Páginas

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Lutero, 95 Teses, Papa Bento XVI

Tem gente que vai se contorcer com esta notícia! Acalmen-se!!! O Papa sabe o que está fazendo!!!

De Zenit.org
“A Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial preparam uma declaração comum sobre a Reforma, frente ao quinto centenário da publicação das 95 teses de Lutero, em 2017”, destacou a Rádio Vaticano nesta segunda-feira. O Papa quis dar uma dimensão ecumênica à sua próxima viagem à Alemanha. O texto “deveria analisar a Reforma à luz dos dois mil anos do cristianismo”, destaca a Rádio Vaticano, acrescentando que “a comemoração comum deste aniversário poderia ser a ocasião de um mea culpa recíproco”. Para o cardeal Koch, é necessária “uma purificação comum da memória”.

sábado, 27 de agosto de 2011

Maçonaria e Igreja Católica

O longo e exaustivo texto do Padre Jesús Hortal sobre a Maçonaria e a Igreja que se encontra do Site Presbíteros é uma excelente referência histórico-canônica das relações tanto conflitivas entre ambas. Eu não o reproduzirei aqui por se tratar de um texto de outro site, ao qual não pedi licença para reprodução. No entanto, vou colocar o link para leitura AQUI. A leitura deste texto vai proporcionar um amplo conhecimento sobre este controverso tema e você poderá saber clara e distintamente o pensamento da Igreja acerca da Maçonaria. Boa leitura!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Tu me seduziste, Senhor...

Tu me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir!
Tu te tornaste forte demais para mim, tu me dominaste!

Antes que as altas montanhas fossem feitas, ou os riachos que correm alegremente,
Tu me amaste!
Em mim pensaste e amaste como a um filho.
E tudo isso gratuitamente!
Não... Não me pediste nenhum sacrifício, nem oferta,
Simplesmente me quiseste teu filho.

Quando contemplo teu olhar, que me ama no silêncio,
Nada mais consigo pensar. Nada!
Senão no amor que sinto por ti.
Por ti minha alma grita e geme de alegria!
Por ti meus dias são dias de festa,
Por ti minhas noites são iluminadas!

Quando se aproxima a hora de te encontrar,
Meu coração palpita de alegria.
Ver-te é a alegria perfeita,
Contemplar-te, é o céu,
Estar contigo, é o paraíso!

Ah, Senhor!
Quem dera se eu pudesse dizer às estrelas, que são belas e boas,
O quanto tu me amas e o quanto eu te amo!
Elas se apagariam diante de tanto amor!

Mas me volto para este hoje,
Este nosso mundo,
Este nosso momento presente.
Tenho sede de ti, Senhor!
Sofro saudades de ti, porque o mundo também sofre.
Porque tantas pessoas não te amam?
Quem me dera ter asas de águia para voar para junto de ti!
E fugir desse mundo medonho e sem sentido, desse mundo sem amor!

Mas não! Devo aqui permanecer.
E gritar ao mundo que tu estás comigo!
Que tu, que fizeste o céu e a terra,
Povoaste os mares e os rios,
Que deste vida a todos nós...
Tu... és meu único tesouro!

E quando contemplar as estrelas à noite,
Porque estarás em mim,
Elas serão belas e boas!
E numa delas; ou em todas
Poderei te ver
E tu me darás
Estrelas que me sabem rir!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A missa de ontem

Ontem (23/08) tive a oportunidade de celebrar pela primeira vez a missa no seminário onde estudei. Foi uma grande emoção. Na festa de Santa Rosa de Lima, usei a casula que meus ex-reitores usaram. Bebi do cálice que meus ex-reitores consagraram. Aquele cálice contém grande número de dores e silêncio e naquele momento me fazia "Um" com eles no mesmo cálice. Foi sobrenatural, belo e simples... Ah, os seminaristas gostaram de minha homilia, apesar de eu não saber fazer homilia para seminaristas...rsss... O evangelho, do tesouro escondido no campo e da pérola preciosa, me fez dizer-lhes: "é essa escolha que nos define". Foi sobrenatural!


