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segunda-feira, 26 de março de 2012

Uma outra proposta da homossexualidade desde a visão cristã do mundo - Antropologia teológica


É sabido que Deus a todos criou por amor. O ato criacional de Deus não está destacado de sua substância, senão que é um desdobrar daquilo que Deus é em si mesmo. A natureza criada - e nela o ser humano como Coroa da obra da criação - possui em si uma certa imperfeição. Não em relação a si mesma, mas, em relação a Deus. Deus é perfeito e em relação a Ele tudo o mais não é. Deus é Absoluto, e em relação a Ele tudo o mais é relativo. Desde este ponto de vista, a obra criada é imperfeita e relativa sempre a Deus. Aqui entro no delicado e controverso assunto da homossexualidade.

Um jovem me diz: "padre, porque Deus criou o homossexual nesta sua condição se Deus é amor?" E ainda: "Se Deus sabe de antemão que a homossexualidade é pecado, porque então cria alguém homossexual?" Perguntas difíceis, mas, muito pertinentes que podem nos ajudar a compreender um pouco mais daquilo que é o projeto de Deus para o ser humano. Em primeiro lugar Deus não cria uma pessoa para ser assassino, outra para ser estuprador, outra para ser ladrão e outra para ser homossexual. A natureza criada - que não é Deus - é por si mesma imperfeita. Uma árvore não é simétrica. Nem nosso próprio corpo o é. Se perfeição for simetria e se, em relação à criação o objeto referencial da simetria for a perfeição de Deus, então ninguém é perfeito, pois, nenhum ser humano por santo que seja nunca se aproximará da essência divina senão por graça do próprio Deus que se lhe revela. Assim, já se pode descartar a hipótese de que Deus tenha criado intencionalmente uma pessoa para que ela sofra. Se esta hipótese for levada adiante, haverá que se admitir a existência do mal em Deus. Admitir a existência do mal em Deus é o pecado dos anjos decaídos que se tornaram demônios. Deus é o Bem e nele nunca há mal algum. Conforme o argumento ontológico de Santo Anselmo, Deus é aquele que nada de maior, excelente, belo, verdadeiro e puro pode ser pensado. Se, deste modo, Deus é a essência em existência, logo, nele não há nenhuma possibilidade para conceber o mal e criá-lo. Portanto, afirmar que Deus possa criar alguém para fazê-lo sofrer com esta ou aquela realidade humana, é ilógico uma vez que Deus não pode conceber o sofrimento como mal ou desejo sádico.

A segunda questão da primeira pergunta referente à criação do homem - e em questão o homossexual - é: Deus não cria o homem condicionado a ser isto ou aquilo, como se afirmou anteriormente. No texto que escrevi sobre a liberdade afirmo que somos dotados do livre-arbítrio por Deus desde a criação. Portanto, escolhemos o que queremos para a nossa vida. Tal escolha pode ser ou não conforme o plano de Deus. Acusar Deus de ser mal, despótico, sádico e um criador de marionetes é não ter a maturidade necessária nem a liberdade presumida para assumir a própria vida e as próprias escolhas. Noutras palavras: é ser um bebê chorão apontando o dedo pra todo mundo e acusando a todos - e até a pobre da pedra - de ter tropeçado e arrancado o tampo do dedão.

Na segunda pergunta do jovem sobre o pecado entramos no campo das possibilidades. Deus não criou Adolph Hittler para se tornar um dos maiores sanguinários do mundo. Ele o escolheu. A Igreja ensina nos 10 mandamentos que o 6º mandamento é: Não pecar contra a castidade. Este mandamento é para todos os que não são casados, sejam heteros ou homossexuais e, pasmem, é um mandamento para os Cristãos. Um não-cristão está desobrigado a cumprir estes mandamentos se os ignora. Um cristão não-católico igualmente o está se sua Igreja não inclui este mandamento entre seus preceitos morais. Mas aos que livremente professam a fé cristã na Igreja Católica Apostólica Romana, o cumprimento do 6º Mandamento da Lei de Deus é obrigatório a todos. Não somente aos padres e às freiras! Portanto, na Igreja não há discriminação, segregação de pessoas. O Mandamento é para todos. O fundamento deste Mandamento repousa sobre a sacralidade do corpo. Veja:

