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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Trechos da homilia do Santo Padre na noite de natal 2012


 Sempre de novo me toca também a palavra do evangelista, dita quase de fugida, segundo a qual não havia lugar para eles na hospedaria. Inevitavelmente se põe a questão de saber como reagiria eu, se Maria e José batessem à minha porta. Haveria lugar para eles? Temos tempo e espaço para Ele? Porventura não é ao próprio Deus que rejeitamos? Isto começa pelo facto de não termos tempo para Deus. Quanto mais rapidamente nos podemos mover, quanto mais eficazes se tornam os meios que nos fazem poupar tempo, tanto menos tempo temos disponível. E Deus? O que diz respeito a Ele nunca parece uma questão urgente. O nosso tempo já está completamente preenchido. A metodologia do nosso pensamento está configurada de modo que, no fundo, Ele não deva existir. Mesmo quando parece bater à porta do nosso pensamento, temos de arranjar qualquer raciocínio para O afastar; o pensamento, para ser considerado «sério», deve ser configurado de modo que a «hipótese Deus» se torne supérflua.

 Estamos completamente «cheios» de nós mesmos, de tal modo que não resta qualquer espaço para Deus. E por isso não há espaço sequer para os outros, para as crianças, para os pobres, para os estrangeiros. «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens do seu agrado». Com a glória de Deus nas alturas, está relacionada a paz na terra entre os homens. Onde não se dá glória a Deus, onde Ele é esquecido ou até mesmo negado, também não há paz. Hoje, porém, há correntes generalizadas de pensamento que afirmam o contrário: as religiões, mormente o monoteísmo, seriam a causa da violência e das guerras no mundo; primeiro seria preciso libertar a humanidade das religiões, para se criar então a paz; o monoteísmo, a fé no único Deus, seria prepotência, causa de intolerância, porque pretenderia, fundamentado na sua própria natureza, impor-se a todos com a pretensão da verdade única. É verdade que, na história, o monoteísmo serviu de pretexto para a intolerância e a violência. É verdade que uma religião pode adoecer e chegar a contrapor-se à sua natureza mais profunda, quando o homem pensa que deve ele mesmo deitar mão à causa de Deus, fazendo assim de Deus uma sua propriedade privada. Contra estas deturpações do sagrado, devemos estar vigilantes. Se é incontestável algum mau uso da religião na história, não é verdade que o «não» a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então, este deixa de ser a imagem de Deus, que devemos honrar em todos e cada um, no fraco, no estrangeiro, no pobre. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros. Os tipos de violência arrogante que aparecem então com o homem a desprezar e a esmagar o homem, vimo-los, em toda a sua crueldade, no século passado. Só quando a luz de Deus brilha sobre o homem e no homem, só quando cada homem é querido, conhecido e amado por Deus, só então, por mais miserável que seja a sua situação, a sua dignidade é inviolável.

Os pastores apressaram-se… Uma curiosidade santa e uma santa alegria os impelia. No nosso caso, talvez aconteça muito raramente que nos apressemos pelas coisas de Deus. Hoje, Deus não faz parte das realidades urgentes. As coisas de Deus – assim o pensamos e dizemos – podem esperar. E todavia Ele é a realidade mais importante, o Único que, em última análise, é verdadeiramente importante.

Homilia da Missa da Vigília de natal 2012


“Quando a noite estava no meio de seu curso e fazia-se profundo silêncio: então as folhas que farfalhavam pararam como mortas; então o vento que sussurrava, ficou parado no ar; então o galo que cantava parou no meio de seu canto; então as águas do riacho que corriam, se paralisaram; então as ovelhas que pastavam, ficaram imóveis; então o pastor que erguia o cajado para golpeá-las, ficou petrificado; então nesse momento tudo parou, tudo silenciou, tudo se suspendeu porque nasceu Jesus, o salvador da humanidade e do universo”.

Irmãos e irmãs é Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo! Uma festa da qual participa toda a obra criada: os seres angélicos que entoam “Gloria in excelsis Deo et in terra pax omnibus!”, os astros de todo cosmo, os homens de boa vontade que representados pelos pastores prestam adoração ao menino Deus, os animais da estrebaria que adoram Deus em forma humana. A eles se juntou uma miríade de anjos, arcanjos, querubins e serafins a entoar a alegria do Nascimento do Filho de Deus. Também neste exato momento foi grande a fúria do inimigo de Deus e da Igreja ao ver se cumprir o que o Senhor havia dito pela boca do profeta: “nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz”. Por esta causa este inimigo se lançou ferozmente contra o Cordeiro e seus discípulos, a Igreja, infligindo grande dor.

