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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Erano due occhi...


Eram dois olhos azuis que tinham em si um tanto de céu, um tanto de universo. Que falava pouco do muito que é Deus. Quero hoje falar um pouco dos sacerdotes. Não dos sacerdotes que eu gostaria que existissem. Tampouco dos que eu gostaria que nem existissem. Somente dos que existem.

Como sou grato por eles existirem na minha vida. Alguns já abandonaram o ministério, mas ainda assim são referências. Não deixaram de sê-lo por não mais exercerem o ministério. Eu os amo do mesmo modo como fui amado e, se é certo que o amor é eterno, amo-os no presente.

Sabe, houve um tempo em que eu me preocupava com o que os outros seriam ou eram. Hoje preocupo-me com o que sou. Nunca convivi com padres que caminhassem nas ruas vestidos com batina e roquete. Imagino o quão dolorido foi para os que conviveram neste tempo não mais os avistar entre nós hoje. Eu convivi com padres que usavam roupas comuns e eu achava comum também até entrar pro seminário e conhecer o que era batina, clergyman, sobrepeliz... Conheci gigantes, homens de Deus abnegados e recolhidos. Operantes na obra do Senhor e com espiritualidade altíssima. Raríssimas vezes os vi de terço na mão ou breviário sobre o braço. Isso não era coisa para se ostentar. Era para se viver no recolhido silêncio de suas vidas solitárias em Deus.

Nunca ouvi-os detratando os irmãos de presbitério por usarem ou não batina, clergyman, etc. Engraçado, eu conheci uma outra face do sacerdócio. Uma face que me encantou. Conheci um padre Eduardo Pedro Lopes que caminhava de chinelos e somente usava casula e turíbulo na páscoa e no natal. Foi ele quem me iniciou no processo vocacional e foi ele quem me vestiu na ordenação. Ele deixou o ministério por um tempo, mas depois, voltou ainda mais forte. Ele era pra mim a face de Deus. Eu podia ver Deus nele, me lembro. Eu era ainda criança, mas, seu jeito simples de ser era divino. Eu era coroinha e chegava na casa paroquial para ir com ele às missas nas fazendas e o pegava no alpendre da casa paroquial cortando as unhas do pé... rsss... depois, me convidava pra tomar leite com chocolate antes de sairmos. Não me lembro de nenhuma de suas homilias. Mas me lembro dele e como, através dele, me senti amado por Deus. Em seu sorriso, no seu modo de ser, de falar simples e sem jactância.

Conheci também um padre Euclydes Bebiano dos Santos. Homem muito enérgico. Tínhamos medo dele. De suas homilias eu me lembro. Dos seus pecados também. Mas não houve outro igual. Verdadeiramente de Deus. Verdadeiramente apaixonado no ministério e na Igreja. Verdadeiramente apóstolo da juventude. Como essa face sacerdotal me encantou! Como eu queria ser diferente como ele, enérgico como ele, objetivo como ele, santo como ele! Uma águia inigualável!

Fui para o seminário. Dos que comigo conviveram, lembro muito do Padre Roberto Fernandes que ha pouco deixou o ministério. Homem simples, humilde, sincero, santo, honesto, orante. Ah, Pe. Roberto! Meu amigo!!! Como você é um espelho para mim. Como suas atitudes me enobrecem por te conhecer. Como sou um homem feliz por ter tido a honra de cruzar pelo teu caminho! Conheci contigo uma face do sacerdote amigo, desarmado, alegre no serviço por simples doação a Deus.

E o que dizer de Padre Renato L. Lopes? Este também deixou o ministério. Mas como padre é irretocável. Me lembro da primeira vez que ele usou batina, sobrepeliz e capa magna na adoração ao Santíssimo no Seminário. Foi o comentário da semana! rsss... Como o senhor fora amigo, terno, modelo e exemplo! Teu zelo me inspira. Tua varonilidade me enche de orgulho por tê-lo conhecido. Tua coragem é a coragem dos mártires e tu bem o sabes. O senhor me mostrou o rosto de um sacerdócio amante da Igreja e sua riqueza amabilíssima! Obrigado.

Erano due occhi... azuis cor de céu ao meio dia quando o sol está a pino. Padre Ricardo Pinto hoje está numa paróquia de São Paulo. O conheci na Mariápolis. Muito simples, assim como Nossa Senhora. Sandálias, camisa e calças comuns. Nada de especial. Mas... eram dois olhos!!! Padre, o senhor se lembra de arregalar os olhos (que já são grandes... rsss) e me dizer: "ê Luizão" ou simplesmente "graaaande Luix" (o X é porque ele é pernambucano e formado no Rio de Janeiro... rsss). Aqueles olhos me abriam o universo e eu podia ver o céu neles. Não só por serem imensamente azuis, mas, porque eles transparecem Deus. Ianua Coeli eu via em seus olhos, Padre Ricardo. Como ele é simples, vocês precisavam conhecê-lo. Ele, ao celebrar a missa, não tem nada de especial. Sua homilia não arranca arrepios. Seus paramentos são uma túnica já gasta pelo tempo e as estolas dos tempos litúrgicos. Ele celebra a missa como se continuasse a conversa que estávamos tendo na sala, mas, com uma solenidade própria de quem preside In Persona Christi. Ele é assim porque seu sacerdócio não é uma coisa diferente de sua vida. Com túnica ou sem ela, ele é Padre Ricardo Pinto. Seu sacerdócio é sua vida e sua vida é toda ela sacerdotal, como a túnica inconsútil de Cristo. A ele eu aplico a frase que Ir. Helenice tem em seu msn: "No final do caminho me dirão: viveste? Amaste? E sem dizer nada, abrirei o coração cheio de nomes". Quando ouvi sua voz na Canção Nova, traduzindo em tempo real o Congresso "Saccerdotti oggi" da Sala Paulo VI, fiquei cheíssimo de orgulho e felicidade. Talvez o senhor nem se lembrasse de mim naquele momento, mas, eu me senti amado em cada palavra que era traduzida porque, sei, elas são expressão do amor experienciado em cada momento.