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O bebê formado por Nossa Senhora - Crônica


Um certo dia, a alguns meses atrás, conheci pelo ciber-espaço um jovem. Logo na primeira conversa que tivemos me impressionaram seus olhos. Eram olhos de infinito! Aqueles olhos eram mais que simples olhos de jovem, eram expressão de Deus, eles me falavam de Deus, de pureza, de céu.

Aquele jovem abriu sua vida para mim, contou-me suas dores e angústias. Contou-me suas lutas, as quedas que tivera até aquele dia e sua imensa vontade de Deus. Eu chorei. Chorei por causa daqueles olhos... Neles, eu via refletidos meus filhos aqui da Paróquia. Neles eu via uma missão: santificar-me para dar Deus àqueles olhos sedentos de infinito. Neles eu via uma busca, um desejo...

Aquele jovem é Protestante, da Igreja Assembléia de Deus. Ao longo da conversa, deu-me uma vontade de dizer-lhe porque eu era Padre e lhe disse, para mim, o maior motivo de eu ser padre: "quando minha mãe estava grávida de mim, ela consagrou-me à Nossa Senhora Aparecida". Ao dizer isso, aquele jovem me disse que morava em Aparecida e contou-me o porquê: Sua mãe quando o esperava, no oitavo mês de gestação, foi ao médico e fez uma ultrassonografia. O médico lhe disse que o feto estava formado apenas parcialmente. Lhe faltava formar todo um lado do rosto e do crânio que, sem a estrutura óssea, estava deformado. O médico lhe disse para realizar um aborto provocado, afim de salvaguardar sua vida. Aquela mãe não aceitou tal diagnóstico. Ela e seu esposo pediram mais um tempo pro médico e este lhe deu 15 dias. Ao término desse prazo, ele iria retirar a criança para salvaguardar a vida da mãe.

Voltando para casa onde moravam, numa outra cidade de SP, a mãe e o pai daquele bebê fizeram uma promessa a Nossa Senhora Aparecida: Se seu filho nascesse bem, com vida e saudável, eles levariam sua roupa de batismo à Basílica Nacional, em Aparecida, e a colocaria aos pés de Nossa Senhora. Ao término do prazo estipulado pelo médico, voltaram ao hospital para o segundo ultrasson. O médico ficou abismado ao constatar que o crânio e a face da criança haviam se formado em 15 dias! 15 dias para formar o que não fora formado em 8 meses de gestação!!! Aquele casal radiante, teve seu filho abençoado por Deus e, depois de seu batismo, levaram a roupa de seu batismo à Basílica Nacional de Aparecida.

Quando o jovem terminou de me relatar esses acontecimentos eu estava boquiaberto! Eu sabia, descobrira, o segredo daqueles olhos: eram olhos de Maria! Foram formados por Deus com sua intercessão! Hoje esse jovem segue sua vida, longe de Nossa Senhora que lhe deu olhos de infinito...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O maior Jesus-Abandonado que eu vivi

Teria tantas coisas a dizer, algumas experiências de paraíso a partilhar com todos, o que num outro momento penso ser oportuno fazer. Por ora, gostaria de colocar minha última experiência de Deus-Amor como abandonado, O Abandonado.

Na semana da oitava de páscoa, precisamente na terça-feira de páscoa eu conheci meu pai biológico que eu não conhecia. Este veio falecer cerca de um mês atrás no dia 09/07. Desde que o conheci até o dia que faleceu, ele nunca me dirigiu uma só palavra. Nunca pode me dizer se estava feliz ou frustrado porque o conheci na UTI do hospital São Marcos aqui em Itumbiara e depois que saiu da UTI, mesmo em casa, nunca conseguiu articular nenhuma palavra. Desde muito antes ele já havia perdido a fala devido a uma demência vascular-cerebral que o acometeu cerca de dois anos antes. Acamado, mudo, sofrendo muito com inúmeras doenças, raquítico, desnutrido e ainda assim, meu pai. Era o abandonado sobre uma cama. E em mim também a dor do abandonado ao descobrir um pai nestas condições. Quando soube de sua existência, ao meio-dia daquela terça-feira, mesmo no desconcerto de ter que ir até minha mãe para tocar no seu passado e no maior desconcerto ainda de ir ao hospital vê-lo, coloquei-me na disposição de viver o momento presente na vontade de Deus, do modo como ela se apresentasse a mim. Neste período esta era minha única preocupação. Não eu ou ele, mas a vontade de Deus que a mim se apresentou nas palavras do evangelho de Jesus que diz do grão de trigo que dá a vida somente depois de cair no chão e morrer.

