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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Refutando: Cultura Negra e Liturgia Inculturada

Do site CENPAH. Link Aqui.

O texto do referido site quer abordar a liturgia da Igreja, sobretudo, a liturgia da Santa Missa - que não esgota por si só o que seja liturgia - dentro do contexto da cultura negra no Brasil ou afro-brasileira. De início alerto para o fato de que a abordagem feita pelo site CENPAH é ler a liturgia a partir da cultura negra e não o contrário, ou seja, a cultura negra a partir da liturgia ou, como expressa Corbon, a partir do Mistério Pascal de Cristo que é a Liturgia da Igreja. Em seu livro "A fonte da liturgia" (CORBON, Jean. A fonte da Liturgia. Trad. José de Leão Cordeiro. Lisboa: Paulinas, 1999) Corbon apresenta o Mistério da liturgia, A liturgia celebrada, e a liturgia vivida. Nenhuma parte está desconexa com a outra, mas apresentam o mesmo e único mistério de diferentes maneiras ligadas entre si pelo único mistério: O Mistério Pascal de Cristo. Diria que ele é o fio de ouro que perpassa todo o livro e por isso mesmo, a Liturgia da Igreja.

 Após este esclarecimento, cito o número hum do referido texto do site CENPAH (1. Introdução) que coloca as pessoas negras do Brasil contemporâneo - ou afro-descendente ou afro-brasileira como requer o discurso politicamente correto - como tendo sido trazidas ao Brasil, vindas de nações africanas, e que foram escravizadas. O verbo está na terceira pessoa do pretérito imperfeito a fim de ligar os afro-brasileiros aos escravos de outrora: "fomos trazidos ao Brasil como gente escravizada...". Certo é que ha mais de um século foi abolida a escravidão no Brasil. Portanto, é um discurso ideológico afirmar: "fomos trazidos ao Brasil como gente escravizada...". Este discurso ideológico legitima a luta de classes propugnada por Karl Marx e Friederich Engels. Continua o texto afirmando que a Igreja (leia-se hierarquia eclesiástica européia, sobretudo, da Cúria Romana, mais Bispos e Padres afins) tem menosprezado a cultura negra. Nada mais alheio à fé da Igreja que segregar alguém por sua cor. O próprio Papa João Paulo II em visitar inúmeras à África fora recebido pelos povos e nações africanas com a alegria que lhe é característica, inclusive na celebração da Eucaristia! Na mesma linha ideológica da luta de classes, esta afirmação quer antepor os leigos negros à hierarquia da Igreja, subentendida como "opressora" nesta ideologia. Se isso já não fosse razão suficiente para rechaçar esta deturpação da Igreja, vem em nosso auxílio o Concílio Vaticano II afirmando que a Igreja é constituída do povo de Deus hierarquicamente organizado. Nem o Concílio Vaticano II ou qualquer outro Concílio ou o Magistério da Igreja Ordinário ou Extraordinário canonizou uma cor de pele em detrimento de outra, ou afirmou que a Igreja é constituída apenas por sua hierarquia. Se os escritores do dito artigo e os defensores desta ideologia têm baixa auto-estima então seu problema é psicológico e não eclesiológico!