Eu teria muitos outros dos quais falar. Mas me falta inspiração agora e não quero desfazer, com um ímpeto de orgulho, este pequeníssimo esboço que acabei de fazer. Sabe, eu não me canso de dizer: "Sou padre. Amo muito tudo isso" ou às vezes digo "ser padre é bom demais". Primeiramente por minha experiência sacerdotal e em segundo lugar, mas não menos importante, por estes exemplos de vida, porque é isso que eu quero: "No final do caminho me dirão: viveste? Amaste? E sem dizer nada, abrirei o coração cheio de nomes".

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O padre dos meus sonhos infantis


Muita gente me pergunta várias coisas. Certa feita ouvi certa pergunta à qual eu respondi assim como vou descrever a seguir. A pessoa me perguntou: Padre, eu estava partilhando com minha namorada: será que é certo o padre nem olhar no seu rosto durante a comunhão, nem conversar com você? Nem ler os projetos da coordenação do ministério por que não gostou de algumas coisas que foram faladas que estavam erradas dentro da paróquia?

Minha resposta foi uma auto-reflexão a partir da pergunta. Primeira coisa: o padre é um homem e gosta e desgosta das mesmas coisas que qualquer pessoa. Ele também fere e é ferido como qualquer outra pessoa Quando seu lado não é visto numa discussão. Bom, tem uma lenda na Igreja: o padre não pode ficar chateado, o padre não pode ficar bravo, o padre não pode perder o controle, o padre não pode ficar com raiva, o padre não pode ficar muito alegre, o padre não pode sorrir demais nem ter cara fechada demais. O padre tem que ser um poste!

O padre que todo mundo sonha é um calanguinho branco destes de parede que dá dentro de casa
que balança a cabeça pra tudo o que todo mundo diz e ainda sorri e diz: "nossa muito obrigado. Você realmente ajudou muito. Eu amo você. Você é especial! Vou rezar por você. Vou na sua casa te bajular qualquer dia desses" mesmo que pessoa tenha dito a coisa mais imbecil da face da terra; mesmo que tenha destratado o padre; mesmo que tenha desfocado totalmente o assunto ou destratado um irmão de comunidade. Assim todo mundo ficaria feliz, a paróquia seria uma grande família feliz e, com certeza, bem sínica. Onde há pessoas há conflitos e o padre, por melhor que seja, será sempre o ponto de unidade numa paróquia e por isso mesmo catalizador de muitos conflitos. Relações adultas levam em consideração o outro como o outro é e não como eu quero que ele o seja. Acontece que nós padres sentimos e reagimos como todas as outras pessoas.

Porém, um padre não pode destratar um fiel, não pode evitá-lo. Tem que amá-lo como Nosso Senhor nos manda mesmo nos momentos mais tensos. O amor ao próximo deve sobressair nas nossas ações, mas, esse é o ideal de vida e no concreto, nem sempre é assim. Por isso o padre que cai nesse pecado contra o próximo deve ter a capacidade de se levantar e recomeçar, pedir perdão e tomar o caminho de volta. Igualmente as pessoas por ele feridas devem tomar a mesma atitude. Recomeçar sempre. Ser o primeiro a amar e, nos casos onde ambos se ferem, ser o primeiro a pedir perdão, pois, no reino de Deus quem perde, ganha. Ser perfeito não é nunca errar... É saber recomeçar sempre.

A realidade do próximo nos pede que nós o amemos com tudo o que temos. Às vezes esse amar concretamente o próximo significa morrer para si. Vejo em nossas comunidades reais poucas pessoas - de leigos a sacerdotes - dispostos a morrer para si. Porém, sem morte não há ressurreição-vida. Recompor o padre é tarefa da comunidade. Recompor a comunidade, é tarefa do padre. Ambos se constroem e a regra para isto acontecer deve ser o amor concreto. Sem infantilismos ou birras, mas como adultos que se conhecem e se amam em Cristo Jesus.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O desafio de ser pessoa


Há tempos que eu tento analizar o comportamento do ser humano, sobretudo face ao contato com o outro, o diferente. Lèvinas dizia que o rosto do outro me desperta a alteridade e Mounier dizia que uma pessoa se constitui como ser humano no enfrentamento com o seu próximo. Pensei algumas vezes nestas duas proposições e, inclusive, gostei muito das obras personalistas de Mounier (as quais também o Papa João Paulo II havia lido, com certeza).

Quando saí da filosofia fui um homem de poucas certezas, mas, certezas construídas com o rigor da fé e do pensamento reflexivo. A teologia, de longe, é a mais excelente de todas as ciências e me deu aquilo que faltou à filosofia. Porém, antevi uma beleza no ser humano desde a filosofia e tal beleza se torna ainda mais resplandecente quando descobrimos a beleza de Deus que se encarna e se torna homem com os homens, homem em meio as dores, pois, ali está revelada toda a plenitude à qual a humanidade é chamada.

