é que a proibição de ler a bíblia estabelecida no Concílio de Toulouse em 1229 só foi revogada pela igreja em 1966”.

      Conde- A sociedade “evoluiu” mesmo? Tem certeza? Com certeza do ponto de vista tecnológico, a sociedade se aperfeiçoou. E no âmbito dos valores? O século XX foi o século do genocídio ateísta e comunista. Foi o século do campo de concentração. Foi o século da bomba atômica. Foi o século da desestruturação familiar e da decadência da civilização ocidental. Ademais, o ateuzinho aqui mente e distorce a realidade. No Concílio de Toulose de 1229, a leitura da bíblia para os leigos foi proibida por causa do catarismo, quando alguns fanáticos começaram a interpretar de forma totalmente errada a bíblia e estavam causando uma verdadeira guerra civil por conta disso. Ora, numa democracia, quando há o caos social, é permitido a revogação de certos direitos e práticas, justamente para preservar a ordem social contra os beligerantes. Mas eu não duvido que o Sr. ateu tente reabilitar o catarismo, aquela doutrina, que dentre outras práticas abomináveis, pregava até mesmo o suicídio da humanidade.
      Não é interessante como esse pessoal acredita mesmo nessa tolice de evolução progressiva da humanidade, uma doutrina criada no século XVIII, com a ideologia do progresso, a ponto de ignorar o glorioso legado do passado cristão?

      Excluir
    2. “Será que é preciso existir divindades uma pessoa saber que não deve matar o filho do vizinho assim como não quer que o vizinho mate seu filho?”

      Conde- Se não existir um fundamento metafísico para a defesa da vida, por favor, mostre-me um, dentro da ótica materialista e atéia? Ora, se não há uma moral transcendente ou mesmo suprema, que evite a matança de alguém, só resta crer que a moralidade é mera convenção social, mero capricho. Mas se esta sociedade permitir o assassinato de inocentes? Com que os inocentes vão se respaldar?



      “ Não, não é necessário seres místicos para ensinar que você não deve roubar o carro de um desconhecido, assim como não quer que um desconhecido roube seu carro, que você deve levantar para dar assento no ônibus a uma idosa assim como você quer que alguém levante para dar assento para sua avó”.

      Conde- Tem certeza mesmo? Então se não há moralidade transcendente, logo, a moralidade é subjetiva. Se é subjetiva, tanto faz eu matar e roubar ou simplesmente preservar o patrimônio do vizinho, que dá no mesmo. Vamos esperar aqui qual fundamento principal podemos crer numa moralidade ateísta ou materialista? Vou esperar aqui sentado e comprar meu caixão. Não terá resposta.


      “É tão simples, por que é tão difícil os religiosos entenderem isso?”

      Conde- Não é tão simples. Você não rouba, não mata e dá assento pra velhinhas porque houve uma cultura religiosa ancestral que te ensinou isso. Ela não nasceu de árvores ou de chuvas. Ela foi uma educação aprimorada, ensinada, justificada, pensada por milênios. Só uma pessoa muito simplória para crer que nossas conquistas e ganhos são produtos apenas de um capricho e não de séculos de pensamentos, idéias e muito fé religiosa.

