Páginas

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Acerca do respeito que se deve dar e receber


Numa situação inusitada, mas, não inesperada um paroquiano nosso e mais alguns homens foram ao mictório da público da festa de nossa bela cidade, o Arraiá. O inusitado ficou por conta de alguns jovens, seguramente homossexuais, que na ocasião tocavam o órgão genital de algum senhor presente naquele lugar. Ao se depararem com a cena, o nosso paroquiano assustou-se bem como os demais homens que adentravam o recinto. Mesmo tendo sido advertidos os jovens continuaram a querer tocar a genitália daqueles senhores e até sugeriram outras coisas menos publicáveis ao nosso paroquiano e aos demais que ali foram para urinar. Indignados com a falta de respeito por parte dos jovens, repreenderam-nos e fizeram-nos sair à força de dentro do mictório. Meu paroquiano, indignado, esbravejava: "Padre, a gente não tem mais respeito das pessoas. Acabou o respeito. 'A gente está' aqui para trabalhar e não para ver essas coisas". De fato, o Arraiá de Itumbiara é uma bela experiência da nossa cidade no qual as entidades filantrópicas e Igrejas recebem da Prefeitura Municipal um espaço físico para venderem iguarias aos participantes desta festa. O dinheiro arrecadado tem sempre uma finalidade social. Por isso os nossos paroquianos que ali trabalham são todos voluntários. São 11 dias de festa, de esforço contínuo; trabalhadores, pais e mães de família que vão para suas casas já de madrugada para ali nos auxiliar com seu tempo e doação do serviço. Ao se deparar com uma situação desta acima descrita a pessoa se sente indignada, aviltada e desrespeitada, como me relatou meu paroquiano na presença de algumas pessoas.

Penso que isto merece uma reflexão. Meu paroquiano chegou a dizer que, futuramente, haverá de se construir banheiros apenas para os homossexuais para se assegurar a integridade de um pai de família (heterossexual é pleonasmo nesse caso), temente a Deus, respeitoso de sua família, de sua fé e de sua religião. Quando ouvi o relato deste ato reprovável, pensei imediatamente nas paradas do orgulho gay, no lobby homossexual e na requisição de políticas públicas voltadas aos homossexuais. Caros homossexuais, respeitem-se. Respeitem sua escolha de vida. Nos tempos atuais a sociedade não te questiona mais se você escolheu este caminho. Pelo contrário! Até há grandes incentivos para a prática homossexual desde as políticas públicas educacionais aos programas doutrinadores da tv aberta. O questionável e reprovável é querer impor a tua condição a outrem. A sociedade não dará ouvidos a uma turma de baderneiros assediadores. Se o que vos move é uma reta intenção pela busca de direitos constitucionais, a prática destes e de outros atos muito similares joga tuas pretensões no chão. O que se busca, pelo que percebo, é uma tácita aceitação da homossexualidade de maneira imposta e isto - sinto muito quebrar a candura dos sonhos infantis de alguns - não vai acontecer por estes e outros casos parecidos. Vou dar um conselho de Aristóteles: Não se conquista um adversário afrontando-o porque assim você o assusta. Não se conquista um adversário levando-o para a cama porque cessa o elo quando cessar o interesse comum. Conquista-se um adversário conquistando seu respeito. Se vocês homossexuais querem ser respeitados e ouvidos, respeitem antes de mais nada a sociedade brasileira que os acolhe - não obstante alguns atos de violência igualmente reprováveis contra os homossexuais. Nosso Brasil é um país tolerante. Nalguns outros aspectos até demais!, porém, que esta tolerância não se transforme em indolência por parte dos aviltados, tampouco em substrato de opressão e ditadura de uma minoria.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Estudo mostra conclusões sobre criação de “filhos” de homossexuais

Wendy Wright e Lisa Correnti
WASHINGTON, DC, 15 de junho (C-FAM) Um estudo pioneiro revela que filhos adultos de “pais” homossexuais e lésbicos experimentam consequências sociais, econômicas e emocionais vastamente mais negativas do que crianças criadas dentro de famílias biológicas intactas.

A qualidade do estudo do professor Mark Regnerus, da Universidade do Texas, frisa as deficiências de estudos anteriores nos quais os ativistas homossexuais têm se apoiado para conceder às duplas de mesmo sexo um direito de se casar e adotar crianças.

“A alegação empírica de que não existem diferenças dignas de nota tem de ir embora”, disse Regnerus em seu estudo publicado na revista Social Science Research.

O abrangente estudo de Regnerus examina aproximadamente 3.000 filhos adultos de oito diferentes estruturas de família e os avalia dentro de 40 categorias sociais e emocionais. O estudo revela que as crianças que permanecem com famílias biológicas intactas tinham educação melhor, experimentavam maior saúde mental e física, menos experiências com drogas, menos atividade criminosa e relataram no total níveis mais elevados de felicidade.

