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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Igreja, Carisma e Poder


Acabei de ler um interessante artigo do site presbíteros. É uma Recensão crítica ao livro "Igreja, Carisma e poder" de L. Boff. Se você seguir este link, poderá lê-la na íntegra. Depois, deixe aqui seu comentário.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Como o Papa Bento XVI lê o Concílio Vaticano II?

Em um discurso à Cúria Romana no natal de 2005, o Papa Bento XVI deixa claro como o Concílio Vaticano II foi salutar à toda Igreja. Eis a parte central do texto:

***

O último acontecimento deste ano, sobre o qual gostaria de me deter nesta ocasião, é a celebração do encerramento do Concílio Vaticano II, há quarenta anos. Tal memória suscita a interrogação: qual foi o resultado do Concílio? Foi recebido de modo correcto? O que, na recepção do Concílio, foi bom, o que foi insuficiente ou errado? O que ainda deve ser feito? Ninguém pode negar que, em vastas partes da Igreja, a recepção do Concílio teve lugar de modo bastante difícil, mesmo que não se deseje aplicar àquilo que aconteceu nestes anos a descrição que o grande Doutor da Igreja, São Basílio, faz da situação da Igreja depois do Concílio de Niceia: ele compara-a com uma batalha naval na escuridão da tempestade, dizendo entre outras coisas: "O grito rouco daqueles que, pela discórdia, se levantam uns contra os outros, os palavreados incompreensíveis e o ruído confuso dos clamores ininterruptos já encheram quase toda a Igreja falsificando, por excesso ou por defeito, a recta doutrina da fé..." (De Spiritu Sancto, XXX, 77; PG 32, 213 A; Sch 17 bis, pág. 524). Não queremos aplicar exactamente esta descrição dramática à situação do pós-Concílio, todavia alguma coisa do que aconteceu se reflecte nele. Surge a pergunta: por que a recepção do Concílio, em grandes partes da Igreja, até agora teve lugar de modo tão difícil? Pois bem, tudo depende da justa interpretação do Concílio ou como diríamos hoje da sua correcta hermenêutica, da justa chave de leitura e de aplicação. Os problemas da recepção derivaram do facto de que duas hermenêuticas contrárias se embateram e disputaram entre si. Uma causou confusão, a outra, silenciosamente mas de modo cada vez mais visível, produziu e produz frutos. Por um lado, existe uma interpretação que gostaria de definir "hermenêutica da descontinuidade e da ruptura"; não raro, ela pôde valer-se da simpatia dos mass media e também de uma parte da teologia moderna. Por outro lado, há a "hermenêutica da reforma", da renovação na continuidade do único sujeito-Igreja, que o Senhor nos concedeu; é um sujeito que cresce no tempo e se desenvolve, permanecendo porém sempre o mesmo, único sujeito do Povo de Deus a caminho. A hermenêutica da descontinuidade corre o risco de terminar numa ruptura entre a Igreja pré-conciliar e a Igreja pós-conciliar. Ela afirma que os textos do Concílio como tais ainda não seriam a verdadeira expressão do espírito do Concílio.

Seriam o resultado de compromissos em que, para alcançar a unanimidade, foi necessário arrastar atrás de si e confirmar muitas coisas antigas, já inúteis. Contudo, não é nestes compromissos que se revelaria o verdadeiro espírito do Concílio mas, ao contrário, nos impulsos rumo ao novo, subjacentes aos textos: somente eles representariam o verdadeiro espírito do Concílio, e partindo deles e em conformidade com eles, seria necessário progredir. Precisamente porque os textos reflectiriam apenas de modo imperfeito o verdadeiro espírito do Concílio e a sua novidade, seria preciso ir corajosamente para além dos textos, deixando espaço à novidade em que se expressaria a intenção mais profunda, embora ainda indistinta, do Concílio. Em síntese: seria necessário seguir não os textos do Concílio, mas o seu espírito. Deste modo, obviamente, permanece uma vasta margem para a pergunta sobre o modo como, então, se define este espírito e, por conseguinte, se concede espaço a toda a inconstância. Assim, porém, confunde-se na origem a natureza de um Concílio como tal. Deste modo, ele é considerado como uma espécie de Constituinte, que elimina uma constituição velha e cria outra nova. Mas a Constituinte tem necessidade de um mandante e, depois, de uma confirmação por parte do mandante, ou seja, do povo ao qual a constituição deve servir.

Os Padres não tinham tal mandato e ninguém lhos tinha dado; ninguém, afinal, podia dá-lo porque a constituição essencial da Igreja vem do Senhor e nos foi dada para que pudéssemos chegar à vida eterna e, partindo desta perspectiva, conseguimos iluminar também a vida no tempo e o próprio tempo. Os Bispos, pelo Sacramento que receberam, são fiduciários do dom do Senhor. Somos "administradores dos mistérios de Deus" (1 Cor 4, 1); como tais devem ser encontrados "fiéis e sábios" (cf. Lc 12, 41-48). Isto significa que devem administrar o dom do Senhor de modo justo, para que não fiquem ocultos no esconderijo, para que tragam frutos e o Senhor, no final, possa dizer ao administrador: "Porque foste fiel no pouco, dar-te-ei autoridade no muito" (cf. Mt 25, 14-30; Lc 19, 11-27). Nestas parábolas evangélicas exprime-se a dinâmica da fidelidade, que interessa no serviço do Senhor, e nelas também se torna evidente, como num Concílio dinâmica e fidelidade devam tornar-se uma só coisa.

