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segunda-feira, 30 de julho de 2012

QUANDO DEUS É A ÚNICA RESPOSTA CONVINCENTE...

Interessante testemunho de conversão de uma blogueira americana publicado originalmente em Zenit.org. Link aqui.

Leah Libresco, blogueira americana atéia, anunciou em seu conhecido site a conversão ao catolicismo

Por Salvatore Cernuzio
ROMA, segunda-feira, 30 de julho de 2012 (ZENIT.org) - É uma história maravilhosa de conversão nos nossos dias, aquela de Leah Libresco, a popular blogueira americana atéia responsável do “Patheos Atheist Portal”.
No passado 18 de Junho uma postagem desta jovem filósofa, formada em Yale e colaboradora do Huffington Post, definitivamente chocou muitos seguidores – especialmente ateus – do seu blog, chegando rapidamente a todas as partes do mundo.
"Esta é a minha última postagem" anunciava dramaticamente o título do artigo, onde a blogueira declarava ter finalmente encontrado a resposta para aquela sua "moral interna" que até agora o ateísmo não conseguia satisfazer: o cristianismo. A resposta que durante anos Leah refutava e rejeitava com "explicações que buscam colocar a moralidade no mundo natural."
"Durante anos eu tentei argumentar a origem da lei moral universal que reconhecia presente em mim” explicou a blogueira; uma moralidade "objetiva como a matemática e as leis da física”. Nesta busca contínua de respostas, Leah se refugiou, por exemplo, na filosofia ou na psicologia evolutiva.
"Eu não pensava que a resposta estivesse ali” admite, mas ao mesmo tempo “não podia mais esconder que o cristianismo demonstrava melhor do que qualquer outra filosofia aquilo que reconhecia já como verdadeiro: uma moral dentro de mim que o meu ateísmo, porém, não conseguia explicar”.
Os primeiros "sinais" de conversão vieram no dia de Domingo de Ramos, quando a blogueira participa de um debate com os alunos de Yale para explicar de onde deriva a lei moral. Durante a explicação, foi interrompida por um jovem que “buscava fazer-me pensar – como ela mesma lembra – pedindo-me para não repetir a explicação dos outros, mas para dizer o que eu pensava sobre isso”.
"Não sei, não tenho uma idéia" é a resposta da Leah diante de uma pergunta simples, mas inquietante. "A sua melhor hipótese?", continuou o jovem, "não tenho uma", ela responde.
"Terá talvez alguma idéia”, continua ele; “não o sei... mas acho que a moral tenha se apaixonado por mim ou algo parecido” tenta falar a filósofa, mas o rapaz neste momento diz-lhe o que pensava.
Refletindo, a mulher diz: "Percebi que, como ele, eu acreditava que a moral fosse objetiva, um dado independente da vontade humana”. Leah descobre portanto que também ela crê “numa ordem, que implica alguém que o tenha pensado” e “na existência da Verdade, na origem divina da moral”.
"Intuí – explica ainda – que a lei moral como a verdade pudesse ser uma pessoa. E a religião católica me oferecia a estrada mais razoável e simples para ver se a minha intuição era verdadeira, porque diz que a Verdade é vivente, que se fez homem.”
Pedindo depois àquele jovem o que lhe sugeria fazer, a filósofa atéia convicta, começa a rezar com ele a Completa no Livro dos salmos e continua “a fazê-lo sempre, também sozinha”.
Anos e anos de teorias, provas, convicções, desmoronados diante da única Verdade: Deus. Publicada no portal, a história de Leah provocou reações diversas e milhões de comentários. Basta pensar no fato de que tenha sido postada no Facebook 18 mil vezes e que a sua página web tenha recebido, segundo o diretor do blog, Dan Welch, cerca de 150 mil acessos.
Muitos comentários são acusadores, pessoas atéias que se sentem “traídas” por aquela que era para eles uma líder. Muitos outros, ao contrário, são de católicos que, como muitos não-crentes, seguiam o blog. Alguns expressam as suas felicitações e dizem: "Estou tão feliz por você. Rezei tanto. A aventura está apenas começando."
Entrevistada pela CNN, a Libresco no entanto, confessou de ter ainda muito a entender e estudar sobre aquilo que sustenta a Igreja sobre questões de moral, como por exemplo a questão da homossexualidade que a deixa ainda “confusa”. “Mas não é um problema” afirmou, em quanto que tudo do que ela se convenceu “é razoável”.
Depois da conversão, a mulher procurou também uma comunidade católica, “escandalizando os amigos” mais incrédulos. “Se me perguntam como estou hoje respondo que estou feliz – diz a blogueira – o melhor período que você pode viver é quando você se dá conta de que quase tudo o que você pensava que era verdadeiro, na verdade era falso”.
Ainda à CNN, a blogueira contou que se sentia “renascida uma segunda vez”: “É ótimo participar da Missa e saber que ali está Deus feito carne – declarou – um fato que explica tantas outras coisas inexplicáveis".
Neste ponto, a questão que mais causa curiosidade é o que fará Leah do seu popular blog ateu? Uma pergunta que tem assombrado a mesma autora todos os dias depois daquela fatídica tarde em Yale.
"Parar de escrever? - Diz na sua postagem - continuar em um estilo cripto-católico esperando que ninguém perceba (como fiz no último período)?” Após um exame demorado, a solução foi outra: "A partir de amanhã, o blog será chamado "Patheos Catholic channel "e será usado para discutir com os ateus convictos, como fazia antes com os católicos.
O motivo? "Se a pessoa é honesta - explica - não tem medo de entrar em diálogo. Eu recebi uma resposta sobre o que buscava porque aceitei colocar-me em diálogo. O interessante de muitos ateus é que fazem críticas e pedem provas. Uma coisa utilíssima à Igreja, que não deve ter medo porque está do lado dos fatos e da razão”.
Incentivo, finalmente, conclui a postagem, quase uma despedida da Libresco aos seus muitos leitores ateus: "Quaisquer que sejam suas crenças religiosas parar e pensar naquilo que você crê é uma boa ideia e se assim compreende que há algo que te obriga a mudar de ideia, não tenha medo e lembre-se que a tua decisão pode somente melhorar a tua visão das coisas”.
[Tradução do Italiano por Thácio Siqueira]