Este recém-nascido é a nossa paz, nosso Mestre, nosso pacificador, nosso Deus. Este nascimento traz à humanidade a luz de uma manhã nova luzidia de esperança. Ele nasceu pobre em Belém, longe dos Palácios, dos brilhantes, dos cetins, marfins e sedas. Ele nasceu frágil e tal como foi seu nascimento foi sua Paixão e crucificação: pelas mãos de Maria e José veio ao mundo; pelas mãos dos judeus e romanos foi crucificado sem resistir, nem voltar o rosto. É em sua frágil força que reside a nossa paz. Hoje, caros irmãos, a paz não está tão garantida no nosso tempo. Queremos que se cumpra a profecia de Isaías para os inúmeros cristãos mortos por causa dos regimes ateus que governam nosso mundo desde o século passado.

"No nosso século retornaram os mártires, muitas vezes desconhecidos, quase 'militi ignoti' da grande causa de Deus" (Tertio millenio advenient n. 37). Mataram-se muito mais cristãos no século passado e no início deste do que em toda a história recente do Ocidente e Oriente.

800 é o número de sacerdotes católicos mortos entre 1955 e 1995 em diversas partes do mundo. 5.300 é o número dos que foram martirizados no México quando se desencadeou o regime anticatólico de 1917.

Na Espanha, entre 1931 e 1939 [durante a guerra civil espanhola] 2.000 igrejas foram destruídas, 6.000 sacerdotes assassinados, bens móveis e imóveis confiscados.

9.000. É a soma dos 6.000 missionários estrangeiros presos, expulsos ou assassinados com os 3.000 sacerdotes, leigos ou religiosos chineses condenados ou deportados a partir de 1949 na instauração do comunismo chinês que persegue a Igreja naquele território até hoje.

Na  União Soviética (URSS) "a vida religiosa católica foi, em poucos anos, quase completamente aniquilada [...]. Com a guerra de 1939 a 1945 [...] 70 milhões de católicos [dos países anexados e da própria Rússia] sofreram uma duríssima perseguição. Em 1929 foi expulso o último bispo católico. [...] Em 1937 foram fechadas [pelo sistema de governo soviético] 1.100 igrejas ortodoxas, 240 igrejas católicas, 61 protestantes, 110 mesquitas [...]. As igrejas ortodoxas que em 1913 eram 80.729 foram reduzidas a 3.900 [...]. Essas medidas encontraram a oposição do povo, que respondeu com grandes procissões para defender as igrejas e os mosteiros. [...] Em 1922 fala-se de 8.100 vítimas (2.691 sacerdotes, 1.962 monges, 3.447 monjas, 150 bispos deportados para a Sibéria)"

Na Albânia "depois de seis anos de governo comunista, a Igreja Católica estava quase completamente aniquilada [...]. Dos seis bispos, restava um. Dos 94 sacerdotes seculares, dezessete foram mortos, 39 presos, 3 obrigados a buscar asilo no exterior, onze convocados às armas, dez mortos de morte natural ou seguida de maus-tratos [...] Além disso, foram fechados ou requisitados todos os seminários, noviciados, conventos, escolas, asilos e todas as obras da Igreja Católica"

Em 2010 no Paquistão, foram assassinados pelo menos 70 cristãos. “No Turcomenistão, Uzbequistão e Tadjiquistão os fiéis da Igreja Ortodoxa russa são, com freqüência, mal vistos: nessas três repúblicas da ex-União Soviética, os pregadores muçulmanos “sob a influência de Al Qaeda”, apresentam os cristãos como seguidores de uma religião associada estritamente ao odiado colonialismo ocidental e pedem que sejam expulsos”.

A Coréia do Norte, China, Etiópia, Nigéria e Uganda são outros países onde os cristãos são perseguidos. A Coréia do Norte teria enviado cerca de 50 mil cristãos a campos de trabalhos forçados, por causa de sua fé, enquanto na China, cerca de 40 mil pessoas enfrentam a mesma situação.

Pelo menos 200 milhões de cristãos em 60 países do mundo vivem em risco de perseguição segundo relatório do Serviço Secreto Britânico (MI-5) em 2010.

“O jugo que oprimia o povo — a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais — tu os abateste como na jornada de Madiã. Botas de tropa de assalto, trajes manchados de sangue, tudo será queimado e devorado pelas chamas”. Este é o vaticínio que rogamos aos céus para que se cumpra no nosso tempo! Céus abram e que chova o justo! Do Salmo da Liturgia do último domingo do Advento tomamos uma prece para esta liturgia: “Vós que sobre os querubins vos assentais, aparecei cheio de glória e esplendor ante Efraim e Benjamim e Manassés! Despertai vosso poder,/ ó nosso Deus/ e vinde logo nos trazer a salvação! Voltai-vos para nós, Deus do universo!/ Olhai dos altos céus e observai./ Visitai a vossa vinha e protegei-a!”

Desce ó Senhor, vós que habitais nos altos céus! Ouve o clamor do teu povo adquirido pelo sangue do Cordeiro Imolado. Vê seu sofrimento. Escuta o seu lamento! São tantos de vossos filhos sendo pisados, espezinhados, humilhados, assassinados! Tal ato não ficará sem resposta! Tal impertinência diante do fraco desperta a ira de Deus! Vós que maquinais e a injustiça contra os filhos de Deus, “abandonai a impiedade e as paixões mundanas e vivei neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”. Repito nesta homilia aquelas palavras de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, por ocasião do início do seu ministério petrino: “não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira”. Aquele que vagueia pela vida separado de Cristo não pode encontrar senão a morte. Primeiro como estilo de vida, depois como fim de uma existência vazia e sem sentido.