Me encanta este Jesus que descobri a fundo nos evangelhos. Nunca vítima, mas, sempre altaneiro e protagonista de sua própria vida como o podemos ouvir em Jo 10,18 "Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai" ou em Lc 9,51 "quando se completaram os dias de sua assunção, tomou resolutamente o caminho de Jerusalém". Nunca ouvi Jesus queixar-se nos evangelhos das calúnias sofridas. Ao contrário, ele transformava as situações injuriosas de modo a ser estas também uma possibilidade de conversão aos seus interlocutores. Quando ele percebia uma armadilha, agia com sabedoria. Não precisava julgar ninguém ou se fazer de vítima. Sua própria postura era a postura de quem agia na verdade, na retidão, na transparência. Eram seus adversários que ficavam com vergonha. Jesus não tinha necessidade de rebaixar ninguém para se sentir melhor que os outros.

Me encanta este Jesus que encontrei no evangelho que arrebenta com as estruturas arcaicas de uma religião farisaico-legalista. Certamente que fora o mais odiado dos judeus de seu tempo. Expulsou os vendedores do Santo Templo de Jerusalém (Jo 2, 13-22), colheu espigas no sábado (Mc 2,23) e logo há a reação farisaico-legalista: "Vê! Como fazem eles o que não é permitido fazer no sábado?" (Mc 2,24). Me encanta quando ele acolhe a pecadora adúltera (Jo 8,1-11), ou quando expulsa o demônio da filha da mulher siro-fenícia (Mc 7,24-37), ou quando dialoga com a samaritana no poço de Jacó (Jo 4), ou quando se torna impuro tocando o homem da mão ressequida, assumindo aquela impureza para si (Mc 1,41). Se eu continuar a citar exemplos, delongar-me-ei por longo texto. Eu quero apenas deixar transparecer esta independência e auto-consciência livres de Jesus face às realidades que o cercavam. Sem se deixar prender por nenhuma delas, foi totalmente executor da vontade do Pai sem, contudo, humilhar quem quer que seja (Fl 2,6). Foi totalmente ele no Pai pela unção do Espírito. Foi totalmente um ser-para-os-outros sem perder-se nos outros.

É essa lucidez em Jesus que me encanta e me faz querer ser melhor a cada dia de minha vida.
Quando ele está com os doze, surge a polêmica com Tiago e João querendo sentarem-se à direita e à esquerda de Jesus e, a seguir, a indignação dos outros dez. A lição de Jesus é direta: "sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam. Entre vós não será assim: ao contrário, aquele que dentre vós quizer ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos" (Mc 10,42-44). Certamente que Jesus ensina a humildade, porém, mais que isso. Ensina o verdadeiro modo de os seus discípulos se relacionarem: "Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros" (Jo 13,35).

Ser pessoa, no sentido cristão, é ser como Jesus um ser-para-os-outros ou, como dizia Mounier, "Ser todo para todos sem deixar de ser e de ser eu". É irrenunciável o amor concreto ao próximo a quem quer seguir Jesus. É irrenunciável a verdadeira humildade, calar o ego, ter a docilidade e afabilidade no trato com o próximo. Jesus quando disse que era filho de Deus, logo em seguida complementou: "Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós" (Jo 13,13-15). Jesus poderia ter parado Judas. Poderia ter descido da cruz. Poderia ter fugido de Getsêmani, mas não o fez. A conversão que Jesus quis era a conversão da pessoa por inteiro sem imposições. Por causa de suas atitudes os que o mataram julgaram estar prestando um culto a Deus (Jo 16,2) e, por causa disso, diz ele que assim também farão aos discípulos.

Há tantos extremismos no mundo como podemos perceber em algumas religiões suicidas e terroristas. Essa não é a marca do cristianismo. A marca do cristão é a marca de Nosso Senhor Jesus Cristo. É sua mais completa e sublime imitação (lembrando Tomas de Kemphis) nos seus gestos existenciais mais nobres: "amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem". Esta atitude é a atitude sensata, reflexiva e equilibrada do homem e da mulher que são, como Jesus, senhores de sua história e não se deixam arrastar pelos humores do momento. É a atitude existencial básica de quem tem fé. Pois, só ama como Jesus quem possui a fé de Jesus. Ele nos mostra como agir no auto-domínio: "Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao homem mau; antes, àquele que te fere na face direita oferece-lhe também a esquerda; e aquele que quer pleitear contigo para tomar-te a túnica, deixa-lhe também a veste; e se alguém te obrigar a andar uma milha, caminha com ele duas." E continua Jesus: "Com efeito, se amais aos que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem também os publicanos a mesma coisa?" (Mt 5, 38-47).


Ser pessoa de fé e não um arremedo de ser humano. Auto-dominante, consciente, reflexivo. Livre como Jesus, amante do próximo como Jesus, serviçal como Jesus: Eis a grandeza do ser humano, a nobreza a qual podemos chegar. Pois, se nos xingamos como os outros, se brigamos como os outros, se nos rasgamos e degladiamos como os outros que não crêem, não esperam, não amam; que diferença fazemos no mundo e, pior ainda, que recompensa teremos? Penso que está posto a todos nós o desafio de ser pessoa neste mundo plural e diverso que se apresenta a nós. Seguramente não nos perderemos se formos fiéis a Jesus, seguindo o conselho de São Paulo em Gl 2,20: caminhemos com os olhos fixos naquele que é o Autor e Realizador da fé, Jesus!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Reflexão

Quis postar aqui uma resposta a um leitor do blog acerca do post "Minha indignação com os puritanos" que me fez as perguntas a seguir que achei sensatas:

Padre,

O senhor acha correto o Padre Fábio de Melo se tornar um cantor da Som Livre, organização que restringe ate os lugares que o referido padre vai, não o deixando nem celebrar Missas, sem antes consultá-los?