As maiores consequências negativas foram constatadas entre filhos de mães lésbicas. Isso contradiz estudos defeituosos popularizados pelos meios de comunicação que afirmam que crianças se saem bem, ou melhores, com mães lésbicas. O estudo de Regnerus mostrou consequências negativas para esses filhos adultos em 25 de 40 categorias, inclusive índices muito mais elevados de agressão sexual (23% dos filhos de mães lésbicas foram tocados sexualmente pelos pais ou um adulto, em contraste com 2% dos filhos criados por pai e mãe casados), saúde física inferior, mais depressão, mais uso de maconha e desemprego mais elevado (69% dos filhos de lares lésbicos estavam vivendo às custas de programas de assistência do governo, comparados com 17% dos filhos de pai e mãe casados).

O estudo de Regnerus desmascara um informe de 2005 da Associação Americana de Psicologia muitas vezes citado que concluiu: “Nem um único estudo constatou que filhos de pais lésbicos ou gays têm desvantagens em qualquer aspecto importante em relação aos filhos de pais heterossexuais”.

Em contraste com Regnerus, os estudos anteriores compararam filhos de pais homossexuais com filhos de famílias de padrasto e mães solteiras. Regnerus também se apoia unicamente em informações diretas de filhos adultos em vez de opiniões de seus pais.

Um segundo novo estudo confirma que os estudos que a AAP promoveu com muito elogio são inconfiáveis. Loren Marks, professor adjunto da Universidade Estadual da Louisiana, revelou que os estudos da AAP tinham dados limitados e focaram em papéis de gênero e identidades sexuais. Eles negligenciaram examinar os resultados educacionais, emprego, risco de abuso de drogas, conduta criminal ou suicídio dos filhos.

Os desacreditados estudos apoiados pela AAP têm sido usados em tentativas para impactar decisões legais internacionais.

Amicus curiae apresentado no caso E.B. versus França no Tribunal Europeu de Direitos Humanos defendeu direitos de adoção para duplas de mesmo sexo citando estudos da AAP com alegações de que não existe nenhuma evidência científica objetiva para justificar “tratamento diferente de duplas de mesmo sexo que desejam adotar porque (até onde a FIDH, ILGA-Europa, BAAF e APGL sabem) todos os estudos científicos conceituados têm mostrado que os filhos de pais lésbicos e gays não têm nada de diferente dos filhos de pais heterossexuais no que se refere a problemas emocionais e outros problemas”.

No caso Karen Atala e Filhas versus Chile no Tribunal Interamericano de Direitos Humanos, um amicus curiae defendendo os “pais” lésbicos que perderam a custódia de seus filhos comentou que a Academia Americana de Pediatria (AAP) “reconhece que um volume considerável de literatura profissional fornece evidência de que os filhos com pais que são homossexuais podem ter as mesmas vantagens e as mesmas expectativas de saúde, ajuste e desenvolvimento que podem os filhos cujos pais são heterossexuais”.

Tradução: Julio Severo

Retirado de:
http://www.c-fam.org/fridayfax/portuguese/volume-15/estudo-mostra-que-homossexuais-criando-%E2%80%9Cfilhos%E2%80%9D-%C3%A9-diferente-de-pai-e-m%C3%A3e-criando-os.html

domingo, 10 de junho de 2012

Cultura Negra e Liturgia inculturada - Parte 2


Há muito eu escrevi um texto curto sobre a introdução de um texto do site CENPAH sobre liturgia e inculturação. Texto do CENPA aqui. Primeiro texto aqui. Quero concluir agora aquele pensamento iniciado para refutar a assim chamada liturgia inculturada. Naquele texto, no título 2 "O que é a liturgia", se afirma que a morte e ressurreição de Jesus une Deus aos homens e os homens entre si. Porém, não se afirma o valor savífico e redentor do sacrifício do Senhor. Sem esta afirmação não se pode ter uma reta compreensão do que seja Liturgia, mormente, a Santa Missa, a partir da instituição da Eucaristia que é antecipação sacramental do sacrifício na cruz.

Ademais, afirma que o povo que celebra a liturgia tem um rosto, é definido geograficamente, possui uma cultura. No entanto, para o culto em espírito e verdade esse povo não tem rosto, nem cultura. É o povo de todas as raças e de todas as culturas expresso em Ap 4, onde o valor não é mais ser judeu ou gregro, escravo ou livre mas, que nos tornamos um só em Cristo Jesus  Gl 3,27-28.

