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segunda-feira, 14 de março de 2011

Dom de línguas, repouso no Espírito e outras questões


Primeiramente quero deixar bem claro que meu intuito não é retirar a fé de nenhuma pessoa neste ou naquele aspecto do pentecostalismo. Apenas quero dar uma resposta a partir da teologia bíblica para esta questão que muito me tem sido perguntada ultimamente. De início cito que estou usando para esta postagem o texto da Bíblia TEB (Tradução Ecumênica da Bíblia) comentada.

Para falar sobre o dom das línguas e o repouso no Espírito vou partir do contexto no qual a primeira carta aos Coríntios foi escrita, uma vez que é nela que se apóia a maioria dos argumentos sobre este tema. Nós Católicos seguimos por muitos anos a exegese histórico-crítica que busca os fundamentos das coisas, o contexto e as intenções. O Papa Bento XVI a conhece bem e a utiliza no seu livro “Jesus de Nazaré” cuja segunda parte foi lançada recentemente. Conheço os limites de tal abordagem e também o Papa. Mas, é o instrumental teórico que por ora possuo e espero contribuir para deixar mais claro este controverso tema.

O Contexto da Primeira Carta aos Coríntios

A primeira carta aos Coríntios foi escrita por São Paulo em sua terceira viagem, por volta do ano 56 quando este estava na cidade de Éfeso, acompanhado de Apolo por meio de quem soubera dos acontecimentos que motivaram a carta. A cidade de Corinto era uma Metrópole portuária com cerca de meio milhão de habitantes. A pregação de São Paulo decorreu por 18 meses entre 50 e 52 numa cidade cosmopolita. A maior parte de sua população era de trabalhadores e escravos, provindos de todas as partes do Império Romano, da Ásia Menor e doutras partes do Adriático e do Egeu com quem se comunicava pelos portos. Era uma população bastante heterogêna nos costumes e nos cultos, abrigando desde os cultos de fertilidade da deusa Greco-romana Cibele aos cultos da deusa egípcia Ísis.

A pregação cristã, primeiro de Paulo e depois de Apolo, era fecunda e sólida, mas, lançava raízes em um terreno heterogêneo e um tanto relativista em relação aos costumes. A primeira carta é um reflexo, quase uma fotografia, deste contexto social-religioso: os grupos conflitantes dentro da comunidade (cap. 1), vida sexual dissoluta (cap. 6), a erudição da filosofia pagã e do gnosticismo (cap. 1-2) que contrastavam com a firmeza e clareza da fé cristã genuína (cap. 15). A isso se acresça os costumes dos cultos pagãos que, sutilmente, iam entrando na assembléia cristã (cap. 11-14). É para dar resposta a estas questões que São Paulo escreve esta epístola que, de tão veemente no seu modo de expressar, capta a alma pungente do Apóstolo.

A oração em línguas

O que é a oração em línguas? Em bom e claro português, segundo a TEB (cf. 1Cor 12,1 nota o), a Bíblia do Peregrino (cf. 1Cor 12,8-10 nota) e a Bíblia de Jerusalém (cf. 1Cor 12,10 nota f), é a articulação de sílabas ou fonemas de modo não compreensível em um estado mais ou menos extático, ou seja, em estado de êxtase religioso. Tecnicamente é dado o nome de glossolalia. Este particular da comunidade de Corinto não é compartilhado por nenhuma outra comunidade com a qual São Paulo se corresponde. A visibilidade dos eventos extáticos dos cultos pagãos interpela a nascente comunidade cristã de Corinto a ser também ela “produtora” do divino. De fato, naqueles cultos pagãos, o sacerdote ou a sacerdotisa e os participantes “produziam” a presença do divino através do êxtase religioso, da embriaguês e de eventos extáticos como a glossolalia, o desmaio, a predição do futuro, etc.

A argumentação de São Paulo parte da analogia do corpo (cap. 12). O corpo é um, assim como a Igreja deve ser una. Os membros do corpo são co-dependentes do mesmo modo que os membros da Igreja são co-dependentes. Cada membro do corpo exerce uma função distinta do outro, do mesmo modo que o único Espírito de Deus distribui seus dons aos membros da Igreja conforme a utilidade destes dons para a edificação da Igreja (cf. 1Cor 12,7. 14,4). Ao final do cap. 12, São Paulo realiza o esclarecimento de toda esta comparação: as funções na Igreja são dons do Espírito e não são todas as pessoas que receberam os mesmos dons para realizar todas as coisas.
 
No capítulo 13 São Paulo faz a hierarquia das coisas: o que é mais importante? É o ágape. A caridade. O amor fraterno. O versículo 11 – a comparação das coisas de criança com as coisas de adulto – é o recado para os Corintos: Eles já não são mais crianças na fé. Podem deixar as coisas de criança, ou seja, os costumes herdados do paganismo, para aderir completamente a Jesus Cristo. Muitos dos cristãos de Corinto eram pagãos antes de sua conversão. Isto mostra-nos que conversão não é algo instantâneo como vemos acontecer por aí. O versículo 11 está estreitamente ligado à argumentação do v. 8 quanto à ordem das coisas.
 
Depois de dialogar com a ordem do corpo místico, a Igreja, no capítulo 12 e a ordem dos dons do corpo místico no capítulo 13, São Paulo redige a conclusão óbvia do cap. 14. Como conseqüência lógica da correta ordem no corpo místico de Cristo no qual todos os membros possuem o dom dado para o bem de todos, no qual Ele é a cabeça (cap. 12; Col 1,18), o ágape deve ser a lei básica do cristão, um caminho que é o mais excelente dentre todos (cf. 1Cor 12,31). O ágape permanece junto a fé e a esperança como o fundamento do crer e do agir cristão: ágape = modo de relacionar com o próximo; fé = modo de relacionar com Deus; esperança = modo de relacionar com Deus e o próximo. Seguindo este caminho traçado por São Paulo, o capítulo 14 dá então a regra prática para o exercício do amor fraterno também no culto: é melhor edificar o irmão na assembléia que edificar-se a si mesmo (cf. 1Cor 14,4-5.26); o falar em línguas no culto cristão é inútil, visto que este não é um culto no qual aquele que dele toma parte necessita entrar em êxtase para se comunicar com a divindade. Pelo contrário, é Deus que se comunica conosco. O Espírito manifesta-se no conhecimento das escrituras através das quais se dá o conhecimento de Jesus Cristo (cf. Jo 15,13). São Paulo ainda define que as profecias devem ser ditas uma por vez, uma pessoa por turno, sem confusão e a partir do senso comum. Tudo deve ser feito para edificação de todos: quando se fala em língua este falar em línguas deve ser interpretado para a comunidade, caso contrário o irmão deve se calar; quando se profetiza esta profecia deve ser julgada pela assembléia (cf. 1Cor 14,27-29). Por fim, São Paulo orienta os Corintos a seguir a tradição de todas as Igrejas cristãs que seguem, por sua vez, a orientação dos apóstolos (Cf. 1Cor 14,36-38).

