Os críticos do assistencialismo do Governo Lula/Dilma dirigem grande parte de suas análises ao mega programa assistencialista do Governo Federal. Com enxurradas de vídeos no Youtube mostrando o próprio ex-presidente Lula discorrendo sobre o modo de cooptar o voto das massas por meio de doação de cestas básicas, alguns críticos ficaram no lugar-comum de classificar este modelo de governo como paternalista. No entanto, paternalista ele não é. Este modo de governar possui outro modelo. Vou tentar ser claro e direto na minha análise.
É paternalista este governo?
O Governo Lula/Dilma oferece bolsa-família, bolsa-cidadã, os governos estaduais seguindo a mesma lógica oferecem vale-leite, vale-pão, vale-gás, vale-energia elétrica, etc. A seguir vieram as outras bolsas: auxílio reclusão para os presos, bolsa-crack para tratamento de viciados em crack, bolsa-universitária entre outros auxílios. Fora estes auxílios em espécie, o governo ainda distribui gratuitamente durante o carnaval milhões de camisinhas e promove seu uso. Bom, tudo isso oficialmente. E o dinheiro doado extra-oficialmente nos mensalões, cuecas, malas; para os aloprados, os anões, os laranjas, os lobistas, os marqueteiros, os empreiteiros, os banqueiros, os políticos, os bicheiros, etc. Bom, ainda tem as emendas parlamentares, as emendas orçamentárias, os projetos individuais dos deputados e senadores, os cash a fundo perdido, os mil projeto disso e daquilo que paga 2 milhões pra construir um poste no meio do nada... O fato é que o Governo está com as burras cheias para distribuir dotes matrimoniais a todos os seus amantes. O Governo não é um pai. Por um lado se comporta como o arquétipo da grande mãe, por outro se comporta como uma grande prostituta!
Só para uma boa digressão, vou colocar aqui o texto do oráculo do profeta Oséias contra Israel (cf. Os 2,4-7) e volto em seguida.
Um pouco de teoria não faz mal...
Na sua obra "A inaceitável ausência do pai", o psicanalista italiano Cláudio Risé contempla de vários ângulos o problema da ausência do pai do consciente coletivo. "O pai, diz Risé, ensina e testemunha que a vida não é apenas satisfação, confirmação, garantia, mas também é perda, falta, cansaço. [...] a sua primeira função psicológica e simbólica é organizar, dar um objetivo [...]. Por isso pai inflige a primeira ferida, afetiva e psicológica, interrompendo a simbiose com a mãe" (RISÉ, 2007, pg. 11-12). O pai personifica a ordem, a lei, o rumo, o objetivo. Como o pai está no início, está também no final. Como o pai causa a ferida, também possui o modo de superar esta ferida narcisista causada na separação simbiótica da mãe. Como o afirma o autor, é ele quem possui o dever de ensinar a criança a fazer a passagem para a idade propriamente adulta. A simbiose com a mãe vai sendo rompida aos poucos: primeiro com o nascimento, depois com o desaleitamento, depois com a articulação das palavras e a interação com o mundo, finalmente com o pai quando este arranca a criança do domínio da mãe ferindo seu desejo narcisista e onipotente de continuar a simbiose. No entanto, para a criança crescer saudável é preciso infligir esta ferida.
"A figura paterna dá à vida do homem uma direção, realizada mediante a renúncia ao caos, à desmedida, ao mal" (Idem, pg. 27). A relação com o pai liga o homem diretamente a Deus. O eclipse do pai terreno, da lei, da ordem, da justa medida, do rumo certo e do objetivo corresponde ao eclipse de Deus na sociedade contemporânea e realiza-se assim a derrocada do homem.
Sobre o eclipse de Deus, O Pai.
Segunda digressão. Parte da homilia do Santo Padre, o Papa Emérito Bento XVI na homilia de natal de 25/12/2012
O Estado brasileiro como a Grande Mãe
Depois dessa digressão sobre Deus Pai e, tendo explicado o papel do pai terreno na família, vamos compreender como o Estado assume o papel não de pai que dá ordem ao caos, mas, de grande mãe (como vimos de lampejo no segundo parágrafo deste texto).