A seguir, fala-se dos sinais sensíveis na liturgia. Antropologicamente falando, todos necessitamos expressar quem somos, o que pensamos, no que cremos por meio de sinais sensíveis, por meio de signos. Dentre tantos, a Igreja elegeu os que a ela parecem mais adequados à expressão do Mistério Trinitário e do Mistério Pascal de Cristo a todas as culturas e povos. Fez normas diretivas, restritivas e outras abertas a adaptação da sensibilidade dos povos e culturas. Quando o texto toca o tema “assembléia de maioria afro-descendente ou solidária à nossa causa” coloca a perder toda a sua pretensa roupagem teológico-litúrgica e cede lugar a uma argumentação que faz do ser negro uma causa, uma bandeira, quando a causa – se assim eu poderia afirmar, - não é o ser negro, mas, o Mistério que qualquer pessoa no mundo irá celebrar na Igreja Católica: O mistério pascal de Cristo. Usar a liturgia como lugar para afirmação de uma causa política é desviá-la de sua finalidade específica mencionada neste mesmo texto. É trair o próprio Cristo que se recusou a se deixar manipular pelas necessidades políticas de seu tempo. O mesmo erro ocorreu com a “causa do pobre” que se tornou odiosa por ter se transformado expressão de uma ideologia. Ao passar ao plano ideológico, abandona-se o critério cristológico e eclesiológico que deve nortear a ação litúrgica e/ou teológica da Igreja. Fazer da “causa afro-descendente” uma bandeira pela qual “lutar” aos moldes “clássicos” consagrados pela Teologia da Libertação via luta de classes de matriz marxista (como está claro na Introdução deste texto) torna-a tão somente uma causa política com pretensões político-religiosas em briga por espaços. A “questão do pobre” tornou-se problemática, sobretudo por isso: fez-se do pobre uma bandeira quando ele deveria ser o meio para uma espiritualidade cristocêntrica. Cito, sem delongas, Madre Tereza de Calcutá. Sentiu-se impelida a dar uma resposta em sua realidade concreta. Amou os pobres mais pobres de Calcutá sem fazer deles uma bandeira de sua “causa”. Amou-os na gratuidade e com todas as suas possibilidades. Ela foi, de fato, uma “teóloga da libertação” pois, partiu de Cristo crucificado e abandonado em cada pobre para reencontrá-lo em cada pobre, trazendo-lhes o amor em forma de cama, remédio, abrigo, etc. Pergunto: Promover a identidade negra é trazer elementos de sua cultura, estranhos à liturgia da Igreja, por vezes incongruentes até no plano doutrinário? Não causaria menos conflito se toda esta beleza pudesse ser exposta em outro espaço, de outro modo? Se é necessária a afirmação da identidade negra frente a raça branca no Brasil (cf. Introdução n. 4 e 6), porque não promover OUTROS espaços para isto acontecer? Porque subutilizar a Missa? Porque querer enriquecer o que é pobre, ou, empobrecer o que é demasiadamente rico para os parâmetros humanos? Qual necessidade esta que impele a tal? Não seria mais uma necessidade de afirmação do humano, soberba, que uma atitude de reverência face ao Mistério? O Cristo Sacrificado é a extrema pobreza do Universo em seu sacrifício único que celebramos em cada Santa Missa. Pobre. Simples. Nu. Não se lhe cabem mais coisas!

No título 3 "Quem celebra a liturgia", está assim expresso: "É toda a comunidade que celebra. A assembléia inteira é o “liturgo”. O corpo de Cristo unido à sua cabeça, que celebra. Cada um exercendo o ministério que lhe cabe, por isso é importante “conhecer os valores culturais, a história e as tradições dos afro-americanos, entrar em diálogo fraterno e respeitoso com eles, é um passo importante na missão evangelizadora da Igreja”.
Sobre a Sacrossanctum Concilium 26 ali citado: Bom, a começo de conversa é no número 28 que diz expressamente: “Nas celebrações litúrgicas, seja quem for, ministro ou fiel, exercendo o seu ofício, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete.” Nem vou comentar o número 28 aqui. Caberia um tópico só para ele. Vou me ater a interpretação do número 26 que diz: “As ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, que é "sacramento de unidade", povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos. Por isso, estas celebrações pertencem a todo o corpo da Igreja, manifestam-no e implicam-no; mas atingem a cada um dos membros de modo diferente, conforme a diversidade de ordens, dos ofícios e da atual participação.”
 