O Pentecostes
 
Alguns podem argumentar com o texto de At 2,1-13 a favor da glossolalia com a finalidade de justificar seu uso nos dias atuais. Há neste texto, segundo a TEB, duas experiências distintas: uma que pode ser identificada com a glossolalia (cf. At 2,4) e a outra é a expressão na língua dos povos representados pela lista de At 2,5.8-11. A teologia do texto de Pentecostes liga a dispersão de Babel (Gn 11,1-9) com a universalidade da salvação levada pela Igreja até os confins do mundo (cf. At 1,8). A experiência da glossolalia em At 2,4 liga-se à experiência profética do período pré-monárquico no qual os profetas e Israel e das religiões dos povos circundantes entravam em êxtase para proferir as profecias (cf. 1Sm 10,5-6). Com o tempo, a profecia em Israel foi deixando de lado este caráter extático e tomando os contornos que conhecemos dos grandes profetas, a saber, de ser boca de Deus. Portanto, a glossolalia neste contexto não quer dizer nada mais que um simples evento desencadeado pela abundância do Espírito no princípio da Igreja. Nem Atos dos Apóstolos nem Paulo institucionalizam a glossolalia como um dom do Espírito Santo para toda a Igreja. Paulo ainda o considera, com muita reserva, na comunidade de Corinto muito mais pela sensibilidade pagã daquela comunidade recém-convertida do que por ser um dom para toda a Igreja (cf. 1Cor 13,11).
 
O papel do Espírito na Igreja
 
Afinal de contas, para quê serve o Espírito Santo na Igreja? Faço esta pergunta aparentemente sem sentido em virtude da interpelação que este tema me traz: O Espírito serve para fazer as pessoas balbuciarem coisas sem nexo e desmaiarem quando estão por ele tomadas? O Espírito de Deus precisa deste modo de comunicação para se fazer sentir, notar e entender? As pessoas precisam desmaiar e falar em línguas para crer que Deus existe e que o Espírito Santo é real? Afinal, o que significa isto: “passa fogo no meu braço agora...”; “eu quero sentir o seu Espírito...”; “eu quero mais de Deus...”; “toma meu ser, Senhor...”?
Quero reproduzir textualmente o que nos ensina o Catecismo da Igreja Católica acerca do papel do Espírito Santo na Igreja. Vamos lá:

737 A missão de Cristo e do Espírito Santo realiza-se na Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. Esta missão conjunta associa a partir de agora os fiéis de Cristo à sua comunhão com o Pai no Espírito Santo: o Espírito prepara os homens, antecipa-se a eles por sua graça, para atraí-los a Cristo. Manifesta-lhes o Senhor ressuscitado, lembra-lhes sua palavra, abrindo-lhes o espírito à compreensão de sua Morte e Ressurreição. Torna-lhes presente o mistério de Cristo, eminentemente na Eucaristia, a fim de reconciliá-los, de colocá-los em comunhão com Deus, a fim de fazê-los produzir "muito fruto".

739 Por ser o Espírito Santo a unção de Cristo, é Cristo, a Cabeça do Corpo, que o difunde em seus membros, para alimentá-los, curá-los, organizá-los em suas funções mútuas, vivificá-los, enviá-los a testemunhar, associá-los à sua oferta ao Pai e à sua intercessão pelo mundo inteiro. É pelos sacramentos da Igreja que Cristo comunica aos membros de seu Corpo o seu Espírito Santo e Santificador.

O Catecismo ainda acrescenta que é função do Espírito socorrer a nossa fraqueza para que oremos ao Pai como convém. Pergunto: onde estão os desmaios, as línguas sem nexo, o fogo no braço e o “entorpecente” divino? Os sacramentos da Igreja não são suficientes para manifestar o Espírito? São ineficazes?

Os Grupos de Oração e o Pentecostalismo

Os grupos de Oração e a própria Renovação Carismática Católica nasceram de um evento numa universidade norte-americana no qual se uniram católicos e evangélicos. A experiência evangélica trouxe o pentecostalismo que não se aproxima da doutrina bíblica ou católica acerca do Espírito Santo, ao contrário, distancia-se uma vez que o Espírito passa a ser compreendido não mais como um dom do Pai e do Filho para a Igreja (Qui ex Patre Filióque procédit), mas, como uma unção particular de Deus para o crente. Evidente que esta visão do Espírito Santo está estreitamente ligada à visão Protestante de mundo que se firmou a partir dos cinco solas: sola fide, sola Christus, sola scriptura, soli Deo gloria, sola Gratia e do livre-exame das escrituras sem a interferência/necessidade de um Magistério e da Tradição.
 
Conclusão
 
A Igreja reconheceu o sopro do Espírito na Renovação Carismática Católica através do reconhecimento Pontifício de várias das novas comunidades a ela ligadas. Este brevíssimo texto não quer exaurir o dom de Cristo à Igreja, pelo contrário. Quer somente dar uma contribuição da teologia bíblica acerca deste fenômeno. Uma coisa é patente: falar em línguas, curar, entre outros dons, são dons particulares que estão no final da lista de São Paulo e que devem, igualmente, estar no último lugar da busca e do interesse do cristão. Antes de tudo a mútua e contínua caridade. Não duvido que o Espírito sopre onde quer e que dê seus dons (sejam eles quais forem) a quem quiser. O que me interroga é o modo quase abusivo como isso é feito hoje em dia. Muitas pessoas que frequentam cultos neo-pentecostais e G.O. agem como se a glossolalia fosse quase obrigatória para o ingresso ali. Outras posturas depessoas que catalogam e condenam aqueles que não entendem, não aceitam e não praticam os “carismas”. Estes carismas, como orientou a Igreja, são particulares e são dados por Deus a algumas pessoas. Logo, nem todos os possuem. Eles são dados para o bem do corpo místico e não para o deleite pessoal do crente.
 
É errado o que acontece hoje em dia: noites de derramamento do Espírito, encontros de batismo no Espírito Santo, etc. O derramamento do Espírito se dá no batismo e o batismo é o batismo no Espírito Santo e não há outro. O que se faz, desculpem-sem, é heresia. Pois, o Espírito Santo é invocado como se fosse um espírito ou um demônio para possuir, entrar, no corpo de uma pessoa, dominá-la e dar-lhe seu poder. Isto é absurdo! O Espírito nos dá poder sim, mas é outro! O poder de amar como Jesus, sacrificar-se como Jesus, viver como Jesus. Ele nunca precisou orar em línguas ou desmaiar e, sabemos, o Espírito Santo estava sempre com Ele.

Caríssimos, espero poder ter ajudado a esclarecer alguma coisa com este texto. Qualquer dúvida, postem-na.



29 comentários:

  1. Revmº Padre,
    sua bênção!

    Pois é! Se existe um assunto delicado, controverso e atual, este assunto é o Dom das Línguas.

    Realmente este Dom existe, como vemos no relato de Pentecostes, e também na vida de alguns Santos, como Santo Antônio de Pádua e Lisboa, por exemplo. É uma Gratie Gratis Datae - Graça dada de graça. É um Dom extraordinário e transitório, para a edificação dos fiéis.

    O intrigante é que o que vemos hoje difere muito do que se viu outrora.

    Tanto no episódio de Pentecostes como no de Frei Antônio, o Dom consistia em os pregadores serem entendidos por todos os ouvintes, que eram de diversas regiões, e isso no seu próprio idioma. Assim nos ensina Tanquerey.

    Ou seja, o Dom tinha um objetivo: transmitir uma mensagem. E era necessário: os pregadores não tinham conhecimeto dos outros idiomas, e precisavam estabelecer a comunicação. Então Deus concedeu o Dom das Línguas (falar outras línguas).