O Senhor acha correto um padre apresentar-se com o tipo de vestimenta que ele se apresenta por ae?

As mulheres gritando palavras de baixo calão nos seus shows, falando como se ele fosse um mero artista de TV?

O padre me leva a entender em alguns dos seus discursos que o sacerdócio é mais um alavanque para sua carreira.... Que tristeza.

Olhe, reveja seus conceitos. Não é questão de puritanismo, é questão de não escandalizar as ovelhas já tão maltratadas pelos lobos ferozes. Ai daqueles que escandalizarem as pessoas...Ai daqueles....

Há uma grande diferença entre não pactuar com o erro e tornar-se um atacante da própria Igreja. Concordo que não é esse o melhor modo de exercer o ministério sacerdotal. Ser sacerdote é bem mais que dar pílulas ansiolíticas de auto-ajuda e neste quesito há que o sacerdote ser verdadeiramente intransigente na sua forma de atuar, sobretudo, protegendo-se de situações dúbias como são as que normalmente nos colocam a mídia. Porém, nem atitudes como essas que vc cita nos dá o direito de execrar publicamente um sacerdote como foi feito com o Pe. Fábio de Melo. É bem verdade que nem todos são como o Pe. Paulo Ricardo. Alguns tem um desejo de sobressair-se e isso se deve à vaidade humana. Tenho certeza que estes mesmos têm consciência do perigo que correm com sua vaidade absolutizada. Será que eu - penso - num blogue de internet, execrando e humilhando um sacerdote vou conseguir abrir-lhe a consciência para a mudança? Penso que a resposta é absolutamente NÃO. Me estarrece a ira contida nalgumas falas totalmente desprovidas de espírito cristão, a raiva incontida e expressamente verbalizada. O mundo virtual favorece atitudes como estas de confronto com um Golias imaginário. Gostaria muito de ter conhecimento de que as pessoas que iniciaram este processo de execração pública tenham tido a atitude real - não virtual - de ir falar com o Pe. Fábio de Melo, de apresentar-lhe suas petições e preocupações ou até mesmo de falar com seu Bispo e lhe apresentar tais circunstâncias julgadas inadequadas. É bem fácil xingar desde um blogue, expressar tristeza e consternação. No mundo real as coisas são diferentes. Acredito que estas pessoas são boas, contudo, tomaram atitudes precipitadas e impensadas. Foi somente por este motivo - e tomado tanto por um sentimento de indignação - que postei o tópico "Minha indignação com os puritanos". Acabar com a índole de uma pessoa é fácil. Difícil é construir um ser humano diferente.
A Paz do Cristo Jesus esteja contigo!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Réplica

Caro autor do blog "Quer agrade, quer desagrade" ao qual me refiro pela alcunha Christus Imperat. Lhe saúdo com a mesma paz que o Senhor veio trazer à terra. Acredito piamente que você não conseguiu entender o que eu escrevi nalgumas linhas, uma vez que sua interpretação foi totalmente distorcida da apresentada por mim no texto. Quero deixar claro algumas coisas. Primeiro que a herança que recebi da minha família e da Igreja é a fé, como nós a professamos no Símbolo (Sacramentário, pp. 30). Segundo, tautologias realmente me entediam. Terceiro: se não há necessidade de condená-lo (Padre Fábio de Melo) por aquilo que ele diz ou escreve - uma vez que já se supõe serem seus escritos, e outros, funestos - então qual a necessidade de criar um blog e veicular na internet estas idéias contrárias? Simplesmente não consigo entender a real necessidade (aqui você me chamará de cego).
Finalmente chego onde gostaria: eu usei de ironia em meu texto ao usar as palavras que encontrei no blog que citei. A seguir você afirma que eu coloquei o sentido da minha vocação nas músicas de Padre Fábio. Nunca afirmei que o sentido de minha vocação foi encontrado nas músicas do Padre Fábio de Melo. Aliás, minha vocação não mas, a vocação à qual o Senhor me chamou. Eu afirmei que em dado momento de minha vida aquelas músicas fizeram sentido para mim mas não disse quando fora este momento. Agora explico mais detalhadamente para você: quando era seminarista uma música em especial me fez compreender algo que eu não compreendia e, por isso, me ajudou. Porém, a vocação à qual o Senhor me chamou foi despertada muito tempo antes disso quando eu ainda tinha 9 anos de idade. O que há de extraordinário neste fato? Talvez o fato de eu ter ouvido esta música??? Será que ela me contaminou???? Deixo a reflexão a seu critério...
A seguir você delonga na explicação sobre o que é vocação segundo o Pe. Joseph Lahitton. Talvez meus formadores tenham lido esta brilhante explicação do Pe. Lahitton ou não. Talvez tenham apenas seguido as Leis da Igreja que estão no C.I.C. Talvez você me conheça melhor que eles todos - e eram seis formadores! - e melhor que meu Bispo e possa categorizar de modo excelente minha vocação. Ah, mas que pena! Já sou padre! Os escrutínios já aconteceram e você perdeu esta chance. Talvez você ainda consiga nalgum seminário do Brasil o troféu que procuras. Ou talvez você simplesmente reconheça que há o bem e santidade não somente em São Pio X ou em São Pio de Pietrelcina ou Santa Catarina de Sena, mas que há santidade em pessoas comuns que lhe rodeiam. Mas penso que isso não é possível de acontecer devido às suas categorias de pensamento. Elas não lhe permitem pensar e enxergar de outro modo. Bom, então que você permaneça exatamente assim como és sem sombra de mudança, pois, você também faz bem à Igreja. E, se puder, me esqueça. Não sou um padre famoso ou que possa extraviar as pessoas. Escrevo num blog que não tem nem 200 acessos; nem 20 leitores. Você é muito importante para notar-me. Deve ocupar-se com pessoas mais importantes que eu. Deve importar-se com Padre Fábio de Melo.
Que Cristo permaneça em seu coração!
* * *

