Páginas

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Resposta de VEJA ao embuste do PT

Aqui, a verdade sobre Dilma e o aborto. Não é um boato anônimo da Internet. Ela defendeu a legalização

Se a página não for tirada do ar, a entrevista em que a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, defende a legalização do aborto está aqui. Foi concedida a Carla Gullo e Maria Laura Nevesm da revista Marie Claire. O título é “A mulher do presidente”. Eu cometi um engano aqui. Havia escrito que a entrevista era de 2007. Não é, não! É de abril de 2009, há pouco mais de um ano.
Dali a alguns meses, a Casa Civil tornaria publico o decreto com o Programa Nacional dos Direitos Humanos, que trazia a legalização do aborto como um… “direito humano”, o que certamente assombra as áreas da política, da filosofia, da religião, da moral e da lógica. E Dilma estava muito à vontade porque, como se nota, falava com interlocutoras que concordavam com ela.
Quando as tais “pesquisas qualitativas” indicaram que essa opinião poderia não trazer votos e até tirar, então a “mulher do Lula” resolver mudar de idéia e se comportar como “a mulher do pastor” — não dá pra dizer “mulher do padre” porque não fica bem…
Então não venham agora alguns coleguinhas escrever coisas como: “O PT combate o boato de que Dilma defende a legalização do aborto…” Ou: “Há uma corrente na Internet segundo a qual Dilma defenderia a legalização do aborto”…
Calma lá!

Em abril do ano passado, já candidata oficiosa, Dilma defendeu a legalização do aborto. Não é boato! O futuro do pretérito, a depender do caso, pode ser só o tempo verbal da história reescrita.
Trecho da revista:
MC Uma das bandeiras da Marie Claire é defender a legalização do aborto. Fizemos uma pesquisa com leitoras e 60% delas se posicionaram favoravelmente, mesmo o aborto não sendo uma escolha fácil. O que a senhora pensa sobre isso?
DR
-  Abortar não é fácil pra mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos.
Por Reinaldo Azevedo

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/aqui-a-verdade-sobre-dilma-e-o-aborto-nao-e-um-boato-anonimo-da-internet-ela-defendeu-a-legalizacao/

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Vivemos um monento histórico

Sabe aquele attimo de tempo, ao mesmo tempo atemporal, eterno e fugaz, no qual vc se sente plenamente participante de tudo o que há? Senti assim durante a visita de Sua Santidade ao Reino Unido. Sim, irmãos, nós temos um Papa! E me (nos) orgulho (orgulhamos) muito dele, pois, quando todas as previsões da imprensa laicista dava por perdida esta visita, Bento XVI resplandeceu daquela nobre simplicidade da qual está revestido o Vigário de Cristo. Eloquentemente discursou no Parlamento Britânico e dialogou com os Anglicanos. Salve Santo Padre! Nós estamos contigo! (eu rezei todos os dias por ele... rsss... e vou continuar rezando....) Se você quiser ler as boas notícias, acesse o site www.zenit.org e leia as notícias dos dias da viagem.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Os números do relativismo

BRUXELAS, segunda-feira, 20 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – A sede do Parlamento Europeu em Bruxelas acolheu na terça-feira passada uma conferência sobre a encíclica social de Bento XVI, Caritas in Veritate, organizada pelo Grupo Popular Europeu.
 
“Creio que esta iniciativa nos deu muito ânimo”, declarou na Rádio Vaticano o líder do grupo, deputado Mario Mauro. Demo-nos conta de que as coisas das quais o Papa fala não são apenas necessidades do mundo contemporâneo, mas também necessidades de nossas instituições”, acrescentou. Para Mauro, levar uma encíclica do Papa para a Câmara do Parlamento Europeu “significa desafiar, de fato, uma mentalidade envelhecida, na qual se tornou moda um concepção dominante que acredita poder subestimar o homem”.
O deputado recordou que as instituições europeias nasceram por um pacto que quer garantir paz e desenvolvimento. Ele afirmou que “quem nasce com esta origem não pode não reconhecer nas palavras do Papa uma proposta honesta de um caminho de bem para toda a humanidade”.