Caríssimos todos, nesta noite santa de natal somos convidados a olhar a manjedoura. O menino ali deitado é o Príncipe da paz. Aquele que pacifica as mentes e corações, aquele que reveste o homem de imortalidade. Aquele que faz das gentes de todos os povos, raças, línguas e nações um só povo santo. Ele é a nossa paz. Ele é a nossa alegria. Ele é a nossa esperança. Neste mundo envolto em trevas ousamos celebrar o nascimento daquele que é a Luz do Mundo. “O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. Ele estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o reconheceu. Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.” Neste espírito celebremos o Santo Natal do Senhor porque “o amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar essas coisas” para o bem de seus filhos. Bom e santo natal a todos.

domingo, 23 de dezembro de 2012

ROTEIRO DO MINISTÉRIO DE MÚSICA PARA MISSA DA VIGÍLIA DE NATAL 24/12/2012

ROTEIRO DO MINISTÉRIO DE MÚSICA PARA MISSA DA VIGÍLIA DE NATAL 24/12/2012
PARÓQUIA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

CHEGAR ÀS 19 HORAS
1 – CANTOS CURTOS: a) ONDE REINA O AMOR
UH,UH DO AMÉM (2 x) ONDE REINA O AMOR UH, UH...
b) O LUZ DO SENHOR
3 – LUCERNÁRIO – Que a Luz de Cristo Brilhe
4 – COMENTÁRIO INICIAL  - Comentarista
5 – CANTO DE ENTRADA – Canto Número 02
6 – SAUDAÇÃO INICIAL – Padre
7 – CALENDA DE NATAL - Padre
8 – ATO PENITENCIAL – Canto número 03
 a) Solo Piano B) Kirye c) Senhor/ Kirye d) Cristo/Cristie e) Senhor/Kirye
Parar nas vírgulas, invocação: 04 vozes
9 – GLÓRIA – Canto número 04 - Solo violino
10 – primeira leitura
11 – SALMO – Introdução do violão
12 – Segunda leitura
13 – ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO –  Canto número 05
a) Aleluia: Contralto, soprano, baixo e tenor b) Antifona c) Aleluia à capela d) Aleluia c/ Instrumento
14 –  Refrão do salmo (após a proclamação do Evangelho)
15 – Homilia
16 – CANTO DE OFERENDAS –  Canto número 07 - Cristãos Vinde todos – Intro: Solo instrumentos
17 – SANTO – Canto Número – 08 - Intro: Solo Piano
18– AMÉM À DOXOLOGIA – Contralto, soprano, baixo
19 – CORDEIRO – Sem introdução – Canto número - 09
20 –COMUNHÃO:  Canto número 10 - PANIS ANGELICUS
22 – COMUNHÃO: Canto número 11 - VERBUM PANIS
23 – PÓS COMUNHÃO – SIMPLESMENTE AMAR – somente uma estrofe - a) solo b) Daiane c) solo d) Homens
24 – TRANSLADO DO MENINO JESUS AO PRESÉPIO – Canto número 12 – NOITE FELIZ
25 – NOITE SANTA – Canto número 13
26 – CANTO FINAL – Canto número 14 - É NATAL DE JESUS

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O que o Papa disse, o que o Papa não disse e porquê...


Muitos internautas se colocaram a criticar a Mensagem de Sua Santidade para o dia Mundial da Paz 2013 sem nem ao menos ler a Mensagem, obviamente. Link da Mensagem aqui. Tal Mensage foi dada no Vaticano e não na África como alguns disseram. E agora vou tentar explicar o que é a paz para que você possa compreender o pensamento do Santo Padre. Uma única frase de toda a Mensagem foi pinçada pela mídia (que só quer fazer algazarra sem nenhum compromisso sério e ético com  a verdade) e tal frase é: "porque isso [os princípios da lei natural negados com a promoção do aborto, da eutanásia e da união homossexual equiparada ao matrimônio] constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma ferida grave infligida à justiça e à paz". Nada de novo sob o sol. Nada diferente do que já fora reafirmado tantas vezes e exaustivamente pelo próprio então Cardeal Ratzinger, quando Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé em 2003 nas "Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões de pessoas homossexuais". Também não é nova a celeuma criada em torno do tema por aqueles que querem impor a tácita aceitação, por parte da Igreja, daquilo que para a Igreja não é aceitável nem no plano da fé, nem no crivo racional.