    Mas e hoje? Qual seria a função deste Dom que, até pouco tempo, só foi concedido a poucos Santos? Qual a função, já que os meios de comunicação são diversos, e a Boa-Nova já se espalhou por toda a Terra?

    O que vemos aos montes, são grupos "orando em línguas" e somente isto, a ação fica por ali. Não existe tansmissão de mensagem por tais palavras ininteligíveis; não existe tradutor; e não existe necessidade (afinal, se quer-se comunicar algo, que fale no idioma local).

    Tanto é que o próprio texto de Conríntios mostra o Santo Apóstolo das Gentes lançando advertências sobre o mau uso dos dons.

    Enfim...

    Cabe a nós procurarmos ser virtuosos, e agirmos sempre com prudência e verdade, sem inventar ou outorgar dons para nós mesmos, a ponto de obstinadamente persistirmos num equívoco.

    Em Nosso Senhor e na Madre Igreja,

    Fernando
    -Pro Catholica Societate-

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  2. Miya, mto ponderado seu comentáriO. Gostei do modo como vc escreveu sobre o abuso atual do tal dom de línguas. Só espero que nossos irmãos da R.C.C. compreendam - o que eu acho quase impossível, visto que são um tanto fanáticos em relação a este dom em particular.

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  3. Respostas
    1. É Fanatismo puro, se eu fosse Bispo ou Papa, acabava com estes dismaio no espirio, falação em linguas , tudo isto não tem na a ver com Cristo , Jesus NUNCA RESOU EM LINGUAS !!!!!!mostre-me na biblia um relato de Jesus orar em linguas !!

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    2. Não sei pq, mas sinto cheiro de militante TL kkk... "Se eu fosse Papa ou Bispo" kkk... Saiba meu amigo, nunca serás, pois é um herege, que não entende nada de teologia "dismaio no espirito" kkk só pode estar de sacanagem... Nem respeito tem e quer criticar! Senhor perdoe esta criatura, não sabe o que fala!

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  4. anem padre.. com todo o respeito, nao me faz passar vergonha nao... nao tem nem que discutir isso nao...
    tanto texto... pra que?!tanto "estudo"... pra que?! pra escrever isso?! anem, so Deus na causa msm!
    abrass, Jesus te ama!

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  5. Auto-crítica da RCC
    Há um grande caminho de discernimento a ser percorrido pela RCC, para cumprir sua vocação renovadora. Na medida em que se constituir como um movimento centrado nos carismas, terá sempre o risco de se envolver com o secundário e com o periférico, em lugar de dar absoluta prioridade ao Espírito que santifica. O serviço que como teólogos somos chamados a prestar à RCC, é levá-la a compreender que é chamada a ser, desde suas origens, há quase quarenta anos, um instrumento de renovação no Espírito, no amor e na santidade, da comunidade cristã trazendo permanentemente a memória viva de Pentecostes. Sua grande tentação é de sobrepor os carismas ao amor, em clara oposição à doutrina da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. A RCC, assim como qualquer modo de ser Igreja, deve evitar toda forma de presunção carismática, conforme a advertência do próprio Concílio Vaticano II. É preciso ainda exercitar permanentemente o dom do discernimento unido à virtude cardeal da prudência, no sentido clássico de recta ratio agibilium, sem que isso signifique qualquer forma de amortecimento do fogo do Espírito ou de perda da espontaneidade própria do estilo carismático. Com este exercício permanente se evitará que a oração de cura se transforme em prática de curandeirismo; o fanatismo e o fundamentalismo bíblico serão evitados; o eventual moralismo farisaico e a visão distorcida de Deus pelo exagero do poder do mal serão inteligentemente superados; será superada também uma possível auto-centração no movimento em busca da comunhão com a comunidade local por meio dos diversos organismos de participação e de organização pastoral, sem com isso perder sua identidade, o que empobreceria a Igreja-comunhão; serão fortalecidas as iniciativas de promoção humana e solidariedade com os pobres, segundo as orientações da Doutrina Social da Igreja e de acordo com as propostas do episcopado latino-americano e das “Diretrizes gerais da ação evangelizadora na Igreja no Brasil”. Sobre esta última questão é preciso desfazer o mito de que os carismáticos não têm sensibilidade social. É notório em todo o Brasil que se multiplicam dia após dia as iniciativas carismáticas de solidariedade. É certo que este não é um esforço retórico, mas prático. A RCC poderia desenvolver mais uma linguagem neste sentido, por exemplo, nas letras de suas canções, sem que com isso precisasse copiar o sotaque de outros movimentos sociais e de Igreja que já possuem uma retórica da libertação. Mas convenhamos, principalmente neste campo os frutos falam mais alto do que as palavras. O mesmo se diga do envolvimento dos carismáticos na política. Não se iluda quem ainda imagina que seja um envolvimento corporativista, fisiológico ou ingênuo. A qualidade política e social da RCC avança a olhos vistos. O mesmo se diga em relação aos ministérios leigos e ordenados. Por que será que as vocações aumentam nos meios carismáticos e diminuem em outras expressões de Igreja? Não podemos utilizar novamente o refrão viciado da hipnose coletiva, ou da alienação.

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  6. A RCC certamente não é uma sociedade perfeita e deve ser submetida a críticas e suspeitas que promovam a necessária e salutar correção fraterna, todavia, excluí-la pastoralmente da Igreja institucional é uma atitude no mínimo ímpia, senão contrária à unidade da Igreja e, além disso, pouco inteligente. Faz pensar naqueles letrados que acusavam Jesus de expulsar demônios em nome de Belzebu, acusação que deu a Jesus a oportunidade de mostrar sua ignorância, pois não é concebível que satanás combata a si mesmo. Precisamos tomar cuidado para não pecar pastoralmente contra o Espírito Santo, como lembra o evangelista nesse contexto, pois é um pecado que não tem perdão… (cf. Mc 3, 22-29).
    Sobre a autenticidade do estilo carismático de ser cristão não é preciso dizer muito mais do que aquilo que Paulo diz em suas cartas especialmente à comunidade carismática de Corinto. Parece que existiam mesmo nas comunidades pagãs, pré-paulinas, alguns fenômenos em que se misturava a glossolalia com o transe coletivo. Isto foi duramente criticado pelo apóstolo. É preciso rezar também com a inteligência (1Cor 14,15.39). O Espírito não demite nossa consciência nem ignora a liberdade humana. Deus nos fez livres e não podemos ser santos senão no exercício desta liberdade. O transe e a hipnose, portanto, negam a ação do Espírito. Desde os seus primórdios no Brasil a RCC foi escrupulosa em relação a isso. Nunca foi admitida nenhuma dinâmica nos grupos de oração que pudesse se aproximar de uma espécie de “estado alterado de consciência”. A este respeito há muito que pesquisar em relação ao controvertido fenômeno do “Repouso no Espírito”. Pode existir, como testemunham os grandes santos, uma espécie de êxtase, sem que isso signifique transe. Se a dinâmica de oração carismática em algum lugar ultrapassar o êxtase e chegar ao transe, este grupo deverá ser seriamente advertido pelos responsáveis na Igreja Local. Mas não nos parece que esta crítica seja verdadeira na RCC como um todo. Os erros que existem são pontuais e têm recebido correção fraterna dos próprios líderes da RCC.
    Finalmente, sobre a comparação das celebrações carismáticas com as práticas do candomblé, deveríamos ter um pouco mais de cuidado e respeito. Deveríamos conhecer melhor as bases do candomblé antes de fazer uma crítica simplista aos seus ritos. É uma religião de origem animista, pré-cristã, em fase de encontro e diálogo com a fé cristã. Isto merece respeito e acolhida em clima de diálogo inter-religioso. Aliás, seria ótimo se tivéssemos sempre uma atitude mais ecumênica não só entre cristãos, mas entre os diversos modos de ser católico. Talvez RCC e CEB’s descobrissem com isso maiores laços de fraternidade e de comunhão. Esta seria uma ótima forma de celebrar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e colocar em prática o sonho de Jesus: Que sejam um, para que o mundo creia! (cf. Jo 17, 21-23)

