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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Só saudades... e reflexão


Vou começar esse texto com a citação de um trecho de uma música da Nara Leão, imortalizada na voz de Tonico e Tinoco "Cuitelinho".

A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica afrito
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d`água
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai


Hoje foi um dia de muitas saudades e reflexão. Fui onde fora criado. Numa fazenda que eu esquadrinhava cada canto correndo atrás do meu padrinho ou indo atrás das vacas ou fazendo qualquer outra coisa. Como dói se lembrar do quanto fora feliz. Porque ser feliz implica em perder? Hoje sou um homem feliz, mas, perdi a felicidade de outrora. Quando criança tivera a melhor infância, aquela que toda criança sonha: eu tinha pai e mãe que me amavam muito, uma irmã que amava muito e padrinhos que me amaram muito. Além de tias e primos... onde também havia muito amor. Aquele "berço" eu perdi para me tornar o homem que sou. Um pouco do que sou se deve ao que fui e como fui educado.

Lá em casa era todos por todos. Não tínhamos energia elétrica em casa, televisão ou videogame. Lá funcionava um rádio a pilha do meu pai e só. De resto, funcionava a conversa, contar como fora o dia, a escola, o trabalho, deitar no colo da mãe ou fazer cafuné na cabeça do pai. Depois que nos mudamos pra cidade nossa casa já tinha energia elétrica e queríamos uma televisão, mas, não tínhamos. Ainda funciona a conversa e o cafuné. Era todos por todos. Cada um cuidando de cada um. Nos importávamos, nos preocupávamos, repartíamos o pouco que tínhamos. Nossa casa não era uma pensão, como é hoje a casa de muitas famílias. Hoje os jovens vão em casa para comer e durmir. Não convivem com os pais, não tem cafuné na cabeça, não tem deitar no colo e ficar de bobeira ouvindo Rádio. Hoje todo mundo tem muita ocupação... menos a mais importante: viver! Acham que vivem, mas, não vivem. Os consultórios dos psicólogos e os confessionários estão cheios de pessoas vazias, cada vez mais vazias. Auto-ajuda vende muito, a internet é um sucesso e a televisão é a puta da casa... de pessoas vazias.

Na minha visita de hoje eu estive olhando umas fotos dos tempos bons... qualquer coisa era motivo pra foto: jogo de futebol, terço de natal, terço de São João, fazer pamonha, fazer polvilho... e era tudo muito simples, muito bom, sem malícia. Eu fui procurar uma imagem no Google pra colocar neste texto e quando digitei "sertanejo" imaginando encontrar alguma imagem ou referência ao homem do campo, encontrei inúmeras fotos e imagens pornográficas. Nada simples, nada inocente, nada bom. Na casa do meu padrinho eu era recebido com alegria. Até hoje ele me chama de "meu filho". Ele já tem 76 anos e ela 74. Ele e minha madrinha trouxeram meus paramentos na minha ordenação presbiteral para o rito da vestição. São dois velhinhos que trabalham todos os dias e são felizes. Somos da mesma família e com eles aprendi o que significa família e família não é sinônimo de pensão. Quem mora na pensão do pai e da mãe não vai sentir saudade quando de lá sair e vai reproduzir outra pensão quando se casar. Saudade é um sintoma de algo que foi bom, como diz o Diácono Nelsinho Corrêa. Hoje eu tive muita saudade. Da casa pobre, da família pobre, da carroça a cavalo, das longas distâncias percorridas a pé... do meu pai, dos meus padrinhos, da minha infância, da minha vida!

Nós complicamos tudo com os sistemas que criamos. A saudade, penso, é da simplicidade, do amor verdadeiro e não fingido, não comprado, não forçado. É da vida pobre e austera, simples e boa. Eu tive a infância mais feliz do mundo!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Anotações de Chesterton


Estou lendo "Ortodoxia" de Chesterton. Biografia aqui. Vou postanto aqui e acolá alguma coisa que vou achando interessante...

"As pessoas adquiriram o tolo costume de falar de ortodoxia como algo pesado, enfadonho e seguro. Nunca houve algo tão perigoso ou tão estimulante quanto a ortodoxia." -- Começando uma descoberta....rs

"Eu sou o homem que com a máxima ousadia descobriu o que já fora descoberto antes".