      Excluir
    3. Se um único deus existisse não haveria discussão sobre essa realidade, pois a existência de um ser tão poderoso seria demasiadamente obvia para ser posta em duvida. Não há dubiedade na certeza. Não existe ambiguidade num FATO. Não há negação possível daquilo que se mostra claramente.
      Um ser com tamanha “inteligência” perceberia de imediato que jamais poderia fazer com que 100% da humanidade acreditasse em sua existência pela simples fé, ele iria fornecer provas dela. Provas tão incontestáveis que se tornaria impossível qualquer incredulidade. A comprovação da inexistência divina é precisamente a incerteza.
      Argumentos derivados da emoção, portanto do obscurecimento intelectual, não podem ser usados para alicerçar certezas. Sentir não é prova de nada. Sentir só é prova que o sentimento existe. Sentir não comprova que o sentimento é derivado de algo extrínseco à psique, de algo que demonstre a uma realidade tangível e incontestável.
      Se descartarmos a fé, não sobrara nenhuma exibição material de que qualquer divindade exista. A ausência de fé não sustenta a fantasia que dela provém. Quando uso o termo “exibição material” me refiro a presença física, não apenas visível, mas audível e palpável dessa divindade. Mencionar suas supostas obras não comprova a autoria, apenas demonstra a necessidade desesperada de manipular a realidade para encaixa la a uma fantasia agradável e egoísta.
      Citar passagens confusas de livros presumidamente sagrados para demonstrar a impossibilidade da comprovação física de um ser supremo e afirmar que só pode crer nessa entidade pela simples fé, é usar de uma condenável e risível manipulação infantil para justificar a crença numa ficção. Procedimento próprio de seres imperfeitos. Só um deus poderá provar sua própria existência. Só ele e ninguém mais. Nenhum livro comprovara isso, nenhum argumento, nenhum testemunho de fé, nenhuma teoria, nada. E “ele” só poderá fazer isso pessoalmente.

      Excluir
  13. “A moral do velho testamento é imoral – apenas um exemplo, permite que o pai venda a filha como escrava. A moral do novo testamento não é muito melhor ao continuar apoiando a escravocracia”.

    Conde- Temos aqui a falácia da descontextualização histórica. A essência do Cristianismo ou do judaísmo não é a escravidão. A exegese judaica e cristã sabia muito bem discernir os elementos transcendentes da moral e seus aspectos puramente temporais. Inclusive, foi a moral cristã e judaica que criou as primeiras regras restritivas à escravidão. No século IV, a escravidão estava virtualmente se extinguindo na Europa, justamente porque foram os cristãos os primeiros a criticarem essa prática. A bíblia não “apóia” ou “desaprova” a escravidão. Ela apenas regulamenta o que existia, dentro de uma realidade histórica particular. E tenta humanizar uma prática comum do mundo antigo. A questão não é criticar a bíblia por regulamentar a escravidão, mas compará-lo como era feito entre gregos e romanos. Estes eram muito mais cruéis.


    “A seu pedido vou explicar sobre a sociedade/estado conseguiu regrar a vida social só com as leis e os bons costumes. Nenhuma, porque todas as sociedades iniciaram sua trilha para o conhecimento partindo da ignorância absoluta, acreditando que tempestades, terremotos, erupções vulcânicas eram castigos dos deuses. Com a evolução intelectual de algumas sociedades seus habitantes puderam saber que todos os fenômenos atribuídos aos deus possuíam causas físicas e naturais, e atualmente temos sociedades onde ateístas são maioria: Noruega 72%, Dinamarca 80%, Suécia 85%”.

    Conde- A lógica do rapaz é uma imitação rasteira do positivismo de Auguste Comte. Primeiramente, será que este débil mental se acha mais sábio do que Aristóteles, Santo Tomás, Agostinho ou uma obra de Dante, Petrarca ou Cervantes, para crer que a modernidade, essencialmente, é mais sábia do que o passado? Analisemos a lógica dele acima: o passado é sempre atrasado e ruim, porque é primitivo e o presente e o futuro, sempre bons. Os homens não nutrem sentimentos religiosos pela ignorância, mas justamente porque é da natureza humana o sentimento religioso. Aliás, o sentimento religioso possui uma intuição cabal de que há nexo de causalidade em todos os fenômenos da natureza. Esse nexo é também a base do próprio pensamento científico e está, mais do que em qualquer outra religião, na base do pensamento cristão. Ou seja, a de que o universo ordenado é produto de uma inteligência superior. Nenhum acaso, nenhum acidente é capaz de produzir um sentido de ordem. Se fosse assim, a ciência natural nem existiria, já que na ciência é imprescindível uma certa dose de previsão dos fenômenos.
    Ademais, vamos a países como Suécia, Dinamarca ou Noruega. Países culturalmente decadentes, cujos índices de pornografia, drogas e aborto são altíssimos. Façamos a comparação dessas culturas, numa época em que foram cristãs, e hoje? A Europa é um continente em decadência. Não chega nem perto da cultura cristã que renunciou. Afirmar que o ateísmo é melhor só por conta do bem estar material prova a pobreza espiritual, a ignorância relapsa e a incultura intelectual de um ateu. Prova que ele não sabe o que é uma civilização, que sua visão de humanidade está no nível dos porcos comendo farelos e que ele ignora que nossa civilização só teve alguma base por fundamentos metafísicos e filosóficos de um passado que é cada vez mais ignorado e esquecido. Esse passado cristão, grego-romano, latino!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. “Esses países não são ditaduras, são democracias com índices de corrupção, pobreza e criminalidade beirando o zero”.