Ainda na Introdução, dos números 1 ao 6 há uma lista de uma série de esforços para "inculturar a liturgia em meios afro-brasileiros". A palavra inculturação volta repetidas vezes no texto para ressaltar a mesma idéia: que a liturgia precisa ser adaptada aos meios, lugares e ocasiões onde estão presente os elementos da "cultura negra". Seguindo este mesmo princípio, a liturgia deveria ser adaptada à todas as culturas com o fito de que na mesma [liturgia] existam representantes destas culturas, como expressa o número 4: "O aumento de padres afro-brasileiros e a nomeação de alguns bispos negros". A liturgia não é um espaço democrático no qual os componentes exerçam papéis representativos. O Presbítero não é um representante de ninguém ou de cor de pele alguma! Ele é Cristo-cabeça, seja ele negro, branco, mulato, mameluco ou amarelo. A liturgia não se faz por representações de grupos A, B, ou C. A liturgia é ação teândrica. Louvor ao Pai pelo Filho no Espírito. O Cristo Total, expressão mui cara a Santo Agostinho, é composto do seu corpo místico, a Igreja, e Ele próprio, a Cabeça, sacramentalmente presente no sacerdote. Portanto, nos membros do Corpo Místico de Cristo não há espaço para representatividades, uma vez que este mesmo Corpo não é uma mera associação humana representativa, mas, existe por instituição divina (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 846). Não é um corpo democrático, mas, teocrático no qual o que menos importa é a coloração da pele, mas, sim, o chamamento que Cristo mesmo nos dá. Ao final da Introdução já se percebe um forte assento sociológico no tema liturgia e inculturação que, ao longo de todo o texto, irá incutir a idéia da necessidade de trazer a liturgia - vide a santa missa - para dentro dos parâmetros da cultura negra. Não é um desejo de ir ao Mistério e nele permanecer, como de modo belíssimo faz Jean Corbon supra citado, antes, é um desejo de reduzir o Mistério à real incapacidade humana de o conter.

Aqui, penso, cabe um outro argumento. No século passado e neste, em virtude da ideologia da luta de classes e sua pragmaticidade para se alcançar o objetivo de inverter a realidade objetiva constituída, o homem branco médio foi reduzido ao ridículo Homer Simpson. A afirmação do negro, do índio, do caboclo, do mameluco se deu às custas da demonização do homem branco médio, sobretudo, Europeu. A afirmação do lugar do pobre na Igreja via Teologia da Libertação segue o mesmo esquema mental: antepor a hierarquia eclesiástica identificada como "Igreja" e como "opressora" aos pobres "oprimidos" e, consequentemente, não-Igreja porque não-hierarquia, não-poder entendido como lugar de mando. Daqui deriva grande número de pedidos da Teologia da Libertação: ordenação de mulheres, ordenação de homens casados, laicização do clero, etc. O fator de desagregação desta ideologia é por si fragrante. Não é uma matriz ideológica que suscita a unidade, antes, o agon de forças como diria Nietzsche. Já por ser ideologia é perniciosa. Ainda mais prejudicial por suscitar o embate e a mútua rejeição dentro da própria Igreja, entre negros/brancos, pobres/ricos. Esta ideologia penetrou tão profundamente nalguns recantos da Igreja e da sociedade que há quem prefira se afirmar "cristão" a católico. A primeira vista isto vai bem se não fosse a vergonha de se auto-afirmar católico diante de católicos que desmerecem a própria Igreja, a História da própria Mãe! Digo isto por ter visto tantas vezes dentro de Universidades Católicas pessoas negras ligadas aos movimentos de pastoral afro e afins, afirmarem em alto e bom som sua vergonha de ser católico! Não creio que este seja o modo cristão de afirmar a própria identidade. Jesus não precisou demonizar ninguém para afirmar-se Filho de Deus.

No próximo artigo revisitarei o conceito de Liturgia do CENPAH. Este serviu tão somente à Introdução daquele texto.

O escândalos devem levar à renovação da Igreja

Por Jesús Colina
BERLIM, quinta-feira, 22 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Bento XVI reconhece que há abandonos na Igreja por causa dos escândalos de clérigos, mas ao mesmo tempo considera que esta crise servirá para aprofundar seu caráter de “povo de Deus”, “a rede” de Cristo.

Essas foram as sinceras palavras com que o pontífice respondeu na manhã desta quinta-feira a uma das perguntas dos jornalistas que o acompanhavam no voo Roma-Berlim.

“Antes de tudo”, o bispo de Roma propôs aos jornalistas “distinguir o motivo específico pelo qual se sentem escandalizados por estes crimes registrados nos últimos tempos”.

“Posso compreender que, à luz dessas informações, sobretudo se forem pessoas próximas, a pessoa diga: ‘Esta já não é a minha Igreja. A Igreja era, para mim, força de humanização e de moralização. Se os representantes da Igreja fazem o contrário, já não posso viver com esta Igreja’”.