À hermenêutica da descontinuidade opõe-se a hermenêutica da reforma, como antes as apresentou o Papa João XXIII no seu discurso de abertura do Concílio em 11 de Outubro de 1962 e, posteriormente o Papa Paulo VI no discurso de encerramento a 7 de Dezembro de 1965. Desejo citar aqui somente as palavras tão conhecidas de João XXIII, nas quais esta hermenêutica é expressa inequivocavelmente quando diz que o Concílio "quer transmitir a doutrina pura e íntegra sem atenuações nem desvios" e continua: "O nosso dever não é somente guardar este tesouro precioso, como se nos preocupássemos unicamente pela antiguidade, mas dedicar-nos com diligente vontade e sem temor a esta obra, que a nossa época exige... É necessário que esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e apresentada de modo que corresponda às exigências do nosso tempo. De facto, uma coisa é o depósito da fé, isto é, as verdades contidas na nossa veneranda doutrina, e outra coisa é o modo com o qual elas são enunciadas, conservando nelas, porém, o mesmo sentido e o mesmo resultado" (S. Oec. Conc. Vat. II Constitutiones Decreta Declarationes, 1974, pp. 863-865). É claro que este cuidado de exprimir no modo novo uma determinada verdade exige uma nova reflexão sobre ela e uma nova relação vital com a mesma; é claro também que a nova palavra pode maturar somente se nasce de uma compreensão consciente da verdade expressa e que, por outro lado, a reflexão sobre a fé exige igualmente que se viva esta fé. Neste sentido o programa proposto pelo Papa João XXIII era extremamente exigente, como também é exigente e dinâmica a síntese de fidelidade. Porém, onde quer que esta interpretação tenha sido a orientação que guiou a recepção do Concílio, cresceu uma nova vida e amadureceram novos frutos. Quarenta anos depois do Concílio podemos realçar que o positivo é muito maior e mais vivo do que não podia parecer na agitação por volta do ano de 1968. Hoje vemos que a boa semente, mesmo desenvolvendo-se lentamente, cresce todavia, e cresce também assim a nossa profunda gratidão pela obra realizada pelo Concílio.

Paulo VI, no seu discurso de conclusão do Concílio, indicou ainda uma específica motivação pela qual uma hermenêutica da descontinuidade poderia parecer convincente. No grande debate sobre o homem, que distingue o tempo moderno, o Concílio devia dedicar-se de modo particular ao tema da antropologia. Devia interrogar-se sobre a relação entre a Igreja e a sua fé, de um lado, e o homem e o mundo de hoje, de outro (ibid., pp. 1066ss.). A questão torna-se ainda mais clara, se em vez do termo genérico de "mundo de hoje" escolhêssemos outro mais exacto: o Concílio devia determinar de modo novo a relação entre a Igreja e a era moderna. Esta relação tinha tido um início muito problemático com o processo a Galileu. Rompeu-se depois totalmente, quando Kant definou a "religião no contexto da pura razão" e quando, na fase radical da revolução francesa, se difundiu uma imagem do Estado e do homem que para a Igreja e para a fé praticamente não desejava conceder qualquer espaço. O conflito da fé da Igreja com o liberalismo radical e também com as ciências naturais que pretendiam envolver com os seus conhecimentos toda a realidade até aos seus extremos, propondo-se insistentemente de tornar supérflua a "hipótese de Deus", tinha provocado no Século XIX, sob Pio IX, por parte da Igreja ásperas e radicais condenações de tal espírito da era moderna. Portanto, aparentemente não havia mais qualquer espaço aberto para uma compreensão positiva e frutuosa, e eram igualmente drásticas as rejeições por parte daqueles que se sentiam os representantes da era moderna. Enquanto isso, porém, também a era moderna conheceu desdobramentos. Percebia-se que a revolução americana tinha oferecido um modelo de Estado moderno diferente daquele teorizado pelas tendências radicais originadas na segunda fase da revolução francesa. As ciências naturais começavam, de modo sempre mais claro, a reflectir sobre o próprio limite, imposto pelo seu próprio método que, mesmo realizando coisas grandiosas, todavia não era capaz de compreender a globalidade da realidade. Assim ambas as partes começavam progressivamente a abrir-se uma à outra. No período entre as duas guerras mundiais, e ainda mais depois da segunda guerra mundial, homens de Estado católicos demonstraram que pode existir um Estado laico moderno, que porém não é neutro em relação aos valores, mas vive haurindo das grandes fontes éticas abertas pelo cristianismo. A doutrina social católica, pouco a pouco desenvolveu-se e tornou-se um modelo importante entre o liberalismo radical e a teoria marxista do Estado. As ciências naturais, que sem reserva professaram um método próprio no qual Deus não tinha acesso, percebiam cada vez mais claramente que este método não compreendia a totalidade da realidade e abriam portanto novamente as portas a Deus, sabendo que a realidade é maior do que o método naturalista e daquilo que ele possa abranger. Poder-se-ia dizer que se formaram três círculos de perguntas, que agora no momento do Vaticano II, esperavam uma resposta. Antes de mais, era preciso definir de modo novo a relação entre fé e ciências modernas; isto dizia respeito, finalmente, não apenas às ciências naturais mas também à ciência histórica pois numa determinada escola, o método histórico-crítico reclamava para si a última palavra na interpretação da Bíblia e, pretendendo a plena exclusividade para a sua compreensão das Sagradas Escrituras, opunha-se em pontos importantes da interpretação que a fé da Igreja tinha elaborado. Em segundo lugar, era preciso definir de modo novo a relação entre a Igreja e o Estado moderno, que abria espaço aos cidadãos de várias religiões e ideologias, comportando-se em relação a estas religiões de modo imparcial e assumindo simplesmente a responsabilidade por uma convivência ordenada e tolerante entre os cidadãos e pela sua liberdade de exercer a própria religião. A isto, em terceiro lugar, estava ligado de modo geral o problema da tolerância religiosa uma questão que exigia uma nova definição sobre a relação entre a fé cristã e as religiões do mundo. Em particular, diante dos recentes crimes do regime nacional-socialista e, em geral, num olhar retrospectivo a uma longa e difícil história, era preciso avaliar e definir de modo novo a relação entre a Igreja e a fé de Israel.