      Conde- E daí? Índices de estupros, abortos, desagregação familiar altíssimos também. Índices de suicídios, Mas a moralidade do mundo escandinavo é engraçada: devemos ser honestos com o dinheiro do Estado, mas não somos sequer capazes de criar famílias, laços afetivos realmente sólidos ou mesmo cultura. Deixa pro papai Estado cuidar de tudo. Quero que esse idiota monumental me cite uma civilização ou sociedade atéia que chegue aos pés da Idade Média, do mundo greco-romano ou de qualquer civilização anterior a qualquer sociedade secular? Não vai citar. A civilização dos ateus é estéril, pobre, materialista. Na cabecinha de merda do ateu, prosperidade é apenas encher o cu de dinheiro e ter comida e vida boa. Isso sim é sinal de decadência intelectual. Aristóteles ou Santo Tomás produziram verdadeiros monumentos filosóficos em épocas, muitas vezes, de privações e decadência. E o homenzinho democrático medíocre, pobre de espírito, acha que sua vida é realizável, porque tem um pouquinho mais de comida na mesa. Mas sua vida é sem propósito. Não é por acaso que se mata.


      “Para essas sociedades evoluírem para uma maioria ateísta não foi preciso matar ninguém, acusar ninguém de bruxaria, torturar, destruir, impor ideologia pela força ou atrelada ao ensino, foi necessário apenas investimentos maciços em educação, depois cada pessoa utilizou sua mente científica e não dogmática para chegar à mesma conclusão, não existem divindades, não existem milagres. “

      Conde- Ateu mente, mas é normal. Não foi o “aumento” da educação que gerou uma sociedade mais secular e ateísta. Foi sim o controle das ideologias secularistas, marxistas e socialistas na educação europeia que gerou a massa de ateus analfabetos de hoje, que acreditam numa “Idade das Trevas” e outras mentirinhas abjetas. Na verdade, durante 50 anos, a Europa definha a olhos vistos, por conta dessa propaganda descarada de desinformação socialista. Destruiu-se a fé europeia na civilização e na Cristandade, para se criar uma sociedade amorfa, sem criatividade, sem propósitos, sem finalidade existencial. O mais divertido é perceber um idiota como vc vendendo a idéia de que a Europa atual é sinônimo de prosperidade ateísta. É um sintoma de decadência, de rebaixamento, de renúncia aos postulados civilizacionais.

      Excluir
    2. “Agora eu peço que responda: se uma sociedade apenas consegue regrar a vida social pelo cristianismo como é possível que para as sociedades regradas pelo judaísmo, islã, budismo, hinduísmo, bramanismo, xintoísmo, e outras, possuem os mesmos valores morais básicos – homicídio, roubo, estupro são considerados crimes, furar fila, são moralmente inaceitáveis por todas essas sociedades sem nenhuma matriz cristã?”

      Conde- Primeiramente, o mero fato de se reconhecer que outras civilizações religiosas reconhecem algumas coisas básicas de convívio, já se revela o aspecto transcendente da moral. Nenhum cristão afirmaria que outros povos não seguem conceitos morais. É justamente o contrário. O direito natural é um pressuposto básico do Cristianismo, uma moral não escrita e que está no coração do homem, conforme as palavras do Evangelista. O problema é discutir com gente que só se utiliza de estereótipos. Lamento, sr. ateu, vc não critica o Cristianismo, mas uma caricatura.