Desde criança eu sabia que meu “pai”, ou seja, meu padrasto, não era meu pai biológico. Eu não aceitava isso, me lembro. Relutava e dizia à minha mãe que pelo contrário, ele era sim. O tive por pai e o amei como o pai que me criou e educou. Chorei sua morte há 16 anos, quando eu tinha exatos 16 anos de idade. Chorei ainda por muito tempo sua ausência. Eu tive curiosidade de saber quem era esse tal pai biológico, porém, era uma parte da vida de minha mãe que eu considerava sagrada, intocável, e por isso não ousava invadir e questionar. Com o tempo a curiosidade cessou e conformei-me com o pai que tive. Agora, porém, tudo aconteceu muito rápido. Avassalador. E acho que era pra ser assim, desígnio divino de amor.

Sim, de amor. Nasci para ser padre. Há voltas e curvas na estrada da minha vida onde vi o amor de Deus e que quero partilhar com você.

Eu nasci de uma mãe solteira, expulsa de casa pelo pai (meu avô) ao descobrir que ela estava grávida. Minha mãe assumiu-me sozinha, uma vez que meu pai biológico deixou-a assim que soube da gravidez. Certa feita no seminário, refletindo sobre esta etapa da minha vida, agradeci a Deus sua imensa bondade! Meu pai (biológico) era noivo e o namorico com minha mãe foi passageiro e como nas estórias bíblicas mais inauditas como na de Tamar, por exemplo, fui concebido e não haveria outro modo de eu ser concebido. Eu não nasceria de outro modo, somente daquele e ali Deus me desejou, me quis e me escolheu. Minha mãe poderia ter-me abortado, como era praxe entre as mulheres de 1978 passando pelos percalços que ela passou. Mas não. Ela foi morar no trabalho. Era a casa de uma mulher adepta da macumba. Minha mãe orava noite e dia e me consagrou a Nossa Senhora Aparecida ainda em seu ventre. Em um ano da década passada, não me lembro o qual, recordando estes fatos fiz um poema para ela em seu aniversário no qual eu disse: “a senhora foi uma heroína, mãe”. E trinta e dois anos depois a providência concedeu-me de encontrar o pai. Antes de conhecê-lo, tinha ido fazer-lhe unção dos enfermos duas vezes sem o saber. Sua casa é a três quadras da minha paróquia que é dedicada a Nossa Senhora das Graças. Tenho mais dois irmãos que ficaram muito felizes em saber de toda essa história da qual, agora, eles também fazem parte.

No dia que fui ao hospital vê-lo – era desejo dos meus irmãos que eu fosse, mais deles que meu, confesso – eu nem sabia o que pensar. Era uma terça-feira difícil demais, como geralmente acontece nos dias difíceis em minha vida. Eles sempre são terças-feiras! Quando cheguei à UTI a amiga da família que me tinha contactado entrou primeiro e lhe disse que seu filho havia sido encontrado e que eu estava lá para vê-lo. Segundo o que ela relatou, ele falou: "Foi Nossa Senhora Aparecida." Quando eu entrei, ele gemia de dores e me olhava fixamente, mas não falava. Foi um monólogo me apresentando, dizendo quem eu era, o que eu fazia, quem era minha mãe, etc. Depois, mais a pedido da família que por desejo – uma vez que eu não nutria nenhum sentimento por ele, nem positivo ou negativo – lhe disse que o perdoava por qualquer coisa que ele tivesse me causado a mim ou à minha mãe. Ao final, disse que como sacerdote eu poderia dar-lhe a absolvição de seus pecados se ele estivesse arrependido. Ele balançou a cabeça afirmativamente e dei-lhe a absolvição com indulgência plenária, pois, era certa sua morte naquela semana devido a seu quadro gravíssimo. Bem, saí do hospital e fui pra casa rogando a Deus para que ele não morresse naquela semana, pois, eu não tinha estrutura para as perguntas de familiares curiosos no velório. E mesmo agora vou contando aos poucos esta história comprida.