São todos temas de grande importância eram os grandes temas da segunda parte do Concílio sobre os quais não é possível deter-se mais amplamente neste contexto. É claro que em todos estes sectores, que no seu conjunto formam um único problema, podia emergir alguma forma de descontinuidade que, de certo modo, se tinha manifestado, de facto uma descontinuidade, na qual todavia, feitas as diversas distinções entre as situações históricas concretas e as suas exigências, resultava não abandonada a continuidade nos princípios facto que facilmente escapa a uma primeira percepção. É exactamente neste conjunto de continuidade e descontinuidade a diversos níveis que consiste a natureza da verdadeira reforma. Neste processo de novidade na continuidade devíamos aprender a compreender mais concretamente do que antes que as decisões da Igreja em relação às coisas contingentes por exemplo, certas formas concretas de liberalismo ou de interpretação liberal da Bíblia deviam necessariamente ser essas mesmas acidentais, justamente porque referidas a uma determinada realidade em si mesma mutável. Era preciso aprender a reconhecer que, em tais decisões, somente os princípios exprimem o aspecto duradouro, permanecendo subjacente e motivando a decisão a partir de dentro. Não são, por sua vez, igualmente permanentes as formas concretas, que dependem da situação histórica e podem portanto ser submetidas a mutações.

Assim as decisões de fundo podem permanecer válidas, enquanto as formas da sua aplicação a estes novos podem mudar. Assim, por exemplo, se a liberdade religiosa for considerada como expressão da incapacidade do homem para encontrar a verdade e, consequentemente, se torna canonização do relativismo, consequentemente ela, por necessidade social, foi elevada de modo impróprio a nível metafísico e está privada do seu verdadeiro sentido, com a consequência de não poder ser aceite por quem crê que o homem é capaz de conhecer a verdade de Deus e, com base na dignidade interior da verdade, está ligado a tal conhecimento. Uma coisa completamente diversa é, porém, considerar a liberdade de religião como uma necessidade derivante da convivência humana, aliás, como uma consequência intrínseca da verdade que não pode ser imposta do exterior, mas deve ser feita pelo próprio homem somente mediante o processo do convencimento.

O Concílio Vaticano II, com o Decreto sobre a liberdade religiosa, reconhecendo e fazendo seu um princípio essencial do Estado moderno, recuperou novamente o património mais profundo da Igreja. Ela pode ser consciente de encontrar-se assim em plena sintonia com o ensinamento do próprio Jesus (cf. Mt 22, 21) como também com a Igreja dos mártires, com os mártires de todos os tempos. A Igreja antiga, com naturalidade, rezou pelos imperadores e pelos responsáveis políticos considerando isso seu dever (cf. 1 Tm 2, 2); porém, enquanto rezava pelos imperadores, recusou-se adorá-los, e com isto rejeitou claramente a religião do Estado. Os mártires da Igreja primitiva morreram pela sua fé naquele Deus que se revelou em Jesus Cristo, e exactamente por isso, morreram também pela liberdade de consciência e pela liberdade de profissão da própria fé uma profissão que por nenhum Estado pode ser imposta, porém pode ser realizada somente com a graça de Deus, na liberdade da consciência. Uma Igreja missionária que, como se sabe, insiste em anunciar a sua mensagem a todos os povos, deve empenhar-se pela liberdade da fé. Ela deseja transmitir o dom da verdade que existe para todos e, enquanto isso, assegura aos povos e aos seus governos que não quer destruir a sua identidade e as suas culturas, mas leva-lhes uma resposta que, no seu íntimo, esperam uma resposta com que a multiplicidade das culturas não se perde, ao contrário crescem a unidade entre os homens e também a paz entre os povos.