O Papa explicou que em geral os motivos de abandono da Igreja “são múltiplos, no contexto do secularismo da nossa sociedade”.

“Em geral, estes abandonos são o último passo de um longo trajeto de afastamento da Igreja.”

Para compreender este fenômeno, ele considera que é necessário que os batizados respondam a estas perguntas: “Por que estou na Igreja? Estou na Igreja como em uma associação esportiva, uma associação cultural etc., na qual encontro resposta para os meus interesses e, se não for assim, vou embora? Ou estar na Igreja é algo mais profundo?”.

Como resposta, o Papa explicou que é “importante reconhecer que estar na Igreja não quer dizer fazer parte de uma associação, mas estar na rede do Senhor, que pesca peixes bons e maus das águas da morte, para levá-los às terras da vida”.

Bento XVI considera que “pode ser que, nesta rede, eu esteja junto a peixes malvados e sinto muito, mas é verdade que não estou por causa deste ou daquele outro, mas porque é a rede do Senhor, que é algo diferente de todas as associações humanas, uma rede que toca o fundamento do meu ser”. 

Portanto, os abandonos exigem respostas às perguntas mais fundamentais: “o que é a Igreja? Qual é a sua diversidade? Por que estou na Igreja, ainda que se deem escândalos terríveis?”.

Se se respondem a estas perguntas, “é possível renovar a consciência do caráter específico de ser Igreja, povo de todos os povos, que é povo de Deus; e aprender, dessa maneira, a suportar também os escândalos e trabalhar contra os escândalos, fazendo parte precisamente dessa grande rede do Senhor”.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Apocalypse Now - De 1979 a 2011


Impagável por aquilo que ele é: visceral, desconcertante, fascinante, politicamente incorreto. O filme é bárbaro! Lindo, poético e brutal ao mesmo tempo. O paradoxo da beleza cinematográfica com a crueldade da realidade ali fotografada. Apesar dos kilos de fumaça colorida em todo o filme, assisti-lo foi ter um raro momento de prazer e deleite pessoal com a história do cinema. Gravado até 1976 e só finalizado em 1979 este filme deveria servir para alguns questionamentos que, agora, trago ao(à) leitor(a):

Não é um filme asséptico. Hoje a noção de entretenimento é aquilo que Aldous Huxley tratou em sua obra "Admirável mundo novo", ou seja, é o anestesiamento dos sentidos para tudo quanto seja de fato, humano. Naquela obra de Huxley, os homens e mulheres iam ao cinema e usavam drogas para anestesiar suas mentes. Viviam um pan-sexualismo de regra que renegava qualquer estado monogâmico ou casto de vida. Apocalypse Now não tem a High Definition do Cinema contemporâneo. Mas, o cinema contemporâneo só isso! Não consegue mais captar a essência do ser humano contraditório em si mesmo, tampouco sua grandeza. A grandeza humana é hoje expressa nos super-heróis que lotam as telas dos cinemas nostálgicos de uma infância desgraçadamente perdida. O último filme que eu vi capaz de fazer isso foi a Trilogia "O Senhor dos Anéis", porém, na mesma ótica do herói.

Apocalypse é uma justaposição. Os lados são postos em paralelo, é um filme onde os homens não são malhados, são feios, são burros, tem dentes tortos, são amorais por princípio e não usam eufemismo para camuflar isso; se sujam de sangue, fazem idiotices não para fazer o público rir e se identificar, mas, porque retrata um lado do ser humano que o cinema atual não é mais capaz de captar com suas ótimas lentes. Não tem mulher no filme! Nossa! Escândalo! Chamem os freudianos para explicar a monossexualidade do filme e dizer que aquilo é, na verdade, um subjugamento do sexo feminino, uma erotização homoafetiva forçada ou uma homoafetividade latente (link aqui). Hoje não se pode ter mais nem um Colégio que ensine apenas meninos que o Colégio está ultrapassado e está de-formando as crianças e adolescentes (link aqui)!