      Vamos tomar outros aspectos de outras religiões. Embora outras religiões possam pregar alguns valores assemelhados ao Cristianismo, a estrutura mentis dessas culturas são muito distintas da nossa e até contrastantes. O islamismo, por exemplo, jamais admitiria a distinção entre o poder secular e religioso existente na sociedade cristã. O Bramamismo, ou melhor, hinduísmo, crê numa natureza panteísta e fatalista. E o xintoísmo é uma religião animista. Querer relativizar tudo e achar que tudo pode ser colocado no mesmo saco demonstra apenas a ignorância patética do militante ateísta pelas estruturas metafísicas dessas religiões.

      Excluir
    3. “ Os valores morais básicos são os mesmos para todos os países e sociedades independe da religião ou ausência dela”.

      Conde- Isso é bem falso. Os hindus, por exemplo, não nutrem a mesma caridade e piedade pelo pobre ou pelo inválido, tal como nós, cristãos demonstramos. Porque na visão hinduísta, uma pessoa é pobre porque existe um carma onde ele está pagando um preço. Ele vive numa casta espiritual inferior. As sociedades indígenas não valorizam a vida humana, tal como nós valorizamos. Eles praticam infanticídio e também comiam a carne dos inimigos. Na sociedade japonesa, o indivíduo vale menos do que a coletividade, algo que é contrário ao sentimento cristão, onde o indivíduo ganha muito mais importância do que qualquer vontade estatal. Querer resumir a moral sem observar os aspectos teológicos, metafísicos e estruturais que a sancionam, demonstra uma ignorância completa sobre o assunto.


      “É moralmente aceitável no Brasil que uma mulher use biquíni na praia, mas usar biquíni em no Irã é crime punível com prisão e chibatadas. A razão dessa diferença é que a sociedade iraniana ainda não evoluiu o suficiente para descartar a religião como fonte de moralidade”.

      Conde- A Coréia do Norte descartou a religião como fonte de moralidade. A União Soviética também descartou a religião como fonte de moralidade. Até a Europa descartou a religião como fonte de moralidade. E o que vemos? O Estado é a fonte de moralidade, junto com a sociedade. Se for assim, genocídios, assassinatos, abortos, eutanásia, eugenia racial, qualquer coisa pode ser justificada, porque, em último caso, é a vontade do Estado que determina tudo. Ainda não percebeu que sua visão cientificista e ateísta é essencialmente totalitária?

      Ademais, O rapazinho fala muita besteira. Quem disse que o Brasil descartou noções de moralidade? Uma mulher pode andar de biquíni, mas não pode andar nua. Por acaso não andamos nus, não é justamente por um senso de moralidade religiosa?


      “Quando tiver um tempinho abordo seus outros comentários, até a próxima Luiz Fernando.”


      Conde- Ateus, sempre ignorantes!

      Excluir
  14. Conde vc matou a questão. Nalgumas respostas vc foi bastante caridoso com o interlocutor Ronaldo Moraes que demonstrou imenso desconhecimento e ideias-clichê para justificar seu pretenso ateísmo. O que o sr. Ronaldo pretende com suas respostas, penso eu, não é criticar o cristianismo porque ele não possui capacidade para isto. Ele pretende justificar o seu ateísmo como aceitável a partir do espantalho de cristianismo que ele (e os neoateus) criaram para si. Patético.

    ResponderExcluir
  15. Pessoal, tem como explicar de forma mais simples? Eu li o artigo e alguns comentários e não entendi. Por exemplo, em Dt 21, 18-21, por que Moisés diz que as pessoas da época deveriam apedrejar os filhos rebeldes?