O Concílio Vaticano II, com a nova definição da relação entre a fé da Igreja e determinados elementos essenciais do pensamento moderno, reviu ou melhor corrigiu algumas decisões históricas, mas nesta aparente descontinuidade, manteve e aprofundou a sua íntima natureza e a sua verdadeira identidade. A Igreja, quer antes quer depois do Concílio, é a mesma Igreja una, santa, católica e apostólica peregrina nos tempos; ela prossegue "a sua peregrinação entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus", anunciando a morte do Senhor até que Ele venha (cf. Lumen gentium, 8). Quem pensava que com este "sim" fundamental para a era moderna se dissipassem todas as tensões e a "abertura ao mundo" assim realizada transformasse tudo em pura harmonia, tinha subestimado as tensões internas e também as contradições da mesma era moderna; tinha subestimado a perigosa fragilidade da natureza humana que em todos os períodos da história e em cada constelação histórica é uma ameaça para o caminho do homem. Estes perigos, com as novas possibilidades e com o novo poder do homem sobre a matéria e sobre si mesmo, não desapareceram, mas assumem novas dimensões: um olhar sobre a história actual demonstra-o claramente. Também no nosso tempo a Igreja permanece um "sinal de contradição" (Lc 2, 34) não sem motivo o Papa João Paulo II, ainda Cardeal, tinha dado este título aos Exercícios Espirituais pregados em 1976 ao Papa Paulo VI e à Cúria Romana. Não podia ser intenção do Concílio abolir esta contradição do Evangelho em relação aos perigos e aos erros do homem. Era, porém realmente a sua intenção deixar de lado contradições erróneas ou supérfluas, para apresentar a este nosso mundo a exigência do Evangelho em toda a sua grandeza e pureza. O passo dado pelo Concílio em direcção à era moderna, que de modo tão impreciso foi apresentado como "abertura ao mundo" pertence definitivamente ao perene problema da relação entre fé e razão, que se apresenta sempre de novas formas. A situação que o Concílio devia enfrentar é comparável aos acontecimentos das épocas precedentes. São Pedro, na sua primeira Carta, tinha exortado os cristãos a estar sempre prontos a responder (apo-logia) a quem quer que perguntasse o logos, a razão da sua esperança (3, 15). Isto significava que a fé bíblica devia entrar em debate e em relação com a cultura grega e aprender a reconhecer mediante a interpretação a linha de distinção, mas igualmente o contacto e a afinidade entre elas na única razão dada por Deus.

Quando no século XIII, através dos filósofos judeus e árabes, o pensamento aristotélico entrou em contacto com a cristandade medieval formada na tradição platónica, e que fé e razão correram o risco de entrar em contradição inconciliável, foi sobretuto S. Tomás de Aquino a mediar o novo encontro entre fé e filosofia aristotélica, colocando assim a fé em uma relação positiva com a forma de razão dominante no seu tempo. O difícil debate entre a razão moderna e a fé cristã que, num primeiro momento, com o processo a Galileu, iniciou de modo negativo, certamente conheceu muitas fases, mas com o Concílio Vaticano II chegou a hora em que se requeria uma ampla reflexão. O seu conteúdo, nos textos conciliares, foi traçado seguramente em linhas gerais, mas com isto determinou a direcção essencial, de modo que o diálogo entre razão e fé, hoje particularmente importante, com base no Vaticano II encontrou a sua orientação. Agora este diálogo precisa desenvolver-se com grande abertura mental, mas igualmente com aquela clareza de discernimento dos espíritos que o mundo justificadamente espera de nós neste exacto momento. Assim podemos hoje, com gratidão, dirigir o nosso olhar ao Concílio Vaticano II: se o lemos e recebemos guiados por uma justa hermenêutica, ele pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a sempre necessária renovação da Igreja.

Frases do Tolkien que eu gosto!


Sou fã do Tolkien. O que ele escreveu é para a posteridade! Por isso vou postar (rsrss,,, trocadilhos à parte) algumas frases dele que eu gosto.
* * *
"Ora, os orcs são cruéis, malvados e perversos. Não fazem coisas bonitas. Mas, fazem muitas coisas engenhosas" (O Hobitt)

“Não amo a espada brilhante por sua agudeza, nem a flecha por sua rapidez, nem o guerreiro por sua glória. Só amo aquilo que eles defendem.” (Faramir em Ithilien)

“Muitos que vivem merecem morrer, alguns que morrem merecem viver, você pode dar-lhes vida? Então não seja tão ávido em condenar alguém à morte.” (Gandalf, o Cinzento)

“Tanto para o menor como para o maior há coisas que só podem ser realizadas uma vez, e neste feito seu coração repousará”. (Fëanor no monte Ezellohar)

"Meu querido Frodo! – Exclamou Gandalf. – Os hobbits são de fato criaturas surpreendentes, como já disse antes. Pode-se aprender tudo o que se há pra saber deles em um mês, e apesar disso ainda podem depois de cem anos surpreendê-lo numa emergência" (Gandalf em Bolsão).

“Todos temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado” (Gandalf)

"Tentei salvar o condado, e ele foi salvo, mas não para mim. Muitas vezes precisa ser assim, Sam, quando as coisas correm perigo: alguém tem de desistir delas, perdê-las, para que outras pessoas possam tê-las..." (Frodo – indo para os Portos Cinzentos)

"My precious." (Gollun)

"A noite cobre Isengard”. (Barbárvore)

“Filhos de Gondor, de Rohan, meus irmãos! Vejo em seus olhos o mesmo medo que domou meu coração. Poderá haver um dia em que deserdamos os nossos amigos e traímos os laços de amizade. Mas esse dia não é hoje! Uma hora de lobos e escudos despedaçados quando a era dos homens for destruída. Mas esse dia não é hoje! Hoje, nós lutamos!” (Aragorn diante do Moranom)

“O golpe apressado normalmente se perde”. (Gandalf)

"Vou diminuir e me dirigir para o Oeste, continuando a ser Galadriel" (Galadriel)

O conselho é uma dádiva perigosa, mesmo dos sábios para os sábios, e tudo pode dar errado.
- Gildor

Aquele que quebra uma coisa para descobrir o que ela é deixou o caminho da sabedoria.
- Gandalf

Mesmo as aranhas mais caprichosas podem deixar um fio frouxo. - Gandalf

Muitas vezes a verdade se esconde nas mentiras. - Glorfindel

É sábio reconhecer a necessidade, quando todas as outras soluções já foram ponderadas, embora possa parecer tolice para aqueles que têm falsas esperanças. - Gandalf