"O poeta apenas pede para pôr a cabeça nos céus. O lógico é que procura pôr os céus dentro de sua cabeça. E é a cabeça que se estilhaça" .

"O louco está na limpa e bem iluminada prisão de uma idéia só: [...]. Está desprovido da sadia hesitação e da sadia complexidade. [superficial!] Hoje em dia, também o ouço* provindo da metade das cadeiras de ciências e cátedras de ensino da atualidade; e a maioria dos doutores da loucura são doutores da loucura em mais de um sentido[...]: a combinação de um raciocínio expansivo e exaustivo com reduzido bom senso. São universais apenas no sentido de que tomam uma explicação superficial e a levam muito longe."

* Estado de espírito vindo de Hanwell, manicômio de Londres.

A hipocrisia da hipocrisia


Hipócrita, qual a tua profissão? Porque insistes em tergiversar o que é reto, nublar o que é claro, contundir o que é saudável? Por acaso tens medo do que a cândida luz pode lhe fazer?

Logo a primeira vista o Blog Diversidade Religiosa (aqui) já nos diz qual sua linha ideológica: relativista, esquerdista, PT. Pronto. É isto que informa (dá forma, enquadra) a sua linha de pensamento. Hoje eu procurava no Google a matéria do jornal Vaticano L'OSSERVATORE ROMANO "Uma hipocrisia historicamente insensata" para eu enviar a um amigo por e-mail. Não a encontrando, encontrei comentários à mesma. Muitos  deles feitos em sites católicos, alguns e sites evangélicos e alguns em sites e blogs agnósticos, ateus e relativistas como o Blog supra-citado. Ao ler os comentários do Blog Diversidade Religiosa, percebemos que a matéria de L'OSSERVATORE ROMANO é catalogada com as seguintes categorias: "reação feroz"; "esbravejou"; "reacionário". Ao fim da matéria, os créditos vão para o site Vermelho.org (aqui). O Blog Diversidade Religiosa, o site Vermelho.Org e demais Agências noticiosas se esqueceram - inadvertidamente ou não - de mencionar outras matérias da mesma Edição na qual aquela foi publicada. A Edição Semanal Nº 41 (2.181) de 8 de Outubro de 2011 trouxe outras matérias que talvez interessasse ao Blog Diversidade Religiosa e ao site Vermelho.Org se estes fossem de fato interessados no bem e não no mal comum.

A procura, a busca de todos pelo Bem Comum implica que todos católicos, budistas, muçulmanos, esquerdistas, ateus, agnósticos e inclusive relativistas ressaltemos o que de bom é construído em favor dos pobres, em favor do Bem Comum. Ao contrário, quando o objeto da busca é o mal pelo mal, a depreciação por si mesma, a unilateralidade da hermenêtucia dos fatos faz com que se demonize quem não pode, não deve e nem tem o direito de ser penalizado. Foi exatamente isto que fez o site Vermelho.Org e o Blog Diversidade Religiosa.

Naquela Edição de L'OSSERVATORE ROMANO, só para lembrar os hipócritas, noticiou-se uma importante intervenção da Santa Sé junto à ONU, em Genebra, a favor de iniciativas contra a mortalidade materna (pg. 2). Noticiou-se ainda que o Papa através do Conselho "Cor Unum" está arregimentando forças - inclusive contando com o apoio do Arcebispo de Canterbury - a favor dos povos do "Corno da África" que sofrem terrivelmente com a carestia devido à falta de chuvas e de assistência da comunidade política internacional (pg. 1). Se tais hipócritas tivessem lido estas matérias, teriam visto que "A Igreja Católica apoia uma vasta rede de serviços médicos em todo o mundo e, em particular, oferece assistência a comunidades pobres e rurais que com frequência são excluídas do acesso aos serviços promovidos pelos governos" (pg. 2). Bom, mas a Verdade cristalina não interessa a quem não é da verdade. A mentira, a dissimulação e a inveja só interessam a quem é da mentira e da maldade. Ah, eu ia me esquecendo de anotar ainda uma outra reportagem de L'OSSERVATORE ROMANO. A reportagem da página 10 "O feminismo atraiçoou as mulheres" em cujas linhas está presente a entrevista com Dale O'Lary, autora do italiano "Macho ou Fêmea? A guerra dos gêneros" - livre tradução do título - que expressa com pesar: "O feminismo traiu as mulheres".

"Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo e minha escolha vos separou do mundo, o mundo, por isso, vos odeia" (Jo 15, 18-19). Mais claro que as palavras do próprio Jesus, impossível. A Verdade não interessa a quem odeia a luz (cf. Jo 1,5). Minha intenção não é atacar ninguém com este post. Apenas colocar na luz as intenções das trevas.

A deturpação do termo Homofóbico

Hoje no Facebook alguém postou uma imagem de Anderson Silva beijando o lutador Minotauro, sobre a qual está escrita uma frase de campanha contra a homofobia (link aqui). Eu comentei o termo Homofobia e quis postar este comentário. Boa leitura!

Homo = "A palavra homo é simplesmente a palavra latina para pessoa".
Fobia = "Do grego fóbos é o temor ou aversão exagerada ante situações, objetos, animais ou lugares. Sob o ponto de vista clínico, no âmbito da psicopatologia, as fobias fazem parte do espectro dos transtornos de ansiedade com a característica especial de só se manifestarem em situações particulares. São três os tipos de fobias:
    Agorafobia - Medo de estar em lugares públicos concorridos, onde o indivíduo não possa retirar-se de uma forma fácil ou despercebida.
    Fobia Social - Medo perante situações em que a pessoa possa estar exposta a observação dos outros, ser vítima de comentários ou passar perante uma situação de humilhação em público.
    Fobia Simples - Medo circunscrito diante objectos ou situações concretas." (da Wikipédia).
Bom, dadas estas informações da Wikipédia que, suponho, minimamente correspondem à verdade, tenho algumas considerações a fazer:
Pessoas normais não demonstram medo, temor ou aversão exagerada quanto aos casos homossexuais existentes no tecido social.
 
Quando há de fato uma grande resistência, temor ou aversão exagerada ao fato de alguém ser homossexual, esta fobia se manifesta em repúdio, asco, ou violência. Se isso ocorre é porque a pessoa que possui fobia pode se sentir ameaçada - com medo - e então reage, inclusive, com violência. Nestes casos pode até caber polícia, investigação e criminalização do ato. Mas, não por envolver uma patologia clínica, mas, por envolver violência, agressão física ou coação moral a uma pessoa, pois, patologia se resolve com tratamento e crime com justa punição. Assim, a condenação - se houver - deve ser por uma infração que poderia ser feita a qualquer pessoa e não porque alguém "repudia" a homossexualidade.

A homossexualidade pode ser vivida de modo digno por quem assim o deseja e assim o decide. A Igreja diz quais são os preceitos de Deus em relação ao homem (homo). Aceita-os quem os quer, renega-os quem assim decide de modo livre e consciente. A postura da Igreja não vai mudar pelo fato de sua doutrina não ser aceita ou por ser taxada - injustamente - de homofóbica. A melhor ajuda que a Igreja pode oferecer é no atendimento pessoal e na confissão. Porém, se a pessoa precisar de algum outro tipo de ajuda, a Igreja pode indicar, viabilizar, intermediar. O que se quer é a vida plena independente de quem procure a Igreja. Quando uma moça constrangida por uma lésbica precisa de um conselho útil e sem discriminação, procura o padre. Quando um rapaz homossexual precisa de ser acolhido em sua condição sem pré-julgamentos, ele busca o padre. Quando o assassino precisa se arrepender de seus crimes e quer a conversão, ele busca o padre. A Igreja continua na história o mesmo que Jesus fez. Daí eu pergunto: onde há, no agir da Igreja, aversão exagerada, repulsa, asco ou violência no trato com estas pessoas? Não são elas amadas por aquilo mesmo que são, a saber: criadas à imagem do Deus vivo?