Uma encílica política
O deputado explicou que no debate desta terça-feira, “em primeiro lugar foi constatado que a Caritas in veritate é uma encíclica política”. Neste sentido, explicou que a encíclica começa destacando que a caridade na verdade é um formidável instrumento de promoção da pessoa humana. “Portanto, se temos em mente o que dizia na Populorum Progressio Paulo VI, ou seja, que a política é a forma mais elevada da caridade, podemos ler a encíclica nesta chave particular, que é: a política na verdade é um instrumento formidável de promoção da pessoa humana.” Segundo Mauro, “não há página da encíclica que, de uma forma ou outra, não seja um juízo sobre como fazemos política e sobre como o fazer político pode-se transformar no instrumento mais adequado para a realização do bem comum”.

“Números do relativismo”
Os participantes da conferência realizaram uma reflexão antropológica e filosófica, mas também econômica e social. “Para ser mais específico – disse Mauro –, vale a pena recordar entre os grandes perigos que ameaçam o homem contemporâneo um grande ataque, tanto antropológico como social e econômico, à pessoa humana, advindo do relativismo.” O deputado alertou do perigo que se corre quando o relativismo se converte em ideologia e ofereceu também alguns “números do relativismo”: há um aborto a cada 27 segundos em nossa sociedade europeia, 10 milhões de divórcios que pesam sobre 15 milhões de filhos e uma população envelhecida que faz com que um país como a Turquia ou o Egito tenha mais da metade dos jovens da União Europeia. Para Mauro, estes dados refletem “uma concepção na qual se perde a esperança de construir: não há nada pelo que valha a pena viver, não há uma verdade para se comprometer”. “E isso tem como consequência – continuou – que faltem para a geração atual razões para formar sua casa, formar sua própria família, trazer filhos ao mundo...”.

Pobreza e pessoa
O deputado referiu-se ainda ao fato de ter lido a encíclica no ano europeu contra a pobreza. “Nossa estratégia sobre a pobreza é de desenvolvimento, não simplesmente uma iniciativa de distribuição de recursos procedentes dos países mais ricos, mas a promoção da pessoa”, disse. Como para Bento XVI, “é a pessoa que se faz protagonista de seu tempo, seu país, graças à educação, na qual a fé tem uma função relevante, tem a força de enfrentar os problemas”.

Fonte: www.zenit.org

sábado, 18 de setembro de 2010

"Vós não podeis servir a dois Senhores" - Sobre os tempos atuais. Homilia.

"Maria está sempre aí. Igreja da visitação de Deus entre os homens!"
HOMILIA 25º DOMINGO TEMPO COMUM – ANO C

“Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens” (cf. Lc 16,2). Esta fala de Jesus no evangelho complementa outro pensamento seu igualmente profundo: aquele que é fiel no pouco, o será nas coisas maiores. Quem não é fiel no pouco, igualmente não será nas grandes. Quem é o servo fiel e prudente que o Senhor vai constituir sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim (cf. Mt 24,45-47). Mas, se aquele servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir, e começar a espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, virá o Senhor daquele servo no dia em que o não espera e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis (cf. Lc 12,42-48)
 
Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo, nesta hora dramática da história do nosso país, na qual daqui a poucos dias se elegerá nas urnas os governantes de milhões de homens e mulheres neste país-continente, é que venho falar às consciências de vocês, meus paroquianos. Já não há mais o que esconder. Já não há mais subterfúgios escondidos, segundas intenções dissimuladas, meias verdades ou suposições infundadas. Na era digital, toda informação corre à velocidade de bits por segundo. Estão muitos corações escancarados, muitas vidas a descoberto, muitas intenções a nu, muitas falcatruas e fisiologismos abertos diante dos nossos olhos. A desonestidade, a mentira, a dissimulação, o desejo infanticida e anárquico estão aí para quem quiser ver, ouvir e ler. É o mistério da iniqüidade em marcha neste solo da Santa Cruz.