    Fonte: EXISTEM RAZÕES PARA APOIAR A RCC? Francisco Catão e Pe. João Carlos Almeida

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  7. What will give the Church the impetus to carry out the new evangelization called for by recent popes? What will enkindle in Catholics a burning zeal to proclaim the good news of Christ to the ends of the earth? Nothing other than a new Pentecost—a renewed experience of the “baptism in the Spirit” promised by Jesus in Acts 1:5 and fulfilled on the day of Pentecost.
    Such was the consensus of participants in an international colloquium on baptism in the Holy Spirit held in Rome March 17-20. The event, attended by 150 theologians and leaders from 44 countries, was sponsored by International Catholic Charismatic Renewal Services (ICCRS) in collaboration with the Pontifical Council for the Laity. http://iccrs.org/en/index.php/blog/comments/colloquium_on_the_baptism_in_the_spirit_outpouring_of_the_holy_spirit

    Bom, para quem sabe inglês...acessem o restante do Texto sobre o Colóquio Realizado em Roma, com o Pontifício Conselho dos Leigos, com a presença de Cardeais, Bispos, Padres, Lideranças Mundiais da RCC...sobre Batismo no Espírito Santo...o que o padre no seu artigo, infelizmente chama de heresia...
    Espero que não apague os comentários...

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  8. Na celebração da vigília de Pentecostes de 2004, em Roma, o Papa João Paulo II afirmou em seu discurso: “Desejo que a espiritualidade de Pentecostes se difunda na Igreja como um renovado salto de oração, de santidade, de comunhão e de anúncio” (29/05/2004).

    Ora, o elemento central de toda a espiritualidade de Pentecostes não é um devocional, um rito litúrgico ou uma novena de orações, simplesmente. Aquilo de mais significativo que a espiritualidade de Pentecostes - mormente em conseqüência da reflexão emanada do Concílio Vaticano II a respeito da Pessoa e do operar do Espírito Santo - tem resgatado e oferecido à Igreja é uma experiência: a experiência do chamado “Batismo no Espírito Santo”...

    “Entre os católicos da Renovação a frase ‘batismo no Espírito Santo’ se refere a dois sentidos ou momentos. O primeiro é propriamente teológico. Nesse sentido, todo membro da Igreja é batizado no Espírito Santo pelo fato de ter recebido os sacramentos da iniciação Cristã. O segundo é de ordem experiencial e se refere ao momento ou processo de crescimento pelo qual a
    presença ativa do Espírito, recebido na iniciação, se torna sensível à consciência da pessoa. Quando se fala, na renovação católica, do batismo no Espírito Santo, recebido na iniciação, se torna sensível à consciência da pessoa. Quando se fala, na renovação católica, do batismo no Espírito Santo, geralmente se refere a essa experiência consciente que é o sentido experiencial.” (Documento de Malines, Orientações Teológicas e Pastorais da RCC, Cardeal Suenens e outros). Para Dom Paul Josef Cordes - atual presidente do Pontifício Conselho Cor Unum (das obras de misericórdia) - , “o batismo no Espírito Santo” é experiência concreta da “graça de Pentecostes” na qual a ação do Espírito Santo torna-se realidade experimentada na vida do
    indivíduo e da comunidade de fé.

    O “derramamento do Espírito Santo” é introdução decisiva a uma renovada percepção e a um novo entendimento da presença e da ação de Deus na vida pessoal e no mundo. É, em suma, a redescoberta experiencial, na fé, de que Jesus é Senhor pelo poder do Espírito para a glória do Pai. Enraizado na graça batismal, o “batismo no Espírito” é essencialmente a experiência da renovada comunhão com as pessoas divinas. É abertura e manifestação da vida trinitária nos que foram batizados [...] Com demasiada freqüência, indivíduos batizados não tiveram um encontro genuíno com o Senhor; “muitas vezes não se verificou a primeira evangelização” e ainda não há “adesão explícita e pessoal a Jesus Cristo” (Catechese Tradendae 19). Segundo ainda Dom Paul Cordes, a expressão “batismo no Espírito” pode ser usada em muitos sentidos. Aqui, “batismo no Espírito Santo” é usada com respeito à experiência de receber o Espírito Santo com a vida de graça, juntamente com a recepção dos carismas, como parte integrante da iniciação cristã, ou como reapropriação ou inspiração mais tardia em um contexto não-sacramental do que já foi recebido na iniciação (op.cit; p.28). Como se vê, há de se entender aqui a palavra “batismo”, no seu sentido primário, não sacramental, que se refere ao ato de mergulhar, imergir alguma coisa ou alguém em uma outra realidade (no nosso caso, um “inundar-se” no mistério da efusão do Espírito dispensado pelo Pai por intermédio de Jesus, em Pentecostes, que foi “derramado” conforme a promessa (cf. At 2,16-21).

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  9. Também se recorre com freqüência ao termo efusão do Espírito ou, ainda, “derramamento do Espírito”, e mesmo “um liberar do Espírito Santo”, querendo-se, sempre, referir-se àquela experiência que nos leva a abrirmo-nos mais à realidade da Trindade de Deus em nós, com uma crescente consciência a respeito do significado dos sacramentos da iniciação cristã, nos batizados
    sacramentalmente. Essa especial e profunda “percepção” – definida, perceptível, envolvente – do relacionamento pessoal com Jesus Cristo que essa experiência proporciona não faz parte de nenhum movimento em particular - em caráter exclusivo - mas é patrimônio da Igreja, que celebra os sacramentos da iniciação e por quem recebemos o Espírito Santo.

    Antes de entender e elaborar uma teologia a respeito do Espírito Santo, os apóstolos tiveram uma experiência com Ele. Ainda que, a princípio, não entendêssemos tudo o que pode significar, os frutos desse chamado batismo no Espírito deveriam, por si sós, motivar-nos a querê-lo, a desejá-lo- e com muita sede - para a nossa vida de fé. Alguns dos frutos que se percebem na vida dos que buscam e experimentam essa graça são:

    •Conversão interior radical e transformação profunda da vida;
    •Luz poderosa para compreender melhor mistério de Deus e seu plano de salvação;
    •Novo compromisso pessoal com Cristo;
    •Gosto pela oração pessoal e comunitária;
    •Amor ardente à Palavra de Deus na Escritura;
    •Busca viva dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia;
    •Amor verdadeiro e autêntico à Igreja e às suas instituições;
    •Descobrimento de uma verdadeira opção preferencial pelos pobres;
    •Entrega generosa ao serviço dos irmãos, na fé.
    •Força divina para dar testemunho de Jesus em todas as partes;


    BESERRA DOS REIS, Reinaldo. Celebrando Pentecostes: fundamentação e novena. Editora RCC BRASIL. Porto Alegre-RS)

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  10. Apenas apontamentos

    "um movimento centrado nos carismas" - Um movimento da Igreja, seja ele qual for, não deve ser Cristocêntrico, ou pelo menos, Trinitário? Deus - e não as obras de Deus - não deveriam ser o centro do movimento, sendo os carismas as coisas perfiéricas e secundárias?

