Páginas

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sincretismo em Salvador


Um amigo da Web, Professor Dycastro de Cascavel - Ce, me enviou uma notícia sobre a realidade sincrética de Salvador na festa do Bonfim dia 07/01/2011. Eu respondi. Posto aqui sua fala e minha resposta.


Fala do professor Dycastro:

 
Ontem, (sete de Janeiro) casualmente assisti uma reportagem sobre a festa do Senhor do Bonfim em Salvador. O apresentador destacou como positivo o lado sincretista da festa observando que dela participavam tanto católicos como seguidores do candomblé, pois para estes o Senhor do Bonfim é Oxalá, o orixá-pai de todos os deuses. Porém, o que mais me entristeceu foi a declaração do padre: "Temos aqui um grande exemplo de convivência fraterna entre as religiões. Pois o Senhor do Bonfim de braços abertos acolhe a todos." Estaria eu enganado? Seria o Senhor do Bonfim o mesmo Jesus, o Cristo que disse aos apóstolos e ao povo que o ouvia: “Pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Não, eu vos digo, mas a divisão. Pois de hoje em diante, numa casa com cinco pessoas estarão divididas três contra duas e duas contra três. (Lc 12, 51; MT 10,34-35) Teriam os primeiros cristãos se enganado ao preferir morrer a acolher os deuses pagãos do Império romano? A não atender a suplica de pais, parentes e amigos para oferecer incenso aos deuses pagãos e desta foram salvar suas vidas? Seria o Jesus do Evangelho o mesmo Jesus do padre, que está de braços abertos para acolher a todos, inclusive a Oxalá? Fiquei confuso e escandalizado. E também triste. Porque provalvemente neste caso, eu seria o rejeitado, como causador de divisões e discórdias, se dissesse em Salvador em plena festa do Senhor do Bom fim, que Oxalá e o Senhor do Bonfim não são e não podem ser o mesmo senhor. Oxalá é uma entidade que expressa uma força da natureza. Um deus pai entre outros deuses. Neste caso não culpo o baiano simples, sem formação católica eficiente, pois nunca a recebeu e é cercado de terreiros por todos os lados desde os tempos da escravidão. Lamento, e muito, a oportunidade desperdiçada dos padres de catequizarem este povo.

Não admiro se muitos dos que vão à Igreja do Bonfim cultuar o Senhor do Bom fim e Oxalá, depois se tornem protestantes, por terem descoberto que Oxalá é um ídolo e que a Igreja (no caso os padres de lá) nunca o alertou sobre esta verdade. Houve várias missas durante todo o dia de ontem na basílica do Senhor do Bon fim. Perdeu-se a providencial oportunidade de proclamar que Jesus é o único Senhor do Bon fim, por sua ressurreição gloriosa dentre os mortos. Mas nada tem a ver com Oxalá, um orixá que não existe. Uma entidade que pode acobertar um demônio, pois como disse o grande apóstolo Paulo, cultuar deuses falsos é cultuar os demônios." Aquilo que os gentios imolam, eles oferecem aos demônios, e não a Deus. Ora, não quero que entreis em comunhão com os demônios." (1Cor 10, 20). Sei quanto é difícil denunciar o sincretismo religioso no Brasil. Principalmente agora com toda esta promoção em defesa da africanidade, que se propõe até a ensinar as crenças das religiões africanas nas escolas.

Na verdade, o sincretismo é uma das armadilhas de Satanás infiltrado na Igreja, para causar a divisão e manchar o culto verdadeiro a Nosso Senhor Jesus Cristo. Porem, se é prudente evitar provocar discórdias entre crenças, não é proibido anunciar Jesus Cristo como o único Senhor e deixar bem claro que entre ele e Oxalá nada há de comum. Percebi que é isto que os padres de Salvador não fazem. Pelo contrário, o padre entrevistado elogiou essa mistura entre o Senhor do Bom fim e Oxalá. "Pois o Senhor do Bom fim de braços abertos recebe a todos?' disse ele. A todos? Inclusive a Oxalá o outro senhor pai de outros deuses? Que são os deuses dos pagãos se não ídolos? Estariam errados os missionários que destruíam templos pagãos e erguiam altares a Nosso Senhor Jesus Cristo? Errou o grande São Bento de Nurcia ao destruir o templo do deus Apolo para erguer no lugar o seu Mosteiro com a finalidade de adorar e servir o verdadeiro Senhor e Deus? Estou angustiado e confuso perante esta situação. Antes os padres tinham a coragem de anunciar Cristo como único Salvador e Senhor. E se aproveitavam os costumes pagãos integrando-os na liturgia, esforçavam-se também, para eliminar toda referência ao deus cujo a forma de cultuar foi assimilada ao culto a Cristo e aos santos. Esta sim é a verdadeira inculturação. Foi assim que a Virgem Maria destruiu o culto a todas as deusas, assumido nomes e imagens diferentes em cada cultura. Mas sempre se reforçou que se venerava a mãe de Cristo e não mais Isthar, Juno, Afrodite ou Isis ao lado desta. A relação com Cristo era fundamental e reforçada. Hoje se prega a mistura, a convivência pacifica entre os ídolos e Cristo. A paz que o mundo dar é esta. Mas não é a paz que Cristo dá. Pois esta só se torna realidade quando se ama Cristo e serve-se apenas a ele como único e soberano Senhor. Enfim, suplico a Nosso Senhor Jesus, que apesar de tudo, dos maus padres, dos católicos de nome, conceder-me dizer, ao fim da minha vida, o que disse Santa Teresa d´Avila: "Enfim, morro como Filho da Igreja." E salvai, Ó Cristo, Salvador e o Brasil do Sincretismo.