1 Cor 6,19 - "Vossos corpos são templo do Espírito Santo"
Ef 1,15 - "Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?" [em duplo sentido: tanto na pertença à Igreja quanto da pertença pessoal ao Senhor por meio do Batismo]
1 Cor 6,16 - "Não sabeis que o que se junta a uma prostituta se torna um só corpo com ela?"
Gl 5,1 - "É para a liberdade que Cristo nos libertou"
Gl 5,13-14 - "Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a lei se encerra num só preceito: Amarás o teu próximo como a ti mesmo"

Eu poderia continuar citando inúmeros exemplos de textos bíblicos que fundamentam a vida casta. Mas, penso que estes são suficientes. Aqui reflito especificamente sobre a condição homossexual. Ninguém é obrigado a praticar a homossexualidade do mesmo modo como ninguém é obrigado a casar-se ou se tornar padre. Há uma afirmação corrente de que o homossexual nasce deste modo sem que a pessoa nada possa fazer para mudar esta realidade que seria, deste modo, sua natureza. Se há algum defeito genético na concepção da pessoa, este defeito não foi propiciado por Deus uma vez que não foi Deus quem determinou que um homem X e uma mulher Y tivessem se encontrado para nascer tal pessoa Z com este defeito genético. Mas, ainda que a pessoa se compreenda a si mesma como injustiçada por Deus em virtude de sua realidade homossexual - sabendo que o conceito de injustiça é ilógico e herético se aplicado a Deus -, sua homossexualidade é por isso mesmo uma causa de santificação e dedicação ao próximo de modo desinteressado e caridoso. Como afirmei em meu texto sobre a liberdade humana, Deus aposta no ser humano, no melhor que há em nós. Deste modo, quando ocorre um erro genético e uma pessoa nasce predisposta à homossexualidade, espera-se que esta pessoa seja forte a ponto de vencer-se e a seus desejos para assumir, em um nível superior, uma vida decididamente livre e feliz. Porém, se a homossexualidade em questão não é genética, mas, comportamental aplique-se esta mesma regra e com maior esperança, pois, de uma liberdade experimentada e treinada pode surgir o ser humano forte e capaz de vencer-se a si para ser feliz e poder compartir desta conquista e felicidade com os demais.

Mas, então, onde está o problema?
O problema não está na homossexualidade em si. O problema está na utilização mercantilista, ideológica e política que dela se tem feito. O incentivo ao sexo cada vez mais precoce, o incentivo a uma leitura andrógina do sexo desde o ensino fundamental, o incentivo ao prazer pelo prazer desmesurado e sem critério faz com que a grande maioria dos homossexuais vejam sua condição como definitiva; a Igreja como uma instituição que rechaça o homossexual; Deus como um injusto, déspota, sádico e mal e toda a sociedade como um inimigo a ser conquistado via propaganda massiva. Quando o homossexual entende que sua condição é perfeitamente compreensível dentro do plano de Deus e que ele pode ser um cristão coerente como qualquer outro, este mundo enredado ao seu redor cai como máscaras de um baile de carnaval, revelando o rosto da mentira por trás da ditadura gay que tenta impor um estilo de vida homossexual a qualquer pessoa que tenha esta inclinação. A Igreja diz: você, homossexual, não precisa viver este estilo de vida esteriotipado porque você é filho/a de Deus. Você pode vir a vencer-se a si mesmo/a e pode com isto ser exemplo para tantos outros/as. Você não é obrigado/a a ter relações sexuais homossexuais. Nada o/a obriga, senão seu desejo e a propaganda "seja gay" veiculada diariamente.

Por fim, repito: esta reflexão é sobre a visão cristã de mundo. Não é norma para o ateu ou para o não-cristão. Para o cristão homossexual, porém, é um ponto de partida. Não peço concordâncias, nem chingamentos. Apenas que reflitam com a razão cristã e sem a paixão desencadeada pela propaganda.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O grande milagre!