Igualmente está diante de nós a exigência do Evangelho. Não somente desta página que hoje ouvimos, mas, de todo o evangelho. Do evangelho que diz pela boca do profeta: “Foi-lhe dado [ao falso profeta] até mesmo infundir espírito à imagem da besta, de modo que a imagem pudesse falar e fazer com que morressem todos os que não adorassem a imagem da besta. Faz também com que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos recebam uma marca na mão direita ou na fronte, para que ninguém possa comprar ou vender se não tiver a marca, o nome da besta ou o número do seu nome” (Ap 13,15-17).

E nós iremos ver, ouvir e assistir a tudo isso passivamente, rezando tranquilamente nossos Pai-Nossos e Ave-Marias? Não! Não podemos! Não temos esse direito! A nós serão pedidas contas daquilo que o Senhor nos deixou. E o que ele te deixou, caríssimo irmão, irmã? Ele te deixou a filiação adotiva por meio da fé recebida no santo batismo. Porém, não pode existir de fato uma fé etérea, sem compromisso e veracidade na vida de quem a professa. Igualmente é falsa uma fé que se traveste de verniz e não tem incidência na vida prática. Esse modo de ser não converte nem muda ninguém. Quase podemos ouvir Santo Agostinho nos exortando a sermos tão verdadeiros e íntegros quanto a eucaristia que recebemos: “Se sois o corpo e os membros de Cristo, é o vosso sacramento que é colocado sobre a mesa do Senhor, recebeis o vosso sacramento. Respondeis "Amém" ("sim, é verdade!") àquilo que recebeis, e subscreveis ao responder. Ouvis esta palavra: "o Corpo de Cristo", e respondeis: "Amém". Sede, pois, um membro de Cristo, para que o vosso Amém seja verdadeiro”. É impossível ser membro de Cristo e abonar a mentira. É impossível ser membro deste Corpo Místico e aprovar a rapinagem e a iniqüidade que se instala no Brasil neste momento. Estas duas coisas não comungam. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Como bem disse o Santo Padre Bento XVI na abertura da Conferência de Aparecida: “Nossa maior ameaça é o medíocre pragmatismo na vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez” (AP n. 11).

Como podem existir católicos que votam em candidatos pró-aborto? Como podem existir católicos que votam em candidatos que ameaçam a liberdade religiosa no Brasil com a lei da mordaça? Como podem os católicos votar em candidatos notadamente fascistas, infanticidas e comprometidos com interesses econômicos que visam unicamente o controle das nossas vidas a qualquer custo?! Por causa de um saco de cimento de R$ 18,00 reais? Meu Deus! Que consciência medíocre! A vida de um bebê no útero da mãe vale mais. A vida de um jovem envolvido no tráfico vale mais. A nossa liberdade vale mais. Ter a consciência tranqüila de não ter contribuído com o avanço de leis iníquas nesse país, vale mais. Ter a consciência tranqüila vale mais. Poder dizer estas verdades, vale muito mais!

O mistério da iniqüidade, diz o Papa João Paulo II na Reconciliatio et Paenitentia, pode tomar “graves formas de injustiça social e econômica e de corrupção política” (RP n. 98). Por isso, a Igreja orientada pela Verdade, jamais aceitará “chamar bem ao mal e mal ao bem” (RP n. 34), pois é inequívoca a vida do Cristo que veio não para julgar, mas para salvar (cf. Jo 3,17), e que “foi certamente intransigente como mal, mas misericordioso com as pessoas” (VS n. 95). A lei moral, disse o Papa, é o fundamento da civilização (cf. RP n. 26).

Se não existe nenhuma verdade última que guie e oriente a ação política, então as idéias e as convicções políticas podem ser facilmente instrumentalizada para fins de poder. Uma democracia sem valores converte-se facilmente num totalitarismo aberto ou dissimulado, como a história o demonstra (VS n.101).