Na Mensagem o Santo Padre dedica um longo texto a explicar o que é a paz: "A paz não é sonho ou uma utopia", tampouco ausência de guerras. A paz em primeiro lugar é dom de Deus e trabalho humano. A ética da paz, explica o Papa, não se reduz a uma ética relativista de cunho hedonista-pragmático. A ética da paz é a conformidade da razão àquela lei natural inscrita por Deus na consciência de todos os seres humanos. Criado à sua imagem e semelhança, construir a Paz implica que o homem reconheça a absoluta transcendência de Deus e se aplique na construção de uma convivência social baseada na "Verdade, na justiça e no amor". Tal Verdade é a Verdade de Deus sobre o homem, acima explicada. Tal justiça é dar a cada um o que lhe é devido, conforme aquele Bem que deriva de Deus, qual seja, "não fazer ao outro aquilo que não se quer que seja feito a ti; amar o outro como Cristo nos amou". Tal justiça e amor que geram a paz se assentam na capacidade humana de conhecer a Verdade e o Sumo Bem, ou seja, de conhecer Deus e agir conforme a reta razão. A paz construída pelo homem é a construção do bem comum, do bem para a coletividade e não para determinados indivíduos. "O obreiro da paz, afirmou o Papa, segundo a bem-aventurança de Jesus, é aquele que procura o bem do outro, o bem pleno da alma e do corpo, no tempo presente e na eternidade". Portanto, o Bem e a Paz não são transigíveis por uma causa menor que que a plenitude no tempo presente e na eternidade.

A Igreja crê que a paz é fruto da justiça e não há verdadeira justiça que não seja aquela derivada da obediência à Lei de Deus e à razão natural. Agora que foi bem explicado o princípio que norteia o argumento rigoroso do Santo Padre, eis seu parágrafo cristalino: "Estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à liberdade religiosa; mas estão inscritos na própria natureza humana – sendo reconhecíveis pela razão – e consequentemente comuns a toda a humanidade. Por conseguinte, a acção da Igreja para os promover não tem carácter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, independentemente da sua filiação religiosa. Tal acção é ainda mais necessária quando estes princípios são negados ou mal entendidos, porque isso constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma ferida grave infligida à justiça e à paz".

Certa pessoa comentara que o Papa chamou as pessoas homossexuais de terroristas e desse modo agiu com violência contra elas. De modo algum! O Santo Padre defendeu o matrimônio da sua depreciação quando este for inadvertidamente comparado às uniões das duplas homossexuais por este último derivar tão somente da vontade do homem e não da vontade divina, tampouco da Lei Natural. É este o perigo à Justiça (exaustivamente explicada) e à Paz, fruto da Justiça. Não há nada que compare o homossexual a um terrorista nesta Mensagem do Santo Padre, tampouco que lhes inflija violência. A verdade sobre o homem, supra citada, requer que a Igreja continue declarando como sempre o fez sua origem e destino divinos, como fazer para alcançar a graça da salvação para si e para todos e como operar desde agora a transformação do nosso tempo presente em um tempo da graça, da justiça e, consequentemente, da paz. 

Nenhum homossexual deixa de ser uma pessoa honesta, íntegra e trabalhadora, merecedora de respeito e dignidade por ser homossexual. O discurso do Santo Padre não é rasteiro. É alta teologia! Como qualquer outro filho de Deus amado por Ele, o homossexual também é chamado a converter-se. Se a Igreja negasse este chamado à conversão negaria sua própria origem e identidade! Não é ação persecutória da Igreja esta Mensagem, como o querem fazer parecer alguns políticos e outras personalidades. É uma afirmação do óbvio ululante sempre afirmado pela Igreja. Aqui vou colocar um adendo pessoal: certa vez li uma frase que agora cito livremente: "o único consenso que parece existir em alguns círculos científicos e sociais é falar mal da Igreja Católica tendo ou não razão" e acrescento: sem dar-se o trabalho de pesquisar e compreender o que de fato acontece e como de fato é o pensamento da Igreja, pois, quem o faz convence-se de que a Igreja está certa e isto é um grande perigo para os nossos tempos que querem fazer calar esta mesma Igreja incômoda. E que continuemos a incomodar...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Homilia – 04/10/2012 – Aniversário de Ordenação sacerdotal



“Eis que vos envio...” Caríssimos irmãos e irmãs, com essas palavras retiradas do santo evangelho desta liturgia começo esta homilia. Elas nos lembram que o autor de toda vocação é Deus nosso Senhor que primeiro nos chama, depois envia para a missão. Esta palavra me recorda ainda o profeta Isaías que ouve a pergunta do Senhor: “Quem enviarei? Quem irá por nós? (cf. Is 6,8)” A esta pergunta resta somente uma resposta: “Eis-me aqui. Envia-me a mim (cf. Is 65,1)”. Sim, hoje tenho esta mesma disposição no coração: Envia-me a mim, Senhor, aonde tu quiseres. O padre não o é para si, afirmou o santo patrono dos párocos, São João Maria Vianney, mas é constituído em favor do povo de Deus, para o bem deste mesmo povo. Deste modo o padre é padre para a Igreja e onde a Igreja dele necessitar. Quero hoje falar-vos da pessoa do sacerdote e, deste modo, de mim próprio, das minhas convicções.