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Números: Mártires do Século XX


"Nosso nosso século retornaram os mártires, muitas vezes desconhecidos, quase 'militi ignoti' da grande causa de Deus" (Tertio millenio advenient n. 37).

Quero escrever sobre números, uma vez que é isto que importa hoje em dia. O primeiro número que quero escrever é 860.000: "O escritor e diplomata israelense Pinchas Lapide estimou que 860 mil judeus foram salvos [do regime nazista] com a intervenção católica" (1).

Quero agora escrever 800. É o número de sacerdotes católicos mortos entre 1955 e 1995 em diversas partes do mundo (2).

Agora quero escrever 5.300. É o número dos que foram martirizados no México quando desencadeou-se o regime anticatólico de 1917 (3).

Na Espanha, entre 1931 e 1939 [durante a guerra civil espanhola] existem outros números: 2.000 igrejas destruídas, 6.000 sacerdotes assassinados, bens móveis e imóveis confiscados (4).

Agora quero escrever 9.000. É a soma dos 6.000 missionários estrangeiros presos, expulsos ou assassinados com os 3.000 sacerdotes, leigos ou religiosos chineses condenados ou deportados a partir de 1949 na instauração do comunismo chinês (5).

Na  União Soviética (URSS) "a vida religiosa católica foi, em poucos anos, quase completamente aniquilada [...]. Com a guerra de 1939 a 1945 [...] 70 milhões de católicos [dos países anexados e da própria Rússia] sofreram uma duríssima perseguição. Em 1929 foi expulso o último bispo católico. [...] Em 1937 foram fechadas [pelo sistema de governo soviético] 1.100 igrejas ortodoxas, 240 igrejas católicas, 61 protestantes, 110 mesquitas [...]. As igrejas ortodoxas que em 1913 eram 80.729 foram reduzidas a 3.900 [...]. Essas medidas encontraram a oposição do povo, que respondeu com grandes procissões para defender as igrejas e os mosteiros. [...] Em 1922 fala-se de 8.100 vítimas (2.691 sacerdotes, 1.962 monges, 3.447 monjas, 150 bispos deportados para a Sibéria)" (6).

Outro número que é interessante: Na Albânia "depois de seis anos de governo comunista, a Igreja Católica estava quase completamente aniquilada [...]. Dos seis bispos, restava um. Dos 94 sacerdotes seculares, dezessete foram mortos, 39 presos, 3 obrigados a buscar asilo no exterior, onze convocados às armas, dez mortos de morte natural ou seguida de maus-tratos [...] Além disso, foram fechados ou requisitados todos os seminários, noviciados, conventos, escolas, asilos e todas as obras da Igreja Católica" (7).