Quando se afirma que a ação litúrgica não é “privada”, entende-se que a mesma não pertença a uma pessoa ou a um grupo de pessoas para que a manipulem a seu desejo. São “da Igreja” (povo santo hierarquicamente organizado). Tal ação visa, sobretudo, a que visibilize a sacramentalidade salvífica da Igreja, expressa com termos bastante simples. Tal visibilidade é universal, não particular. Eu não consigo ver nenhum nexo entre: “conhecer os valores culturais, a história e as tradições dos afro-americanos, entrar em diálogo fraterno e respeitoso com eles” com o que se pretende por uma pretensa liturgia afro-inculturada. Conhecer tais valores é possível de ser feito em um Simpósio, uma Conferência, uma festa popular, uma manifestação da religiosidade popular. O que me intriga é que isto tudo tenha que ser encaixado na Missa custe o que custar. Por quê? Em virtude do atrativo numérico das assembléias litúrgicas? Para fazer proselitismo e posar de vítima (como no vídeo do CENPAH sobre um capítulo de uma novela da Rede Globo)?

Chega-se ao título 6: "A caminho da inculturação litúrgica em meios afro-brasileiros" que é o cerne da argumentação. Valeria a pena lê-lo antes de ler minha argumentação.
Faz parte da crise da cultura acusar a Igreja de todos os males e atrocidades da humanidade. Se isso não depreendesse por si mesmo uma grave miopia histórica, deveria ao menos levantar suspeita daqueles que pensam: Porque seria diferente com os afro-brasileiros? Será que a Igreja é tão madrasta assim? Quem é a Igreja, repito a pergunta? Não é ela o povo de Deus hierarquicamente organizado? O termo “Igreja” nas colocações deste texto supra citado visa única e exclusivamente a hierarquia eclesiástica. Tal é acusada de todos os racismos e discriminações sofridos pelos negros na Igreja. Este vitimismo acusatório não faz emergir como sujeito quem o sustenta. Será que eu vivo noutro planeta? Desde criança que vejo os negros e negras de minha paróquia – e hoje como padre – serem tratados em igualdade de condições com o branco. Outra pergunta: Onde estão estes povos e culturas tão cultuados? Não deveriam ser eles a reivindicar seus direitos? O que vejo é uma pretensa defesa de direitos travestida de revolução com o único fito de disseminar a desconfiança em relação a hierarquia eclesiástica.

Celebrar Jesus Cristo a partir da cultura do povo é novidade para mim. Eu pensava que celebrávamos Jesus Cristo a partir do que Ele mesmo mandou fazer. Pensava que ele, não o povo, era o ponto de partida da Liturgia da Igreja (vide Jean Corbon no primeiro texto). A evangelização do Brasil está sob suspeita neste texto. Certamente que a óptica da Libertação faz ver que o Catolicismo vindo com a Coroa Portuguesa foi ruim para o negro em virtude de terem sido feito escravos com sua cultura subjugada, etc. Por causa disso, afirma-se, a Igreja não incorporou os valores da cultura negra e isso faz a Igreja ser ruim (mais uma vez: Igreja neste texto é sinônimo para hierarquia eclesiástica). O bem que a Evangelização trouxe nem será lembrado: as escolas, os hospitais, a catequese, a construção da sociedade brasileira. Aliás, inclusive isto será motivo para criticar a evangelização com o mote de ter furtado aos indígenas e negros a condição de possibilidade de exercer plenamente sua dignidade de ser humano. O que mais me inquieta é que não se pode realizar tal exame do passado com as categorias do presente. O passado deve ser entendido em seu contexto vital. A história passada não nos permite demonizar a Igreja. Isto é desonestidade intelectual e desconhecimento da própria história.