domingo, 11 de julho de 2010

Minha indignação com os puritanos

As batalhas que o mundo hoje trava no campo das idéias são bárbaras. Talvez mais que aquelas nas quais se derrama sangue. Tenho pena de quem sofre linxamento público e falo do Padre Fábio de Melo. Já tive meu momento "Fábio de Melo" de colecionar CD's e tal. Existe muita gente preocupada com o que ele diz, escreve, canta... Muita gente achando-o herege e coisa do tipo... pois bem, um herege me ajudou no seminário e sou padre hoje porque as músicas desse herege, em algum momento da minha vida, fizeram sentido pra mim. Estou aqui para comentar as frases dele que um blog publicou. O link do blog está aqui.

"Tenho amigos homossexuais”. - E daí que ele tenha amigos homossexuais? Por acaso um padre deve morar numa redoma de vidro e se livrar das presenças pecadoras? Eu sinceramente não escolheria para amigo ou amiga os puritanos que publicaram isso.

“Nunca vivi e nem experimentei qualquer tipo de abuso, mas já encontrei casos”. - unhum... isso é novidade pra todo mundo né!!! Ah, pára, pelo amor de Deus!!! Quem não sabe que existem muitos abusos a crianças e um padre acolhe a angústia de todos, sobretudo dos mais fragilizados.

“Gosto de carnaval. Eu trabalhava no carnaval antes do seminário. Desenvolvia carros e quase fui pra Mocidade de Padre Miguel, no Rio”. - Ok. E qual o problema nisso? Eu trabalhei numa fábrica. Outro amigo que hoje é padre foi da Congregação Cristã. E daí?????? Tenho um grande amigo padre que sabe todos os sambas de enredo dos carnavais e é um santo homem. Santidade de vida não é levar uma vida asséptica, fora do mundo. Santidade de vida é ser santo no cotidiano da vida e gostando das coisas mais triviais que existem. Mente poluída é a treva! Isso é coisa de gente reprimida.

“Sempre fui um menino bom. O mundo me afeta e já errei muito por causa disso”. - Certo e todo mundo é assim. Quem não é afetado pelo ambiente levante a mão! Quem nunca errou sendo influenciado por coisas externas que atire-lhe a primeira pedra!!! Qual o problema dele dizer que já errou? Ele é um deus por acaso, ou o sacerdócio é um sistema de pequenos-deuses onde estes pequenos-deuses deixaram de ser humanos e de errar????

“Já nasci ouvindo ‘Jesus Cristo’ do Roberto Carlos no parto”. - Afff... essa pra mim foi a pior.

“Dimuíram os pedidos de casamento. Estou em baixa (rs)”. - No coments. A pessoa que publicou deve ter ficado feliz.

“Tenho mais liberdade no celibato”. - Ele está completamente certo. O celibato existe justamente para isso e a castidade também: para nos fazer livres. É por sermos livres que podemos abraçar o sacerdócio por amor a Cristo e à Igreja. Qual o problema??? Ele deveria queixar-se do celibato como um peso??!?!?!?!??? Simplesmente não entendo!

“Chico Xavier só fez o bem e o admiro muito, mas não acredito na fé dele”. - Isso se chama fé lúcida. O diferente disso é o obscurantismo.

“Tento resolver todos os dias a minha sexualidade”. - kkkkkkkkkkkkkkk.... pra mim isso foi o fim da picada. Creio que quem postou esta frase com o intuito de o denegrir (como está no tópico frasal do blog citado) tenha sua sexualidade completamente resolvida! Congratulations for you! Há pessoas que colocaram a sexualidade num pedestal inatingível. Inatacável e intocável. Geralmente são recalcadas, reprimidas, tristes...