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RISÉ, Cláudio. A inaceitável ausência do pai: paternidade e seus desafios na sociedade atual. Trad. Claudia Sheeren. Vargem Grande Paulista, SP: Editora Cidade Nova, 2007.
Só para uma boa digressão, vou colocar aqui o texto do oráculo do profeta Oséias contra Israel (cf. Os 2,4-7) e volto em seguida.
Processai vossa mãe, processai, porque já não é minha mulher e já não sou seu marido. Afaste ela de sua face suas fornicações e seus adultérios de entre os seus seios, para que eu não a desnude como no dia de seu nascimento e não a torne como um deserto; para que eu não a reduza a uma terra seca e não a deixe perecer de sede. Não terei compaixão de seus filhos, porque são adulterinos. Sim, sua mãe cometeu o adultério, desonrou-se aquela que o concebeu. Ela disse consigo mesma: Seguirei os meus amantes, que me dão meu pão e minha água, minha lã e meu linho, meu óleo e minha bebida.
Um pouco de teoria não faz mal...
Na sua obra "A inaceitável ausência do pai", o psicanalista italiano Cláudio Risé contempla de vários ângulos o problema da ausência do pai do consciente coletivo. "O pai, diz Risé, ensina e testemunha que a vida não é apenas satisfação, confirmação, garantia, mas também é perda, falta, cansaço. [...] a sua primeira função psicológica e simbólica é organizar, dar um objetivo [...]. Por isso pai inflige a primeira ferida, afetiva e psicológica, interrompendo a simbiose com a mãe" (RISÉ, 2007, pg. 11-12). O pai personifica a ordem, a lei, o rumo, o objetivo. Como o pai está no início, está também no final. Como o pai causa a ferida, também possui o modo de superar esta ferida narcisista causada na separação simbiótica da mãe. Como o afirma o autor, é ele quem possui o dever de ensinar a criança a fazer a passagem para a idade propriamente adulta. A simbiose com a mãe vai sendo rompida aos poucos: primeiro com o nascimento, depois com o desaleitamento, depois com a articulação das palavras e a interação com o mundo, finalmente com o pai quando este arranca a criança do domínio da mãe ferindo seu desejo narcisista e onipotente de continuar a simbiose. No entanto, para a criança crescer saudável é preciso infligir esta ferida.
"A figura paterna dá à vida do homem uma direção, realizada mediante a renúncia ao caos, à desmedida, ao mal" (Idem, pg. 27). A relação com o pai liga o homem diretamente a Deus. O eclipse do pai terreno, da lei, da ordem, da justa medida, do rumo certo e do objetivo corresponde ao eclipse de Deus na sociedade contemporânea e realiza-se assim a derrocada do homem.
Sobre o eclipse de Deus, O Pai.
Segunda digressão. Parte da homilia do Santo Padre, o Papa Emérito Bento XVI na homilia de natal de 25/12/2012
Deus tem verdadeiramente um lugar no nosso pensamento? A metodologia do nosso pensamento está configurada de modo que, no fundo, Ele não deva existir. Mesmo quando parece bater à porta do nosso pensamento, temos de arranjar qualquer raciocínio para O afastar; o pensamento, para ser considerado «sério», deve ser configurado de modo que a «hipótese Deus» se torne supérflua.Estamos completamente «cheios» de nós mesmos, de tal modo que não resta qualquer espaço para Deus. E por isso não há espaço sequer para os outros, para as crianças, para os pobres, para os estrangeiros. Se é incontestável algum mau uso da religião na história, não é verdade que o «não» a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então, este deixa de ser a imagem de Deus, que devemos honrar em todos e cada um, no fraco, no estrangeiro, no pobre. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros.
O Estado brasileiro como a Grande Mãe
Depois dessa digressão sobre Deus Pai e, tendo explicado o papel do pai terreno na família, vamos compreender como o Estado assume o papel não de pai que dá ordem ao caos, mas, de grande mãe (como vimos de lampejo no segundo parágrafo deste texto).