Vós tomastes o pão em vossas mãos e dissestes: “Tomai e comei isto é o meu corpo”. Vossa Palavra, Senhor, criou um mundo novo de milagres! Humilde meu coração implora: meu Deus, fazei-me compreender o espírito e a força desta palavra, até onde eu seja capaz, para que minha fé, onde os sentidos não alcançam, não seja, contudo, privada de compreensão. Na escuridão dos sentidos, fazei-nos, Senhor, contemplar este mistério em vossa luz!

Vossa Palavra Onipotente mudou a essência do pão para ceder à essência do Corpo. Porém, deixou a forma para que se mostre presente aos nossos sentidos aquilo que em si mesmo está oculto. Pois, vosso corpo glorificado permanece oculto aos nossos sentidos. Mistério incompreensível! Pão é aquilo que os olhos vêem. O que os sentidos não percebem, no entanto, é contemplado pela Fé! Vós vos escondeis aos sentidos e sois contemplado pela Fé! Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem. Oculto na espécie de pão.

Vós, sobre o altar, estais oculto nas espécies de pão. E novos milagres meu espírito contempla! Não estais somente uma vez sobre a terra: quantas vezes, na ação do Espírito Santo, pela palavra sacerdotal, o pão se transforma em vosso Corpo e Sangue, tantas vezes Vós estais presente nesta terra! Quem pode compreender a força do milagre? Presente na espécie do Pão, na espécie do Vinho e, contudo um só Cristo!
Na espécie do Pão; no cálice do Sangue; presente o Cristo todo. Partida a espécie do Pão, está presente em cada partícula o Cristo integral.

E novamente um milagre desperta minha admiração: um sacerdote fala, um homem! Ele invoca o Espírito Santo e fala em lugar de Cristo. E às suas palavras cede a essência do pão; e às suas palavras cede a essência do vinho; e às suas palavras obedece o Filho do Altíssimo. E sua Carne e seu Sangue, seu Corpo e sua Alma, o precioso tesouro da humanidade e divindade do Filho de Deus se abrigam em pobres espécies de pão e de vinho. E não é um milagre, que durante dois mil anos esta ação divina diariamente se renova e não conhece modificação enquanto tudo muda no decorrer dos tempos? Reinos surgiram e ruíram, tronos poderosos foram com orgulho erigidos, estando hoje sepultados debaixo de escombros.
 
O vosso altar, porém, ó Deus, leva seu mistério desde aquela noite. Ao  futuro mais distante anuncia a todos os tempos o poder maravilhoso e a glória do Eterno. Amém!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Ensaio sobre a liberdade humana - antropologia teológica

Desde alguns dias uma meditação tem me tomado a memória e alguns  pensamentos. É uma citação da carta de São Tiago: "falai e procedei como pessoas que serão julgadas pela lei da liberdade" (Tg 2,12). Isto me recorda que somos de fato livres. Deus nos fez livres dando-nos o livre-arbítrio. Deus não o toma de volta. Ele antes de tudo se respeita a si mesmo e suas próprias regras (cf. Os 11,9); nos leva a sério e leva a sério nossas escolhas de vida. De tal modo nos leva a sério que, diante do pecado do homem, enviou o Redentor ao mundo, Jesus Cristo. A constatação desde texto de Tg - a de que somos livres -  me parece diretamente ligada a uma segunda intuição. Não presente no texto, mas, implícita. Veja: Se seremos julgados pela lei da liberdade, ou das nossas escolhas, logo, não é tudo que podemos fazer. Pois, sabemos que o Julgamento Universal será efetuado por Jesus, Supremo Juiz Universal, que separará os bons dos maus enviando os primeiros para a alegria eterna e os segundos para a danação (danatio) eterna. Tudo o poderíamos fazer, porém, nem tudo nos convém como pessoas novas, mortas para as obras do pecado e renascidas para a vida em Deus através do santo batismo como nos ensina São Paulo (1Cor 6,12). A liberdade cristã não é a possibilidade de se fazer tudo o que deseja a vontade (cf. Gl 5, 13). Não é ausência de regras, de obediência, de conduta moral. Muito pelo contrário. A liberdade cristã é exatamente a assumpção de regras heterônomas que, passando pelo crivo da fé e da razão, são assimiladas e se transformam em obediência, liberdade interior e virtude. O verdadeiro homem livre é aquele que sabe porque é livre e porque não é escravo.