Resolvi escrever estes números inexatos e que não contam os assassinatos de católicos, ortodoxos e protestantes das duas últimas décadas. Tenho um único intuito: mostrar que a Igreja permanece viva. Ela a ninguém incomodaria se não estivesse viva! Ademais, os apelos dos Santos Padres a que nos entreguemos de corpo e alma à obra da evangelização é para que o mundo, conquistado pelo Evangelho, se convença de seus erros e assim trilhe caminhos diferentes do passado. Não penso que o mundo venha a pedir perdão à Igreja por tê-la feito sofrer tal agrura. Nenhum filho ingrato o faz para com sua mãe. Com os governos e sistemas hostis que nos governam não é diferente. Os números da perseguição podem aumentar no mesmo passo que os do IBGE diminuem para a percentagem de católicos no Brasil, porque para ser perseguido em nossos dias basta professar a fé viva e incondicional em Jesus Cristo e em suas leis e mandamentos. Concluo afirmando que a Igreja não faz o papel de vítima de um psicodrama. Ela é protagonista de sua história guiada pelo Espírito de Deus. A Igreja não tem necessidade de se auto-afirmar incensando os erros do passado e cultivando-os numa memória mórbida da própria sorte. Ela afirma-se propondo um mundo novo aos olhos contemporâneos sem esquecer-se de quem é e sem apegar-se aos muitos flagelos que sofreu na história. Porém, penso ser um dever de justiça dar a cada um o que lhe é devido. Incautos há que cobram a Igreja sob a pecha de "obscurantista; má; perseguidora e assassina" em um período da história sem, contudo, conhecê-la ou ao menos citar dados e fontes. O texto supra tem um tom apologético. Ele intenciona dar a César o que é de César: Nas mãos de sistemas iníquos repousa o sangue de Abel que clama aos céus por justiça!
 
(1) cf. ZAGHENI, G. A Idade Contemporânea. Curso de História da Igreja IV. São Paulo, Paulus: 1999. Pg. 323.

(2) (3) (4) (5) cf. Idem. pg. 394.

(6) cf. Idem. pg. 395-396

(7) cf. Idem. pg 398-399

terça-feira, 24 de julho de 2012

O que é a Infalibilidade do Papa?


Estudando um pouquinho a história da Igreja surge esta pergunta que qualquer Católico se faz. Encontrei um texto coerente e sério que, penso, ajuda a responder e que vou reproduzir aqui em parte.

Para começar, cito a intervenção de Dom Zinelli no I Concílio Vaticano: O poder do Papa é "potestas episcopalis, ordinaria, immediata" ou seja, da mesma natureza dos demais bispos da Igreja: poder episcopal, ordinário imediato. Dom Zinelli contribuiu ainda para esclarecer a infalibilidade por meio de três adjetivos. "Infalibilidade pessoal, separada e absoluta".
- Pessoal: esse privilégio não se aplica, como queriam certos galicanos, somente à Sé Romana mas a cada Pontífice que age dentro de condições bem precisas, ou seja, quando fala ex cathedra;
- Separada ou melhor, distinta: porque fundada numa assistência pessoal do Espírito Santo, que não pode ser identificada com aquela que ajuda toda a Igreja. É infalível quando define o que deve ser crido ou rejeitado por todos. O papa, porém, é obrigado a servir-se dos meios próprios para examinar e enunciar a verdade com certeza: esses meios são os concílios, os conselhos dos cardeais, dos bispos, dos teólogos, etc. O papa não está separado do consesus, mas não é o consenso que garante a infalibilidade;
- Absoluta: isto é, quando fala de fé e de costumes como pai supremo e universal. São os bispos que têm necessidade de serem confirmados por Pedro, e não o contrário; o entendimento com eles deve exisitir, mas, não é necessário. Nesse contexto compreende-se que as normas aprovadas por um concílio são infalíveis quando confirmadas pelo papa [e não o contrário]".

A questão de Hans Kung
"Hans Kung em seu texto "Infalível? Uma pergunta" sustentava que se havia chegado à definição da infalibilidade [tão somente] para reforçar o princípio da autoridade, contra os progressos do liberalismo, pela ambição pessoal de Pio IX e pela expectativa de salvaguardar, desse modo, os últimos resquícios de poder temporal. Kung já havia abordado este tema numa obra anterior [...], para construir sua tese baseou-se, além de em preconceitos filosóficos e teológicos, às vezes também em fontes de segunda mão, não conseguindo dar verdadeiro equilíbrio à sua obra interpretativa. Em relação a Kung, a Igreja interveio várias vezes: no dia 24 de junho de 1973, para reafirmar que a fé católica inclui "sim" e "não" inquestionáveis (contra a tese de Kung de que uma definição sufoca ou adultera a verdade); no dia 15 de fevereiro de 1975, além de outros pontos (sacerdócio ministerial, cristologia, etc), critica-se a posição de Kung de que só existe a infalibilidade do povo de Deus, que, por pura graça divina, é sempre capaz de encontrar o modo de ser fiel a Cristo; a 15 de dezembro de 1979 declara-se que Kung não pode ser considerado teólogo católico."

"Havia no mundo católico [do século XIX], a orientação da maioria pela definição [do dogma da infalibilidade]. Não se tratava de deificar a pessoa e os atos do papa, mas de proclamar a autoridade infalível apenas do magistério solente [distinto do magistério a Motu Proprio]. Chegara o momento de definir esta verdade, porque publicamente contestada"

ZAGHENI, G. A Idade Contemporânea. Curso de História da Igreja IV. São Paulo, Paulus: 1999. pgs. 149-150; 159-160; 163-164.