Da disposição inicial restou o desejo de fazer a vontade Dele no momento presente. Assim que a dor se apresentou eu encontrei o Abandonado e o abracei. Abracei aquela família que perdia seu pai, seu marido. Me fiz um com eles. Meus irmãos se afeiçoaram rapidamente a mim e isto foi, de certo modo, um carinho de Deus comigo e com eles nestes meses. Estou vivendo cada momento, o que se apresenta para que eu viva na disposição “é por ti” e desse modo encontro paz, serenidade, ressurreição.

Gostaria de ter escrito antes esta experiência. Mas penso que ainda está no tempo de Deus.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ser Padre...


No primeiro domingo de Agosto os padres recebemos homenagens nas missas. As que recebi foram belas e profundas, me emocionaram verdadeiramente. Mas hoje, 09/08/2011, recebi um presente. O jovem Wanderson Carvalho me deu uma mensagem (que vou transcrever abaixo) e um porta retratos com uma foto dele comigo e sua namorada. Este jovem era evangélico da Assembléia de Deus. Acerca de um ano e meio me procurou com sua namorada me dizendo ser de sua vontade se tornar católico. Eu lhe disse que era necessário participar da comunidade. Depois de um certo tempo, encaminhei-o a um catequista que lhe deu os fundamentos da fé católica. Então pudemos realizar o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos para sua e minha alegria. Foi este jovem que me presenteou hoje. Vejam o que ele escreveu:

A pessoa de Jesus se coloca na nossa frente como modelo de todo o agir para qualquer um, mas especialmente para os sacerdotes. Pensar no sacerdote é pensar em alguém frágil, pecador, carregado de tantos defeitos e limitações, mas que, um dia, não só por sua decisão própria de querer seguir o Cristo, mas por vontade da mesma Igreja que discerniu a sua vocação por meio de tantos anos de caminhada, foi "consagrado sacerdote". Quer dizer, foi chamado e considerado apto para ser no mundo uma presença viva de Jesus, um "outro Cristo" e rrecebeu como missão fazer de sua vida uma transparência de amor e revestir todos os seus atos de carinho, de perdão e de misericórdia em favor de todos os que necessitam de Jesus. O sacerdote não se ordena a si mesmo, não chama a si mesmo, não escolhe a si mesmo, mas é chamado e escolhido. E toda escolha não é outra senão um gesto de amor que não tem explicação humana, é um ato de amor que só o amor pode explicar.

Ser sacerdote é ter a consciência de que um dia foi chamado do meio do povo, consagrado a devolvido ao serviço do povo. Agir na Pessoa de Cristo exige constante esforço de se despir de todos os pecados e limitações para que a beleza e a grandeza de Jesus possa resplandecer em toda a sua luz. Quem és tu, sacerdote? Alguém que, um dia, pela graça de Deus, foste chamado a seguir os passos de Jesus, foste seduzido pelo serviço apostólico, profético, percebeste que o anúncio do Evangelho era o teu único desejo, de servir o povo no desinteresse e na caridade era o teu sonho, que se colocar na escuta do grito de tantos irmãos esmagados, sofridos pela injustiça e pelo pecado era o teu único desejo, e por isso aceitaste com alegria "ser sacerdote", deixando atrás de ti sonhos humanos, desejos. Não te apavore se nestes últimos tempos, por todos os lados, tentam deformar, denegrir, sujar a imagem do sacerdócio. Em tempo de crise devem-se viver com maior intensidade os valores da vida sacerdotal. A consagração sacerdotal não elimina a sedução do pecado nem os vacina contra as tentações que experimentam no dia-a-dia. Nenhuma falta de um irmão poderá romper e destruir a beleza do sacerdócio. O coração de Jesus é tão grande que compreende todos os pecados e perdoa todas as faltas, é na misericórdia e no amor que se reconstroem vidas. O ouro nunca deixará de se encontrar debaixo da terra, mas sempre ele terá o seu brilho.