    "A RCC, assim como qualquer modo de ser Igreja..." - A Teologia da Libertação através das CEB`s também se definiam como um "novo modo de ser Igreja". Isso os levou ao erro da heresia.

    "A RCC certamente não é uma sociedade perfeita e deve ser submetida a críticas e suspeitas que promovam a necessária e salutar correção fraterna, todavia, excluí-la pastoralmente da Igreja institucional é uma atitude no mínimo ímpia, senão contrária à unidade da Igreja e, além disso, pouco inteligente" - Nenhum padre ou Bispo pode fazê-lo. Uma vez que a RCC é um movimento da Igreja, nosso dever é formar e acompanhar. Penso que os notórios frutos da RCC à Igreja não são questionados em meu texto.

    "Precisamos tomar cuidado para não pecar pastoralmente contra o Espírito Santo, como lembra o evangelista nesse contexto, pois é um pecado que não tem perdão… (cf. Mc 3, 22-29)." - Concordo plenamente. Mas agora mesmo está acontecendo em Goiânia um movimento no mínimo interessante. O Arcebispo transferiu o Padre Luís Augusto da Paróquia Sagrada Família, coisa notoriamente natural entre os padres diocesanos. Acontece que em tornou ao Pe Luis Augusto e a Paróquia Sagrada Família, cresceu fortemente o movimento da RCC em Goiânia nascendo, inclusive, a comunidade Luz da Vida. Como reação à transferência do Padre, a RCC da Paróquia promove atos contra a decisão do Arcebispo dizendo que este "não está aberto ao Espírito Santo". Pergunta: E a Igreja-Comunhão, onde fica quando os interesses da RCC não são contemplados?

    Não questiono a legitimidade de a RCC existir como movimento. Questiono o chamado "batismo no Espírito Santo" que a mim parece estranho a toda Tradição.

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  11. "O primeiro é propriamente teológico. Nesse sentido, todo membro da Igreja é batizado no Espírito Santo pelo fato de ter recebido os sacramentos da iniciação Cristã. O segundo é de ordem experiencial e se refere ao momento ou processo de crescimento pelo qual a presença ativa do Espírito, recebido na iniciação, se torna sensível à consciência da pessoa" - Devo considerar que, pelo exposto, estou correto: O batismo no Espírito Santo já é o dado nos sacramentos da Iniciação, enquanto que a "experiência pessoal" é um dom do Espírito Santo, portanto, dado a quem ele quer.

    " Como se vê, há de se entender aqui a palavra “batismo”, no seu sentido primário, não sacramental, que se refere ao ato de mergulhar, imergir alguma coisa ou alguém em uma outra realidade (no nosso caso, um “inundar-se” no mistério da efusão do Espírito dispensado pelo Pai por intermédio de Jesus, em Pentecostes, que foi “derramado” conforme a promessa (cf. At 2,16-21)." - Tenho outra pergunta: pq as pessoas "clamam" com tal urgência por este "derramamento", este "avivamento" do Espírito naqueles que já o experimentaram? A experiência produzida uma vez não é suficiente? Faço estas perguntas porque realmente não entendo este fenômeno. E me vem a seguinte questão: o que vejo são pessoas pedindo para si o dom do Espírito Santo para quebrar vidraças, acender velas, ou simplesmente orar em línguas. Eu não consigo entender o que isso tem a ver com o Espírito dado por Jesus à Igreja.

    "Também se recorre com freqüência ao termo efusão do Espírito ou, ainda, “derramamento do Espírito”, e mesmo “um liberar do Espírito Santo”, querendo-se, sempre, referir-se àquela experiência que nos leva a abrirmo-nos mais à realidade da Trindade de Deus em nós, com uma crescente consciência a respeito do significado dos sacramentos da iniciação cristã, nos batizados
    sacramentalmente." - Isto aqui é fantástico! A genuína doutrina da Igreja acerca da obra do Espírito. Mais uma vez, me desculpe a insistência, eu não consigo entender a particularização do Espírito "para mim".

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  12. Padre, desculpe a minha insistência também... minha intenção não é desrespeitar....ok!? Estou apenas abrindo ao diálogo e pelo que percebi o senhor também, visto que concordou com aquilo que postei em alguns pontos...
    Bom, vamos então as dificuldades:
    “Devo considerar que, pelo exposto, estou correto: O batismo no Espírito Santo já é o dado nos sacramentos da Iniciação, enquanto que a "experiência pessoal" é um dom do Espírito Santo, portanto, dado a quem ele quer.” Padre, é justamente esta sua colocação que responde ao outro questionamento: “não consigo entender a particularização do Espírito "para mim””.
    Como pôde observar o batismo no Espírito Santo (BES) não se trata de um novo sacramento, mas de uma Experiência com o Espírito Santo de modo pessoal, isto é, somos templos do Espírito, mas às vezes não temos a capacidade de experimentá-lo de modo real, assim como temos intimidade com um amigo...ter esta intimidade com Deus. Daí, toda a nossa vida se transforma, não porque eu não tinha Deus...mas porque eu me abri para que Ele possa agir em mim...O Documento de Aparecida, realça por diversas vezes a necessidade da Igreja oferecer uma experiência religiosa, entendida como um encontro pessoal com Jesus. É justamente isto que a RCC se propõe a realizar na Igreja, por meio da referida experiência.Ora, isto é heresia?
    Quando Deus age em uma pessoa, toda a Igreja é beneficiada com a conseqüência desta ação ...O pecado, mesmo que seja pessoal e só eu e Deus saibamos dele, de certa forma terá uma conseqüência comunitária. Quanto mais a Graça, se eu a experimento de modo pessoal, ela também terá uma conseqüência comunitária para toda Igreja.

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  13. “pq as pessoas "clamam" com tal urgência por este "derramamento", este "avivamento" do Espírito naqueles que já o experimentaram? A experiência produzida uma vez não é suficiente?” Podemos considerar a necessidade de uma “nova efusão” sempre a todo instante e não somente uma vez à luz da teologia das “missões divinas”, dizer que o Espírito Santo seja enviado ou venha de novo, não quer dizer que se tenha ido embora, mas que surge na criatura um relacionamento novo o Espírito que ali começa a estar de maneira diferente da que estivera antes (cf. São Tomás de Aquino, Suma Teológica IQ 43 a I e a 6). Sobre o modo pelo qual Deus está em todas as coisas há outra maneira especial que convém à criatura racional, na qual Deus se encontra como o conhecido naquele que conhece e o amado naquele que o ama. E, conhecendo e amando, o homem toca o próprio Deus que habita nele como em seu templo. E isto acontece somente pela graça santificante. Consoante, dizemos que em verdade possuímos algo, quando podemos livremente usar ou desfrutar dele. Pela graça santificante, pois, não só possuímos o Espírito Santo que em nós habita como temos o poder de desfrutar da Pessoa divina. (São Tomas de Aquino, Suma Teológica IQ 43 a 6)
    Quanto a experiência negativa em relação à comunidade que o Sr. se referiu...trata-se de uma questão pontual e de ligação afetiva destas pessoas ao referido padre, que diante de uma situação adversa reagiram de uma forma incorreta ... nada relacionado ao movimento em si ...já vi isto acontecer em paróquias onde a RCC nem era expressiva na comunidade, mas ao ter uma mudança de padre, toda a comunidade se mobilizou...fazendo até abaixo assinado para o padre ficar, entre outras coisas...já pensou!?? Acho isto um tremendo exagero, pois o padre está a disposição da missão que lhe for confiada, não importa onde, não é mesmo?! Mas enfim, são questões meramente humanas...inseguranças...medos...apego...
    Ainda sobre “quebrar vidraças, acender velas”... talvez o pessoal necessite de um acompanhamento adequado de formação, pois como já disse, as conseqüências do BES em nossa vida, não são apenas o “quebrar vidraças, acender velas”, mas assumir Jesus como o Senhor de tudo o que somos, ou seja, termos Cristo como o centro de tudo...
    A RCC tem como missão, fazer discípulos de nosso Senhor Jesus Cristo evangeli¬zando o povo de Deus, a partir da experiência do Batismo no Espírito Santo. Dizer que tal experiência é heresia é excluí-la do contexto eclesial, que como o Sr. mesmo disse, não seria a intenção.Portanto, repense sobre este termo “heresia”, não é cabível para a colocação.