Quando fui chamado ao sacerdócio não imaginava quão imenso era este dom. Após ser ordenado sacerdote percebi “como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu”, como afirmou o santo Cura D`Ars. O sacerdote não possui nada de extraordinário humanamente falando. Ele é um homem retirado do meio dos homens, homem das dores acostumado em meio às mesmas dores dos seus semelhantes. No entanto, ao ser ordenado nele se opera algo extraordinário que compreendo com estas palavras de São Paulo que escolhi como tema de minha ordenação: “temos este tesouro em vasos de barro para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós” (cf. 2Cor 4,7).

Esta consciência acerca da sublimidade e ao mesmo tempo da concretude do ministério sacerdotal eu a adquiri meditando a pobreza do Senhor. Ele nos pede a todos para sermos pobres logo na primeira Bem-Aventurança: bem-aventurados os pobres. No entanto, quando fui ordenado diácono pude fazer uma profunda experiência espiritual da pobreza sacerdotal e isto mudou meu jeito de ser padre: ser pobre para ser pastor, ser pobre para ser celibatário, ser pobre para amar e ser amado pelos outros, ser pobre para perdoar, ser pobre para perder, ser pobre para obedecer, ser pobre para ganhar a vida, ser pobre... De um modo muito profundo o salmo desta liturgia nos envia ao coração da pobreza evangélica. Ele é um canto de esperança e pobreza. A pobreza daquele que não confia nas próprias forças e capacidades, mas que tudo confia e reputa ao Senhor. Que não se envergonha de pedir e implorar o auxílio do Senhor; de buscá-lo, contemplá-lo, amá-lo de todo coração e toda alma e deste modo nele confiar. Não por acaso fui ordenado no dia de São Francisco de Assis, o pobre de Assis, um outro Cristo como diziam seus contemporâneos. Com São Francisco aprendi a perfeita alegria do encontro com Cristo, alegria de tê-lo encontrado e nele compreendido o valor e o sentido de toda a existência. São Francisco amava o Senhor com todo o seu ser, foi todo D`Ele, todo para Ele, todo imerso n`Ele. D`Ele São Francisco afirmava em sua terra: “O amor não é amado! O amor não é amado!” e como isto ecoa forte em meu coração nestes tempos néscios, no qual as pessoas, mesmo muitos católicos, são tão pusilânimes e fracos na fé. É isto que eu quero para a minha vida, não menos que isto: Um outro Cristo nos gestos, nas palavras, nas ações, na acolhida, no perdão, na presidência da Eucaristia... quero mergulhar n`Ele até que Ele se forme em mim e não mais viva eu, mas que ele viva em mim e por mim para poder afirmar com a minha vida: ‘Vivo, mas, não eu é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2,20)”. “Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros. Eu sei que o meu redentor está vivo...” (cf. Jó 19,27.25).

Há quem se pergunte se o padre é feliz, se o padre é realizado, se ele agüenta a solidão ou o celibato. Se todas estas perguntas tiverem por pano de fundo o não sofrer, não decepcionar-se, não decepcionar os outros, o não ferir-se, a não renúncia, acho que eu deveria responder que ninguém é feliz. Não há uma única pessoa que não tenha passado por estas experiências na vida. Ser feliz e realizado é outra coisa. É poder sofrer, decepcionar-se com os outros e consigo mesmo, renunciar e mesmo assim continuar caminhando porque o que motiva a caminhada é um amor que está além, que não se vê, que não se mede, que não murcha nem se mancha. Por causa desse amor eu me tornei sacerdote e é para sempre. Se eu tivesse que nascer de novo e escolher tudo de novo, eu escolheria de novo ser padre porque ser padre é a minha vida.
Quanto a esta comunidade que me acolheu logo no início do meu ministério tenho algo a dizer. O padre é um pouco do que ele consegue se construir ao longo de sua vida, com suas experiências, com o tempo de formação no seminário, mas também é um pouco do que a comunidade lhe proporciona ser. Hoje há muito de vocês em mim e muito de mim em vocês. Ninguém passa na vida do outro por acaso, como diz o poeta. Sempre leva um pouco de nós, sempre deixa um pouco de si. Aqui devo agradecer a todos, os bons e os maus, os gratos e os ingratos, os amigos e os não tão amigos: Sou um pouco do que vocês fizeram de mim. Obrigado por me terem forjado um sacerdote em busca de ser um padre coerente com o sonho de Deus. Ainda que não percebam, vocês são instrumento de Deus na minha vida, por isso eu sou grato a Deus e a todos.

No evangelho de hoje Jesus disse que a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. De fato há poucos padres na nossa Diocese para tanta gente. Eu que trabalho na promoção vocacional, muitas vezes quis desanimar pela falta de vocações. Por isso eu peço: rezem comigo pelas vocações sacerdotais da nossa Diocese. São João Maria Vianney faz um apelo dramático para que se rezem pelas vocações, afirmando que se uma paróquia ficar sem padre por 20 anos, ali logo se adorará às bestas! Pedi, disse Jesus, pedi ao dono da messe para que envie trabalhadores... e faltam trabalhadores, faltam operários! Mas pedi com fervor, pedi com devoção, como quando pedimos juntos pela saúde de Dom Antônio Lino e fomos atendidos por Deus. Quero terminar minha homilia com a recitação do cântico do irmão sol, composto por São Francisco de Assis. Neste louvor seráfico quero empregar minha voz e nele elevar minha alma agradecida a Deus.