    Pelo que entendi foi porque essa era a solução mais conveniente devido a cultura daquele povo, ou seja, qualquer punição menos severa do que essa traria consequências piores. Mas é difícil imaginar em qualquer sociedade que seja, mesmo que o povo seja muito ignorante ou bárbaro, que não se possa corrigir um filho com algum método, precisaria apedrejar?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Claudio, quer uma dica pra sua vida? Coloque esse livro citado de volta pra gaveta, e tente educar seu filho de uma maneira mais humana e, mesmo em desacordo com o suposto Deus, não necessita apedrejá-lo. Ah e claro! tudo que é sanguinário, violento, malévolo, vingativo, cruel, sádico, caprichoso etc. atribuido a Deus na bíblia é "apenas uma parábola", mas todo o contrário entao é "a verdade absoluta da palavra" rsrsrsrs faz-me rir.

      Excluir
  16. Parabéns pelo belo artigo, e pela ótima explicação.
    Sou de origem batista, e já fui confrontado algumas vezes por ateus e agnósticos a esse respeito, e a explicação que eu sempre dei, foi de que apesar de o velho testamento ter sido inspirado por Deus, ele foi escrito por homens, por homens falhos assim como você e eu, que tinham a sua própria cultura, a sua limitação intelectual, as suas aflições, e que na verdade todos os textos, refletem o que o autor julgava ser a vontade de Deus naquele momento. E como a interpretação foi feita por um ser humano limitado, obviamente podem ocorrer falhas, mas que esse Deus vingativo não existe, e nunca existiu.
    Mais uma vez parabéns pela brilhante explicação.

    ResponderExcluir
  17. Tudo isto é um absurdo. Não pode existir uma justificativa lógica e racional para um horripilante e monstruoso genocídio no velho testamento sob a autoridade de “Deus”. Só existem duas explicações para isso: ou foram os homens que tomaram esta iniciativa, alegando que era a vontade de deus, para tomar as cidades e saquear seus pertences para si mesmos ou existia um outro “deus” no velho testamento. Acho mesmo que somos é uma espécie de experiência de laboratória de vida criada por uma raça alienígena avançada, que durante um tempo acompanhou nossos progressos e depois nos abandonou a própria sorte. Talvez esteja preparando agora outra forma de vida para ficar no lugar da nossa, num futuro não muito distante.

    ResponderExcluir
  18. Tudo isto é um absurdo. Não pode existir uma justificativa lógica e racional para um horripilante e monstruoso genocídio no velho testamento sob a autoridade de “Deus”. Só existem duas explicações para isso: ou foram os homens que tomaram esta iniciativa, alegando que era a vontade de deus, para tomar as cidades e saquear seus pertences para si mesmos ou existia um outro “deus” no velho testamento. Acho mesmo que somos é uma espécie de experiência de laboratória de vida criada por uma raça alienígena avançada, que durante um tempo acompanhou nossos progressos e depois nos abandonou a própria sorte. Talvez esteja preparando agora outra forma de vida para ficar no lugar da nossa, num futuro não muito distante.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Celia, pra mim, nunca existiu deus nenhum. Criaram deuses para justificar sua ações.

      Excluir
  19. Mais uma decepção. Pensei que o texto explicaria alguma cousa de forma lógica, racional e indubitável.
    Mas é sempre a mesma coisa: enrolação para explicar o inexplicável.
    Ou a bíblia é verdade ou não é, padre, sem meio termo. O Sr. se perdeu em sua conjectura, a grosso modo, ao dizer que "é, mas não é, pode ser, talvez, mas quem sabe".
    Eu continuo em busca de algum teísta que provar que a bíblia não passa de uma coleção de lendas, e que o deus que ela narra, não passa de um assassino sedento por sangue no imaginário de quem acredita.
    E antes de qualquer coisa, sou o que vocês chamam de neo ateu, e cheguei a isso, justamente tendo a bíblia como minha inspiração, de tanto a ler por longos 30 anos.

    ResponderExcluir
  20. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  21. vc diz que a biblia pinga sangue, e a 'santinha inquisição ela jorrou o que, por terra água benta benzida pelos tirano da santinha igreja de roma

    ResponderExcluir
  22. "A pouca compreensão de todo este contexto não permite compreender os textos supra-citados como fruto do tempo, da cultura e da experiência do povo de Deus, pois, Deus é o mesmo e não pode mudar. Ele não pode mandar matar num dia e parar depois. Portanto, a falha está no homem (escritor sagrado, povo de Israel, leitor e intérprete da bíblia hoje) e não em Deus."