É sempre assim o curso dos fatos que movem as rodas do mundo: as mãos pequenas os realizam porque precisam, enquanto os olhos dos grandes estão voltados para outros lugares. - Elrond

Não jure que caminhará no escuro aquele que não viu o cair da noite.
- Elrond

Não despreze a tradição que vem de anos longínquos; talvez as velhas avós guardem na memória relatos sobre coisas que alguma vez foram úteis para o conhecimento dos sábios. - Celeborn

Uma arma traiçoeira é sempre perigosa para quem a empunha. - Gandalf

A notícia que vem de longe raramente é verdadeira. - Théoden

Para olhos tortos a verdade pode ter um rosto desvirtuado. (gosto demais desta! é particularmente verdadeira nos dias de hj) - Gandalf

Geralmente o hóspede que não foi convidado acaba sendo a melhor companhia.
- Éomer

Alguém que, numa necessidade, não consegue jogar fora um tesouro está acorrentado.
- Aragorn

Com freqüência o mal com o mal se apaga. - Théoden citando um provérbio de Rohan

A mão queimada ensina melhor. Depois disso o conselho sobre o fogo chega ao coração.
- Gandalf

A guerra deve acontecer, enquanto estivermos defendendo nossas vidas contra um destruidor que poderia devorar tudo; mas não amo a espada brilhante por sua agudeza, nem a flecha por sua rapidez, nem o guerreiro por sua glória. Só amo aquilo que eles defendem
- Faramir

O elogio que vem daquele que merece o elogio está acima de todas as recompensas.
- Faramir

O servo tem um direito sobre o mestre pelos serviços prestados, mesmo se prestados por medo.
-Frodo

Ações generosas não devem ser reprimidas por conselhos frios. - Gandalf

O golpe apressado geralmente se perde. - Aragorn

Os feitos não serão menos corajosos por não serem celebrados. - Aragorn

Um traidor pode trair-se a si mesmo e fazer o bem que não pretende. - Gandalf

A esperança muitas vezes engana, [...] o auxílio que chega sem ser esperado é duplamente abençoado. - Éomer

É sempre assim com as coisas que os homens começam; há uma geada na primavera, ou uma praga no verão, e suas promessas fracassam. - Gimli

A esperança talvez nasça, quando tudo é desgraça. - Legolas

Não é nossa função controlar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que pudermos para socorrer os tempos em que estamos inseridos, erradicando o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que viverem depois tenham terra limpa para cultivar. Que tempo encontrarão não é nossa função determinar. - Gandalf

Só é necessário um inimigo para preparar uma guerra, e não dois, [...] e aqueles que não têm espadas ainda podem morrer por meio delas. - Éowyn

Escolha um nome pequeno, para não precisar diminuí-lo antes de usá-lo. - Sam, citando o Feitor sobre nomes.

Muitas vezes precisa ser assim [...] quando as coisas correm perigo: alguém tem de desistir delas, perdê-las, para que outros possam tê-las. - Frodo

"Pareceu haver duas músicas evoluindo ao mesmo tempo. Uma era profunda, vasta e bela, mas lenta e mesclada a uma tristeza incomensurável, na qual sua beleza tivera principalmente origem”, enquanto a outra era “alta, fútil e infindavelmente repetitiva; tinha pouca harmonia, antes um som uníssono e clamoroso como o de muitas trombetas soando apenas algumas notas” - Ainulindale p.5

Mesmo assim devo andar como um cego, enquanto o sol alegra a floresta sob as folhas douradas! - Legolas

Realmente, o mundo está cheio de perigos, mas ainda há muita coisa bonita, e embora atualmente o amor e a tristeza estejam misturados em todas as terras, talvez o primeiro ainda cresça com mais força. – Háldir

Havia uma luz sobre esse mundo que não podia ser descrita na língua dele. Tudo o que via parecia harmonioso, mas as formas pareciam novas, como se tivessem sido concebidas e desenhadas no momento em que lhe tiraram a venda dos olhos, e ao mesmo tempo antigas, como se tivessem existido desde sempre. Frodo não viu cores diferentes das que conhecia, dourado e branco e azul e verde, mas eram novas e pungentes, como se naquele mesmo momento as tivesse percebido pela primeira vez, dando-lhes nomes novos e maravilhosos. – A ortodoxia

Quando tivesse partido e entrado outra vez no mundo de fora, Frodo, o andarilho do Condado, ainda estaria caminhando ali, sobre a relva e por entre os elanor e niphredil da bela Lothlórien - A experiência de Deus

Não se via nenhum sinal de idade naqueles rostos, a não ser que estivesse na profundeza dos olhares, que eram agudos como lanças sob a luz das estrelas, e apesar disso profundos: os poços de profundas recordações. - Sobre Celeborn e Galadriel

Escuras são as águas do Kheled-zâram, e frias são as nascentes do Kibil-nâla, e belos eram os salões cheios de pilares de Khazad-dûm nos Dias Antigos, antes que poderosos reis caíssem no seio da rocha. – Galadriel

O mal que foi concebido há muito tempo continua agindo de muitas maneiras. – Galadriel

Pode ser que as trilhas nas quais cada um de vocês deve pisar já estejam diante de seus pés, embora talvez não consigam enxergá-las. – Galadriel

Não despreze a tradição que vem de anos longínquos; talvez as velhas avós guardem na memória relatos sobre coisas que alguma vez foram úteis para o conhecimento dos sábios. – Celeborn