É politicamente incorreto. Mostra os horrores da guerra, todas as perdas que ela traz. Sua insanidade de princípio. Ecoam forte as duas últimas palavras do Coronel Kurtz ao fim do filme: "Horror! Horror!". Isto define a guerra, não só do Vietnan, mas qualquer outra guerra. Ele, Kurtz, o homem do horror termina sua vida proclamando o horror no qual viveu! É impressionante! Tal qual a cena maravilhosa de 14 helicópteros ao som de "A Cavalgada das Valquírias" de Richard Wagner (link aqui)!!! Ah, como era bom o tempo em que se sabia fazer cinema!!!

Bom, era assim em 1979. Assim os homens e mulheres do século passado pensavam. Nós estamos a décadas deles. Mas não sabemos mais apreciar o cinema. Só apreciamos os super-heróis bombados e fodões. Nem digo que se deva gostar de Apocalypse Now. Só digo que ele deve nos questionar sobre o que perdemos e o que colocamos no lugar. Não creio que quando se perde algo de valor, se coloque outra coisa de igual o maior valor no lugar. A menos que seja "A Pérola" do Reino. Certa feita indo a Goiânia vi um outdoor que até hoje me inquieta. Nele havia uma ostra dentro da qual havia uma pérola. Se tratava de uma agência de propaganda dizendo que "a natureza demora anos para produzir uma pérola" e eles, fariam o seu trabalho "pra ontem". Às vezes penso que trocamos pérolas por papel e nos contentamos só pelo fato de o papel ser coloridinho e a pérola monocromática. Que pena!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Folder do 1º Congresso Brasileiro de animação Bíblica da Pastoral

Pode parecer birra de minha parte, mas não é. É pura indignação mesmo! Por acaso fui à Cúria buscar um documento hoje e me deparei com o Folder do 1º Congresso Brasileiro de animação Bíblica da Pastoral. Por pura curiosidade peguei-o para ler. Na justificativa de 4 parágrafos as coisas estariam bem concatenadas se não fosse uma ausência. A Palavra de Deus deve ser, segundo o folder, inspiração, fundamento, alimento e critério avaliativo de toda a pastoral da Igreja (vide apostolado). Mas, onde foi parar a Tradição e a orientação do Magistério da Igreja para fundamentar, alimentar e colocar os parâmetros da atividade apostólica/pastoral da Igreja no Brasil?

Bom, li o restante do folder e nos objetivos encontrei coisas interessantes. O primeiro objetivo reza que tal Congresso intenciona fortalecer a unidade eclesial "para servir melhor às necessidades dos fiéis e para atender melhor à exigências do mundo de hoje". Será que eu li errado? O que dá forma ao agir pastoral da Igreja não é a necessidade dos fiéis e do mundo de hoje, mas, a exigência de fidelidade à verdade que brota da própria Sagrada Escritura. Será que eu estou noutro planeta? Será que A Verdade não é mais ela mesma, ou será que o relativismo também adentrou as paredes da Igreja? Quem perde o fundamento e coloca outro fundamento no lugar daquele, já perdeu a própria identidade!

O segundo objetivo específico reza que pretende-se "dinamizar a leitura contextualizada e orante da bíblia...". Alguém pode me explicar o que significa isso? Será que esta palavra não significa tão-somente que a Lectio Divina será formatada pela ideologia da Teologia da Libertação com a ajuda de CEBs, CEBI e companhia Ltda?! Quando li isso, ri alto demais da conta.

No quarto objetivo específico esclarece-se que se busca "intensificar o espírito ecumênico a partir das Sagradas Escrituras". Realmente este esforço é bem visível na proposta do Congresso que escolheu protestantes para ensinarem os católicos como devemos realizar a celebração da Palavra! Nada se propôs da Tradição e do Magistério acerca do lugar da Palavra de Deus na vida da Igreja. Nada se ensina neste Congresso que tenha, com clareza e sem eufemismos, o distintivo da Tradição e do Magistério que, junto com a Sagrada Escritura, são o tripé da fé da Igreja.