Queremos agradecer a atenção e o carinho com que conduziste o meu batismo. Que o senhor Padre Luis Fernando, tenha força e coragem para seguir caminhando e apascentando as ovelhas de Cristo, o povo de Deus. Parabéns pelo lindo trabalho que vem realizando na Igreja Nossa Senhora das Graças, e por cada palavra dita com sabedoria em suas homilias. Que Nossa Senhora das Graças te coloque debaixo de seu manto materno e te proteja de todo mal. Parabéns!!! Wanderson Carvalho e Fernanda Costa

Não é somente pelas palavras... mas, pelas pessoas que estão por trás delas! A gratificação de ser pai espiritual de toda essa gente é algo que somente quem é sacerdote pode entender. Ser pai é bom demais!!! Eu vou postar neste link uma música do Movimento dos Focolares "Meta Certa". A imagem não é excelente, mas a música é belíssima e acho que traduz o que é ser padre...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Viajem a São Paulo - Crônica

Em 7 de Janeiro de 2008 eu viajei para Vargem Grande Paulista para fazer o meu retiro para a Ordenação Diaconal na Mariápolis Ginetta. Comprei a passagem para o domingo à noite, às 23:30, afim de chegar em São Paulo na segunda pela manhã e ir para Vargem Grande o mais rápido que pudesse. O ônibus já chegou atrasado a Itumbiara. Quando saímos era por volta de meia noite e meia e eu fui logo durmindo. Acordei com o ônibus parando na rodovia, dois homens entrando e dando voz de assalto. Sobressaltado, peguei meu celular e coloquei entre as duas poltronas. Dos dois homens, um era negro, tinha um capuz, gritava bastante e estava muito agitado. O outro era branco, não usava capuz e estava tranquilo. Quando entraram no ônibus deram um tiro na escadaria da porta de entrada e nos tiraram da rodovia, fazendo o motorista entrar numa estrada vicinal. Ali dentro, eles pegaram minha mochila com material de higiene pessoa, esvaziaram-na e nela colocaram o produto do roubo. Ao término do que pareceu uma eternidade, o assalto terminou. Eu não deixei levarem minha carteira. Retirei todo o dinheiro e mostrei a eles e coloquei o dinheiro na mochila. Quando foram embora, descemos do ônibus e nós homens fomos empurrá-lo para tentar ajudar o motorista manobrar para voltar à rodovia. Isso se tornou impossível porque a estrada era muito estreita e tivemos que voltar de marcha-a-ré.

A polícia nos levou para um posto de gasolina e, às 6h da manhã, fomos liberados para seguir viagem. Estávamos a quase100km de Itumbiara e eu pensava: Estou sem dinheiro. Devo prosseguir viagem ou voltar? E nesse dilema resolvi continuar porque entendia que esta era a vontade de Deus. Quando cheguei em São Paulo, liguei para o Bispo e relatei tudo o que acontecera e ele me garantiu que proviria minha passagem de volta. Vasculhei minha carteira e encontrei R$ 2,50 em moedas o que foi suficiente para eu pegar o metrô do Tietê até a Barra Funda. Quando cheguei na Barra Funda fui sacar R$ 30,00 que eu tinha na conta, mas, os caixas eletrônicos estavam sem dinheiro. Neste momento me preocupei.

Fui ao guichê da empresa de ônibus e perguntei se eles aceitavam cartão de débito. Para minha alegria, sim, eles aceitavam. Então pedi a passagem até a Mariápolis. A moça do guichê passou meu cartão, mas a maquineta não emitiu o bilhete. Passou novamente e novamente não emitiu. Ali já fiquei preocupado, pois, meus R$ 30,00 já tinham ido embora e eu não tinha como comprar a passagem. Começou então uma aflição: eu falando com a moça e ela tentando resolver minha situação. Ela ligava em todos os departamentos da empresa, consultava e pedia solução para o meu caso e nada acontecia. Ao final de quase uma hora, sem uma solução, a moça do guichê me diz: "olha, vou te dar a passagem para você ir. Quando você voltar, você me reembolsa?" - Eu, pasmo com o que acabara de acontecer respondi imediatamente "Sim". Peguei o telefone dela e combinei tudo para lhe evolver o dinheiro quando retornasse.