Ser homossexual ou heterossexual não faz uma pessoa ter preferências diante de Deus, pois, ele ama de modo distinto a cada um conforme a necessidade de cada um, esta é a justiça de Deus. Deus não ama de modo igual os que são desiguais. É como em casa, o pai e a mãe amam de modo distinto os distintos filhos porque eles não são iguais. As crises dentro de casa acontecem quando se quer ser amado pelos pais do mesmo modo como o outro irmão é amado, isto se chama inveja. O vitimismo estampado na campanha anti-homofobia faz dela uma questão repugnante. O que deveria ser uma campanha bem-fazeja pelo fim da violência real contra os/as homossexuais, tornou-se mote ideológico para taxar de homofóbico qualquer pessoa que ofereça resistência mínima a aceitar a homonormatividade social que está sendo empurrada goela abaixo. Sobre isto, veja aqui o que se pretende fazer no Congresso Nacional.

sábado, 1 de outubro de 2011

Homilia do 27º Domingo do Tempo Comum - Ano A


“A leitura do profeta [Isaías], que acabamos de ouvir, começa como cântico de amor: Deus criou uma vinha para si. Esta é uma imagem da história de amor pela humanidade, do seu amor por Israel, que Ele escolheu para si.”1

Vou cantar o cântico da vinha de um amigo meu. Um amigo meu plantou uma vinha. Colocou nela videiras escolhidas. Colocou nela uma torre de vigia e um vigia para dela cuidar. Cercou-a de cuidados. O meu amigo esperava que sua vinha produzisse uvas boas, mas, só produziu uvas selvagens. O que mais esse meu amigo poderia ter feito por sua vinha e não fez? Ele contava que sua vinha produzisse frutos bons e ela só lhe deu desgosto e uvas amargas. O que meu amigo fará com sua vinha? Mandará o vigia da torre embora. Abrirá a cerca. Não mais haverá poda na vinha, tampouco quem cuide dela. Sem poda não haverá mais dor nos ramos, mas também não se produzirá mais nada. O que fará ainda o meu amigo por sua vinha? Ainda uma vez tentará fazê-la produzir frutos.

1. Israel, a antiga vinha do Senhor

O Senhor quis para si um povo. Escolheu e elegeu Israel como está expresso no Salmo 88 (89) 21-22: “Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. Estará sempre com ele minha mão onipotente, e meu braço poderoso há de ser a sua força.”

“Do Egito chamei meu filho” (Os 11,1), diz o Senhor porque viu a opressão de seu povo, ouviu seu clamor e desceu para libertá-lo e conduzi-lo à terra que mana leite e mel (Ex 3,7;17). Conduziu-o à terra prometida sob a guia de Moisés e Aarão. Cuidou do seu povo com carinho, enviando profetas a quem os vinhateiros mataram como disse

Jesus: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis reunir os teus filhos como a galinha reúne os seus pintainhos sob as asas, e tu não quiseste! Pois bem, a vossa casa ficará deserta. Eu vos digo que não voltareis a ver-me até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.” (Mt 23,37)

O Senhor foi fiel às Alianças. Foi um Deus de Amor Misericordioso, punindo as faltas de seu povo e o libertando do exílio na Babilônia. “O que eu poderia ter feito a mais por minha vinha e não fiz?” pergunta o Senhor.

2. A Igreja, novo Israel de Deus, a nova vinha

O Dono da vinha resolveu, ainda uma vez, fazê-la produzir frutos. Enviou seu Filho Unigênito e eles o mataram (Gl 4, 4-5). Porém, o plano de salvação de Deus continua na história da humanidade. Sua vinha foi dada a outro povo para que este novo povo, os novos arrendatários, produza frutos de justiça e de retidão. Assim, constituiu o Senhor a sua Igreja:

Foi do desejo do Pai revelar-se a nós. Foi da vontade do Filho cumprir, por amor, a vontade do Pai, enviar o Espírito e estabelecer-se como mediador (Hb 9,11-15). Como fruto disso tudo, é obra do Espírito constituir-se força de Deus para a Igreja, despertando-a para compreender a Revelação e fazendo-a esposa de Cristo. Enfim, foi do agrado da Trindade salvar o homem. Para atualizar esta salvação, constituiu Cristo a Igreja. De fato, a tradição interpretou que do lado aberto de Cristo na cruz que jorra sangue e água, “nasce e incrementa-se” a Igreja.

O mistério da Igreja está radicado em Deus-Trindade e, por isso, tem como dimensão primária e
fundamental a dimensão trinitária, enquanto, desde a sua origem até à sua conclusão histórica e ao
destino e termo, a Igreja tem a consciência e a vida na Trindade.2

Por estar radicada na Trindade, a Igreja é sacramento universal de salvação3 e compreende os sete sacramentos como a extensão no hoje do homem daquela mesma salvação dada aos nossos pais na fé.