Por fim, o que depreendo do Folder é um Sola Scriptura disfarçado com alusões aos Documentos Oficiais da Igreja. Um falso irenismo condenado pelo Concílio Vaticano II e totalmente contrário ao vedadeiro ecumenismo: "O modo e o método de enunciar a doutrina católica de forma alguma devem transformar-se em obstáculo para o diálogo com os irmãos. É absolutamente necessário que toda a doutrina seja exposta com clareza. Nada é tão alheio ao ecumenismo como aquele falso irenismo pelo qual a pureza da doutrina católica sofre detrimento e é obscurecido o seu sentido genuíno e certo" (UR, n. 11).

Por fim, nas "Orientações", afirma-se que o tema do Congresso é pouco conhecido e será produzido material a este respeito após o término do mesmo. Se a Igreja desconhece a Palavra, o que ela fez durante estes dois milênios? Não foi, por acaso, sobre a Palavra e a Rocha que a mesma foi edificada (cf. Mt 16,1-19)? Não foi a Palavra o centro de toda a vida cristã, desde a era Apostólica, passando pelos santos Padres e Doutores da Igreja, seu Magistério e a Tradição, até o momento presente? Como pode o tema ser "pouco conhecido"? Como pode ser "pouco conhecida" a Palavra Celebrada se desde os primeiros séculos ela foi o centro da Liturgia da Igreja, a começar dos monges e eremitas que a ela se entregaram de corpo e alma? Como pode a Palavra ser desconhecida da Igreja que a guardou desde os escritos de Paulo até hoje? Mas, compreendo a necessidade de se publicar mais... de se escrever mais... No Brasil se produz quilômetros de projetos e planos pastorais ineficazes! Se gasta tempo e se desperdiça energias por nada. Mas, vai-se produzir mais papel. Pra quê, eu me pergunto, se nem os documentos do Magistério e da Tradição foram estudados e conhecidos?

Se eu estiver errado e apressado em minha conclusões terei prazer em postar neste blog as retratações necessárias quando estas forem convincentemente mostradas.

I Congresso Brasileiro de Animação Bíblica da Pastoral - Fazer nada por coisa nenhuma!

Me entristeço com algumas notícias na Igreja do Brasil. A última pérola vem de um tal I Congresso Brasileiro de Animação Bíblica da Pastoral. Quando vi o título, pensei: "Mas o que será isso?". Logo recebi um e-mail com o convite e a programação. Das coisas que vi na programação, algumas me chamaram a atenção por serem por demais inusitadas. Veja:

Já o título do Congresso me chamou a atenção e me fiz a seguinte pergunta: Porque gastar tempo em um Congresso sobre animação bíblica da pastoral? E como meu professor de Revelação e Fé me ensinou, comecei a perguntar para o título o que ele queria dizer e a levantar algumas questões: Animação vem de anima, alma. Logo, uma Alma bíblica da pastoral seria o enfoque do encontro. Mas, logo me veio uma outra questão teológica: A Alma, anima, da Igreja é o Espírito Santo que procede do Pai e do Filho. Bom, pensei, pode ser que queiram dar um enfoque da pneumatologia por um viés bíblico e pode ser que queiram ordenar o apostolado na Igreja do Brasil a uma vivência, estudo e conhecimento das Sagradas Escrituras como ordena a Verbum Domini: "Para se alcançar o objetivo desejado pelo Sínodo de conferir maior caráter bíblico a toda a pastoral da Igreja, é necessário que exista uma adequada formação dos cristãos e, em particular, dos catequistas. A este propósito, é preciso prestar atenção ao apostolado bíblico, método muito válido para se atingir tal finalidade, como demonstra a experiência eclesial. Além disso, os Padres sinodais recomendaram que se estabeleçam, possivelmente através da valorização de estruturas acadêmicas já existentes, centros de formação para leigos e missionários, nos quais se aprenda a compreender, viver e anunciar a Palavra de Deus e, onde houver necessidade, constituam-se Institutos especializados em estudos bíblicos a fim de dotarem os exegetas de uma sólida compreensão teológica e uma adequada sensibilidade para os ambientes da sua missão" (Verbum Domini, n.75). Bom, com estas boas esperanças fui olhar o e-mail e a programação do Congeresso. Que decepção!