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  14. André, compreendi perfeitamente sua explicação belíssima. Está de acordo com o que penso acerca dos dons sobrenaturais e, ademais, é a teologia católica sobre os mesmos. Neste ponto não tenho divergência alguma. O que me intriga não é a teoria, André. O que me intriga é a prática e o modo como a leio. Estamos num contexto religioso mto difícil. Há um inegável contato com o Pentecostalismo de vertente protestante tanto nos termos e expressões quanto nas atitudes. Este é o meu primeiro ponto de questionamento: Porque isto? Isto descaracteriza-nos uma vez que as músicas gospel contém a teologia protestante. O que se ouve é: "não faz mal"; "é de Deus"; "fala de Deus, fala do Espírito Santo"... Vc bem sabe que isto não é critério nenhum. Segundo ponto em que há discordância na prática: A prática neo-pentecostal provinda de uma teologia individualista de tipo intimista que, por sua vez bebe da mentalidade do livre-exame das escrituras, induz a uma prática religiosa igualmente intimista, individualista. Veja a letras das canções, veja o modo de orar nos GO, perceba as expressões que trazem a experiência do Sagrado para dentro da "necessidade" da pessoa. Aqui minha veemente discordância vai na linha do que é Igreja em essência: Na Igreja deve haver o espaço da expressão livre, o espaço para as emoções e para o contato e intimidade com Deus. Desde os Santos Padres e os padres do deserto isto é uma prática na vida eclesial. Contudo, esta prática foi sempre exercida, recebida e partilhada EM VISTA DA construção da coletividade, da comunidade, da ecclesia. Desculpe, mas, percebo a expressão carismática hoje reduzida demais ao intimismo pessoal como se Deus fosse o meu produto de consumo. Certa feita deparei-me com a expressão "Quero mais de Deus" e a primeira coisa que me veio à mente foi "cocaína". Deus, eu disse na postagem, não é um alucinógeno. A experiência que tenho de Deus não me permite concordar com esta postura. Concluo dizendo: O Altíssimo tem seus modos de comunicar-se aos homens que excede nossa capacidade e inteligência. Eu aceito que Ele assim se comunique. Só não entendo. Perdoe minha crítica tenaz. Tudo o fiz para buscar compreender.

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  15. Vejo nesse texto uma tendenciosidade a respeito dos dons do Espírito Santo e em geral à Renovação Carismática. Eu como carismático, digo que os princípios da RCC não são modernistas como muitos querem dizer e se alguém protestantiza a Igreja, usando o nome da RCC, não está em comunhão ao que diz respeito à própria RCC. Alguns erros comuns aos carismáticos desavisados é o subjetivismo excessivo (uma fé que sempre associa a manifestação Espírito Santo aos sentimentos), fundamentalismo bíblico(pega um versículo da bíblia separado do contexto e o tem como verdade) e o conspiracionismo milenarista (tudo o que existe vai de encontro a Igreja diretamente e isso é uma “conspiração milenar” porém o as pessoas em sua maioria não vão de contra a Igreja diretamente, mas sim de contra alguns aspectos, como a ética, a fé, a verdade, e etc...). Porém nesse texto, há uma interpretação tendenciosa sobre os carismas do Espírito Santo, principalmente o dom de línguas, profecia e ao "repouso no Espírito Santo". O dom de línguas manifestado em assembléia, sendo em essência uma oração, tem por primícia,obviamente, orar. Como S. Paulo diz, se houver a interpretação, há então a eficácia para a comunidade, se não, a eficácia se resume a quem está orando (cf. I Cor XIV, IV) e S. Paulo ainda pede que "aspiremos aos dons espirituais" (cf. I Cor XIV, I). É alegado no texto que a RCC usa os dons para justificar a existência do Espírito Santo e sua ação, como se fosse necessário tais dons para que Ele possa ser entendido. Na realidade a RCC nunca ensinou isso, as vias da existência de Deus como o saudoso padre Luis Fernando sabe foram desenvolvidas por S. Tomás de Aquino partindo de filósofos gregos (que por sinal era pagãos e politeístas). Não é missão de o Espírito Santo cumular o povo de dons extraordinários, mas isso pode sim ocorrer. S. Tomás de Aquino, S. João da Cruz e S. Vicente Ferrer nos aconselham a buscar o ordinário na vida em Deus temendo que o povo fundamentasse sua fé na emoção e que caíssem no orgulho e na vaidade, porém como disse anteriormente, S. Paulo nos aconselha a aspirarmos aos dons espirituais, obviamente se os dons são verdadeiros, nos levam a conversão. Existem muitas pessoas na RCC que não emitem senão barulhos ininteligíveis, porém a grande maioria ora “em Espírito e em verdade” e o fruto que tais sinais provocam são reais (cf. Mc XVI, XV). Sobre a diversidade de dons, de fato são tantos que S. Paulo não citou a todos, e muitos foram revelados ulteriormente à Igreja. Porém de nada serve os carismas se falta o Amor, a fé e uma vida virtuosa. Sobre o batismo no Espírito Santo, esse termo é evitado, não porque é errôneo, mas pela confusão que existe quando se tenta comparar o Batismo sacramental (na água e no Espírito) com a efusão do Espírito Santo. Sobre o repouso, nada mais é que uma experiência emocionante, obra do Espírito Santo que leva a uma cura psicológica, física e OBRIGATORIAMENTE espiritual. [...]