“Não me chamam de gostoso. Me chamar de gostoso seria um desrespeito” - Ele é um homem público e lida com o assédio. No entanto, sabe dar o devido espaço para o respeito aconter. Cadê a heresia disto?

sábado, 10 de julho de 2010

Comentário sobre Lua Nova


Eu sei que já estreou o terceiro filme da série, mas, só tive tempo agora para publicar uma análise que eu fiz do filme Lua Nova. Primeiro, uma questão: Existe uma dignidade intrínseca ao ser humano? Quer dizer, nós valemos algo por sermos humanos ou não (isso não traduz o termo dignidade, mas chega próximo)? O quê ou quem nos diz e nos serve de parâmetro para medir nossa real dignidade, para nos servir de feedback na auto-compreensão e auto-avaliação permanentes que nos impomos (ou não, para alguns)? Estas perguntas são importantes para a vida de um ser humano comum, no entanto, elas não tem lugar em Lua Nova. Lá é tudo NO SENSE, sem sentido, sem parâmetros, sem alteridade. Há somente o ERGO SUN... poderiam até ter pego toda a frase de Descartes COGITO ERGO SUN com suas consequências reais: Penso, logo existo. Se existo é porque o parâmetro lógico que me garante a condição de possibilidade da existência é o pensamento lógico e não Deus. Se pegassem este parâmetro eu ficaria feliz mesmo retirando Deus do limite existencial, porque a luz natural da razão também pode levar a Deus e necessariamente leva se há lisura e imparcialidade. Mas pegaram somente o EU SOU. O eu, centro de uma revolução sem sentido, sem início e sem fim, mediado apenas por instintos!!! Instintos!!! O ser humano é só instinto??? Quer dizer, você não vai ao banheiro toda vez que lhe dá vontade? Isso já basta para dizer que em Lua Nova depreciaram totalmente a razão, deixaram-na de lado, execraram o que há de belo no ser humano que é sua capacidade para a alteridade e fizeram um arremedo de existência completamente sem sentido. Bom, chega de divagações... vou agora descer à minúscias do filme... espero que você me acompanhe.

Primeiras impressões

Cinema cheio... puxa vida, como têm gays vendo este filme! Ah, gritos. Muitos gritos quando o lobo aparece sem camisa com barriga tanquinho... Escuro, muito escuro esse filme. Não pela escuridão natural do cinema, mas, tem um clima dark... (ah é um filme de vampiros. Ok. Mas, o "Drácula de Bram Stocker" não era nem de longe tão underground).

Análise

Bela: Antissocial; suicida.
Edward: apologia ao suicídio. Adulto/adolescente de 100 anos que não amadureceu.
Neste filme há uma inversão do conceito de pecado: quem poderia culpar Edward (ou Bella!) de algo que a pessoa não domina? Isto está explícito numa fala de Edward no início do filme. É o mesmo que dizer, nas entrelinhas: meu caro/minha cara homossexual, você não é culpado/a por ser assim! Viva feliz! Seja feliz! Uma vez que você não tem domínio sobre sua sexualidade, a você não pode ser imputado nenhum ditame moral porque a moralidade dos atos humanos reside na liberdade com que são praticados, portanto, não havendo liberdade não há moralidade no ato e este se torna, portanto, amoral. Pronto! Está resolvido o problema da homossexualidade juvenil/adolescente. Certo?! Não! Errado!!! Acontece que a sexualidade humana está no parâmetro da razão e pode ser controlada. Basta uma simples prova: existem padres e freiras castos, celibatários, que provam que o ser humano é capaz do auto-controle sobre sua sexualidade. O impulso biológico da libido pode ser controlado pela razão (bom, mas o filme esquece-se de que existe razão humana...).
O Sonho de Bella: ser aquilo que ela não é e não pode ser: "me transforme".Uma realização/idealização inatingíveis. Ideais surreais e ilusórios próprios da adolescência.
A perda da identidade: "Eu não quero ter alma sem você". Bella se perde no seu príncipe encantado que tudo resolverá num passe de mágica! A ela não importa perder a alma, a vida. Isso me impressionou muito. Ela deixa isso muito claro quando quer morrer diversas vezes: pulando do penhasco, caindo de moto, etc... Perder a vida não é importante. Importante é conseguir Edward!!! Uau!!! Fazendo uma atualização disso pro mundo real: Perder a vida é importante sim porque é a única coisa que temos realmente de valor. As coisas materiais passam e viram pó. O amor platônico de Bella idealizado no vampiro adolescente de 100 anos a fez fechar os olhos para o mundo ao seu redor. O mundo consumista faz a mesma coisa com nossos adolescentes. Cuidado! Sua alma é preciosa porque você tem altíssimo valor diante de Deus. Os que perdem sua alma a dão ao demônio e eu sei bem o que é isso porque já vi com meus próprios olhos. Não é romântico como no filme, posso garantir.
Bom, andei anotando algumas atitudes de Bella: Essa personagem me intriga: ela sofre com o fim do namoro, coisa normal. Porém, tem uma auto-piedade que beira à auto-comisseração. Existe uma insuportabilidade ao sofrimento e um histerismo no sofrimento como se isso não fizesse parte da vida humana e como se Edward fosse a chave de ouro que resolve todos os problemas de sua vida!!! Puxa vida!!! Isso não existe. Não há um ser humano perfeito, completo, capaz de dar a você ou a mim a resolução de todos os nossos problemas e questões, mesmo que esta pessoa tenha 100 anos! Vamos conviver com nossos limites e frustrações até morrer e isso é fato. Fugir disso num histerismo frenético é imaturidade e incapacidade para lidar com as questões concretas da vida. Aliás, vejo muitos adolescentes que passam muito tempo navegando na internet, vendo discovery kids e mais um monte de coisa NO SENSE que simplesmente não conseguem suportar o sofrimento. A depressão será a doença do século XXI porque as pessoas não sabem sofrer. Não sabem sofrer porque não aprenderam a conviver. Que triste!
Um quadro interessante: Bella autista. Bella na janela após o rompimento com Edward. As estações se sucedem, tudo acontece fora da casa. Ela está fora do mundo. O pai é ninguém. É um tal Charlie qualquer. Ela possui um comportamento irracional, pois demonstra que o mundo não tem importância. O que importa é somente ela e seu sofrimento. Afff... haja estômago! Eu durmi no cinema! Como pode uma pessoa em sã consciência cultuar o sofrimento, colocá-lo num pedestal de santo, incensá-lo e brigar com o mundo para continuar sofrendo??? Eu nunca vi isso, juro! É insano! E o que mais me intrigou foi que grande parte do cinema, a imensa maioria, se identificava com Bella Swan e reagiam àquilo que ela passava... será que estamos emburrecendo como humanidade?
Há um círculo vicioso: Bella, Edward, Jacob. Não consegui entender a tensão entre os três. Existe uma regulação não bem entendida da pulsão sexual. Bom, Edward é vampiro e Jacob um lobo. Qualquer coisa com qualquer um dos dois seria anti-natural, mas não é este o motivo da castidade no filme. O motivo é a idealização do outro: O outro (Edward, Jacob) é aquilo que eu não sou e nem consigo atingir, porque o idealizei de tal maneira que se acontecer algo real, a magia da ilusão acaba e acordarei no mundo concreto! E no mundo concreto Bella tem um grande desejo auto-destrutivo. Isso ela demonstra em seu rosto. Ela nunca está bem, nem quando está acompanhada de um dos dois. Está sempre infeliz, com olhar evasivo, triste e culpando o mundo por seu romance ter falido. Bella não tem saúde emocional boa nem para ter uma relação sexual normal, por isso ela se atrai pelo excêntrico. Uma pessoa normal compreende sua sexualidade na totalidade de seu ser homem/mulher. Bella não se reconhece como mulher. Ela é parte do Edward! Quando acaba o romance, ela literalmente morre! O eros é a pulsão da vida, dizia Platão. Se não há vida, não há eros! O ser humano só se reconhece como tal na alteridade, no contato com o outro. Uma amiga psicóloga, Dra. Maria Lenes, nos dizia certa vez que um ser humano normal tem 3 tipos de relacionamento: 1) corredor: bebê - Mamãe onde a mãe é vital para a sobrevivência do bebê. Sem a mãe o bebê morre. 2) Triangular: bebê - mamãe - papai onde o bebê já consegue se distinguir da mãe e também consegue entender uma terceira pessoa que é chamada de pai. Pai e mãe nesse estágio são relacionados à proteção e alimentação: são aqueles que provêem. 3) circular: criança, amiguinhos, coleguinhas, professores, papai, mamãe, titio, primos... etc... É o amadurecimento da alteridade: o outro é outro e não eu. É o amadurecimento da personalidade que irá se tornar adulta e capaz de se relacionar com o diferentee até com o oposto homem/mulher, por exemplo. Bella mantém o tipo de relacionamento corredor (1) com Edward. Sem o Edward, Bella morre. É quase simbiótico e muito estranho também, uma vez que Edward não demonstra traços viris, embora seja homem. Seria ele apenas uma projeção que Bella faz de si? A mim parece que os dois são iguais, ou Bella quer ser igual a Edward: "não sou boa o bastante para você?".