Da Torre Branca vão procurá-lo, mas ele não mais retornará das montanhas ou do mar. – Aragorn

O bem e o mal não mudaram desde o ano passado; nem são uma coisa para os elfos e anões e outra coisa para os homens. É papel de um homem discerni-los, tanto na Floresta Dourada como em sua própria casa. - Aragorn

domingo, 15 de agosto de 2010

Respostas

À senhora Ana Maria.
Não incitei em momento algum o ódio contra a senhora. Pelo contrário. Fui cortês todo o tempo. Sobre permitir ou não insultos à senhora, não há um mecanismo de se controlar como os leitores vão se manifestar. Cada um escreve do modo como se manifesta sua consciência e isso, independente do meu querer ou do seu. Sobre o ódio que a senhora citou, só gostaria de lembrá-la o desrespeito e o ódio (o Papa tá doido?) com que tratas os fiéis leigos e hierarcas da Igreja que não são SV em seu blog. Minha intenção não é sair refutando blog por blog na internet. Nem tenho tempo para isso, pois, tenho uma paróquia com muito trabalho. E o fato de o autor do blog "Sucessão" ser uma mulher também não é relevante para mim. O que para mim importa são as idéias.

Igreja Una.
Não consegui acessar seu perfil para ver seu nome. Porém, digo: Segundo o Evangelho, o pecado para o qual não há perdão é o pecado contra o Espírito Santo. A blasfêmia. Jesus não diz no evangelho que aquele que não for católico morrerá e irá para o fogo do inferno. Você e tantos outros blasfemam contra o Espírito Santo e pecam mortalmente, presumindo-se melhores sabedores e iluminados das verdades da fé do que toda a Igreja reunida sob a ação do Espírito Santo em um Sacrossanto Concílio; e do que os Papas e Bispos de toda a Igreja pós-conciliar. Esta presunção tiveram Adão e Eva no paraíso e por isso pecaram e foram expulsos da presença de Deus. Pecado pelo qual pagaram com a vida. A quem se arroga o direito de conhecedor do bem e do mal, ou acima deles, Deus concede que caiam em desgraça para que reconheçam seu erro e voltem ao bom caminho.

Sobre do texto de Lucas: Em Lucas 11,23 (que é ipsis literis o texto de Mt 12,30) vamos ver o seguinte: "Quem não está a meu favor está contra mim". Agora vamos a Mc 9,40: "Porque quem não é contra nós é por nós". Com qual dos dois textos ficar? Com o excludente (Lucas e Mateus) ou com o includente, Marcos? Como interpretar que Jesus tenha dito duas frases tão díspares? "Disse-lhe João: Mestre, vimos alguém que não nos segue, expulsando demônios em teu nome, e o impedimos porque não é dos nossos. Jesus, porém, disse: Não o impeçais, pois não há ninguém que faça um milagre em meu nome e logo depois possa falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós". Alguma pessoa pode se fazer de surda a essa palavra do Evangelho? Creio que não. Para que servem as controvérsias? Jesus não quis que entre os seus houvesse disputas "Entre vós não deve ser assim". Ele abomina esse tipo de coisa entre seus seguidores. Vejo que é como se Tiago e João disputassem para ver quem está certo. Ou Pedro e Paulo. Quem ganharia a disputa? Não sei. Quem perderia? Todos! Numa "guerra" todos perdem. Perdem tempo de amar a Deus e ao próximo. Perdem tempo de oração. Perdem em humildade. Perdem em pobreza. Perdem em pureza e santidade. Perdem na fidelidade a Jesus. Vejo a ordem franciscana como um bom exemplo disso. Sempre que alguém por lá quis se levantar para ser "o fiel", "o melhor", "o mais perfeito imitador de Francisco", "o melhor representante do pensamento geral" houve uma cisão. Por isso há os vários ramos na OFM. Me dói o coração ver católicos dizendo a outros católicos: "Você é herege". "Você é inferior". "Você não presta". "Sua fé não presta". "Eu sou melhor que você". "Eu sou mais perfeito imitador de Cristo do que você". "Eu li os documentos do Papa para citá-los para você". Todos lemos os documentos da Igreja. Amamos esta mesma Igreja. Mas, usar os documentos magisteriais como embasamento para cisão, desarmonia, discórdia e divisão? É como rasgar o evangelho! Penso que não foi por isso que Jesus morreu na cruz. Falta razão. Há muita paixão. Há muito envolvimento afetivo a partir do gosto pessoal por um modelo X ou por um modelo Y de Igreja. Se é para sacralizar um dos modos de a Igreja existir no tempo, porque não sacralizar o modo como os apóstolos viveram? Eles conviveram com Jesus! Eles receberam a mesma fé íntegra que nós. Eles foram os primeiros! Ah, mas eles não tinham encíclicas, decretos e condenações a partir das quais possamos eliminar o modo como a Igreja existiu no Império Romano, na Idade Média, na Idade Moderna e na contemporaneidade! Francamente!!! Tudo isso é muito passional a meu ver. Pouco racional. Muito presunçoso. Eu não vou inventar a roda. Não vou inventar a Igreja. A conheci como a recebi. Não sou melhor dos que os que me precederam na fé e lutaram para que esta fé se mantesse íntegra e pudesse chegar até aqui. Do mesmo modo luto para mantê-la íntegra e trasmiti-la tal qual a recebi. Não sou nenhum iluminado especial para apontar os erros do Santo Padre ou dos Bispos. Se eu conseguir ser fiel a Jesus Cristo e à Igreja durante a minha vida, terei feito um grande progresso. Se conseguir trazer à vida divina os afastados dos sacramentos e fazê-los vivenciar de novo a nossa fé, terei cumprido minha missão sacerdotal. Ademais, conviveremos - como desde sempre - com a virtude e o pecado, o joio e o trigo, dentro desta mesma Igreja santa. Meu papel é ser semeador. O ceifador é outro. Que eu semeie concórdia e não discórdia, já serei bastante grato a Deus por isso.
* * *