A motivação/desculpa para inserir os elementos da cultura afro-brasileira na liturgia é que estes podem ser “perfeitamente adaptados à missa” para prover maior e melhor participação plena, ativa e frutuosa. Muitos destes elementos e a sugestão para usá-los, provêm de seu uso nos cultos pagãos africanos trazidos ao Brasil por ocasião da imigração negra. Quanto a isto, vale a pena lembrar que o número 1202 do Catecismo – esquecido de propósito pelo escritor do artigo – manda “purificar” tais elementos de quaisquer resquício de paganicidade. Esquece-se ainda que no número 1204 se alude, como regra para qualquer “inculturação” que se leve os “gentios”, ou pagãos, à obediência da fé, conforme São Paulo. Não há fé Católica que não seja a fé da Igreja. Se houver alguém que requeira a fé católica em dissonância com a Doutrina da Igreja, isto se torna apostasia, heresia ou cisma, puníveis com a excomunhão late sentenciae pelo CIC (Cân. 1364). Ademais, vejamos os exemplos que o artigo trouxe para melhorar a participação ativa dos fiéis: 1) o bater palmas é incoerente com a liturgia católica que é o verdadeiro sacrifício de Cristo na cruz. Tampouco na ressurreição os Apóstolos bateram palmas. As palmas distraem o fiel do foco da celebração que é o Mistério Pascal de Cristo para uma coisa tangente. 2) A dança: a liturgia não pode se transformar num palco de apresentações nem de cantores, nem de dançarinos, nem de padres-estrela. O presbitério não é um palco elegante. O ambão não é um lugarzinho pra se encher de panos coloridos. O altar não é uma mesa de candomblé para oferecer alimentos aos orixás. A liturgia não comporta a tal da “dança sagrada”. Tal ofício era realizado pelas hieródulas nos templos dedicados aos deuses da fertilidade que, entrando em transe com tais danças, se deitavam com os homens a fim de provocar os deuses para fertilizarem a terra e terem boas colheitas. Logo, este elemento pagão não está devidamente purificado para ser incorporado às nossas liturgias. Sem contar que tal elemento nos terreiros de umbanda e candomblé se presta ao êxtase religioso da incorporação de entidades, fato este diametralmente contrário à fé católica. 3) Refrões curtos: os lecionários e missal possuem as antífonas de duas linhas e o gregoriano é o modo mais fácil de se cantar a liturgia da Igreja. 4) A Bíblia: Se a Igreja não possuísse os seus próprios livros litúrgicos – produzidos a partir da bíblia – então precisaríamos dela. A bibliolatria entra como um elemento protestante afrontando a organicidade e simplicidade da liturgia da Igreja. 5) Queimar incenso e levar flores: existem turíbulos e podem existir acólitos instruídos para usá-los. As flores podem ser utilizadas sempre que as normas litúrgicas não prever o contrário. Algo chama minha atenção aqui: Porque se insiste tanto em tergiversar a norma da Igreja, mudar, mutilar, retirar, empobrecer e danificar? Porque não se usa o que já se tem, se o que temos já contempla toda esta gama de necessidades? Será mesmo por conta da dita “inculturação” ou por conta da incapacidade dos padres, freiras e congêneres de lidarem com o óbvio: que deixaram de obedecer a Igreja para obedecer seus caprichos pessoais e gostos duvidosos?
 
Além da questão doutrinal/teológica, o autor do artigo ainda cita que tal modo de “inculturar” a liturgia “tem ajudado a combater a ideologia do embranquecimento e a descobrir os sinais de páscoa que nos levam a construir um mundo novo buscando igualdade racial e justiça para todas as pessoas”. Como já postei anteriormente, o lugar para se fazer promoção social é na prefeitura e a pessoa para isto designada se chama assistente social. Penso ser da praxe democrática o fato que um grupo social que se sinta menosprezado lute por seus direitos junto aos governos, mas acho lamentável manipular a liturgia da Igreja com tal finalidade ideológica. O autor afirma ainda que tal inculturação fará a Igreja mais católica, mais "para todos". Tal afirmação me choca diante da realidade concreta. Na Igreja todos participam. Não há uma Igreja dicotômica, senão na cabeça maniqueísta de quem escreveu este artigo.

O mestre em liturgia afro-brasileira pela Universidade Assunção de São Paulo, Pe Gabriel Gonzaga Bina (citado inúmeras vezes no texto), afirma que o objetivo da inculturação do evangelho e da liturgia “é evangelizar as diferentes culturas respeitando as realidades teológicas e antropológicas das mesmas, distinguindo fé e cultura e salvaguardando a unidade e o pluralismo da igreja universal, na busca de sempre maior comunhão eclesial [...]. Esse encontro estimula novas relações entre as pessoas e Deus, originando um processo de conversão individual e comunitária cuja intenção é a vivência do evangelho sem trair o modo de ser, de atuar e de comunicar das pessoas dessa cultura que está entrando em contato com o evangelho". Este modo de apresentar as coisas é bonitinho, mas trai o que é fundamental na evangelização: evangelizar, converter. Aqui Rapidamente alguém se ergue e diz: mas o testemunho do evangelho não se dá só na pregação, mas, no exemplo de vida e no amor ao próximo quando fazemos este próximo ter vida plena e ainda me cita o evangelho de João 10,10 (que você vai encontrar diversas vezes neste mesmo texto do Padre Bina) e o exemplo de Charles de Foucauld para ratificar sua postura esdrúxula. Traem o mandato missionário de Jesus, traem a Tradição da Igreja, traem os documentos da Igreja e os interpretam a seu bel prazer. Anuindo a esta necessidade criada de inculturação, estaremos em breve fazendo celebrações ecumênicas no lugar da missa; colocando o pastor e o médium no presbitério; dando a comunhão aos adeptos da umbanda (uma vez que neste modo de pensar a eucaristia é tão somente um momento para comer e beber juntos) e outras coisas piores. Aqui. O objetivo da dita inculturação expresso pelo Pe. Gabriel Gonzaga Bina é antropológico e sociológico, não eclesiológico. A Igreja entra no seu esquema como Deus entrou no método cartesiano. O que se vê ali expresso é tão somente o desejo de relações pacíficas entre as pessoas, como se o próprio choque cultural não fosse violento por si mesmo. Nos primeiros séculos do cristianismo, no embate com o paganismo, o mal não foi chamado de bem; o pagão não foi chamado de irmão; a cultura pagã foi transformada e cristianizada e só por isso foi salva. Quem tem duas mãos, não consegue segurar três pássaros!