Aqui surge um primeiro problema com o mundo contemporâneo: O mundo contemporâneo preconiza a liberdade como a condição de possibilidade para se fazer tudo sem dar satisfação a nada ou a ninguém, livre de regras. Fundamento esta afirmação no status de autonomia do homem alcançado nas últimas décadas. É notório que nalguns países o indivíduo chega a decretar a própria morte assistida. Noutros - como no caso da França - se faz seleção eugênica via aborto. Nunca o homem gozou de tão ampla liberdade de ação sobre si e sobre o meio. Exatamente por isto há o embate entre a Moral Cristã e esta postura amoral. O cristão vê todas as coisas em íntima conexão. O cristão é o ser holístico por excelência, pois, percebe sua vida toda interconectada: desde o aspecto pessoal, íntimo, até sua vida pública no trabalho, na política, na economia, etc. O cristão vive no mundo com a certeza de que não tem aqui cidade permanente, como disse Santo Agostinho. Por isso, vive todos os aspectos da sua vida sob a luz desta Moral que, por sua vez, deriva desta antropologia profundamente cristã e humanística.

Eu gostaria de voltar um pouco à questão da obediência, da liberdade interior e da virtude. Exatamente por causa do espírito relativista do nosso tempo, tem-se pouco apresso à obediência, às normas, às leis, às regras como se elas fossem algo mau, condicionante do ser, censoras da liberdade, capazes de coagir a pessoa a tal ponto de despersonificá-la. Penso que esta má compreensão da obediência - sobretudo a obediência à autoridade - se deve a uma má interpretação da liberdade do homem e do serviço da autoridade pela via do materialismo dialético da luta de classes. Isto entrou fortemente no Brasil não somente pelos intelectuais marxistas e garmiscinianos, mas também via teologia da libertação que alimentou durante décadas a luta de clases intra ecclesia. De tal sorte que por vezes se via claramente os pressupostos marxistas nos discursos tanto "teológicos" quanto antropológicos, sociológicos, históricos e filosóficos. O contexto da ditadura militar no Brasil fez desta leva de intelectuais uma casta de semi-deuses e heróis portadores da panacéia para aquele mal que de chofre colocava a pique toda e qualquer autoridade como despótica, opressora e intrinsecamente má. Evidentemente que os mesmos veiculadores destas idéias não se viam a si mesmos como despóticos, opressores e intrinsecamente maus! Miopia? Talvez.

Depois deste parêntese volto à questão da liberdade e das escolhas. Pergunto: de fato é ceder a própria autonomia a outrem o fato de obedecer as normas e regras? O que é ter liberdade? Aqui faço um simples exemplo: se você está de carro e resolve virar à esquerda, logicamente você renunciou virar à direita. Assim é em todos os aspectos da vida. Quando decidimos por uma coisa, naturalmente excluímos uma outra possibilidade. Ninguém pode ter tudo na vida, ninguém pode ter tudo o que se quer pelo simples fato de que somos limitados para tal. Assim, por força do fato de sermos criaturas finitas deveremos escolher. E o que escolher? Sartre dizia que somos condenados a ser livres. Dentro deste contexto é compreensível este pensamento sartreano. Portanto, você vai decidir sempre. Escolher sempre. E o simples de fato de escolher já é um exercício de liberdade. A liberdade, portanto, não está na ausência das regras, da lei e da autoridade sobre a pessoa, mas, na assumpção livre e consciente de algumas normas, regras, leis e autoridade sob as quais a pessoa presta obediência e livre acatamento de vontade para construir-se um ser livre. Ser livre, portanto, não é dizer "não" pra tudo, ou "sim" pra tudo. É saber para o quê se diz sim e para o quê se diz não.

A via da obediência à norma moral cristã gera liberdade interior, alegria e felicidade exatamente por este fato. A norma moral cristã é heterônoma como qualquer norma moral. Porém, ao ser assumida pelo indivíduo torna-se parte dele e este indivíduo passa a ler o mundo ao seu redor através deste prisma. A luz passa pelo prisma e acontece a refração, do mesmo modo que a realidade circundante passa pelo crivo da moral cristã e ali é interpretada e significada. Dizer que Jesus Cristo é o único capaz de dotar de sentido Universal a vida fragmentada do homem é quase redundante a esta altura. Porém ao dizê-lo deixo claro que o critério hermenêutico válido para o cristão só pode ser o Cristo.