Bom, termino aqui minha ressenção sobre Lua Nova. Espero que você goste (ou não) e diga sua opinião. Penso que o filme é um desserviço à formação da maturidade humana nos adolescrentes. É uma caricatura de relacionamentos irreais, inautênticos e autista (Bella). Isso é grave! Autismo social é grave! Boa leitura...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Pensamentos meus que eu gosto... Pensées!


(Se copiar, favor citar a fonte...)

1. Entre eu e o Objetivo não tem nada, ou nada tem importância. Só eu, a montanha, o sol e o céu!

2. Eu queria abraçar o mundo... curar toda chaga e toda dor. Vontade de recompor o que está dilacerado e partido... de amar somente...

3. E
u me apego às pessoas. Isso me causa muita dor. O desapego é algo que se aprende. Não é dado em um pacotinho no dia da ordenação. Uma coisa me ajuda nesse processo: a pobreza. Ser pobre para ser livre. Ser pobre para ser pastor. Ser pobre para ser celibatário. Ser pobre de paróquia: estou aqui e ela não me pertence, nem o povo. Ambos são de Deus. Ser pobre dos bens: nada aqui é meu. Tudo é ganhado: o sapato que eu calço, a roupa que visto, o computador que eu uso... sabe, acho uma tremenda ilusão acharmos que somos os tais, que temos as coisas, que fazemos e acontecemos... tolice! tudo passa... tudo é vento, como diz o Eclesiastes... nada é duradouro nesse mundo... o único bem inamovível é Deus. Até o sacerdócio, excelente em si, nada é se comparado ao único bem de nossa alma; Deus. Tenho aprendido a me desapegar para ser livre. Vivo o desapego por uma causa, Jesus. Caso contrário seria sem sentido. Ainda não precisei fazer uma grande mudança e desapego em minha vida porque hoje estou na minha cidade natal. Minha mãe mora na paróquia vizinha. Almoçamos juntos todos os sábados. Mas creio que ainda chegará esse dia... e que ele venha.

4. Burrice é uma coisa contagiosa. Tome muito cuidado!

5. Sempre gostei da síntese. Sempre busquei sintetizar, para minha experiência vital, tudo o que meus professores diziam e aquilo que era possível absorver nas leituras que fiz ao longo da vida. Desconfio dos livrescos, pois, quem pensa com a cabeça dos outros não consegue pensar com a sua própria.