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  16. [...] Obviamente que, muitos desses repousos, nada mais são que fruto de uma emoção meramente humana, portanto devem ser muito bem “coordenados”. Obviamente que muitos carismáticos devem para de buscar o subjetivismo excessivo(a emoção do encontro com Deus sempre é real, mas não é necessária para crer), mas sim buscar o vigor apostólico e a santidade que a Santa Igreja sempre ofereceu como dom.
    Sobre algumas características do dom de línguas, primeiramente, como todo dom extraordinário, ele existe para levar a conversão; segundo é uma manifestação extraordinária do Espírito Santo; terceiro: podem sim acontecer em Comunidades Eclesiais protestantes, sendo que os dons tragam os fiéis para o seio da Santa Igreja, se não, também não são verdadeiros; quarto: podem também ter sons inexplicáveis e Santo Agostinho chamou-o de Dom de Júbilo. Tanquerey faz uma abordagem sobre o dom de línguas no Tratado da Mísitica.
    Sobre o repouso no Espírito Santo, é analisado como um “êxtase” que aconteceu com os santos, porém em menor escala. No entanto não podemos negar que Deus pode derramar esse êxtase em várias pessoas, como já disse, muitos são de origem psicológica, porém não se pode afirmar a culpa de quem os sofre em tal modalidade (psicológica). Eu, sendo carismático, pouquíssimas vezes manifestou-se em mim esse carisma e conheço um casal de carismáticos que têm 30 anos de RCC, e que a mulher nunca “repousou no Espírito” e o homem apenas uma vez, porém já presenciei dons extraordinários manifestados nessa mulher, como curas físicas instantâneas(câncer, caroços negras na pele, infertilidade entre outras) coisas que não podem partir apenas do psicológico.
    Portanto esse este texto mesmo sendo primoroso, tem a tendência de levar quem o lê a ver movimentos pentecostais como a RCC em uma ótica não-verdadeira e pior, quando o Padre Fernando faz a analogia dos carismas oriundos na comunidade Corinto aos cultos pagãos, nega 2000 anos de cristianismo e a vida de muitos Santos cuja vida esteve rodeada de espiritualidade carismática (não provinda da RCC, mas do Espírito Santo).
    Espero que essa mensagem não seja simplesmente apagada, mas que dela, surja um diálogo que busque a verdade.

    Ignis Pacem!

    "Comentário feito pelo meu amigo Vinícius R. Pereira"

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  17. Caro Vinícius, gostaria de pontuar breves palavras:
    1. Ministério da epiclese. O sacerdote é o que, em nome da Igreja, invoca o Espírito Santo na Igreja para o bem da própria Igreja. Cada um dos sete sacramentos possui a invocação própria do Espírito para a salvação do fiel. É própria do Ministério Ordenado esta praxe. No entanto, cada batizado pode invocar em proveito da fé os dons e a assistência das Pessoas divinas, uma vez que o acesso ao Pai acontece por meio de Jesus no Espírito Santo. Não quis negar, diminuir, solapar ou nublar a contribuição laica de inspiração carismática para a construção da Igreja-Corpo. O que ainda preciso entender melhor é a equação - para mim impossível realizar - entre subjetivismo/pragmatismo contemporâneo e fé cristã.

    2. Não acusei a RCC de modernista. Penso que vc deva ter lido esta acusação noutro blog, não neste.

    3. O meu objetivo com este texto notadamente falho era averiguar como, na comunidade de Corinto se lidou com o dom das línguas e os demais dons do Espírito. Evidentemente que pelo objetivo do blog e extensão deste texto ele nunca seria exaustivo neste tema. Falta nele o aporte dogmático, Magisterial e da Tradição. Conheço bem os limites do que escrevi aportando-me somente na Sagrada Escritura.

    4. Por fim, não nego os dons do Espírito Santo. E vou repetir pela enézima vez: os dons do Espírito Santo existem. Ele os dá a quem lhe apraz. A RCC é um movimento da Igreja e não o seria se fosse contrária ao Espírito. Porém, há pontos controversos que eu quero compreender melhor. Amo a RCC e seus membros sem nenhuma discriminação. Não tome, caríssimo Vinícius, este texto como uma afronta pessoal. É uma reflexão que tenta ser, à medida que consigo, responsável e respeitosa.

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  18. boa noite padre gostaria de agradecer pelas belas palavras pois frequento um grupo de oraçao e tem algumas coisas que nao concordo pois vem contra a sagrada escritura.umas das coisas e o repouso no espirito santo quando acontece la com uma ou duas pessoas eu acredito mas quando todo mundo começa a cair fico meio desconfiada. e sobe a oraçao e lingua estamos vivendo um momento dificil porque as vezes nem começamos a falar com Deus e derepente o pregador ja começa a pedir a assembleia que ore em linguas e ai todo mundo começa e minguem interpreta as vezes penso que estou errada e estou agindo como uma pessoa sem fe.
    mas quero dizer que quando leio a biblia e la Jesus nos exorta disendo que so fazemos a oraçao em linguas quando ali tiver alguem que as interprete e em momento nenhum Jesus nos diz sobre o repouso no espirito por que todos as vezes que ele curou nada disso ele usou.
    gostaria de dizer a voce padre que a graça de Deus continue inspirando-o para que possas nos esninar a cada dia .
    obrigada
    bom jesus de goias 05/05/2011
    welida
    se possivel gostaria de saber sua opimiao sobre tudo isso que lhe falei.

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  19. Querido Padre! Parabéns pela coragem de abordar esses assunto onde muitos padres se omitem! Quero contribuir com a reflexão, mas de uma forma mais explicita! Acaso não diz o Santo Evangelho "Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu" (Mt 18.18)". e se a CNBB orientou em seu Documento 53 da CNBB - "Série Azul" ORIENTAÇÕES PASTORAIS SOBRE A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA nos números: 21,41,47,54,55,62,63, 66, 67,68 e diz ou podemos até dizer desligou é para desligar e pronto não gostou vai pra onde originou esta bagunça e vocês sabem onde, não se infiltrem onde já se afastaram! Ser Católico é ser submisso a Igreja Católica Apostólica Romana e lembrem-se fora Dela não há salvação!

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  20. Olá Padre, gostaria de saber se você realmente acredita que a Igreja hoje faz da sua liturgia algo parecido com o que acontecia na Igreja Primitiva?
    Pelo que vejo a unica coisa é a fração do pão.Em uma reunião de qualquer grupo de oração há muito mais em comum com as antigas reuniões da Igreja Primitiva, do que a Santa Missa, cheia de palavras em grego e latim tão intelegíveis para os simples quanto a oração no Espirito, pomposidade a coisas materiais e homens e etc. Acho na minha humilde opinião que a Igreja Católica se afastou muito de seus ideais primitivos e que hoje para não deixar de existir esta voltando a este ideais! Porque o que é de Deus é pra sempre e o que é humano não é!
    O Senhor já viu a Igreja mudar muito ao longo destes 1700 anos, não é mesmo?