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
teus são o louvor, a glória e a honra e toda bênção.
A ti somente, Altíssimo, são devidos
e homem algum é digno de te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente meu senhor o irmão sol
que, com luz, ilumina o dia e a nós.
E ele é belo e radiante com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, carrega significação.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã luz e as estrelas,
no céu as formaste claras e preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento
e pelo ar e nublado e sereno e todo o tempo
pelo qual dás sustento às tuas criaturas.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água
que é muito útil e humilde e preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo
pelo qual iluminas a noite e ele é belo e jucundo e robusto e forte.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa mãe terra
que nos sustenta e governa e produz diversos frutos
com coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles
que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles que sustentam a paz porque por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa morte corporal
da qual nenhum homem vivente pode escapar.
Infelizes aqueles que morrem em pecado mortal;
bem-aventurados aqueles
que se encontram em tua santíssima vontade
porque a morte segunda não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor
e agradecei e servi-o com grande humildade.

São Francisco de Assis


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Bispo descreve experiências exorcizando demônios



Mons Andrea Gemma, bispo de Isernia-Venafro

No livro “Eu, bispo exorcista”, o então diocesano de Isernia-Venafro, Itália, descreve suas experiências de exorcista e as surpreendentes conclusões a que foi levado durante uma década de prática do Exorcistado. D. Andrea Gemma, “Io, vescovo esorcista” (“Eu, bispo exorcista”), Editora Mondadori, Milão, 2002, 208 pp. Todas as citações do post são extraídas desse livro. Não sabemos se o livro foi vertido ao português).

Na manhã de 29 de junho de 1992, o novo bispo de Isernia-Venafro, D. Andrea Gemma, saía da Basílica Vaticana, olhando pensativo para a Praça de São Pedro. As palavras de São Mateus, ”as portas do inferno não prevalecerão” (Mt 16,18), ecoavam em seu espírito com um atrativo sobrenatural. E lhe inspiravam graves considerações:

1) a ação do demônio não só não diminuiu, mas multiplicou-se;
2) o demônio é consciente de que dispõe de pouco tempo;
3) Nosso Senhor Jesus Cristo deu à Igreja enorme poder contra Satanás;
4) para não ser derrotado, o demônio faz tudo para agir no silêncio;
5) chegou o momento de desmascarar a ação insidiosa de Lúcifer e enfrentá-lo de viseira erguida, com as armas de que a Igreja dispõe. (pp. 11-12).

Por que não se fala da necessidade de exorcismo?

Voltando à sua diocese, a 170 km de Roma, D. Andrea decidiu pôr em prática o mandato divino “expulsai os demônios” (Mc 16,17). Porque, explica ele, para o bispo, exorcizar “não é uma escolha, é obrigação” (p. 21). O resultado foi surpreendente. O poder do inferno se lhe revelou em todo o seu horror e em toda a sua extensão.E cita o Pe. Gabriele Amorth que foi durante muitos anos exorcista oficial da diocese de Roma: “Um bispo que não estabelece pelo menos um exorcista na sua diocese não está isento de pecado mortal por grave omissão” (p. 24).

“Quantas vezes — escreve o bispo —, nos meus colóquios cotidianos, freqüentemente difíceis, com os doentes de todo tipo, esta verdade se punha diante de mim: ‘Por que não nos falaram antes destas coisas? Por que não nos alertaram com uma adequada instrução? Por que não nos preservaram a nós, grei de Cristo, da devastação dos lobos famintos?” (p. 113).

“Se todos os bispos fossem como você, estaríamos completamente vencidos, e imediatamente” (p. 12), gritou-lhe um demônio por meio de uma mulher possessa, acrescentando em uma outra ocasião: “[mas] vocês são poucos” (p. 62).

Poder da promessa de Nossa Senhora em Fátima

Em 1992, o prelado publicou a pastoral As portas do inferno não prevalecerão. Nela, alertava:

“A ação infestante e obscura de Satanás [...] está, acreditai-me, mais difundida e é mais nefasta do que se possa pensar” (p. 15). Na (carta) pastoral, D. Andrea convocou a diocese para “uma luta sem quartel, concertada e eficaz contra o mal e as suas artes” (p. 16).

O bispo promoveu orações públicas que congregavam multidões vindas de muito longe. O Maligno se externava visivelmente, e aqueles que sofriam alguma ação diabólica eram levados à sacristia para serem objeto de exorcismos específicos.