    Se a falha está no homem, admitimos então a possibilidade de haver falha na Bíblia, de partes da Bíblia terem sido escritas sem a inspiração divina, por falha humana e portanto não corresponderem à vontade de Deus? Ou admitimos então que tudo que está na Bíblia foi colocado ali pela vontade de Deus, inclusive os trechos em que manda matar em seu nome? Sobre livre arbítrio, porque Deus mandou matar um homem que apanhava lenha no sábado?

    ResponderExcluir
  23. Por primeiro, A Bíblia tem que ser olhada, também, no seu contexto literal. Para responder diversas perguntas deve-se ter por base que a Biblia é palavra de Deus, mas com instrumentos humanos. Nisto vemos a misericórdia de Deus que está no fato de Ele, sendo Deus, utilizou de instrumentos humanos para nos falar. Esta é a pedagogia divina. Deus educa seu povo à plenitude da revelação que é Cristo, seu Filho.
    Sendo assim, deve-se entender que o Antigo Testamento foi escrito por uma pessoa (sob inspiração Divina)que está inserida em um contexto social e em uma cultura da época. Deus não pode violentar a consciência da pessoa, mostrando tudo de uma vez a verdade, mas ele respeita nossa liberdade e usa de nossas capacidades para transmitir aquilo que segundo a sua divina pedagogia achar necessário.

    Outra questão que deve se ter em mente, é o conceito de REALIDADE. A Realidade é aquilo que existe independente do nosso pensamento (Tomás de Aquino). Se eu penso que a porta não existe, e tento atravessa-la, bato minha cara nela porque é uma realidade. Com isso, não é justo falar: "para mim Deus não existe". Deus não vai deixar de existir porque você penso que ele não existe.
    A propósito, já se perguntaram se Deus existe? procuraram a verdade? Qual a verdade? Buscaram estudar autores que se dedicaram a tanto? ou só buscaram autores fajutos que inventam argumentos para justificar suas vidas depravadas e vazias de sentido?

    Caríssimos, nossa postura diante de algo deve ser o de Buscar a VERDADE, ou seja, ter a humildade de procurar e dialogar para acha-la (Um bom professor para isso são os filósofos gregos). Busquemos a verdade, pois nós nascemos para Ela e nós a desejamos. Mas os nosso vícios, erros e depravações nos afastam Dela.
    “O cético é crédulo demais; acredita em jornais ou até mesmo em enciclopédias.” (Ortodoxia, 2008)CHESTERTON

    "Quem busca a verdade, busca a Deus sem saber" Edith Sthein (filósofa)

    Saúdo a todos, Deus vos abençoe!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Estou aberto à correções e criticas justa, se acharem necessário. Obrigado

      Excluir
  24. porque ainda se discute, com um cristao pois eles nunca vao dar o braço a torcer e tera sempre uma leviana explicaçao sobre as barbares deste livro, homens de mentes abertas nao se dao o prazer de se iludir com falsas promessas e hapologias medievais...

    ResponderExcluir
  25. Eu, Waldecy Antonio Simões, walasi@uol.com.br, gostaria de saber por que na relação de 21 concílios da Igreja não consta o principal deles, o que mudou a História da Igreja: O CONCÍLIO DE TOULOUSE.

    ResponderExcluir
  26. Eu, Waldecy Antonio Simões, walasi@uol.com.br, gostaria de saber por que na relação de 21 concílios da Igreja não consta o principal deles, o que mudou a História da Igreja: O CONCÍLIO DE TOULOUSE.

    ResponderExcluir
  27. Tudo o que está escrito na Bíblia é verdade?
    Isso é no mínimo uma informação falsa, levando em conta que a Igreja Católica já assumiu que a Teoria da Evolução é verdade. Disse o papa Francisco: As teorias da Evolução e do Big Bang são reais e Deus não é “um mágico com uma varinha”.

    ResponderExcluir