No sábado terá uma conferência:
11h15min: Conferência: A Igreja num mundo em mudança: Pe. Joel Portela
Me perguntei: Será que esta conferência não será mais um "olhar a realidade" que tantas e tantas vezes vi nos encontros pastorais em Goiânia quando fui seminarista? Geralmente ia um/a sociólogo/a fazer esta parte. Desta vez colocaram um padre! Já é um progresso. Concluí que é necessário compreender o contexto, sobretudo eclesial, para compreender como incidir de maneira satisfatória com o apostolado que desejam os Padres Sinodais e Sua Santidade.

No sábado à tarde, outra conferência:
16h15min: A Palavra encarnada- Palavra Anunciada: Frei Carlos Mesters e Francisco Orofino
Me perguntei sobre a real necessidade desta conferência, uma vez que o dito Congresso supõe que os participantes tenham - no mínimo - conhecimento da Dei Verbum. Ademais, concluí por ser interessante ouvir mais uma vez falar-se da Encarnação do Verbo e da incidência deste fato no agir pastoral da Igreja. Fato que dá forma a nosso apostolado.

Eu já não estava lá muito animado, pois, não havia até o momento nenhuma fala Magisterial sobre o modus operandi para a efetivação de uma eficaz catequese para nossos catequistas firmada no tripé Sagrada Escritura-Tradição-Magistério. Fiquei ainda mais desanimado quando vi a conferência do domingo pela manhã. Uma pastora/teóloga protestante vai falar neste Congresso Brasileiro para a tal animação bíblica da pastoral sobre como celebrar a Palavra!!! Veja:

11h00min: Palavra vivida e celebrada (reações em plenário): Ivoni Richter Reimer
Não tenho nada contra a pastora/teóloga protestante. Até acho que ela pode falar deste tema, mas, na Igreja dela! Como que um Congresso Brasileiro sobre a tal animação bíblica da pastoral dispensa um Bispo ou até mesmo um liturgista ou teólogo católico e inclui uma pastora/teóloga protestante para ensinar os católicos a celebrar a Palavra?! Será que não existe nenhum bispo ou teólogo católicos capacitados a fazer tal coisa? Não possui a Igreja os monges que por séculos, milênios, celebraram a Palavra em sua vida cotidiana e nos ensinou a fazer tal coisa? Não são eles mestres na vida espiritual? Não são os mais capacitados para nos envidar por este caminho? Porque precisamos buscar um bocado fora se temos um tesouro dentro?

Aí, para terminar com minha indignação, eis que vejo:
12h15min: SBB – Sociedade Bíblica do Brasil: Reverendo Erni - O que esta Sociedade Protestante estará fazendo em um Congresso Católico? Será que eles vão ensinar aos Católicos a retirarem de suas Bíblias os livros que eles retiraram das deles?

Se não fosse isso, ainda notei na tarde do domingo uma conferência do Padre Agenor Brigenthi. Veja:
14h30min: Pastoral na Vida da Igreja: Uma nova Compreensão de Pastoral num mundo em mudança - Pe. Agenor Brighenti e Dom Juventino Kestering - O que este padre vai ensinar ao auditório? O mesmo que ele ensinou em seu livro reacionário "Aparecida em Resumo"? Segundo o site da livraria Resposta (link aqui) "Embora do ponto de vista canônico vale o documento oficial, o conhecimento das muitas mudanças de forma e de fundo introduzidas pela autoridade pontifícia é de suma importância para entender o diálogo entre as igrejas locais latino-americanas e a sé romana, responsável pelas expressões da fé e orientações pastorais da Igreja no seu conjunto" o que quer dizer: Padre Brigenthi contrapõe o Documento aprovado Oficial da Igreja às recensões da Conferência de Aparecida a fim de contrapor as "igrejas locais latino-americanas" à "Sé Romana"! É de dar nojo!!! A detalhe: tem um Bispo ao lado dele para dar-lhe ares de autoridade!!!