E é isto que estamos vendo tomar forma no nosso país, irmãos! O que temos visto é um desfile propagandístico maquiado pelos marqueteiros. Num Estado democrático busca-se o bem comum e não simplesmente aquilo que é ratificado pela maioria. Ortega y Gasset já dizia que "as maiorias são burras" porque geralmente são manipuladas. O bem comum deve ser moralmente bom e não pode ser reduzido a uma questão de saúde pública ou a uma questão subjetiva da consciência ou, pior ainda, à lobby de uma minoria embasada na ideologia de gênero. O Estado tem o dever de, nas suas atribuições, conforme a reta razão e a norma moral, estabelecer o que é bom para todos. Não de forma casuística - bom para determinado grupo. Lembremo-nos sempre que omitir o bem é já colaborar com o mal, por isso o pecado fere tanto a Igreja quanto ofende a Deus (cf. LG n. 11) e destrói a sociedade.

Nos primeiros tempos da Igreja, aplicavam-se as penas públicas em pecados de grave escândalo. Hoje, a Igreja não admite à comunhão sacramental aqueles que “obstinadamente persistem no pecado grave manifesto” (CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO, cân. 915). A Igreja quer com isso que as pessoas, principalmente os sujeitos públicos, se empenhem de fato na mudança de situações intoleráveis como: aborto, roubo, especulação monetária, corrupção, apropriação indevida de bens públicos, trabalhos mal executados, falsificações, dar prejuízo a outrem de forma voluntária, não cumprir promessas e contratos, escravizar seres humanos, destruir a natureza por torpe motivo, explorar o trabalhador, não pagar o justo salário, etc (cf. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA ns. 2408 – 2410, 2414 – 2415, 2427).

Temos o evangélico dever de não calar a voz da Verdade, Cristo Jesus. Dar-lhe plenos direitos de contestar o homem velho e suas estruturas (cf. Cl 3,8-11) para fazer nascer do alto o homem novo (cf. Jo 3,3-8). Não podemos colaborar com o mal, não podemos nos calar frente a verdade. Peço a vocês, em nome da Verdade, não votem em Dilma Rousseff. Eu te convido hoje a redescobrir “este laço essencial entre Verdade-Bem-liberdade” (RP n. 84) que por causa duma cultura de relativismo ético (cf. RP n.101) e religioso entrou em crise.
Se a escolha de Deus do homem é um mistério que nenhuma explicação racional poderá esclarecer, a do homem com relação a Deus é outro mistério incomunicável e que Deus, criando o homem, se obrigou a respeitar.
“E é de nós que Deus espera
a realização ou a não realização duma esperança dele
terrível esperança, responsabilidade verdadeiramente terrível
o Criador precisa da sua criatura...
aquele que tem tudo precisa do que não é nada
aquele que tudo pode precisa do que não pode nada.
Os desígnios de Deus por nós podem faltar,
A sabedoria de Deus por nós pode falhar,
Terrível liberdade do homem.
Podemos fazer com que tudo falhe...
Podemos não responder ao apelo”.

E este apelo não é senão o de Cristo na cruz!
(FERRIER, F. O problema do mal: pedra de escândalo. São Paulo: Paulinas, 1967).

sábado, 11 de setembro de 2010

Candidatos Pró-vida

Este link a seguir leva vc ao site "Brasil sem aborto" que lista, por Unidade da Federação, os deputados pró-vida. Clique aqui.

domingo, 5 de setembro de 2010

Náusea de um século sem Deus


"Ainda que a melhor sociedade viesse a substituir a atual desordem social, não será reparada a injustiça passada e não se anulará a miséria da natureza circunstante" (Horkheimer).

Horkheimer era um ateu judeu. Nietzsche era um ateu alemão. O que ambos tem em comum, além do óbvio ateísmo? Dividiram a constatação da decrepitude de seu tempo. Trago-os como fonte de reflexão sobre o nosso próprio tempo justamente na questão de Deus. Qual a essência da religão? É uma pergunta que não interesssa somente aos ateus consagrados pela filosofia. Interessa sobremaneira a nós, religiosos, que façamos um exame seguro das bases da religião e sua incidência na vida prática.

A constatação de Horkheimer na frase acima é uma ácida crítica ao modus vivendi da primeira metade do séc. XX. A injustiça irreparável, para Horkheimer é a instrumentalização da razão pelos meios de produção. Segundo este pensador da Escola de Frankfurt, a razão é então subjugada aos fins que cada sociedade quer alcançar como meta de realização social.A sociedade da técnica a empregará como meio necessário para tal fim, a sociedade científica também, a sociedade industrial, idem.