As “maravilhas” da libertação do Antigo Testamento renovaram-se na Igreja para os que creram em
Cristo Salvador (...) nos sacramentos, Cristo, novo Moisés, faz passar os homens das margens do pecado às margens da graça, da morte à vida, das trevas à sua luz maravilhosa, tornando-os livres de sua própria liberdade.4

Assim se mostram os frutos da Igreja, nova vinha, ao longo dos séculos: os santos, as virgens, as ordens e congregações, o serviço em prol da humanidade. De fato, esta vinha nova, plantada com a cepa eterna do Sacrifício de Cristo dá a seu Senhor frutos de justiça e de bondade.

3. Nós, os ramos da videira

Deus espera que nós demos frutos de retidão e de justiça e o daremos se permanecermos unidos ao Cristo: “Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

O modo suigeneris de estar unidos a Cristo é através dos Santos Sacramentos da Igreja, mormente a Confissão e a Eucaristia. Porém, se faz necessário trazer algumas perguntas pertinentes ao nosso modo prático de viver a vida em Cristo:

Os lares cristãos estão produzindo bons frutos?
Os jovens cristãos estão produzindo bons frutos?
Os esposos cristãos estão produzindo bons frutos?
Os políticos cristãos estão produzindo bons frutos?
Os empresários cristãos estão produzindo bons frutos?
Os pobres cristãos estão produzindo bons frutos?
As pastorais e os movimentos da Igreja estão produzindo bons frutos?
“A nossa vida cristã não é, porventura, muitas vezes mais vinagre do que vinho?”5

4. O juízo de Deus sobre a vinha

Na leitura de Isaías e no Evangelho se pronuncia um juízo sobre a vinha. Na primeira leitura ela será devastada, ficará inculta e não podada. “O juízo que Isaías previa realizou-se nas grandes guerras e exílios, por obra dos Assírios e dos Babilônicos. O juízo anunciado pelo Senhor Jesus refere-se, sobretudo à destruição de Jerusalém no ano 70. Mas a ameaça de juízo diz respeito também a nós, à Igreja hoje”, disse o Papa em 2005. Temos consciência de que seremos cobrados pelos frutos que produzirmos pessoal e comunitariamente? “Com este Evangelho, o Senhor brada também aos nossos ouvidos as palavras que, no Apocalipse, dirigiu à Igreja de Éfeso: «Se não… te arrependeres, virei ter contigo...”.6 Vamos esperar o Senhor vir nos cobrar os frutos de justiça e retidão, ou vamos procurar meios de produzi-los enquanto podemos?

“Também de nós pode ser tirada a luz”7 , a graça e a força de Deus se persistirmos em produzir obras de iniqüidade e na vida futura, podemos perder a salvação da nossa alma. O que nos resta fazer?

5. Permanecer unidos à videira

A segunda leitura deste domingo dá a diretriz para que nós, pessoalmente, e nossas comunidades permaneçamos unidos ao Cristo produzindo frutos bons: “apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus. Praticai o que aprendestes e recebestes” como confiadamente correto.

Assim, roguemos ao Senhor da vinha que envie mais trabalhadores para sua messe, ultimando que “em toda parte se ergam mãos santas sem ira nem animosidade” (1Tm 2,8) pelas necessidades da Igreja. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Citações
1. Cf. Homilia do Papa Bento XVI na Concelebração Eucarística de abertura da XI Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos In:
 http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2005/documents/hf_ben-xvi_hom_20051002_opening-synod-bishops_po.html

2. Cf. JOÃO PAULO II. A Igreja: 51 catequeses do Papa sobre a Igreja. Org. Felipe Rinaldo Queiroz de Aquino. Lorena: Cléofas, 2001. pp. 51.

3. Cf. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. São Paulo: Vozes, Paulinas, Loyola, Ave-Maria. 1993. n. 774.

4. Cf. ROCCHETTA, C. Os Sacramentos da fé. Ensaio de teologia bíblica sobre os sacramentos como “maravilhas da salvação” no tempo da Igreja. São Paulo: Paulinas, 1991. pp. 103-104.

5. Cf. Homilia do Papa Bento XVI na Concelebração Eucarística de abertura da XI Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos In: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2005/documents/hf_ben-xvi_hom_20051002_opening-synod-bishops_po.html

6. Cf. Idem

7. Cf. Ibidem