"Na fase oral (do desenvolvimento psicológico de um ser humano normal) o mundo se torna conhecido sendo comido e usufruído para obedecer ao princípio do prazer, vivido na sua modalidade "devorante" [...] a atual sociedade de consumo trata o indivíduo como consumidor que se satisfaz empanturrando-se de produtos e deliciando-se com os bens fabricados. [...] A atividade psicológica da Grande Mãe em seu aspecto devorante tende, justamente, a manter o indivíduo numa posição "oral", impedindo-o de evoluir até os mais desenvolvidos níveis de consciência. [...] Conserva-se o poder da Grande Mãe mantendo o indivíduo na dimensão infantil, de imediatez, e poupando a ele a fortificante experiência da privação" (RISÉ, 2007, pg. 85).
Esta sociedade sem pai, afirma Risé, é fortemente patológica. Ela desenvolve grande número de fobias, neuroses, psicoses, uma perversão grave, além de masoquismo, sadismo e as regressões a níveis infantis do desenvolvimento. A tudo isto junta-se o clima angustiante e ansioso gerado pela tensão provocada pela ausência da lei e da norma (RISÉ, 2007, pg. 24). No entanto, a sociedade "sem pai" "não desconhece essa tensão e ansiedade geradas pela falta de lei e de norma. A ansiedade se transforma em agressividade individual e coletiva caótica, assim, para se dar vazão à ansiedade geral criada pela falta de limites. Procura[-se] desviar essa agressividade com técnicas não-limitantes como [...] a desinibição erótica e sádica através do cinema e das publicações; álcool e tabaco com seus afeitos de atordoamento e/ou excitação; tranquilizantes [...]; alucinógenos; televisão; uso do carro [...]; terapia do sono [...]. O sentido de tais técnicas não limitantes é fornecer satisfações narcisistas fortemente regressivas e, por este caminho, atenuar a agressividade reativa de indivíduos, cuja imagem de si foi destruída" (Idem, pg. 94/5).
O Governo Grande-Mãe promove um certo tipo de educação com o suprimento destas necessidades narcisistas básicas e assim, mantém o populacho preso a si na dependência infantil, passiva, vivendo dats tetas da grande mãe. O Estado-Mãe transforma o sadismo em lei, libera entorpecentes para anestesiar a angústia e a ansiedade e aprova-se o aborto:
As vidas não funcionais para as lógicas do princípio do prazer e da produção-consumo, aquelas que absorveriam o precioso tempo dedicado às empresas como trabalho, ou aplicado na busca de diversões, são silenciosamente apagadas antes que possam protestar. [...] o despacho para a morte, de resto, não acontece somente por meio do aborto ou das múltiplas tragédias que a indústria do divórcio organiza. Acontece também, por exemplo, com a política de liberação das drogas, que, num número de anos não muito distante, permitirão ao biopoder livrar-se daqueles sujeitos sem condições de participar de seu desenvolvimento e de suas pompas, se não justamente na qualidade de ótimos consumidores de drogas (Ibidem, pg. 104-106).Isto vemos no Brasil com as secretarias do Governo Federal para as minorias, os LGBT, as mulheres, os negros, os índios, as cotas das universidades, as diversas iniciativas para aprovar o aborto e a liberalização da maconha, dos jogos de azar e outras prática-fugas da realidade. Não precisamos de um governo Grande Mãe. Precisamos de um governo-Pai, não mãe. Um Governo que corrige rumos e desvios, aprova leis justas e coercitivas dos abusos, prende, julga e condena os criminosos; zela pelo crescimento de todo o tecido social conforme o que é reto e contrário ao erro. Precisa-se urgentemente de um Governo-Pai porque o Governo Grande-Mãe está afundando a nação.
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RISÉ, Cláudio. A inaceitável ausência do pai: paternidade e seus desafios na sociedade atual. Trad. Claudia Sheeren. Vargem Grande Paulista, SP: Editora Cidade Nova, 2007.