Nietzsche pensava que o homem iria chegar à plenitude daquilo que ele é no uso da razão. Os ídolos que aprisionavam a razão estavam em ocaso. Logo apareceria o homem emancipado, dotado da vontade de potência, da capacidade da superação de sua cativa condição de homem à de super-homem. Na idade da razão, Nietzsche é o louco com a lanterna na mão à cata de Deus no meio do mercado dos valores humanos. Todos os valores soçobraram. "Deus - disse Nietzsche, - morreu. E nós o matamos". Então - pretende o alemão, - ergamos o homem. Façamo-lo tornar-se aquilo que ele nasceu para ser.

Mas Nietzsche não viu o tornar-se aquilo que é do homem. Não por sua idade, mas, pela incapacidade da humanidade de gerir-se sozinha. O homem não chegou. Não alcançou o pico da razão. Hoje, século XXI, o homem é lascívia, luxúria, gula, ganância, egoísmo, individualismo, consumismo, hedonismo. Não há mais lugar para o auto-domínio que a razão - mesmo a cínica - pode proporcionar. É a sociedade do descontrole. Não há mais o espaço público da ética, do exercício livre e consciente da ação moral. A moral morreu. A ética, a honradez, a honestidade, a verdade e a autenticidade provinda de uma vida virtuosa, morreram. A razão ocidental morreu servindo aos corpos dos homens. Fato é que a razão instrumental da sociedade pragmática não se preocupa com os grandes ideais. Prende-se à circunstancialidade. Reflexo disso temos no exercício da fé. Muitos deixam a fé católica para um exercício da fé dotado de resposta mágica-automática seja nas seitas protestantes neopentecostais, na yoga ou outros chás e cultos.

Mas se eu vou falar da fé, de Deus, porque até agora só falei do ocaso da razão? O ser humano não pode descaraterizar-se sob pena de perder-se. Que não somos ilimitados, o sabemos. O universo é dotado de leis imutáveis. Uma das quais, a razão do homem. Ao renunciar o reto uso da razão e a seguir seus ditames, o ser humano criado à imagem e semelhança de seu criador, padece em sua própria carne as consequências de suas atitudes - para usar uma expressão de São Paulo. É instrumentalizado e escravizado por aquilo a que ele serve. É uma das leis básicas do universo: seguir os caminhos da razão e das leis naturais. Logo, liberdade de fato só em Deus. Ele não nos perguntou o que achávamos ou o que pensávamos de ter livre-arbítrio. Simplesmente nos dotou deste privilégio. Colocou regras para o seu uso e fixou um tempo determinado para a vida. Limites naturais impostos pelo criador. Ao recusar agir conforme o Absoluto, o ser humano elege como deus, o relativo. Aristóteles já havia percebido que o poder exercido pelos iguais é corrupto. Em "A Política", ele faz uma pesquisa sobre os modos de governo existentes e conclui que a democracia - governo do povo - é igualmente corrupta. Se iguais se governam, logo, o relativo relativiza-me, relativiza a vida e suas implicâncias. No domínio do relativo não há espaço para o Absoluto. "Pode não ser que essa injustiça constitua a última palavra", afirma Horkheimer. Não para defender Deus, mas para afirmar sua convicção de que a realidade última - que não é o mundo nem se confunde com ele - superará e cobrará a injustiça realizada. Afirmo, pois, que essas realidade última é Deus. Bom, mas, e como fica a afirmação de Nietzsche "Deus morreu"?