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  21. GRUPOS SINCRÉTICO-RELIGIOSOS, SEITAS PENTECOSTAIS PROTESTANTES OU CISMÁTICOS RCCs?
    Sabemos que Satanás tem predileção especial por subverter os católicos transformando-os em cismáticos ou hereges, sem citar os inúmeros de fé mal formados ou deformados, coadjuvados por alguns leigos e sacerdotes apostasiados e da herética TL, infestando ainda mais a Igreja de dissensões, ex.: ex freis Boff, Betto e outros relativistas anexos.
    Doutro lado, as seitas evangélicas quase todas pentecostais, doutrinário-relativistas aos quase 35 000 denominações em galpões, com um culto semelhante a centros espíritas, com gritaria geral, expulsão de supostos maus espíritos para curas, sessões de descarrego, pessoas caindo ao chão, outras em aparentes transes, bem semelhantes a certos supostos grupos hilariantes "auês" RCCs, procedendo como cismáticos, rebeldes às instruções da Igreja, fantasiados de católicos. Veja bem: até os protestantes tradicionais questionam os próprios irmãos por tais comportamentos, tachando-os de "espíritas disfarçados de evangélicos"! E notem: sectários acusando a irmãos de herejes...
    É bom notar que a Igreja está infiltrada desde a década de 30 por Stálin de comunistas e outras sociedades secretas, insuflando a confusão em movimentos eclesiais, como as CEBs, pela perversa e apóstata TL. Por ex., a "Bíblia. Edição Pastoral" da Editora Paulus, por ex., dos pes Ivo Storniolo e Euclides M Balancin é versão socializada da TL, subvertida, com poucas diferenças de sentido, enganando facilmente os incautos e "O DOMINGO". Idem, as interpretações fraudulento-sectárias do Vaticano II para adicionarem mais celeumas na Igreja na difícil missão de evangelizar.
    A situação é complexa: a Igreja é tolhida por grupos em seu núcleo a conspirar contra ela, como os eventuais RCCs dissensos, privilegiando o espalhafatoso, os "auês" religiosos, os enlevos espirituais, podendo confundir fenômenos psicológicos com dons do Espírito Santo; os grupos RCCs são válidos quando devidamente orientados por eclesiásticos competentes, sob rígidas normas às reuniões, caso contrário, assumem protestantismo pentecostal.

    Dever-se-ia melhor objetivar a fé, ao invés de ficar à cata de dons especiais carismáticos individuais que sugeririam egoísmo, orgulho, vaidade, auto enlevamento, fé prazeirosa, experiências místico-divinas, êxtases, etc., por ex.: sobre o "falar em línguas", diz S Paulo: 1 Cor 14,19: Mas numa assembléia, prefiro dizer cinco palavras com a minha inteligência, para instruir também os outros, a dizer dez mil palavras em línguas. Além de serem dons individuais que sugeririam egoísmo, auto complacência e outros, trata-se de ser difícil saber se provém de si ou do animador com o grupo reunido; idem, nos exorta a empenhar-se com mais esforço e ardor em aperfeiçoar-se na caridade que é perene. Veja 1 Cor 12,31 e 13+.

    Muito mais ainda restrições ao "repouso no Espírito" em reuniões, por necessitar de "aprofundamento, estudo e discernimento"; quanto aos exorcismos, atentando-se ao estabelecido no cânon 1172, reservado apenas às autoridades eclesiásticas competentes para discernir com perícia e objetividade o caso.

    Por outro lado, o S Padre Bento XVI em viagem a Benin, África, como noutras ocasiões, criticou as liturgias atraentes, emotividades e manifestações ruidosas ou culturais e semelhantes às celebrações litúrgicas como anti eclesiais, instando-nos a um cristianismo "mais simples, profundo, compreensível", sob normas oficiais da Igreja, evitando-se os sentimentalismos, afirmando que tais manifestações emotivistas provêem de seitas pentecostalistas aparentemente compreensivas e atraentes, não passando de "sincretismo religioso e pentecostalismo protestante", advertindo-nos a não os imitar; caso contrário, a Igreja perderia seu caráter de catolicidade, permitindo ser instrumentalizada em palco de manifestações de culturas locais, aparentando inclusive sincretismo oriundo da própria Igreja.

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  22. A sua benção Pe.Luís Fernando

    É interessante,para mim que sou 'Católico Apostólico Romano' e participante da RCC,perceber o olhar zeloso de um sacerdote por questões,um tanto controversas da Igreja.Deixo claro que não posso concordar com muitos pontos que o Senhor explicitou,mas em outro cabe o benefício da dúvida que leva a um questionamento mais profundo dessa realidade que é a RCC.
    Erros?controvérsias?
    Sei que tudo isso é previsto quando se trata de um movimento com tanta originalidade em sua proposta.Por isso peço a Deus que surjam sempre pessoas como o senhor,que busquem um melhor entendimento e compreensão desse movimento eclesial.
    Por fim,oro para que possamos todos fazer a vontade de Deus.E,ainda clamo a virgem Maria que cubra-nos com seu manto sagrado.
    Pe.Luís Fernando que Deus continue sempre te abençoando.E que a Virgem Maria sempre Rogue por ti.Amém

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  23. " O que se faz, desculpem-sem, é heresia. Pois, o Espírito Santo é invocado como se fosse um espírito ou um demônio para possuir, entrar, no corpo de uma pessoa, dominá-la e dar-lhe seu poder. Isto é absurdo! O Espírito nos dá poder sim, mas é outro! O poder de amar como Jesus, sacrificar-se como Jesus, viver como Jesus. Ele nunca precisou orar em línguas ou desmaiar e, sabemos, o Espírito Santo estava sempre com Ele."
    Padre, a partir deste trecho de sua conclusão, minha dúvida é a seguinte... Achas mesmo que o repouso no Espírito Santo é pura heresia??? Espero que respondas direta e francamente, SIM? ou NÃO?

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    1. Vc me faz uma pergunta capciosa: se eu responder que não, perguntarás: "então porque afirmou?". Se eu responder que "sim", me dirás que o Papa deu a aprovação ao movimento e que, portanto, estou em erro. Logo, a resposta que lhe darei é: Não é pura heresia, haja vista o Papa ter dado a aprovação do movimento. No entanto, EU pessoalmente vejo estes fenômenos como preocupantes.

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  24. "Muitas pessoas que frequentam cultos neo-pentecostais e G.O. agem como se a glossolalia fosse quase obrigatória para o ingresso ali. Outras posturas de pessoas que catalogam e condenam aqueles que não entendem, não aceitam e não praticam os “carismas”." Padre, concordo plenamente com o que dizes... Mas tenho uma dúvida... Ora, se o Catolicismo é um só, não deveriam TODOS os católicos no mínimo conhecer e aceitar esses carismas? E tomar posse de uma vez por todas de uma fé, com identidade única? Veja bem, não estou falando em praticar, mas apenas crer, conhecer, e saber que é verdadeiro e realmente existe! Qual sua posição perante isso? Pois o que me faz muitas vezes repensar o catolicismo, apesar de sempre ter sido católico, é a divisão de crenças dentro da nossa Santa Igreja... Lideranças e até mesmo o presbitério discordando entre si, da igreja, do Papa... Por que???

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    1. Conhecer sim, conhecemos. Aceitar é outra questão, uma vez que isto é algo próprio da espiritualidade de um movimento. Que o dom de línguas é verdadeiro, penso que o seja haja vista ser bíblico. Já o repouso no Espírito é mais complexo porque envolve questões psicológicas. Há divisão porque ainda não há consenso e nem uma definição dogmática. O dia que houver não haverá mais divisões e isso só acontecerá quando a Igreja estiver madura para tal.

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    2. Padre Luis Fernando, parabéns pela sua posição, ante a verdadeira invasão de nossa igreja, por essa idéia RCC de aprisionamento do Espírito Santo para colocá-lo ao nosso serviço . Nas leituras que temos não lemos que o o Espírito sopra onde e quando queremos, mas sim onde e quando Ele quer. Fico muito satisfeito em saber que um padre jovem como o senhor está tâo bem esclarecido sobre o tema que aliás tem uma explicação definitiva em Paulo Coríntios 1,14. Precisamos urgentemente voltar a falar no amor a Deus e ao próximo com a iluminação do Espírito Santo e acabar de vez com aquilo que nos afasta deste caminho.Um grande abraço e que o Espirito de Deus continue nos conduzindo à todos para o caminho da VERDADE que a todos edifica.e liberta.

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