O bispo não imaginava que sua pastoral daria a volta ao mundo, sendo traduzida em várias línguas. Cartas, imprensa, pessoas de toda Itália e até do exterior, apelando ao seu socorro porque sentiam alguma ação diabólica ou estavam possessas, lhe mostraram que muitos fiéis estavam esperando algo do gênero.

Nos exorcismos, D. Andrea pôde constatar o enorme poder de Nossa Senhora e da Igreja sobre as potências do abismo:

“Se quero ver o demônio realmente furioso, basta jogar-lhe água benta, pronunciando esta minha doce certeza: ‘por fim, o Coração materno de Maria triunfará’. ‘Sim!!!’, me responde, sempre rangendo os dentes. Mas algumas vezes acrescenta um desafio: ‘neste meio tempo, quantos levaremos conosco’…” (p. 63).

D. Andrea interrogou várias vezes os demônios possuidores:
— ”Vós, que vexais as vossas vítimas, tirais algum proveito ou alívio disso?
— Não, pelo contrário, nós sofremos um maior agravamento das nossas penas.
— E, então, por que o fazeis?
— Por ódio, por ódio, por ódio” (p. 61).

FONTE: Ciência Confirma a Igreja

Fim do mundo 21.12.2012?


Está chegando o fim do ano e com ele o fim do dito presságio do calendário Maia para o fim do mundo. Especulações sem conta foram feitas por pessoas de todos os tipos, religiões e, inclusive, ateus. O fato inegável é que todos, em algum momento neste ano de 2012, se viram às voltas com o tema: fim do mundo. Não fosse este tema tão excitante, não levantaria tanto frisson. Até fora feito anos atrás um magnífico filme sobre isto. Quem não viu "2012" perdeu um show de efeitos especiais. Agora vou falar a cristãos e quero começar a discutir este tema justamente pelo viés do filme. Me parece que todos estão esperando o fim do mundo com um show de efeitos especiais, como no filme. Esperam meteoros caindo, cavalos descendo do céu (os 4 cavaleiros do Apocalipse) seres humanos alados (anjos) voando por toda a parte tocando trombetas, gafanhotos brotando do chão, o odor da morte subindo de buracos no solo (de cor verde para dar um tchan), terremotos globais, vulcões dilacerantes, granizo, tempestades e furacões. Este é o fim que todos esperam. Ou quase todos. Outros esperam que o mundo se acabe em fogo ou em alguma guerra nuclear mundial, como está no Gênesis. Tem ainda os neuróticos que em toda guerra ou calamidade vê um sinal do fim, do Apocalipse. Bem, acho que sou um dos poquíssimos que pensa contra a corrente. Por alguns motivos.
Os efeitos especiais

Os detalhes do fim do mundo no livro do Apocalipse, bem como o apocalipse de Lucas, de Mateus e Marcos, são livremente inspirados nas "imagens" do livro de Daniel. Há, inclusive, citações de trechos de Daniel. É emprestado de Daniel a figura do filho do homem vindo sobre as nuvens do céu; é emprestado de Isaías o abalo das forças cósmicas, as trevas e a queda dos ídolos; é emprestado de Ezequiel a visão do Trono e dos seres vivos cheios de olhos por dentro e por fora, por trás e pela frente; é ainda emprestada de Daniel a cena do juízo final. Bom, estes dados exegéticos nos ajudam a entender o contexto no qual os livros sagrados foram escritos. A isto se junta o dado da Encarnação: Deus subverteu toda a lógica judaica que esperava um Rei-Messias glorioso, vingativo, guerreiro, de estirpe nobre e família poderosa. Nasceu, no entanto, numa estrebaria na cidade de Belém tendo como testemunha apenas seu pai, sua mãe, os animais do lugar e os anjos do céu. A realidade da encarnação pode nos dar uma dica de como vai ser o fim: Nada de efeitos especiais. Se eles vão acontecer é secundário. O que importa é Aquele que vem para julgar os vivos e os mortos. Como? É impossível ao homem tentar descrever esta realidade que se nos escapa por sua própria constituição transcendente. Segundo a própria sagrada Escritura todo o cosmo participará da plenitude dos filhos de Deus que só pode ser levada a cabo na consumação dos tempos, ou seja, na Parusia. Assim, o cosmo não será aniquilado para que Deus venha, mas será plenificado. Contudo, se para que aconteça esta plenifitude é necessário que o antigo morra para dar lugar ao novo, então assim será. No entanto, o motivo do "Apocalipse" não são os shows de efeitos especiais Hollywoodianos, mas, a vinda do Filho do Homem que vem para julgar a terra inteira.