sábado, 9 de junho de 2012

Congresso de Teologia da Libertação na Unisinos

Congresso dissidente no Brasil promove teologia contrária à doutrina Católica

Texto original em: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=23739

BRASILIA, 08 Jun. 12 / 03:26 pm (ACI)

Teólogos e pensadores sancionados pela Igreja por difundir ideias contrárias à doutrina católica participarão de um congresso latino-americano que busca equiparar o Concílio Vaticano II com a teologia marxista da liberação em São Leopoldo (RS). O evento leva o nome de "Congresso Continental de Teologia: Aos 50 anos do Vaticano II e 40 anos da Teologia Latino-americana e Caribenha" e admite ademais promotores da ideologia de gênero.

O evento se realiza entre os dias 7 a 11 de outubro de 2012 na universidade jesuíta Unisinos, com o apoio da Pontifícia Universidade Javeriana da Colômbia (que há poucos dias apoiou a adoção de crianças por casais homossexuais) o grupo de pressão Amerindia e a agência informativa de cunho marxista Adital, que tem entre seus colunistas o frade dominicano brasileiro Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como "Frei Betto", que promove a despenalização do aborto.

ACI Digital teve acesso ao programa oficial do evento que contará com a presença de teólogos como o espanhol Andrés Torre Queiruga, cujas obras foram recentemente consideradas incompatíveis com a doutrina da Igreja pela Conferência Episcopal Espanhola.

Outro participante do evento é o conhecido autor e conferencista Leonardo Boff, considerado um dos principais promotores da teologia marxista da liberação, quem na década de 90 abandonou o sacerdócio, casou-se, e se afastou da Igreja Católica para converter-se em "ecoteólogo de matriz católica" dedicado a escrever livros de ecologia e “espiritualidade”.

Jon Sobrino, sacerdote jesuíta e líder entre os teólogos marxistas, também se apresentará no congresso latino-americano apesar da que suas idéias "não estejam conformes com a doutrina da Igreja", como opinou a Congregação para a Doutrina da Fé no ano 2007 através de uma notificação oficial.

O Bispo de Jales (SP), Dom Luiz Demétrio Valentini, conhecido por suas posturas favoráveis à teologia marxista da libertação também comparecerá ao evento da Unisinos. Dom Valentini causou repúdio dos católicos em abril deste ano ao dar uma palestra em uma loja maçônica e anteriormente por ter criticado Dom Luiz Gonzaga Bergozini, bispo emérito de Guarulhos, por ter defendido o direito à vida contra o aborto durante toda a campanha presidencial de 2010.

A teóloga María del Pilar Aquino, que qualificou o pontificado do hoje Beato Papa João Paulo II como autoritário, centralista, conservador e imperialista, dará uma exposição sobre "Teologia e Espiritualidade libertadora".

O jesuíta espanhol e radicado na Bolívia, Víctor Codina, que em um escrito considerou a Igreja Católica como uma velha míope, surda e com Alzheimer, dará a conferência "As Igrejas no Continente 50 anos depois do Vaticano II: questões pendentes".

Raúl Fornet Betancourt, filósofo que sustenta que para a realização da "opção pelos pobres" difundida pelos teólogos marxistas da libertação é necessária uma opção "por outro mundo, e por outra Igreja e por outro cristianismo", participará do congresso com a exposição "Novos sujeitos e interculturalidade".

Uma conferência aberta será dada pelo sacerdote Gustavo Gutiérrez, teólogo peruano considerado o pai da teologia marxista da liberação, no dia 9 de outubro.

O congresso, apesar de seu suposto caráter religioso, não prevê a celebração de Missa em nenhum dos seus cinco dias, neles apenas serão realizados "momentos de espiritualidade", os quais estão baseados em temáticas como a entronização da Bíblia, o ecumênico e o indígena.

A programação do evento, divulgada sem os nomes dos palestrantes, pode ser vista aqui.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Os idiotas confessos de Nelson Rodrigues (1968)


Antigamente, o idiota era o idiota. Nenhum ser tão sem mistério e repito: — tão cristalino. O sujeito o identificava, a olho nu, no meio de milhões. E mais: — o primeiro a identificar-se como tal era o próprio idiota. Não sei se me entendem. No passado, o marido era o último a saber. Sabiam os vizinhos, os credores, os familiares, os conhecidos e os desconhecidos. Só ele, marido, era obtusamente cego para o óbvio ululante. Sim, o traído ia para as esquinas, botecos e retretas gabar a infiel: — “Uma santa! Uma santa!”.