sábado, 14 de agosto de 2010

O problema é a eclesiologia


Depois do debate acalorado com a senhora Ana Maria do blog "Sucessão", vez ou outra visito-o e vejo algumas coisas boas. Parabenizo-a por ter tido a felicidade de fazer boas críticas a alguns assuntos. No entanto, vi duas recorrências às quais me reporto agora com toda a caridade pastoral. De antemão já explico que não tenho nada contra a pessoa de dona Ana Maria. Estou apenas refletindo a respeito de um modo de pensar que não é somente dela, mas de outros tantos católicos e assim, tentando abrir um espaço de diálogo. Não farei críticas à pessoa, ressalto, mas às idéias que podem ser veiculadas por mim, por você leitor, ou por qualquer outra pessoa.

A senhora Ana Maria faz uma crítica à reportagem acerca do Movimento Comunhão e Libertação feita pelo canal de notícias Zenit, a qual diz explicitamente que o Papa Bento XVI alenta, deseja, que este movimento continue a testemunhar a beleza de ser cristão, que é próprio da natureza deste movimento, haja vista as circunstâncias em que ele foi fundado. Bom, estas palavras do Papa foram colocadas sob suspeita, igualmente um movimento aprovado a 25 anos pela Santa Sé, com uma enorme interrogação como a nos inquirir: O que isto quer dizer? Talvez um leitor mais simples leia esta notícia de Zenit e se alegre pelo fato de o Papa alentar que um movimento da Igreja, uma parte do corpo místico de Cristo, esteja fecundamente dando o testemunho alegre da viva esperança que é o evangelho de Nosso Senhor. Mas isto é colocado sob suspeita. Igualmente é colocado sob suspeita a reta intenção do fundador e da Igreja ao aprovar o referido movimento. Este modo de pensar que vai colocando tudo o que é "não-eu" como suspeita é nocivo, pois, o mundo não se resume a eu e minhas circunstâncias, ou seja, há quem não seja exatamente igual a mim. Nem por isso são piores que eu. A tendência a ver o mundo como um espelho de si, a nivelar a realidade - sobretudo eclesial - a um único nível é uma tentação não nova na Igreja e no mundo, pois, cada qual vê o mundo pela janela que tem.

A Igreja nunca foi uniforme, mas, multiforme. Nunca foi totalmente nivelada, mas, sempre comportou as diferenças e distinções desde o seu princípio. Como exemplo mínimo, cito as Igrejas orientais, os vários ritos (galicano, ambrosiano, cartuxo, bracarense (donde vem meu bispo), além dos vários ritos das Igrejas orientais sui iuris) e modos de organização das Igrejas em torno ao Bispo de Roma. Igualmente dentro da própria Igreja Católica sempre houve diferenças de culturas e apreensão do dado da fé haja vista os movimentos que iniciaram no século XX e foram vistos com bons olhos pela Igreja. São distintos, mas, unidos. Ainda outra notícia do blog "Sucessão" me chamou a atenção. Trata-se de um comentário a outra matéria de Zenit. Desta vez a matéria trata das palavras do santo Padre aos membros da comunidade de Taizé. Como está na matéria, seu fundador Irmão Roger foi assassinado em 2005 com uma punhalada nas costas aos 90 anos. Palavras de Zenit: "O Papa expressou sua “proximidade espiritual e união na oração com a Comunidade e com todos os que participam na comemoração da memória do irmão Roger (...). Testemunha infatigável do Evangelho de paz e de reconciliação, o irmão Roger foi um pioneiro nos caminhos difíceis da unidade entre os discípulos de Cristo. Agora que entrou na alegria eterna, o irmão Roger continua a falar-nos. Que o seu testemunho de um ecumenismo de santidade nos inspire no nosso caminho para a unidade e que a vossa Comunidade continue a viver e a fazer brilhar o seu carisma, especialmente junto das gerações mais jovens.” Palavras de dona Ana Maria: "O Papa tá doido ou há erro na Igreja? Com quem devemos ficar: com o dogma FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO ou com o irmãozinho separado? (...) Quero ver quem vai defender essas palavras! Ecumenismo de santidade e herege na alegria eterna, levou-nos ao nocaute!!!! Isso é um ensinamento novo: FORA da Igreja há salvação. E eu ainda fico com crise de consciência por não cumprir preceito e o "irmãozinho separado" nos guia no caminho do ecumenismo santo &*%$#@"

Primeiro, volto a me assustar com o modo rude e violento de expressar as próprias idéias e convicções. Segundo, na esteira do que eu vinha dizendo anteriormente há aqui nestas idéias um forte equívoco. Evidente que o Papa está bem lúcido. Será que eu na minha pauperitude irei lhe ensinar alguma coisa? Irei apontar-lhe os seus erros, eu que sou o grande sábio da doutrina da Igreja, que tenho os dogmas, decretos e condenações à ponta da língua? Bom, vejo muita pretensão, pouca sabedoria e uma visão estreita de Igreja.