Aqui enfrento uma última questão do ateu: E quando eu der meu acatamento de vontade à dita Lei de Deus, à tal moral cristã, não ficarei eu despersonalizado, condicionado, inautêntico, utilizado? A resposta óbvia é não. Porquê? Porque há alguns princípios basilares para mensurar a qualidade da liberdade cristã. Ela é dada por aquele que é O Livre. Livre de si dá sua vida e a entrega quando quer de modo soberano e consciente (cf. Jo 10,18). Este mesmo ser livre que dá-se livremente e ama gratuitamente sem interesse algum, senão o interesse da nossa salvação (cf. Jo 13,1). Tal ser, Jesus, é Filho do Pai Eterno de quem se diz que é Amor (1Jo 4, 8). Tal identidade em Deus exclui qualquer pressuposto de que ele intencionalmente nos engane, nos subutilize para algum fim exdrúxulo ou nos despersonalize pelo simples prazer de ter marionetes. Se este Deus do qual falamos é aquele no qual identificamos os atributos: Onipotente, Oniciente e Onipresente, então ele não precisa de marionetes inautênticas e despersonalizadas. Isto seria um insulto à sua inteligência, como o é qualquer puxa-saco perto de um político. Segundo Descartes - que não era cristão - Deus é o único capaz de não nos enganar. Jesus, o mais livre de todos os homens, aceitou morrer na cruz para dar ao mundo o conhecimento do Pai. Ele não fora enganado, porque é Deus com o Pai e o Espírito Santo; não fora despersonalizado ou condicionado, uma vez que teve até momentos de angústia diante de tal estrada (cf. Mc 14,16-32) e ensinou que esta estrada é segura porque ele mesmo a trilhou (cf. Gl 5,1). Portanto, um homem livre não pode tornar outro prisioneiro. Um Deus livre não precisa de homens marionetes, joguetes ou puxa-sacos. Um Deus livre quer homens livres.

Apêndice
A questão do julgamento final

Na conversa com o ateu fui instigado a explicar-lhe o que é o inferno. A pessoa em questão se achava perplexa pelo seguinte fato: Se Deus é bom, porque ele condena ao inferno quem não acredita nele? Se assim o é, Deus não é bom, mas, um déspota. Trago aqui este trecho daquela conversa para concluir este breve ensaio. Como afirmava no início, seremos julgados pela Lei da Liberdade, por nossas escolhas. Trazendo aqui cultura inútil, cito Dumbledore no livro "Harry Potter e a Ordem da Fênix": "Somos as escolhas que fazemos". As escolhas que fazemos definem quem nós somos e quem nós seremos. O inferno é a eterna ausência de Deus para aqueles que não o quiseram em vida. Ninguém é forçado a crer em Deus, nem por ele mesmo. Deus é livre de nós e nos criou livres para amá-lo ou não. Os que não o amam são por ele respeitados e ele não lhes imporá sua presença na eternidade. A isto chamamos inferno. O contrário disto chamamos céu, paraíso, vida eterna. A pergunta do ateu continua: Mas então Deus não é bom, pois, se fosse realmente bom salvaria a todos mesmo os que não o amam. Como eu afirmava anteriormente, Deus leva sua criação a sério. Assim, ele leva a sério a liberdade que nos foi dada e as escolhas que fazemos com a mesma. Evidentemente que existem regras para o uso deste Bem que Deus nos deu e as regras são dele porque foi Ele quem no-lo deu. Quem te dá o presente é que escolhe o presente e não você que recebe. Querer usufruir da liberdade prescindindo do autor da mesma é alienar o fim (telos, finalidade) para o qual ela existe. Acusar outro do próprio fracasso é o mais elementar meio de auto-proteção, desde Adão e Eva. É preciso assumir a vida com seriedade, as próprias escolhas com seriedade, assim como Deus nos assumiu ao criar-nos. Ele não deixa de amar quem dele se afasta. Simplesmente permite que a pessoa se afaste.