Minha resposta a Dycastro:
 
“O modo e o método de pregar a doutrina católica de forma alguma devem transformar-se em obstáculo para o diálogo com os irmãos de outras igrejas. É absolutamente necessário que toda a doutrina católica seja exposta com clareza aos católicos. Pois, nada é tão alheio ao ecumenismo como aquele falso respeito humano pelo qual a pureza da doutrina católica sofre detrimento e é obscurecido o seu sentido genuíno e certo. Ao mesmo tempo, a fé católica deve ser explicada mais profunda e corretamente, de tal modo e com tais termos que possa ser de fato bem compreendida também pelos irmãos separados” (UR, n.11).

A mim como pastor de uma comunidade paroquial é enviado o apelo do Senhor: “Fortalecei as mãos frouxas, e firmai os joelhos vacilantes. Dizei aos desalentados de coração: Sede fortes, não temais. Eis o vosso Deus” (Isaías 35,3-4). No dia de minha posse, o Pe Toni Cezar leu minha nomeação que trazia, entre outras atribuições: “faça com que a Palavra de Deus seja integralmente anunciada aos que vivem na Paróquia; cuide que os fiéis sejam instruídos na verdade da fé”. E um dia antes de minha ordenação Sacerdotal, na capela da residência episcopal diante do Bispo, de minha mãe e de Jesus Eucaristia fiz a seguinte e solene profissão de Fé: “presto minha adesão com religioso acatamento de vontade e inteligência às doutrinas enunciadas, quer pelo Romano Pontífice, quer pelo Colégio dos Bispos, ao exercer o Magistério autêntico, ainda que não sejam proclamadas por ato definitivo”. Isto tudo não foi um teatro. O padre não pode brincar de ser padre. Eu sou um padre da Igreja Católica Apostólica Romana e estou aqui para confirmar a comunidade paroquial na fé cristã autêntica, assim como todos os demais irmãos no sacerdócio. A Igreja não é do padre, do Bispo ou do Papa. Ela é de Deus e a Ele devemos subserviência legítima. Naquele mesmo dia, na capela da residência episcopal, eu professava: “Firmemente também acolho e guardo todas e cada uma das afirmações que são propostas definitivamente pela mesma Igreja, a respeito da doutrina sobre a fé e os costumes”. Sim. E ainda professei: Com firme fé também creio tudo o que na palavra de Deus escrita ou transmitida se contém e que é proposto como divinamente revelado e de fé pela Igreja, quer em solene definição, quer pelo magistério ordinário e universal.

Todos os padres devem prestar estes juramentos antes de serem ordenados. O padre não pode reinventar a Igreja, a teologia ou a tradição. O padre não vai reinventar a roda. Deve ser somente um homem obediente. Outro dia ouvi de um Bispo: Não precisamos de padres que pensem, pois os que pensam destruiram a Igreja. Concordo em termos com ele. Eu ouvi exatamente isto ontem de um padre que dizia: A Igreja precisa mudar! E hj eu meditava: Como o Papa é sábio no que faz. Que o Senhor conserve-lhe longa vida. Mas, não se preocupe. Correm rumores que é do interesse do Santo Padre mudar esta situação de Salvador. Foi por isso que os dois auxiliares já foram despachados e o Arcebispo tão logo renuncie, será sucedido por um bispo um tanto mais ortodoxo. No entanto, será para o futuro, uma briga bonita de se ver... rsss... não perca as esperanças. O papa vigia por ti e por nós!