Com minha última refeição tendo sido o almoço ao meio dia, cheguei à Mariápolis às 23:00 faminto, atrasado e causando preocupação em Pe. Cristiano que me esperava por volta das 16:00. As focolarinas me deram um prato de biscoitos e um copo de leite que foi a melhor refeição que eu tive naquele dia! Pe Cristiano quis saber sobre o atraso e tive que lhe contar sobre o assalto. Ele então pediu que eu contasse aos padres, no dia seguinte, a experiência da providência neste episódio. Meio relutante, aceitei.

No dia seguinte contei a todos na sala como tinha sido difícil chegar a Mariápolis e como a providência tudo preparou para que ali eu estivesse. Assim, dos mais ou menos 80 padres e seminaristas presentes, vinha um e me dizia: "Tome R$ 10,00 para te ajudar na viagem de volta" ao que eu respondia que não era necessário, em vista do que meu Bispo já iria me enviar o necessário para eu voltar. E isso aconteceu sucessivas vezes. Ao término do retiro, resolvemos fretar uma Van para ir direto para o Tietê. Seria mais cômodo do que pegar o coletivo e o preço era bem razoável. Estávamos todos do lado de fora do centro Mariápolis. A Van chegou e eu entrei para tomar água antes de ir para São Paulo. Ao que voltei, todos já estavam dentro da Van e as malas também tinham sido colocadas lá. EU entrei na Van imaginando que minha mala também estaria junto com todas as outras, uma vez que estávamos todos juntos. Pois bem, ao chegar no Tietê e retirar as malas, a minha não estava na Van. Aí eu quis morrer! Telefonei ao Pe Ricardo e ele me confirmou que ela realmente tinha ficado para trás, porém, me garantiu que me enviaria por transportadora. Mas eu disse: Pe Ricardo, minha passagem está dentro da mala!

Foi um Deus nos acuda! Depois de um tempo Pe Ricardo me ligou e disse que iria a São Paulo levar minha bagagem - e minha passagem. Era por volta de 16:00 e meu ônibus sairia às 19:30. Tempo mais que suficiente para chegar ao Tietê. Porém, naquele exato dia - era 11 de janeiro - estava acontecendo uma manifestação de todos os moto boys de São Paulo na Marginal Tietê, o que parou o trânsito! "É pra acabar com o pequi de Goiás", eu pensei. Como vou fazer sem minha passagem? Daí fiquei aflito. Ia ao guichê negociar para o ônibus esperar, ligava para o Pe Ricardo, ficava aflito, as horas voavam... meu Deus!!! Ao final das contas, o rapaz do guichê já estava cansado de me ver e resolveu me dar uma solução: olha, disse ele, vamos transferir sua passagem para as 22:30. Neste horário sairá um ônibus para Uberlândia. Pode ser? - Mais do que depressa eu aceitei esta troca, uma vez que de Uberlândia a Itumbiara tem ônibus de hora em hora. Resultado: Pe Ricardo, Pe Fabiano e outros, chegaram no Tietê às 20h. Daí fomos ao shopping comer uma pizza e rir dessa situação mais que cômica!

Quando tomei o ônibus das 22:30, ele quebrou assim que saiu do Tietê e fomos de 2ª marcha até a garagem da empresa. Lá chegando, trocamos de ônibus, pegamos bagagem, recolocamos no outro bagageiro e enfim, seguimos viagem. Ao meu lado viajava uma moça muito reclamona. De tudo ela reclamava: da poltrona, do ônibus, do banheiro, das cortinas... eu que já estava apenas com um fio de paciência, resolvi pedir a ela calmamente: "Moça, cale a boca pelo amor de Deus!" O resto da viagem foi bem. Quando cheguei a Uberlândia, peguei imediatamente um ônibus que estava de saída pra Itumbiara e para minha surpresa era o ônibus do assalto. Tinha, inclusive, as marcas na lateral do ônibus amassada nos galhos de árvore quando o motorista tentava manobrar e as marcas de balas dos tiros nos degraus da porta de entrada do ônibus.