Deus morreu? Sim. Deus morreu na vida de todos os cristãos e cristãs que não vivem conforme os ditames da reta razão e da fé. Deus morreu na vida de quem vive consumindo promessas e milagres, fazendo de Deus um meio para seu fim. Deus morreu para aqueles que instrumentalizam a religião, enganam seu semelhante, são falsos, hipócritas, mentirosos e gananciosos. Deus morreu para quem vive como se ele não importasse mais ou não tivesse nenhum influxo sobre esta vida. Deus morreu para quem matou a razão. Deus morreu para quem matou os valores. Deus morreu para quem mata o ser humano e escaraviza-o. Deus morreu nas mãos de quem quer enajulá-lo na Igreja dentro de seus "entretantos" e "entrementes", de seus termos, regras e leis que não são conforme Ele. Sim. Morreu! E todos vocês são seus assassinos. Sintam a putrefação de Deus em suas narinas, gritem e se desesperem! Pois, não há salvação para vocês. Não há salvação para os blasfemos. Não há salvação para os apóstatas. Não há salvação para os algozes de Deus! Autuemo-los! Eles nos tiraram a chance de ser uma humanidade feliz e digna em nome de seu oportunismo. Na sentida ausência de Deus, não apareceu o homem emancipado que Nietzsche propugnou porque se morre Deus, morre o homem. Se morre Deus, morre o autor da razão e já não há mais razão para a existência. Se morre Deus, em seu lugar colocam ídolos frívolos, volúveis, exasperantes, abjetos e indecentes. Recuso-me a cultuá-los sob qualquer forma ou aparência.

Esta sociedade na qual vivemos é enauseante. Imunda, pútrida, amoral, cínica, farisaica e medíocre. Quanto mais se afasta de Deus, pior fica, pois, o homem não possui a capacidade da auto-redenção. Se no campo das liberdades pessoais e coletivas conseguiu dar passos significativos rumo à autonomia, no campo do sentido e da ordem das coisas regrediu à depressão do indivíduo. Deus não é uma muleta, um quebra-galhos, um faz-tudo, um policial ou um detetive. Ele é o criador, o Pai. O princípio e o fim de todas as coisas. O horizonte de sentido capaz de transfigurar o presente. Mas tudo depende deste minúsculo ponto no universo dotado de livre-arbítrio chamado 'adamah. Deus não criou o homem para competir com ele ou para escravizá-lo. Criou-o para ser seu amigo. Porque amigos chingam amigos, matam amigos, depreciam e vomitam violência contra os amigos? Porque filhos matam o Pai? Donde esta revolta? Sonho com o dia da amizade entre o céu e a terra e entre os homens. Mas neste dia estarei morto, como Nietzsche. Não por causa do tempo, mas, da impossibilidade.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Como nos tempos de Santo Estevão...


Hoje, lendo Zenit (www.zenit.org), encontrei três notícias que me dão alegria e ao mesmo tempo me dá a chance de compartilhar a dor de ser cristão. A primeira vem da China comunista que tentou calar o Evangelho condenando os católicos à prisão. Zenit noticia assim, a morte de um santo homem: ROMA, terça-feira, 31 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - No último dia 28 de agosto, morreu em Fuzhou (Fujian, China) Dom Jonh Yang Shudao. O prelado, de 91 anos, era arcebispo subterrâneo de Fuzhou e havia passado grande parte da sua vida na prisão. Depois, noticia que no Paquistão, um político inundou uma aldeia cristã somente para salvar suas terras e ninguém assumiu a responsabilidade por esse atentado que matou 15 cristãos e deixou outros 377 desabrigados. Ainda no Paquistão, cristãos voluntários humanitários foram sequestrados e mortos: ISLAMABAD, terça-feira, 31 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - Soldados do exército paquistanês encontraram, no dia 25 de agosto, no vale de Swat, os corpos de 3 voluntários humanitários cristãos estrangeiros, sequestrados 2 dias antes, enquanto participavam das tarefas de socorro às vítimas das inundações no Paquistão. Após esta tragédia, o governo alertou sobre as ameaças talibãs às ONGs. "Os talibãs ameaçaram várias vezes as organizações internacionais que trabalham na região", explicou um alto funcionário do governo à agência Fides. E a última notícia vem do Peru onde um frei franciscano de 80 anos fora assassinado juntamente com seu assistente por assaltantes. Bom gente, como nos tempos de Santo Estevão, está cada vez mais perigoso ser católico. Aguardem... e no Brasil chegaremos a esses extremos se o curso das coisas não mudar.