A eclesiologia que o Concílio Vaticano II apresenta, e igualmente a Dominus Iesus, não é a eclesiologia da exclusão. A Igreja não é a que exclui da salvação. Mas a que inclui na salvação. A Igreja não é o locus salvífico para que os outros que nela não estejam, sejam condenados. Ela é o locus salvífico para atrair todos a Cristo. A única Igreja de Cristo, diz o Concílio, subsiste na Igreja Católica (Lumem Gentiun). Não para dizer que Deus é nossa propriedade privada e quem não está conosco está contra nós. Mas para afirmar positivamente que a salvação é oferecida a todos e foi confiada, como sagrado depósito, à Igreja (Dei Verbum). A Dominus Iesus afirma categoricamente: "Com a expressão subsistit in o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e , por outro, a de que "existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua organização", isto é, nas Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica."

O motivo de crise anotado por dona Ana Maria se manifesta por uma eclesiologia eclesiocêntrica. Ao passo que o Papa Bento XVI e toda a Igreja pós-conciliar se guia por uma eclesiologia de corte trinitário. Aliás, este é todo o embasamento doutrinal e dogmático da Dominus Iesus: A Igreja é a Igreja da Trindade, aquela que Deus quis que acontecesse no meio dos homens como fonte de salvação e não de condenação. Diz explicitamente a Dominus Iesus:
"Deve-se crer firmemente, como dado perene da fé da Igreja, a verdade de Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor e único Salvador, que no evento de sua encarnação, morte e ressurreição realizou a história da salvação, a qual tem nele sua plenitude e seu centro (...) Deve-se, portanto, crer firmemente como verdade de fé católica que a vontade salvífica e universal de Deus Uno e Trino é oferecida e realizada uma vez para sempre no mistério da encarnação, morte e ressurreição do Filho de Deus". A Igreja está inserida no mistério salvífico de Deus. Não é ela quem salva. É Deus através dela. De fato, o Concílio a identifica como sacramento universal de salvação para todos os povos (número 1 da Lumem Gentium). Espero que possamos continuar nosso caminho de fé na Trindade Santa, fiéis ao Senhor em sua Igreja. Testemunhando com vigor nossa fé em meio às tormentas, porém, sem perder o rumo e o leme; sem confundir o fundamento com as colunas.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Despedidas belas são dignas de belas palavras...


No final de 2005 Pe. Renato deixou a reitoria do Seminário São João Vianney onde fui formado e eu, inspirado por vários poetas como você verá a seguir, escrevi-lhe esta mensagem de despedida. Posto-a aqui como um memorial de belos tempos.

Caríssimo Padre Renato,
Quando o corpo se cansa e o amor e a esperança nos fazem continuar, sentimo-nos mais homens e a alma agradece o dom de se doar.
Mas eis que agora esquecidos do cansaço e de toda inquietação, queremos fazer um elogio e reverentes agradecer ao Padre Renato por três anos de constante lava-pés.
É com grande acerto que diz o poeta: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Mas como medir a grandeza de uma alma? Tão rápida quanto a pergunta, surge a resposta: por sua generosidade em doar-se.
O medíocre sempre terá medo de lançar-se, o invejoso sempre irá desqualificar aqueles que ousam enfrentar desafios e os ambiciosos nunca saberão o que é a alegria proporcionada pelo valor que possuem as pequenas coisas.
Já os grandes homens, estes não se prendem ás vicissitudes e cobiça, pois se guiam por um Ideal maior que eles mesmos.
Os grandes homens marcam a história, dividem águas, questionam a humanidade sobre o próprio homem.
Os grandes homens são águias que não temem a imensidão do infinito tampouco o dourado do sol, pois como as águias, moram nas alturas e o céu é seu lugar de origem.
Os medíocres, invejosos e ambiciosos serão esquecidos, não deixarão lembrança. Deles não falarão as canções e os poetas não cantarão suas mortes.
Mas aqueles que exerceram com prudência e virtude a autoridade ganharão nome por seus feitos e seus conselhos serão sempre lembrados. Suas palavras serão remédio para a alma quando, sob as primeiras estrelas vespertinas, abater-se o desânimo e a angústia.
O exemplo de tais homens traz à mente de cada um o que há de melhor e de mais excelente no mundo. Tais exemplos nos apontam um norte e se tornam estrelas que iluminam nossas noites.
Sua presença entre nós, Padre Renato, foi como um farol colocado á beira-mar. Não obstante as tempestades, nunca deixaste de chamar-nos ao porto seguro que é Cristo.
Marcas deixaste em nossos corações, marcas feitas com o cinzel de Deus, marcas que serão sempre lembradas.
Por ora o que fica é este agradecimento que ecoa do coração arfante de cada um dos seminaristas desta casa. Fica um “nó na garganta, um humano desconsolo e o desconcertante olhar de Deus que através do seu olhar nos deixa sem jeito ao dizer que nos ama”.
A ti erguemos um tributo de reverente alegria! Por tudo de bom e de ruim, de noite e de dia, obrigado! Simplesmente, obrigado! Obrigado, porque a vida é sempre Graça!
Que a Imaculada, mãe de todos os homens, a Onipotência Suplicante e medianeira de todas as graças torne seu caminho menos árduo. Onde tudo parecer mostrar apenas espinhos, por meio d’Ela se exale o suave perfume de rosa e assim tenhas paz no coração.
Estaremos fisicamente separados, mas sempre nos encontraremos no silêncio do tabernáculo!

Seminaristas do Seminário Interdiocesano São João Maria Vianney
Solenidade da Imaculada Conceição - 08/12/2005