O julgamento final

As pessoas estão por aí todos os anos preocupadas com os "efeitos especiais" do fim do mundo e não estão se preparando para o julgamento final que acontecerá. Em geral as pessoas crêem em Deus, ou dizem crer. No entanto, o que mais falta é fé verdadeira. Não pode dizer que crê em Deus uma pessoa que vai a um Caldas Country, por exemplo. Não pode dizer que crê em Deus quem pratica a injustiça, quem é desonesto, quem pratica atos contra a lei natural, quem relativiza a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição ou o Sagrado Magistério da Igreja em nome do absolutismo das próprias escolhas. A verdadeira fé cristã sabe, reconhece, que não temos aqui morada permanente, mas caminhamos para a nossa pátria futura. Os pais da Igreja sabiam muito bem que nossa vida aqui é transitória, e por isso mesmo somos transeuntes. Sabiam que a vida verdadeira é aquela que nos aguarda, em Deus. Que nesta "terra de exílio", neste "vale de lágrimas" estamos expatriados, aguardando aquela bendita esperança para a qual nos salvou o Divino Redentor no santo batismo. No entanto, o agir das pessoas em muitos casos está diametralmente oposto a esta verdade da fé católica. Inúmeras pessoas vivem como se o ato de recusar a graça divina objetivamente nestes e em outros pecados fosse ficar sem punição. Crêem em um Deus bonzinho que perdoará toda a vida de pecados, não obstante o mal que tiverem praticado, sem que lhes cobre nada por isso. Crêem numa divina injustiça que permite ao homem praticar o mal e nada cobrar por isso. “Verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com grande poder e glória”. Esta vinda será discriminatória, pois discriminará bons e maus: será manifestação da salvação para quem o acolheu… e será perdição para quem o rejeitou!" (Dom Henrique Soares da Costa). Isto é uma verdade da fé católica expressa na Sagrada Escritura. As pessoas deveriam estar com mais medo dos seus pecados do que dos terremotos, vulcões e maremotos. Porque os pecados podem lançar a alma no inferno eternamente, enquanto que a mais forte das calamidades naturais tem o poder de matar o nosso corpo, somente. 

O inferno 

Os santos e místicos tiveram a permissão de Nosso Senhor para antever o que é o inferno e assim poderem alertar o mundo. Não obstante esta imensa bondade de Deus, ainda há os que se recusam a acreditar na existência do inferno. Vou colocar aqui alguns trechos do Catecismo:

1033 Não podemos estar unidos a Deus se não fizermos livremente a opção de amá-lo. Mas não podemos amar a Deus se pecamos gravemente contra Ele, contra nosso próximo ou contra nós mesmos: "Aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia seu irmão é homicida; e sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1Jo 3,14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados dele se deixarmos de ir ao encontro das necessidades graves dos pobres e dos pequenos que são seus irmãos . Morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa ficar separado do Todo-Poderoso para sempre, por nossa própria opção livre. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa com a palavra "inferno".

1035 O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno" . A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira.

1037 Deus não predestina ninguém para o Inferno; para isso é preciso uma aversão voluntária a Deus (um pecado mortal) e persistir nela até o fim.

1039 É diante de Cristo - que é a Verdade - que será definitivamente desvendada a verdade sobre a relação de cada homem com Deus. O Juízo Final há de revelar até as últimas conseqüências (grifo nosso) o que cada um tiver feito de bem ou deixado de fazer durante sua vida terrestre.

Santa Faustina Kowalska teve uma visão das penas do inferno que aguardam os que para lá se dirigem: 

Hoje, conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi:
Primeiro tormento que constitui o Inferno é a perda de Deus;
o segundo, o contínuo remorso de consciência;
o terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca;
o quarto tormento, é o fogo que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus;
o quinto é a contínua escuridão, o terrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demônios e as almas condenadas vêem-se mutuamente e vêem todo o mal dos outros e o seu.
O sexto é a continua companhia do demônio;
o sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias.
São tormentos que todos os condenados sofrem juntos. mas não é ó fim dos tormentos.Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrivel e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terriveis tormentos, se não me sustentasse a onipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda a eternidade.

Estou escrevendo por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há inferno ou que ninguém esteve 'lá e não sabe como é.

Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe. Sobre isso não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isso por escrito. Os demônios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus tinham que me obedecer O que eu escrevi dá apenas uma pálida imagem das coisas que vi.; Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão é justamente daqueles que não acreditavam que o Inferno existisse. Quando voltei a mim, não podia me refazer do terror de ver como as almas, sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles. "O meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios a ter que vos ofender com o menor pecado que seja."

Caros leitores, não quero levá-los ao desespero. De nada nos adiantaria desesperar da graça de Deus. Quero levá-los a considerar vivamente esta realidade da vida cristã: nosso destino eterno. Não devemos brincar de fim do mundo. Devemos levar a sério nossa decisão por Cristo e por seu reino vivendo a cada dia como nos pede São Paulo na primeira carta aos Tessalonicenses, que ouvíamos domingo passado na liturgia (I do Advento): "Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos". Sim, ser santos hoje. Ser santos já. Ser santos imediatamente, porque não sabemos qual será o dia, nem a hora nem como acontecerá o fim do mundo. Certo é que ele acontecerá para todos nós.

There and back again...


"Lá e de volta outra vez" depois de um longo e tenebroso inverno, volto a vocês na virada da maré e é bom que seja assim. Vou seguir meu caminho de comentador dos fatos da vida... obrigado pela paciência de aguardarem as postagens!