O Congresso terminará na terça-feira (10/10) sem nada mais significativo figurando entre as conferências. O único Prelado a falar será Dom Jacinto Bergman que no fim do Congresso dará o conceito: "O que é a animação bíblica da pastoral". Para isso um Prelado da Igreja serve. Para ensinar teologia, serve uma pastora protestante!

Conclusão: Perda total de tempo, de energias, de esforço e de dinheiro. A CNBB promove um Congresso que sai de lugar nenhum e vai para lugar algum, aliás, como muita coisa que se faz nestas terras tupiniquins. E porque isso? Em nome de uma mal compreendida inculturação do Evangelho. Em nome de uma pseudo atualização da "mensagem de Roma" como eu ouvira nos tempos de seminarista, em nome da Teologia da Libertação que teima em não morrer e esconde-se nas estruturas da Igreja no Brasil. É lamentável!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sugestões de filmes

Sugiro aqui alguns filmes seculares bons e outros para que você possa usá-los em algum momento com estas pistas para interpretação. Eu mesmo listei-os e destaquei estas nuances que deles percebi. Se você é cinéfilo como eu, bom filme!

1) Kirikú e a feiticeira = desenho animado. Trabalha liberdade e protagonismo da pessoa. Pode também ser usado na Catequese sobre o pecado.

2) Encontrando Forrester = drama. Trabalha amizade, altruísmo, superação. Autoconfiança.

3) Matrix = ficção. Trabalha a liberdade face às determinações e determinismos sociais.

4) Equilibrium = ficção. Trabalha autenticidade. Melhor que Matrix, mostra os males do condicionamento social. Atual e franco.

5) Paixão de Cristo de Mel Gibson. Sem comentários!!! Belíssimo filme sobre a paixão do Senhor.

6) Irmãos de Fé, de Padre Marcelo Rossi. Conta a história da conversão de São Paulo a partir de um contexto atual. Bom para aplicar em grupos de jovens e vocacionados.

7) O Homem sem face = drama. Trabalha os aspectos psicológicos de aceitação social, autoconfiança e amizade.

8) Lições para toda vida = drama.

9) Meu nome é rádio = drama. Trabalha autosuperação, ideais e limites da pessoa humana.

10) Nossos filhos = drama. Relações familiares e formação de jovens.

11) Truman, o Show da vida = drama. A vida diante da mercantilização e subutilização dos meios de comunicação.

12) A era do gelo = desenho animado. Amizade.

13) Minority Report. A nova lei = ficção. Trabalha liberdade, sociedade atual (com seus avanços técnicos e científicos).

14) Conte comigo = drama. Trabalha relações familiares.

15) Duas Vidas = drama. Mostra como a pessoa pode se enganar a vida toda. Autenticidade. Aceitação de si mesmo.

16) Patch Adams = drama. Aceitação social, mudança de paradigmas e de atitudes face às velhas estruturas.

17) O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel = aventura (longa metragem). Trabalha amizade, confiança nos outros, autoconfiança, superação de obstáculos, responsabilidade.

18) Os últimos passos de um homem = drama. Fala de confiança, pecado e remissão, reconhecimento da própria culpa, altruísmo.

19) Sociedade dos Poetas Mortos = (?) Carpe diem! Aproveite o dia. Trata do tema da desprogramação social.

20) Mudança de hábito 1 ou 2 = comédia. Apostar sempre no melhor das pessoas.

21) O Fazendeiro e Deus = Religioso. Conta a história de um fazendeiro que mora na África e sem fé, converte-se aos poucos tendo sua vida provada por Deus.

22) Desafiando gigantes = Religioso. Ideal para se passar a jovens recém-chegados à Igreja. É extremamente motivador para o trabalho em equipe e para a confiança irrestrita em Deus.

23) Homens e deuses = drama. Religioso. Conta a história de uma comunidade de monges que enfrenta o martírio. Belo filme sobre a verdadeira identidade do cristão. Ideal para grupos de jovens e vocacionados.

Bom gente, pensei nestes filmes. Se você quiser aumentar esta lista, pode colocar nos posts alguma sugestão!!!