Mas o tempo passou. Hoje, dá-se o inverso. O primeiro a saber é o marido. Pode fingir-se de cego. Mas sabe, eis a verdade, sabe. Lembro-me de um que sabia endereço, hora, dia etc. etc. Pois o idiota era o primeiro a saber-se idiota. Não tinha nenhuma ilusão. E uma das cenas mais fortes que vi, em toda a minha infância, foi a de uma autoflagelação. Um vizinho berrava, atirando rútilas patadas: — “Eu sou um quadrúpede!”. Nenhuma objeção. E, então, insistia, heróico: — “Sou um quadrúpede de 28 patas!”. Não precisara beber para essa extroversão triunfal. Era um límpido, translúcido idiota.

E o imbecil como tal se comportava. Nascia numa família também de imbecis. Nem os avós, nem os pais, nem os tios, eram piores ou melhores. E, como todos eram idiotas, ninguém pensava. Tinha-se como certo que só uma pequena e seletíssima elite podia pensar. A vida política estava reservada aos “melhores”. Só os “melhores”, repito, só os “melhores” ousavam o gesto político, o ato político, o pensamento político, a decisão política, o crime político.

Por saber-se idiota, o sujeito babava na gravata de humildade. Na rua, deslizava, rente à parede, envergonhado da própria inépcia e da própria burrice. Não passava do quarto ano primário. E quando cruzava com um dos “melhores”, só faltava lamber-lhe as botas como uma cadelinha amestrada. Nunca, nunca o idiota ousaria ler, aprender, estudar, além de limites ferozes. No romance, ia até ao Maria, a desgraçada.

Vejam bem: — o imbecil não se envergonhava de o ser. Havia plena acomodação entre ele e sua insignificância. E admitia que só os “melhores” podem pensar, agir, decidir. Pois bem. O mundo foi assim, até outro dia. Há coisa de três ou quatro anos, uma telefonista aposentada me dizia: — “Eu não tenho o intelectual muito desenvolvido”. Não era queixa, era uma constatação. Santa senhora! Foi talvez a última idiota confessa do nosso tempo.

De repente, os idiotas descobriram que são em maior número. Sempre foram em maior número e não percebiam o óbvio ululante. E mais descobriram: — a vergonhosa inferioridade numérica dos “melhores”. Para um “gênio”, 800 mil, 1 milhão, 2 milhões, 3 milhões de cretinos. E, certo dia, um idiota resolveu testar o poder numérico: — trepou num caixote e fez um discurso. Logo se improvisou uma multidão. O orador teve a solidariedade fulminante dos outros idiotas. A multidão crescia como num pesadelo. Em quinze minutos, mugia, ali, uma massa de meio milhão.

Se o orador fosse Cristo, ou Buda, ou Maomé, não teria a audiência de um vira-lata, de um gato vadio. Teríamos de ser cada um de nós um pequeno Cristo, um pequeno Buda, um pequeno Maomé. Outrora, os imbecis faziam platéia para os “superiores”. Hoje, não. Hoje, só há platéia para o idiota. É preciso ser idiota indubitável para se ter emprego, salários, atuação, influência, amantes, carros, jóias etc. etc.

Quanto aos “melhores”, ou mudam, e imitam os cretinos, ou não sobrevivem. O inglês Wells, que tinha, em todos os seus escritos, uma pose profética, só não previu a “invasão dos idiotas”. E, de fato, eles explodem por toda parte: são professores, sociólogos, poetas, magistrados, cineastas, industriais. O dinheiro, a fé, a ciência, as artes, a tecnologia, a moral, tudo, tudo está nas mãos dos patetas.

E, então, os valores da vida começaram a apodrecer. Sim, estão apodrecendo nas nossas barbas espantadíssimas. As hierarquias vão ruindo como cúpulas de pauzinhos de fósforos. E nem precisamos ampliar muito a nossa visão. Vamos fixar apenas o problema religioso. A Igreja tem uma hierarquia de 2 mil anos. Tal hierarquia precisa ser preservada ou a própria Igreja não dura mais quinze minutos. No dia em que um coroinha começar a questionar o papa, ou Jesus, ou Virgem Maria, será exatamente o fim.
É o que está acontecendo. Nem se pense que a “invasão dos idiotas” só ocorreu no Brasil. Se fosse uma crise apenas brasileira, cada um de nós podia resmungar: — “Subdesenvolvimento” — e estaria encerrada a questão. Mas é uma realidade mundial. Em que pese a dessemelhança de idioma e paisagem, nada mais parecido com um idiota do que outro idiota. Todos são gêmeos, estejam uns aqui, outros em Cingapura.
Mas eu falava de que mesmo? Ah, da Igreja. Um dia, ao voltar de Roma, o dr. Alceu falou aos jornalistas. E atira, pela janela, 2 mil anos de fé. É pensador, um alto espírito e, pior, uma grande voz católica. Segundo ele, durante os vinte séculos, a Igreja não foi senão uma lacaia das classes dominantes, uma lacaia dos privilégios mais hediondos. Portanto, a Igreja é o próprio Cinismo, a própria Iniquidade, a própria Abjeção, a própria Bandalheira (e vai tudo com a inicial maiúscula). Mas quem diz isso? É o Diabo, em versão do teatro de revista? Não. É uma inteligência, uma cultura, um homem de bem e de fé. De mais a mais, o dr. Alceu tinha acabado de beijar a mão de Sua Santidade. Vinha de Roma, a eterna. E reduz a Igreja a uma vil e gigantesca impostura. Mas se ele o diz, e tem razão, vamos, já, já, fechar a Igreja e confiscar-lhe as pratas.