6. Há católicos de todos os tipos. Os que me dão medo são os que são mais católicos que o Papa.

7. A beleza do céu é assim: Pura e simples. Sem exageros ou disfarces. A beleza do inferno precisa de maquiagem e piercings, tatoos e mini roupas, bebida, sexo e drogas.

8. O que faz a perfeição e a santidade do ser humano não é a sua busca pessoal e neurótica por santidade e perfeição, mas é sua capacidade de amar desinteressada e intensamente cada irmão que passa ao lado com o fogo do amor divino.

9. Nós sacerdotes somos a audácia de Deus para um mundo que o necessita e o busca!

10. Os que nos ridicularizam gostariam de ser como nós. Como não podem, preferem nos jogar lama para ficarmos parecidos com eles!

11. Matando um leão por dia... e tem uns bem bravos! É complicado demais lidar com o ser humano. As vezes prefiro as vacas.

12. Não é o ódio ou a tristeza que movem o mundo, mas o amor. Ódio e tristeza enfeiam o mundo. O amor o torna belo. Aos amigos.

13. O remédio comunista para a humanidade, na modernidade, matou 100 milhões de pessoas. Nada matou tanto na história da humanidade!

14. Há quem confunda tristeza com solidão. Não são as mesmas coisas. A primeira é ausência de alegria. A segunda, presença de Deus. Na primeira não há alento, na segunda, a profunda presença de Deus que constrói por dentro o ser.

15. O homem de cultura do século passado foi capaz de cultuar o nada, a morte e o desespero. A angústia foi sua companheira e o abismo uma constante ameaça. Hoje, dia de finados, descobrimos que somos os mais felizes da face da terra, pois, entendemos o que pode vir a ser a esperança: aquilo que está além de nós, nos antecede e ao mesmo tempo nos alcança; que é capaz de fazer o presente ter sentido simplesmente porque há um por quê e um futuro. Quem viveu do nada, da morte, do desespero e da angústia tentou tudo, menos, olhar para o Alto e para o homem nu que pendia da cruz.

16. Para o relativista tudo é relativo, menos o seu dogma do relativismo. Pois, se até este dogma for relativizado, nada mais resta ao relativista senão o suicídio intelectual, visto que tudo foi por ele demovido do Templo da Verdade.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A candidata Dilma Roussef

Bom, pra começo de conversa... em quem você votará nas próximas eleições? Estou decidindo ainda em quem votarei, porém, uma coisa é certa: em Dilma não votarei. Explico-me melhor. A intelectualidade da esquerda hegeliana, gramisciniana e marxista das Universidades Federais do Brasil geraram a esquerda que só pensa em termos da dialética marxista da luta de classes. Infelizmente essa praga tbm entrou na Igreja Católica, a conhecida Teologia da Libertação (que aqui não vem ao caso discutir). Esta "elite intelectual" brasileira ainda discursa com os parâmetros sociais de 50 anos atrás quando a ordem social era outra da atual e para a qual o discurso marxista e congêneres caiu como uma luva nas mãos dos que de fato queriam "um outro mundo possível" e que tinham a míope capacidade de ver o mundo apenas em preto e branco. Mas, bah... que outro mundo possível foi criado?!?!?!? Só vi, onde foi possível perceber os rastros históricos, ditadura sobre ditadura; absolutismo sobre absolutismo; poder pelo poder; controle por controle como ainda o é na China, em Cuba e nos demais "paraísos" da esquerda... Sem contar no rastro de sangue, chacinas, suicídios e da velada cruzada contra os que crêem (defendo agora meu peixe) como no caso nos absolutismos do Séc. XX que tiveram entre suas metas dinamitar a religião e Deus do meio do povo (ó, quase escuto o Marx gritando no meu ouvido e seus discípulos-kamikazes repetindo à exaustão suas palavras....). Sinto muito, mas acho que o discurso da esquerda perdeu sua legitimidade uma vez que não conseguiu mostrar nenhuma eficência positiva em relação à construção de uma sociedade segura, capaz, humana. Por esses e outros motivos, eu não voto em Dilma, eu detesto a esquerda, não possuo idéias ofuscadas, tampouco elististas... não me acho Deus no pedestal da Justiça com capacidade de julgar a todos e condenar. Só penso que precisamos de pessoas decentes no poder, precisamos de exemplos e dignidade e isso não poderemos ver na esquerda ou no PT, isso eles não nos dão. O que nos é dado são "coisas" do tipo: José Gomes Temporão, José Dirceu, Jandira Fegalli, Nilcéia Freire, etc... O partido desta candidata reza assim em sua Resolução:

No 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores (PT), ocorrido entre agosto e setembro de 2007, foi aprovada a resolução “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”

No 10º Encontro Nacional das Mulheres do PT realizado em Brasília nos dias 17 e 18 de maio de 2008, foi aprovada uma resolução propondo a instalação de uma Comissão de Ética para os parlamentares antiabortistas, com “orientação para expulsão daqueles que não acatarem e não respeitarem as resoluções partidárias relativas aos direitos e à autonomia das mulheres” .

No dia 11 de novembro de 2008, os deputados Luís Bassuma (PT/BA) e Henrique Afonso (PT/AC) receberam a notificação da Comissão de Ética do Diretório Nacional do Partido.

Eu não sou perseguidor. Só não gosto de dar a faca ao assassino!