Cheguei em Itumbiara e levei uma bronca de minha mãe que a esta altura do campeonato já sabia de tudo. Depois, fui contar o dinheiro que os padres tinham me dado na Mariápolis. Somei cerca de R$ 400,00 e foi mais que suficiente para eu pagar uma conta que estava devendo e para a qual eu nem sabia como iria ter recursos para quitá-la.

p.s. Sobre a moça do guichê de São Paulo: Eu lhe telefonei, depositei o seu dinheiro e ela me ressarciu os R$ 30,00 cobrados do meu cartão.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Cronologia do primeiro século

Estudando o cristianismo do primeiro século, resolvi colocar uma cronologia aproximada do primeiro século baseada na obra "A Idade Antiga" de Franco Pierini. Eu acho importante visualizar de modo gráfico os acontecimentos através dos quais a fé se desenvolveu e nos chegou.


63 a.C. - Império Romano Domina a Palestina
37 a 4 a.C. - Herodes, o Grande, rei efetivo de Jerusalém
4 a.C. a 39 d.C. - Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, tetrarca da Galiléia
14 a 37 d.C. - Tibério César, Imperador
8 a 4 a.C. - Nascimento de Jesus em Belém
27 ou 28 d.C. - Batismo e início da Vida pública de Jesus
2 a 7 de Abril do ano 30 - Paixão e morte de Nosso Senhor
9 de Abril do ano 30 - Anúncio da Ressurreição
18 de Maio do ano 30 - Ascenção
28 de Maio do ano 30 - Pentecostes e fundação da Igreja de Jerusalém que, inicialmente contava com 120 membros e chegou a ter 5.000 membros (cf. PIERINI, pp. 46-47).
* Lugares para os quais foram os Apóstolos do Senhor após o Pentecostes:
- Tiago irmão de João e Tiago o justo, juntamente com Matias: Jerusalém e Palestina
- André, irmão de Pedro: Regiões do Mar Negro, sobretudo Bizâncio-Constantinopla
- Filipe: Ásia Menor
- Bartolomeu: Armênia e Pérsia
- Judas Tadeu: Síria e Mesopotâmia
- Simão: África Setentrional
- Mateus: Etiópia
- Tomé: Índia
- João: as regiões em torno de Éfeso
Ano 35 ou 36 - Morte de Estevão
Anos 35 - 36: Perseguição em Jersualém dos cristãos de origem helênica que fogem para Chipre e Cirene
Ano 37 - Conversão de Paulo
Anos 40 a 49 - Cristianismo chega a Roma
Ano 40 ou 41 - Fundação das Igrejas de Antioquia por cristãos vindos de Chipre e Cirene
Entre 43 - 44: Paulo levado de Tarso a Antioquia
Entre 44 - 46: Paulo se transfere para Jerusalém
Ano 44 - Decapitação de Tiago, irmão de João, sob Herodes Agripa II e prisão de Pedro
*Após Pedro ser libertado e afastado de Jerusalém, Tiago "o Justo" assume aquela Igreja
Entre Março de 47 a Agosto de 49 - Primeira viagem missionária de Paulo. O acompanham Baranbé e seu primo Marcos, autor do segundo evangelho
Ano 49 - Concílio de Jerusalém. Apóstolos e Presbíteros se reunem. Falam: Pedro, Paulo, Barnabé e Tiago, "o justo"
Entre 53 a 54: Pedro chega a Roma
Ano 61: Paulo Chega a Roma
Entre 61 e 63 - Paulo Preso em Roma
De 19 a 25 de Julho de 64: Incêndio de Roma por Nero. Culpa recai sobre os cristãos
Ano 66: Revolta dos judeus da Palestina
Entre 64 e 67: Martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo em Roma
Ano 68: Com a morte de Nero, Vespasiano assume o Trono
Ano 70: Destruição de Jerusalém por obra de Tito, filho de Vespasiano
Ano 80: Inauguração do Coliseu de Roma
Ano 90: Sínodo de Jamnia - banimento dos cristãos das sinagogas
Ano 94: Início da perseguição de Domiciano
Entre 96 e 97: Escrito o Apocalipse
Entre 94 e 96: Primeiro escrito patrístico: A carta de Clemente Romano aos Coríntios