Cabe então a pergunta: — “O dr. Alceu pensa assim?”. Não. Em outra época, foi um dos “melhores”. Mas agora é preciso adular os idiotas, conquistar-lhes o apoio numérico. Hoje, até o gênio se finge imbecil. Nada de ser gênio, santo, herói ou simplesmente homem de bem. Os idiotas não os toleram. E as freiras põem short, maiô e posam para Manchete como se fossem do teatro rebolado. Por outro lado, d. Hélder quer missa com reco-reco, tamborim, pandeiro e cuíca. É a missa cômica e Jesus fazendo passista de Carlos Machado. Tem mais: — o papa visitará a América Latina. Segundo os jornais, teme-se que o papa seja agredido, assassinado, ultrajado etc. etc. A imprensa dá a notícia com a maior naturalidade, sem acrescentar ao fato um ponto de exclamação. São os idiotas, os idiotas, os idiotas.

Um livro velho e uma reflexão


"Nascida aos pés da cruz de Cristo e sob a fulguração do Cruzeiro do Sul, nossa querida Pátria representa a soma de trabalhos e de sacrifícios dos nossos antepassados, a alegria dos atuais e o sonho dos vindouros" (Medeiros, S/ data, pg. 9).**

Hoje quase me emocionei quando, indo à antiga biblioteca do então Centro Vocacional Diocesano São José para buscar um livro de História da Igreja, me deparo com um exemplar da extinta disciplina OSPB (Organização Social e Política Brasileira). Me lembrei dos meus tempos de estudande de 7ª série e do tempo de meus primos - mais velhos - dos quais eu tomava estes livros e lia com vivo interesse. Ao ler o texto acima na introdução do referido livro, me veio um imenso vazio e uma tristeza enorme. Os estudantes não são mais ensinados a ver a Pátria como "querida" mas como "vadia"; a Igreja como parte integrante e necessária à vida do indivíduo, mas como o inimigo a ser abatido; a família como instituição basilar, célula mater da sociedade, mas como a super estrutura a ser substituída por outras. Me causou ainda mais repulsa para com o Brasil atual e o atual estado de coisas quando, ao visitar a bibliografia do referido livro, me deparei com suas referências: As encíclicas Papais: Mater et Magistra, Pacem in terris, Quadragesimo Anno, Divini Illus Magistri. Se nos anos 70 do século passado havia um certo positivismo romântico acerca do Brasil, hoje há um grande esforço para destruir aquilo que fez o Brasil: seu povo, sua religião e sua história! Se antes a referência bibliográfica de um livro de ensino fundamental (antigo 1º grau) eram as Encíclicas Papais - como fonte segura de conhecimento - hoje são textos apologetas da homonormatividade. Os decanos gramiscinianos, marxistas, socialistas, comunistas, relativistas. Decaímos! Sim, decaímos! Merecemos ser conquistados, como os povos bárbaros de outrora. Não há mais bom senso nos quadros da educação brasileira. Não há mais! Se antes era citada a Bíblia e os documentos da Igreja, hoje o preconceito para com a mesma introduz a intolerância religiosa na sociedade e na educação. Se antes os problemas sociais e as diferenças estruturais no Brasil grassavam a olhos vistos uma injustiça premente hoje, em nome de uma pseudo consciência crítica, introduziu-se à exaustão o modelo marxista e gramisciniano de formação do pensamento. Estamos diante de um Brasil "fraco, pusilânime" o qual é proibido ser chamado assim. Aliás, hoje o pusilânime tem o direito de ser tal sem ser incomodado. Concluo este brevíssimo pensamento com o livro de OSPB aqui do meu lado, aberto, como uma janela para um passado irretornável. A estrada da história não tem retorno. Segue sempre em frente deixando para trás o testemunho inequívoco: já fomos melhores do que somos!

** MEDEIROS, Umberto. Organização Social e Política Brasileira. FTD, s/ data: São Paulo.